Enchanted
7 Capítulo 7 - Back To December
Notas iniciais
O encontro de Rose e Adrian deixou Lissa extremamente satisfeita. Ela gostava muito dele e odiava que estivessem brigados, ainda mais por tanto tempo. Então foi com muita alegria que a loirinha andou em volta de Rose durante o resto do dia, perguntando o que ela vestiria. Por fim, Rose foi convencida por ela a usar um vestido simples azul, que combinaria com qualquer lugar que Adrian resolvesse levá-la.
– Lissa, você sabe que eu e ele não vamos reatar né? – indagou Rose enquanto deixava a amiga escovar seu cabelo – Ele só quer conversar, talvez recomeçar uma amizade.
– Ah, eu sei. – a certeza em sua voz fez Rose estranhar. Lissa sabia de algo que ela não sabia? – Mas estou feliz que vocês voltarão a se falar! E, pelo amor de Deus, Rose, não complique a vida dele!
– Ei, eu não complico as coisas. Elas se complicam sozinhas, não tenho culpa se resolvem fazer isso justo quando eu estou por perto.
– Uhum.
Às oito horas em ponto a campainha tocou. Rose estava colocando os sapatos, de modo que foi Lissa quem desceu as escadas correndo para recepciona-lo. Rose esboçou um sorriso ao ouvir os dois rindo e se cumprimentando no andar de baixo.
Lembrava-se de quando Lissa o apresentou, quatro anos antes. De inicio, Rose o achara convencido demais, e recusara-se até o ultimo momento a sequer ser amiga dele. Adrian bebia, fumava e esbanjava dinheiro. Estava óbvio que ele não sabia líder direito com negativas, sendo que, quando Rose não lhe deu atenção, esforçou-se ao máximo pra consegui-la. E Rose era uma mulher difícil.
– Boa noite. – Rose anunciou sua presença, fazendo Adrian desviar os olhos de Lissa para ela.
– Você está linda, Rose. – elogiou com um sorriso. Não havia, entretanto, resquício algum de segundas intenções o que era novidade. – Mas, bem, você está sempre linda. Faz parte da sua magia de sereia.
– As sereias afogam marinheiros e afundam embarcações.
– Meu bem, você tem ideia de quantos corações você já quebrou? A analogia ainda é válida.
– Quem sou eu para contestar a sua lógica? – Rose sorriu, vestindo o casaco e pegando a bolsa. –Podemos ir?
Adrian estendeu o braço para Rose, que o segurou. Ainda que sorrisse, seu íntimo estava cheio de inseguranças e incertezas sobre o encontro. E se estivesse incentivando algo que não queria? Adrian parecia mudado, mais maduro e, embora ele afirmasse que só queria conversar com ela, não que estaria interessado numa segunda chance para os dois, Rose continuava temerosa.
– Então, onde vamos comer? – ela indagou no carro – Em algum restaurante super caro e chique que parece que vai cobrar até o ar que respira?
Adrian riu, deliciado. Sentia falta do humor ácido de Rose.
– Não, eu lhe prometi que seria um lugar legal. É um restaurante relativamente novo. Eu sei disso porque eu conheço o dono e tenho certeza de que você vai adorar. Eles estão estreando um chef hoje, mas acho que isso será surpresa.
Adrian era fã de surpresas. Após conhecer Rose e ela desviar de todas as suas cantadas e investidas, ele enviou uma caixa com os melhores (e caros) perfumes que conhecia. Apesar de uma pequena parte dele esperar que ela aceitasse pelo menos um, Adrian sabia que Rose ira atrás dele para devolvê-los, o que ela o fez, e ele queria vê-la novamente. Ele ouviu seu discurso e aguentou Rose chamando-o de playboy mimado e irritante (afinal, ela tinha certa razão), mas não desistiu.
Talvez Rose tenha sido vencida pelo cansaço. Adrian esforçava-se bastante, e ela via isso. Diminuíra a bebida e os cigarros – abandoná-los completamente estava fora de questão, mas era um começo. Ela começou a notar as qualidades. A forma carinhosa que cuidava de Lissa, como seus olhos verdes brilhavam ao ver uma bela peça de arte. Mas acima de tudo, Rose surpreendeu-se com a mente sã por baixo da faixada despreocupada e desinteressada que Adrian sustentava. Quando Rose enfrentou problemas com a volta de seu pai desconhecido, ele manteve-se ao seu lado e aconselhou-a. Rose nunca esperava ouvir de Adrian palavras tão sábias sobre a vida e relacionamentos, e foi ai que ela resolveu que o tal playboy metido e irritante tinha algo que dentro dele que merecia ser descoberto.
O restaurante em questão que Adrian escolhera para a noite estava cheio. Era acolhedor, com acabamento de madeira e vidro e música ambiente. Não era muito chique, mas era de bom gosto. Rose sentiu-se feliz por ter deixado Lissa escolher sua roupa, ou ela teria ido de jeans e camiseta.
– Lugar bacana. – elogiou Rose, observando da entrada enquanto Adrian se informava com a mesa que reservara – Como conseguiu um lugar tão e cima da hora?
Adrian piscou um dos olhos, o maître guiando-os pelo local.
– Eu conheço o dono, lembra? – Rose sorriu e Adrian puxou sua cadeira – Além do mais, mesmo se eu não conhecesse, ganharia pelo meu charme.
– E por charme você quer dizer sobrenome importante? – brincou Rose, vendo Adrian sentar-se em seguida a sua frente.
Os Ivashkov eram uma família antiga e importante em Nova Orleans — e em muitos outros lugares pelos Estados Unidos. Rose sentiu-se intimidada pelo peso do sobrenome, não por Adrian, mas pelo resto de sua família que, Rose sabia, não eram tão humildes quanto ele e não tinham muito interesse numa menina comum, sem posses e cujo pai ela só conhecera aos 18.
Adrian, claro, disse-lhe para não se preocupar. Ele não tinha boas relações com a família, a não ser a tia-avó Tatiana, uma espécie de matriarca. Ela também não aprovava a relação dos dois, e havia deixado muito claro, mas a pior reação foi do pai de Adrian. Eles brigaram feio e se não fosse a mãe para mediar, aquilo teria sido pior do que fora. Adrian nunca soube, mas a mãe dele teve uma conversa com Rose. Disse que sabia que o que tinham não tinham um futuro, por isso não seria contra a relação, que parecia ser saudável para Adrian. No final, Danielle tinha razão.
– E então, quem é o tal chefe? – Rose indagou, analisando o cardápio – Algum estrangeiro?
– Não, ele é daqui mesmo. Mas vamos comer primeiro, depois ele virá aqui.
Adrian sorriu e Rose revirou os olhos. Após um tempo fizeram seus pedidos e enquanto esperaram, os olhos de Rose vagaram para a janela, que dava para a rua.
Os dois foram felizes por quase três anos. Ela não tinha dúvidas de que o amou. Ainda havia resquícios desse amor em seu coração. Tiveram ótimos momentos juntos, e outros não tão bons assim. Mas nada do que passaram foram suficientes para evitar o fim. Adrian amava Rose, demais. Ela abriu seus olhos para o mundo e deu-lhe um norte, o ajudou a crescer. Infelizmente, Rose não o amava tanto assim. Em algum momento de sua história, o amor romântico transformara-se em fraternal, e isso desequilibrou seu relacionamento. Adrian entregava tudo de si, e por mais que Rose se esforçasse para isso, ela não conseguia se entregar a Adrian completamente.
– Rose? – sua voz a trouxe de volta para o presente. O tom indicava que ele a chamara mais de uma vez – Está aqui comigo?
Um sorriso fraco apareceu em seus lábios.
– Sim desculpe. Eu só... – Rose suspirou. Chega de fingir que estava tudo bem, porque não estava. – Adrian, por que você veio atrás de mim afinal? Eu estou feliz em te ver, especialmente por constatar que você está... Melhor, com relação a mim. Mas esse mistério todo está me matando e eu realmente não quero estender mais essa situação.
Adrian cruzou as mãos sobre a mesa e a observou atentamente, analisando suas feições e em profunda reflexão. Suspirou antes de prosseguir, sem desviar seus olhos verdes do dela.
– Eu precisava te ver. Eu passei um ano tentando te superar, tentando relevar a raiva e a mágoa. – Os olhos de Rose oscilaram e Adrian estendeu a mão para segurar a dela. Rose não se afastou. – Eu não te odeio Rose. Acho que nunca poderia te odiar, mas eu me odiei por um tempo, e odiei não saber qual era o problema comigo, porque você não me amava com eu amava. Tive semanas muito ruins até conseguir respirar e organizar meus pensamentos.
– Adrian, nunca foi minha intenção te magoar! – irrompeu Rose, segurando as lágrimas – Acredite em mim, eu quis tanto, mas tanto, poder te corresponder. Quando eu olho para trás e vejo o que fui, me pergunto como você me aguentou por tanto tempo. Você não merecia aquilo, Adrian.
– Não, Rose. Não é tempo para ficarmos revirando o passado e apontando dedos. Eu estou aqui... – Adrian sorriu e arrastou a cadeira para ficar mais próximo dela – Eu estou aqui para te perdoar. E pedir para que você me perdoe. Eu quero seguir em frente de vez, mas não quero seguir em frente e te deixar no passado.
Pela primeira vez naqueles últimos dias sem Dimitri, Rose sentiu-se verdadeiramente feliz. E satisfeita. Adrian, afinal, não queria voltar com ela ou cobrar algo do passado. Não. Ele queria superar, queria seguir em frente e tirar essa pedra gigante e pesada de entre eles.
– Te perdoar? – indagou ela – Eu não consigo pensar porque, sendo que foi eu quem...
– Sem culpas, pequena. – interrompeu Adrian, afagando seu rosto – Mas não vamos ser hipócritas. Ambos temos culpa no que aconteceu e, além do mais, eu não fui exatamente um cavalheiro quando terminei tudo. Eu estava alterado, disse coisas ruins...
– É claro que te perdoo, Adrian. – Rose abraçou-o como pode de lado. – Senti sua falta. Demais.
– Eu também. Agora sinto que posso respirar novamente.
Os dois se afastaram e Adrian voltou a sentar-se a sua frente. A tensão se dissipara completamente e os dois estavam à vontade um com o outro. O humor de Rose melhorara muito, Dimitri quase esquecido pelo divertido Adrian, que surpreendentemente não tocara em uma gota de álcool o jantar todo.
– Adrian Ivashkov parou de beber? – indagou Rose com um sorriso – É uma novidade.
Ele pareceu orgulhoso e ao mesmo tempo tímido.
– Também parei de fumar. E arranjei um emprego. Rose, não faça essa cara de surpresa, pessoas mudam!
– Eu sei, estou vendo. No seu caso, da agua para o vinho. Ou seria o contrário para você? – seus olhos então se alargaram com a revelação – Adrian, você está com alguém! Quem foi que te deixou nos eixos?
– Acho que não adiantar eu negar, não é? – ele riu de leve – Eu a conheci há pouco mais de seis meses. Ela se chama Sydney. Fizemos um acordo: eu diminuo a bebida e paro de fumar, e ela se alimentará melhor e diminuirá o café. Você precisava ver o tanto de cafeína que ela tomava por dia, terrível!
Rose sorriu e analisou seus sentimentos em silêncio. Apesar de um leve ciúme, que ela achou normal, sentia-se contente por Adrian. Ele estava seguindo em frente, como queria.
– Foi Syd quem me sugeriu para vir vê-la. – confidenciou Adrian – Ela disse que precisávamos conversar. Que eu precisava ter certeza de que estava pronto para seguir em frente e que seria bom dar um ponto final nessa briga.
– Ela parece ser bem inteligente.
– E é.
Um olhar sonhador tomou conta de sua expressão e um sorriso satisfeito se fez presente. Rose observou-o e sorrio também.
– Você está mudado. – disse ela – Pra melhor. Mais maduro, talvez. E feliz.
– Você também mudou, Rose. Mas não me parece muito feliz.
– Só tive um dia ruim, não se preocupe.
– Rose, posso te fazer uma pergunta? – Ela o olhou e indicou que sim – Aquele cara que vimos hoje...
– Ahn, Adrian, por favor, não.
– Eu estou tentando entender. Quem era ele e porque você está tão brava com ele?
– Aquele era Dimitri, eu o conheci há uns meses e eu achei que éramos amigos.
– E porque você acha que não são? Ele parecia mesmo preocupado.
– Bem, ele parecia mesmo que era meu amigo. – retrucou irritada – Podemos parar por ai?
– Podemos. – Adrian parou de respirar por um segundo antes de continuar com a voz baixa – Acho que não é uma boa dizer, então, que ele está sentando apenas a algumas mesas atrás de você, e que não parou de nos olhar desde que chegou.
Rose paralisou. Queria virar e vê-lo, mas segurou-se. Sabia qual seria a visa, sabia que Tasha estaria ali. Ela sempre estava com ele nos últimos dias. Fechou os olhos e contou até dez. Não queria se irritar e muito menos chorar na frente de Adrian.
– Adrian, será que podemos ir embora? Por favor?
– Vou pedir a conta. – ele chamou o garçom sem tirar os olhos de Rose – Está tudo bem, pequena Rose?
– Sim, vou ficar bem.
Era mentira. Uma mentira deslavada, Rose sabia disso e Adrian também. Mas ele não insistiu, pois percebeu quanto abalada ela estava.
– Afinal de contas, qual era a surpresa de hoje? – perguntou Rose, procurando ocupar a mente, enquanto Adrian fechava a conta.
– O chef. – disse ele – É o Christian, da Lissa. Primeira semana dele na verdade, mas não conte a Lissa, ela ainda não sabe. É uma semana de teste, mas acho que ele vai ser dar bem.
– Sim, é verdade. – Rose concordou, mas não estava de fato ouvindo tudo. – Pronto, podemos ir?
Ambos se levantaram e quando Adrian a ajudava a vestir o casaco, uma voz chamou por Rose. Instintivamente, ela virou-se para a direção da voz. Tasha acenava para ela, com um grande sorriso no rosto. Dimitri a encarava inexpressivo. Rose não foi capaz de sorrir ou acenar de volta, apenas virou a cabeça bruscamente e andou para fora do lugar, com Adrian ao seu encalço, observando tudo atentamente.
Estava claro para Adrian qual era o problema ali. Bem, mais ou menos. Ele tinha as peças do quebra cabeça e precisava montá-lo, mas tinha certeza de que Rose gostava de Dimtri. Não, era mais profundo. Ela o amava. E a julgar pela maneira que Dimitri encarou o casal que se afastava, Adrian desconfiou que fosse um sentimento mutuo. Porque então havia tanta mágoa entre eles?
– Rose, lembra quando eu disse que você estava mudada? – retomou Adrian no carro – Eu realmente acho isso. Só desconfio que ainda falta algo.
– O que você quer dizer com isso?
Rose virou-se para encara-lo. Haviam chegado em casa e as luzes acessas indicavam que Lissa estava acordada.
– Quero dizer que você está por um fio de se libertar de seja lá o que estiver te segurando. Você só precisa permitir.
– Adrian, ainda não estou entendendo.
– Você e Dimitri. Vocês precisam se acertar. Deixe seu orgulho de lado e fale com ele. Acho que você pode se surpreender. O que nos impedia de ser feliz, de funcionarmos, não deixe que te prive mais.
O que ele queria dizer com algo a segurando? Aquilo não fazia sentido. Nada estava a segurando, ela era Rose Hathaway, fazia o que quisesse. A rebelde, a livre. Não era?
Notas finais
Gostaram desse capítulo Roadrian super fofo? Eu adorei, eu amo o Adrian, mas não o vejo com a Rose. Escrever os dois se acertando e virando amigos foi uma realização! Sem Adrian depressivo ou raivoso, apenas as pazes.
E por falar em fazer as pazes... não foi dessa vez que Romitri se acertou. Mas Adrian deu um sábio conselho a Rose, não é? Será que ela vai seguir? Digo, será que ela vai seguir LOGO? O Dimitri também tem culpa no cartório, claro, mas isso abordarei mais adiante.
E está chegando leitores! O GRANDE momento que vocês, pervertidos de plantão *cofcof* estão esperando! Esperem e verão, virá mais rápido do que vocês pensam! ;D
Beijinhos!
@soufflebowtie
Fale com o autor