Enchanted
6 Capítulo 6 - Who Knew
Notas iniciais
Lissa não conseguia dormir. A noite anterior havia sido quase perfeita. A comida que Christian preparara estava ótima para variar. Tasha, a única parenta viva do namorado, havia a adorado e recepcionando-a muito bem. Mas a saída brusca de Rose a impediu de aproveitar o resto da noite. Sabia que havia algo errado com a amiga e a machucava que Rose não fosse tão aberta. Como poderia ajuda-la, então?
Com um suspiro, levantou-se da cama, percebendo que por hora todas as tentativas para dormir seriam em vão. Passou em frente ao quarto da amiga, cuja porta estava fechada, e dirigiu-se ao banheiro para lavar o rosto e ver se havia algum remédio para ajuda-la a dormir.
Rose havia ficado fora o dia inteiro. Christian havia a levado para casa após o jantar, mas já era muito tarde. Na manhã seguinte, Rose acordara muito cedo. Ela estava fugindo e Lissa sabia disso. Imaginou se a amiga achava que estava brava por ter saído tão abruptamente. Mas a única coisa que Lissa sentia era preocupação.
Seu celular que havia levado consigo vibrou. Uma mensagem de Christian.
Chef Chris diz: Acordada?
Lissa sorriu e sentou-se na tampa do vaso. Era incrível como ela e Christian pareciam em sintonia. Tudo o que ela precisava agora era alguma distração.
Liss diz: Sim. Não consegui dormir.
Chef Chris diz: Sinto muito. Gostaria de estar ai, faria a sua falta de sono mais agradável.
Lissa tampou a boca com a mão para não fazer barulho enquanto ria.
Liss diz: Isso seria bom. Mas Rose não gostaria.
Chef Chris: Falou com ela? Ela está menos mal-humorada?
Liss diz: Não é mau humor, é outra coisa, só não sei o que ainda já que ela fugindo de mim.
Chef Chris diz: Ugh. Isso é mal. Vai até o quarto dela agora e acorde, não vai ter pra onde fugir.
Antes que Lissa pudesse responder, ela ouviu um barulho no andar de baixo. Atentando-se mais, descobriu que Rose estava acordada e na cozinha.
Liss diz: Ela acordou. Vou atrás dela. Deseje-me sorte. Boa noite ♥
Não esperou pela resposta e saiu para o andar debaixo, atrás da amiga. Encontrou-a esquentando água. A caneca sobre a mesa indicou que ela fazia chá. Rose se virou e assustou-se com a súbita companhia.
– Ei, Liss... te acordei?
– Não, já estava acordada. – elas se encararam num impasse. Rose suspirou e continuou o processo – Rose, está tudo bem?
– Ah, sim, só preocupada com a faculdade. Assim que tomar o chá conseguirei dormir.
– Ontem também foi a faculdade?
Rose parou e seus ombros caíram. Ela sentou-se numa cadeira e ponderou se deveria dizer a Lissa que a culpa de seu momento foi de Tasha e da maneira como ela batia seus cílios para Dimitri e como o tocava, como seu corpo se inclinava para ele e ela ria oferecida. E também que foi culpa do Dimitri não parecer se importar com isso e esquecer-se da presença de Rose ali.
Não, melhor não.
– Adrian deve chegar essa semana. – soltou. Isso também a preocupava, e muito, mas não foi o motivo de sua raiva. – Estou um pouco tonta com isso. E com medo. Ele quer falar comigo depois de um ano... é desconcertante.
Lissa gemeu em cumplicidade e dirigiu-se à amiga, abraçando-a pelos ombros. Esperava que as intenções de Adrian não fossem brigar novamente. Ela sabia o que Rose havia passado após o grande término e não queria que tudo se repetisse.
– Vai dar tudo certo. Ele só quer conversar.
Rose engoliu a culpa que sentia por não ser capaz de contar toda a verdade a sua amiga junto com o chá, que desceu com um gosto amargo, deixando-a enjoada.
– Desculpe pelo jantar. Christian ficou muito chateado?
– Um pouco. Mas Dimitri foi quem mais ficou abatido. – Lissa se afastou e sentou-se ao lado da amiga – Escuta, vocês brigaram quando ele foi atrás de você? Depois disso ele ficou mais uns quinze ou vinte minutos e foi embora também, parecendo que tinha levado um tapa na cara. Tasha não gostou nadinha.
Parte de Rose ficou feliz por saber que estragara a noite de Tasha, deixando-a menos mal-humorada.
– Posso ter dito umas coisas ruins a ele. Mas eu estava nervosa, Liss. Depois eu e ele nos acertamos.
Lissa sorriu envolveu as mãos de Rose, apertando-as com gentileza.
– Não deixe Adrian te tirar do sério, okay? – pediu ela – Nem estragar sua relação com as pessoas. Dimitri pareceu realmente chateado com você.
– Pode deixar, Liss. Você deveria ir dormir agora, está com uma cara péssima. – quando ela hesitou, Rose se levantou e a puxou pelo braço – Vou ficar bem. Tomarei esse chá e vou dormir. Quando for, quero que a senhorita esteja sonhando já, me entendeu?
Lissa riu enquanto era dirigida para a escada por Rose.
– E você não demore também.
Lissa beijou seu rosto e a deixou, sentindo-se bem por ter conversado com Rose. Era bom que ela se abrisse mais, assim não ficaria irritada e descontando nas pessoas, como a noite anterior. Isso não fazia bem a ela.
Já Rose, não conseguiu se forçar a terminar o chá. Sentia-se ainda mais culpada após a conversa com Lissa. Dimitri havia ficado chateado com ela. Rose não gostava de quando brigavam, mas pelo menos sempre se resolviam logo; dessa vez, entretanto não ouvia sobre Dimitri desde a noite anterior. Ela admitia que talvez tivesse exagerado em sua reação, e definitivamente não deveria ter gritado com ele. Deveria ligar e pedir desculpas, iria ao Distrito se necessário, mas não suportaria tanto tempo mais sem a presença reconfortante dele em sua vida.
Mantendo a promessa que fizera a si mesma, Rose ligou para o Distrito na manhã seguinte. Porém, Dimitri não estava. Imaginou que talvez ainda estivesse em casa, mas lá ninguém atendeu também. Enviou então uma mensagem para o seu celular.
RH diz: Limpando as ruas, cowboy?
Não esperou resposta e enviou a seguida.
RH: Ei, hm, eu gostaria de te ver. Acho q te devo algo.
Ela não pediria desculpas daquela maneira, claro que não. Esperou cinco minutos e como não obteve resposta, foi tomar banho para ir à faculdade. Seu celular avisou-a de que havia uma mensagem logo que voltou.
Det. Belikov diz: As ruas estão seguras, senhorita. Também gostaria de te ver. Infelizmente, hoje o dia está cheio.
Rose deliciou-se com a sensação de alívio. Pelo menos Dimitri estava sendo simpático, e também gostaria de vê-la. Era um bom sinal, não era? Mostrava que ele estava sendo receptivo – e que não estava tão bravo assim.
RH: Q pena. Eu realmente gostaria de falar logo cm vc. Se tiver 15 min livres...
Sabendo que estava trabalhando, Rose não esperou pela reposta e continuou a se arrumar. Embora desse olhares de relance a todo o momento para o aparelho sobre a cama.
Det. Belikov: Eu te ligo assim que conseguir um espaço para respirar, tudo bem?
RH: Okeydokey, camarada. Se cuide.
Det. Belikov: Você também, Rose. Olhe a hora, não se atrase para as aulas... nem fique de olho no celular no meio delas.
Rose sorriu. Como ele sabia que ela ainda estava em casa, e sua tendência para se distrair – especialmente quando ele lhe disse que ele ligaria para ela durante o dia? Rose não se importava, estava apenas feliz que Dimitri estava cuidando dela e que eles ainda eram amigos.
Ou talvez... não. Pois o dia passou e a noite chegou e nada de Dimitri aparecer. E foi assim durante os próximos três dias. No domingo à tarde Rose começava a ficar ansiosa. Não conseguira pedir desculpas a Dimitri e mal falou com ele durante toda a semana. Ele demorava em responder as mensagens e certa vez, quando ela se arriscou a ligar para ele, ficaram na linha por um minuto antes de chamarem por ele na delegacia. Ao ver a amiga tão aflita, Lissa sugeriu que fosse dar um passeio. Sabia que as corridas ajudavam Rose quando esta tinha problemas.
Sendo assim, Rose correu pelo parque. Depois correu ao redor do lago. Por fim, caminhou por entre as lojas, mais especificamente, as confeitarias. Após ter se exercitado duas, talvez três, vezes mais que o seu normal, sentia muita fome. Para lidar com seu pensamento viciado, que não conseguia deixar Dimitri e sua promessa que retornaria quando pudesse (ele havia dito isso basicamente a semana inteira), nada melhor que o açúcar.
– Rose? Rose Hathaway, é você?
A voz caiu-lhe com amargura em seu estomago, revirando-o e pesando sua respiração. Rose fechou os olhos. Deveria ser uma alucinação. Era uma alucinação. Se ela ignorasse iria embora e sua paz não seria perturbada. Mas claro, ele não foi embora. Porque ele não era uma alucinação. Ele estava bem ali, atrás dela. Rose poderia até sentir seu exótico perfume amadeirado, lembrava uma mistura de cravo, canela e almíscar.
Adrian Ivashkov.
Rose virou-se vagarosamente, engolindo o ultimo pedaço do bolo que havia comprado. Ela o encarou e sentiu um espinho atravessar-lhe o peito. Tão lindo quanto na última vez que o viu, com seus cabelos, cor de amêndoa, bagunçados de maneira charmosa e um sorriso gracioso nos lábios. Adrian estava o mesmo, a não ser pelos olhos verdes numa tonalidade próxima de sua melhor amiga, Lissa. Os olhos estavam felizes e brilhantes, como quando eles se conheceram, tantos anos atrás. Magoava-a que ela fosse responsável por tê-los entristecido nos últimos anos.
– Adrian. – Rose suspirou, como se para ter certeza de que ele estivesse ali. – Achei que só chegava semana que vem ou... depois.
– Cheguei hoje. – deu nos ombros. Ele esquadrinhou o rosto de Rose. Ela continuava linda, e parecia bem. Não, ele não se deixou enganar-se. Ali, bem no fundo dos seus olhos, havia algo que o fez franzir a testa. – Está tudo bem? Te encontrei numa má hora.
Rose agiu da maneira que ele imaginou. Não demonstrava fraqueza, nunca. Ela desviou os olhos e seguiu para a porta do estabelecimento.
– Sim, estou bem. – ele a seguiu até a rua – O que faz aqui Adrian?
– Faz séculos que não como um desses bolinhos, já que estou aqui eu...
Rose virou-se bruscamente para encará-lo e interrompeu-o.
– Não. O que você faz aqui Adrian?
Adrian suspirou. Estendeu a mão para uma mecha de cabelo de Rose que dançava ao vento, mas a jovem se afastou do toque. Vendo que ele não respondia, a morena revirou os olhos e voltou seu caminho.
– Eu precisava te ver. – disse Adrian ao seu encalço.
– É? Okay, já me viu, pode ir.
– Eu precisava -- preciso, falar com você.
– Não temos nada para falar. Já dissemos tudo o que precisávamos dizer. Você com certeza disse.
– Rose, não faça isso. – sua voz era firme, um tom seguro que Rose nunca ouvira. – Não transforme em culpa minha. O sucesso, ou o fracasso, de uma relação depende de dois.
– Quer que eu diga que a culpa é minha? A culpa é minha. Agora você pode ir.
– Rose...
Ao virar a esquina, Rose para abruptamente, sem aviso, fazendo Adrian quase esbarrar nela. Num café do outro lado da rua, não muito longe deles, Dimitri estava acompanhado de Tasha. O coração de Rose se apertou e ela sentiu um misto de raiva, tristeza e traição fechar sua garganta. Para ela ele tinha tempo, claro. Adrian observou-a com curiosidade fechar os olhos e respirar fundo, se recuperando do choque. Seus olhos verdes seguiram para a rua, imaginando que ela teria visto que a afetaria assim.
– Não estou a fim de conversar, Adrian. – disse Rose por fim, arriscando continuar. Se ela chegasse ao fim da rua rapidamente, provavelmente eles nem a reconheceriam. Certamente, Dimitri estava ocupado demais com Tasha para reparar em Rose no outro lado da rua. – Obrigada pela visita, não se importe em voltar logo.
Mas Adrian não aceitou sua rejeição. Ele estava determinado a falar com Rose, e queria marcar pelo menos um encontro com eles poderem conversar. Estava claro que ela estava abalada demais no momento com o encontro inesperado na confeitaria e com seja lá que a fizera parar minutos atrás.
– Rose. – ele a chamou, mas ela estava o ignorando. Chamou-a novamente e por fim, segurou seu braço, forçando-a a parar. – Rose! Pare de fugir. Eu não quero brigar com você, só quero conver..
– Está tudo bem aqui? – a voz de Dimitri era calma, porém descontente.
Rose fechou os olhos, procurando se segurar. Foi Adrian quem respondeu por eles, inconsciente do fato de sua mão continuar firme no braço de Rose.
– Está tudo bem, obrigado. – respondeu com um sorrisinho sarcástico.
– Perguntei à Rose.
Adrian ergueu as sobrancelhas. O estranho grandão conhecia-a. Seria ele o motivo de sua tristeza? Se fosse, Adrian já não gostava dele. Ele e Rose poderiam ter tido problemas no passado, mas ele havia superado isso e sempre cuidaria dela.
– Não discutam. – a voz de Rose interrompeu a discussão que ameaçava entre eles. – Está tudo bem.
– Tem certeza? – ele a olhou e Rose se forçou a não demonstrar abalamento.
– Eu disse que está tudo bem. – ela indicou com o queixo para o lugar onde Tasha o esperava, olhando para os três de longe – Sua companhia está esperando.
Livrando-se do aperto de Adrian, ela virou-se para continuar, mas os dois a seguiram, dizendo seu nome.
– Dimitri, por favor! – explodiu Rose, cinco passos à diante, virando-se novamente. A raiva superara a tristeza por hora – Me deixe em paz, okay? Eu passei a semana toda querendo falar com você e você nem se esforçou e agora... eu ia... só me deixe em paz, okay? Tasha está te esperando no café. Daqui a pouco ela virá atrás de você achando que tem algo errado.
– Achando que... Rose, por que não vamos conversar num lugar mais...
– Não! – interrompeu-o batendo os pés no chão – Eu não quero conversar. Não mais. Eu estava disposta a isso a semana inteira, mas obviamente você tinha, você tem, planos que não me incluem. Então vamos fazer um favor a nós dois e não estender mais isso. – antes que Dimitri pudesse dizer algo, pois ele ia dizer e Rose sabia disso, ela acrescentou: — Se você me continuar a me perseguir, vou até a delegacia. Você sabe bem como isso funciona.
Dessa vez, Dimitri a deixou ir. Observou-a virar a esquina com um semblante triste e confuso.
– Quem é esse cara? – indagou Adrian, que não deixara Rose sozinha – Ele e você...
– Não quero falar sobre ele. – Rose suspirou e finalmente parou, encostando-se na parede. – Você quer conversar então?
– Muito. – Adrian deu um sorrisinho triste.
– Agora eu não posso mais... a noite eu estou livre, se você puder.
– Passo na sua casa pra te buscar pra jantar. – mediante o olhar de Rose, Adrian sorriu – Nada muito chique, prometo. Mas vai ser um lugar legal.
Rose revirou os olhos, sabendo que não adiantaria discutir.
– Oito horas. – disse ela.
Adrian beijou seu rosto e acariciou sua bochecha, analisando-a.
– Hey, pequena, não deixe um idiota te entristecer, okay? – soprou com carinho – Você é melhor que todos eles.
Rose sentiu-se melhor observando Adrian voltar pelo caminho que vieram. Talvez reatar a amizade com ele não fosse algo muito ruim. Uma parte de seu cérebro relembrou-a de que ela o amou muito como amigo antes de tudo ruir. Gostaria de ter o velho Adrian de volta em sua vida.
Notas finais
Pois é, os problemas entre Rose e Dimitri não diminuíram. Pioraram, até. Ah, esses dois... e para adicionar à equação, Adrian está de volta e quer muito falar com Rose. O que vocês acham que ele que tanto dizer a ela? Será que ele quer reatar ou nada a ver? E não fiquem angustiados com Romitri, prometo que não vai demorar mais muito. (E Dragozera no cap foi meigo ou não foi?)
me deixem saber ;)
bjinhos
@soufflebowtie
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