Enchanted

4 Lembrança - Parte 3


Notas iniciais
Perdoem os erros e não desistam de mim ♥ 'haha' Apreciem a leitura e se deixem ser encantados. BOA LEITURA ♥

Lembranças — parte 3

Winthrop

Narração em 3ª pessoa

10 anos antes

Haviam-se passado cerca de 4 a 5 horas, e as pessoas estavam novamente se reunindo naquele lugar de onde Kristopher não havia saído. Novamente ouvia-se todo o tipo de assunto entre as pessoas, e ainda era frequente ouvir alguns discutindo sobre a floresta. E Kris viu ao longe sua nova amiga Bryn junto um garotinho que aparentava ter seus poucos 3 anos. O menor tinha no rosto uma expressão como se houvesse parado de chorar naquele momento, e só sorria pois Brynhild estava fazendo as mais diversas caretas para seu divertimento.

O jovem príncipe observou a garota que ainda não tinha se tocado que estava tendo cada uma de suas atitudes gravada na mente do novo amigo. E é claro, a atitude do menor não passou despercebida pelo pai que notou o interesse do filho em observar a garota.

— Quem é ela filho? – perguntou o homem vendo que o filho se assustou por estar concentrado e nem ter percebido que estava frente ao pai.

— Quando o senhor saiu ela se sentou ao meu lado, e conversamos. – dito isso o menino sorriu e olhou para o pai com um brilho de conquista no olhar – Ela disse que queria ser minha amiga pai. Ela vai ser minha melhor amiga, papai! – ele falava com tanta felicidade que o pai não conseguiu não sorrir junto ao filho.

— Ei garotão, não se esqueça dos seus primos. – falou e logo riu. Mas o garoto não acompanhou o pai.

— El... Eles não... Eles não são meus am... – começou dizendo, mesmo que com certo medo de falar isso, mas foi interrompido pelo barulho da floresta.

Muitas pessoas viraram-se para o local de onde se proveu o som, e perceberam que as plantas do lugar estava se mexendo levemente. Alguns pensaram ser algum animal, e que seriam atacados, mas o que saiu de lá, fez a maioria preferir que fosse um animal.

Lá estava Frederick Millard, o Rei, completamente cheio de sangue, segurando um pequeno lobo de pelúcia, em sua mão esquerda de um modo estranho, pois aquela mesma mão segurava o que a algumas horas era o antebraço direito do homem, e agora só restava uma pequena dele, não tendo mais uma mão ou pulso.

No momento em que o tão amado rei apareceu naquelas condições na frente de todos, muitos ficaram sem reação, e simplesmente viram Frederick desabar no chão, frente a todos, acordando do transe ao escutar o som abafado do corpo tocando o chão ruidosamente. Os que mais estavam próximo correram e ajudaram-no a virar seu corpo para cima, de modo que às suas costas tocarem o chão ouviu-se um gemido de dor provindo dele. E viu-se um vulto correr até ele caindo perto de si com grossas lágrimas no rosto.

— Não entrem mais na floresta, nela não existem seres que devamos entender. Até que apareça um humano destinado, será um mistério para todos. E não tentem conseguir glória sendo este homem, ou com certeza morreram. — disse ele com certa dificuldade e olhou ternamente para o neto que ainda chorava sem qualquer outra reação, e levou sua mão ao rosto do menor fazendo-o olhar para si.

E com esse ato o menor chorou mais ainda, pois no olhar do avô viu o pedido de perdão e sentiu o pequeno lobo cair em seu colo, sem um dos braços, e parte do enchimento para fora em cor carmim, molhada pelo sangue do Rei.

— Não! N-não. NÃO! – o garoto gritou em suplica – V-vovô, eu sei que você vai ficar bem, não me olhe assim, não me peça desculpas! Você não fez nada de errado vovô. – Ele gritava com todas suas forças segurando a mão que estava em seu rosto, mas sua última visão do avô foi um sorriso terno, contudo, seu olhar de perdão não se perdeu até o momento em que ele fechou os olhos e sua mão caiu do rosto do garoto.

Todos que estavam naquele lugar estavam em prantos e chocados. Edward já não olhava mais para o pai, e simplesmente chorava com as mãos no rosto, sentido a pior dor que um dia teve, mas ao mirar novamente sua visão ao que estava a sua frente, viu o filho chorando desolado com o braço em cima do barriga do avô e o rosto tampado por eles. Pensou ele então, naquele momento, que tinha que se mostrar forte para o filho, mas não conseguiu.

Kristopher sentiu os braços do pai por cima de si e agradeceu por não ouvir palavras. Ele sabia que o pai tentaria se mostra forte e consolá-lo, mas não queria palavras, talvez nem mesmo gestos, mas agradeceu silenciosamente por tal ato, pois assim, se lembrou que não era só ele que amava o avô. E sim, que todos o amavam, e todos sofriam.

Foram todos para o castelo, depois de muito tempo chorando rente ao corpo do homem, e agora, com as estrelas a brilhar no céu e uma lua cheia mostrar sua beleza, estavam todos da família real, tentando se reunir a mesa. Contudo, nada se ouvia. Via-se em todos olhos marcas vermelhas e inchaço. Nas pessoas que trabalhavam no lugar, a situação não era diferente, e nem mesmo em qualquer outra casa da vila. Aquele fora com certeza, o rei mais amado de toda história de Winthrop até os dias atuais.

Cada um estava em seu próprio mundo. Nada se falou antes de cada um ir pegar o que comer, e nada se falou quando o primeiro a sair da mesa foi Kristopher, sem nem mesmo tocar na comida. Teve somente um pequeno ato de Edward, que tentou se levantar e foi impedido por Yndia, mulher de seu irmão Hupert, que olhou-o, dizendo silenciosamente que ele precisava de um tempo só.

Mesmo que poucos saibam, Kristopher naquele dia não foi ao seu quarto inicialmente, e sim ao quarto de seu avô. Admirou antes de entrar aqueles tão conhecidos arabescos de prata e ouro, mas diferente de antes que via-os como mágico, naquele dia viu neles o lamento por uma morte. Entrou então ao lugar e sentou na cama observando tudo e se lembrando de seus momentos felizes ali.

Viu a estante de cor vinho fosco e se lembrou de quando sentou ali e seu avô mexeu em seu cabelo, como se fosse um cabeleireiro que cortava o cabelo de soldado com aquele repetitivo corte. Lembrou que perguntou ao homem, por que era sempre o mesmo corte, por que não mudavam aquilo, e o homem riu. O garoto conseguiu escutar a risada do avô ecoar pelo quarto, de tão vivida era sua memória, e do mesmo modo, escutou o avô repetindo as palavras que foram ditas anos atrás, ‘Meu garoto, se quer tanto saber, é porque este é um corte de estilo.’. Ainda se lembrava do tom brincalhão do adulto que se seguiu por sua risada novamente.

Olhou também para a porta do banheiro, lembrando-se da vez que se escondeu ali, debaixo da pia. E horas depois, o único que o achou foi o avô, e o questionou por que estava se escondendo de todos. Mas sua única resposta foi o choro do garoto. Recordou que chorou mais ainda ao sentir os braços do homem acolhendo-o em um abraço consolador.

Passavam-se em sua mente muitas e muitas memórias, e as lágrimas voltavam a descer, enquanto o garoto se encolhia na cama que ainda tinha o cheiro do avô. O cheiro que ele tanto tinha se acostumado, e agora só se era sentido através de objetos, pois agora, seu corpo já não estaria mais ali para abraça-lo enquanto chora, ou mesmo quando está feliz. Agora o garoto não tem mais seu avô para brincar durante toda a tarde, ou alguém para recorrer quando o pai não puder. Agora, Kristopher se sentia como se houvesse perdido parte de si.

Enquanto estava chorando e relembrando de tudo que passou com o querido parente, veio a lembrança do dia em que ele estava chorando, pois seus primos, novamente o desprezaram, não deixando-o nem mesmo ficar perto deles. Entretanto, mesmo que o homem não soubesse o motivo das lágrimas, ele lhe abraçou e disse “Kristopher, meu querido neto, quero que se lembre que sempre, sempre mesmo haverá alguém com você. E não importa se essa pessoa não estiver ao seu alcance, porque ela vai continuar contigo. Essa pessoa, meu filho, é sua mãe, e por mais que você não possa vê-la ela está seguindo cada passo seu.

Todos aqueles que te amam, mesmo que não esteja mais entre você, vão estar ao seu lado.”. E então ele sorriu, pela primeira vez desde aquele brutal momento, o garoto sorriu, mas aquela dor não saiu, não acabou, e continuou lá fazendo-o se lembrar que também tinha culpa, pois se houvesse sido forte, o avô não teria entrado na floresta.

Contudo, mesmo com aquela culpa, ele saiu finalmente do quarto daquele que esteve sempre ao seu lado, e foi para o próprio, dormindo logo que deitou, de tanto cansaço pelas lágrimas derramadas.

Notas finais
Espero ter conseguido transmitir os sentimentos do meu amado Kris ♥ Críticas construtivas são SEMPRE bem vindas e amo interagir com meus leitores. ♥ Até o próximo :3