Enchanted

2 Capítulo 2 – Everything Has Changed


Notas iniciais
"A risada que Rose deu em resposta fez com que o coração de Dimitri se inflasse em seu peito de emoção. Era sonora e prazerosa. Gostaria de ouvi-la mais vezes."

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Tudo que Dimitri pensava no caminho para casa era na aparição de Rose em sua noite. Sua vida sempre fora planejada, todo passo era perfeitamente calculado, levando em consideração todos os prós e contras que o ajudassem a levar para o melhor caminho. Era necessário para seu trabalho, o controle, assim como era necessário saber improvisar com o que tinha nos momentos difíceis. Razão acima de emoção. E ele nem tinha tempo para o segundo.

Aquela noite, Rose fora um imprevisto. Saíra de seu caminho e esbarrara-se com o dela. E nunca imaginara que seria um feliz incidente que o levaria diretamente para a jovem, de jeito descontraído e despreocupado, porém cujos olhos de castanhos profundos demonstram um conhecimento de vida que deveria ser crime alguém tão jovem possuir. Mas que eram tão encantadores que lhe era impossível desviar a atenção. Talvez perdessem para seus cabelos, castanhos e compridos, que dançava conforme a brisa fria da noite lhe tocava.

Dimitri xingou-se mentalmente. Havia chegado em casa e nem ao menos lembrava-se de ter pego o carro e dirigido. Era uma atitude digna de reprovação, um erro inadmissível para um detetive experiente como ele. Entretanto, em lugar de brigar consigo mesmo e usar o erro como exemplo, ao trancar a porta do apartamento, voltou a pensar em Rose e em como ficava linda sorrindo e como seu semblante era nada menos que comparável ao divino.

– Dimitri, tome jeito! – deu tapinhas em seu rosto, para ver se assim acordava – Foque-se, homem.

Tomou um banho frio e tratou de organizar seu dia seguinte. Seria um dia entediante: apenas relatórios para terminar e ele odiava a parte burocrática. Deveria ligar para sua irmã e se informar se Sonya tinha uma data para o nascimento do filho e sabia que devia um almoço a sua mãe. Deus era testemunha que a dona Olena Belikova sabia fazer drama para conseguir o que queria e tudo o que Dimitri não gostaria era de que sua avó Yeva tomasse as dores da mãe.

Pensando na família, conseguiu organizar suas coisas e distrair sua mente. Entretanto, a inconsciência não era algo que Dimitri poderia controlar, portanto ao acordar no dia seguinte, deu um gemido de reprovação. A primeira imagem que lhe viera à cabeça, provinda, certamente, de um sonho que atravessou seu subconsciente naquele momento tênue entre estar acordado e dormindo, foi a imagem de Rose rindo para ele.

Estava perdido, pensou enquanto se arrumava e a caminho do trabalho. Terrivelmente perdido. Em apenas um encontro com a moça, ao acaso, ela havia conseguido se infiltrar em sua vida e fazê-lo perder o controle dos próprios pensamentos. E perder o controle não era algo que Dimitri estava acostumado, e isso o incomodava e assustava. Como uma completa desconhecida conseguia ser tão marcante?


A mesma situação ocorria com Rose.

Depois de seu encontro com o cara que ela admirara no café, ela se pegou sorrindo sozinha até chegar em casa. Lissa, ao deparar-se com a amiga, nem ao menos exigiu saber o porquê havia saído do café sem se despedir. Sua pergunta fora, na verdade, por quem.

– Por ninguém, Liss! Jesus, só precisava andar um pouco, estava ficando sufocada naquele lugar.

A resposta de Rose era verdadeira, porém em partes. O motivo pelo qual saíra era realmente aquele, mas o sorriso possuía nome, sobrenome e nacionalidade, embora ela se recusasse a admitir seu encantamento pelo estrangeiro da noite anterior.

Dimitri a escutara, de verdade, e não fingira que ouvia e concordava com o que ela dizia surdamente. Eles conversaram, de igual para igual. Ele a fez rir e não foi com piadas idiotas de jovens que tentam fingir ser mais que não são. Dimitri era maduro e humilde; duas qualidades que Rose admirava imensamente. Era por isso – repetia a si mesma – que seu rosto voltava à mente a cada minuto que não se ocupava.

Culpou-se, entretanto, por ter acordado com ele em seus pensamentos. Simplesmente não era de seu feitio! Ora, Rose era independente e não se comprometia com ninguém. Não mais. Diziam até que seu coração era de pedra. Como, então, Dimitri encontrou o ponto fraco no grande muro que construíra ao redor de si e conseguiu entrar?

Era um mistério, que Rose temia. Queria solucionar, mas a que preço? Não suportaria abrir seu coração e deixar criar raízes para ter seu cultivo arrancado de si. Não novamente.


Duas semanas haviam se passado do derradeiro encontro entre Rose e Dimitri. Nenhuma ligação foi feita. Nenhum segundo encontro.

Nos primeiro dias, ambos sentiram-se inquietos. Não sabiam de onde vinha o incomodo, a distração. Talvez porque se recusassem a aceitar de que o encontro ao acaso havia mudado algo dentro deles. Despertado um sentimento e desejo há muito adormecido nos dois.

Rose ocupara-se com a faculdade, havia trabalhos para terminar e provas para fazer. Em breve estaria formada e... E o quê? A dúvida pairava sobre sua cabeça como uma sentença.

Dimitri envolveu-se em um caso que tirou suas noites de sono e todo o seu tempo livre. Se não fosse por sua mãe, indo pessoalmente à delegacia, teria se esquecido até de comer.

Por fim, quando a faculdade deu um tempo de descanso e com a solução do caso, Rose e Dimitri se permitiram uma folga das preocupações.

Na manhã de sábado, bem cedo, Rose prendeu seu cabelo em um rabo de cavalo, pôs seus tênis esportivos, calça de lycra e um top, pegou seu Ipod e o fixou na braçadeira própria para isso; após ter comido algumas frutas, saiu para correr.

A manhã era fria, mas seu corpo era mantido quente pelo exercício que praticava sempre que podia. As ruas estavam praticamente limpas de pessoas, e acenou vez ou outra para algum conhecido da família que também fazia sua caminhada. Rumou para Audubon Park, o lugar preferido de Rose para correr. Era calmo, silencioso e muito belo.

Novamente, Rose não esperava nada daquele dia. Talvez por isso a vida lhe reservara, mais uma vez, uma surpresa. Talvez esse fosse o segredo: não estar esperando.

Com o som de Coldplay estourando em seus ouvidos e sua atenção focada para sua respiração e velocidade, Rose não reparou, ao fazer uma curva, em alguém abaixado no chão; se bem que fosse largo o suficiente para se fazer visto.

Rose tropeçou na aparição e foi ao chão.

– Caramba, você está bem? – indagou a voz masculina.

Rose tinha vontade de xingar. Quem fica parado — e abaixado — no meio do caminho? Claro que ela não o viu!

Mas antes que pudesse dizer algo, o homem fez sombra e, ao olhar para cima, deparou-se com o olhar preocupado de Dimitri Belikov.

– Dimitri?

– Rose. – Exclamou ele, parecendo tão surpreso quanto ela e seus olhos brilharam por instantes antes de serem mascarados pela inexpressividade. Ele estendeu a mão rapidamente para ajuda-la a se levantar. – Você está bem?

– Foi só uma queda, não se preocupe. – a sensação de suas mãos conectadas fez Rose sentir algo em seu estômago – Não te vi ali parado.

– Meu tênis desamarrou. – explicou sucintamente.

Rose olhou-o. Vestia-se com moletom preto e regata branca, a combinação caia-lhe perfeitamente bem e de quebra expunha seus braços fortes e pele morena.

– Então... – iniciou tirando os fones – Como tem passado.

– Bem, bem. E você?

– Bem.

Um momento de silêncio constrangedor. Haviam se visto apenas uma vez há tantos dias, não sabiam como agir, agora que se reencontraram. Apesar do constrangimento, não foram capazes de desviar o olhar e, de repente, era como se as duas semanas não tivessem passado.

– Eu ia te ligar pra saber como estava indo. – confidenciou Dimitri em tom de desculpa – Mas surgiu um caso que tirou meu sono...

– Não, tudo bem. Quero dizer, a faculdade e tudo o mais...

– Ficamos ocupados.

– É, pois é... – Rose olhou em volta. A cidade começava a acordar, havia mais pessoas no parque e os vendedores ambulantes começavam a arrumar seus pontos – Então, você caminha?

– Eu tento, quando posso. Meu trabalho é meio estressante, e correr é uma forma de lidar com o estresse e manter a forma.

E que forma, pensou Rose para si mesma.

– Bem, não quero te atrapalhar. Você deve ter coisas de policial e tal, sei lá, algum bandido pode precisar de uma lição ou...

– Rose. – Dimitri interrompeu com uma sombra de sorriso nos lábios. – Quer tomar um café comigo? Eu estou de folga esse final de semana, então... Bem, quer tomar café da manhã comigo? Se você não tiver tomado ainda, claro.

– Não. Digo, não eu não tomei café. – Rose sorriu, sentindo-se ansiosa pela companhia – E eu adoraria tomar café com você.

– Prometo que não irei te levar ao Mondo.

A risada que Rose deu em resposta fez com que o coração de Dimitri se inflasse em seu peito de emoção. Era sonora e prazerosa. Gostaria de ouvi-la mais vezes.

– Vamos lá, camarada. Estou faminta.

Caminharam parte do caminho um ao lado do outro, conversando sobre como passaram seus dias antes de Rose resolver apostar corrida até o carro de Dimitri, a qual acabou perdendo de maneira vergonhosa, mas que garantiu o compromisso do outro de treinarem juntos quando pudessem, na promessa de um dia ela o superaria.

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Notas finais
GENTE DO CÉU! 20 reviews em um capítulo apenas e todos cheios de expectativa!! Fiquei extremamente feliz! E com medo, é uma imensa responsabilidade!! Mas espero realmente não decepcionar okay? ;)

Bem, capítulo bem pequeno esse, não? Eu sei, mas foi um capítulo de ligação, daqui pra frente serão pouco maiores e com mais 'conteúdo'. Aqui quis abordar os pensamentos dos dois apenas e focar nisso.

Quero saber se vocês perceberam um detalhe dessa fanfic. Não irei dizer o que é nem dar dica, se não fica muito fácil. Mas é um detalhe legal sobre seu desenvolvimento. ;)

Então... é isso por hoje, até a próxima! E muito obrigada a todos pelos comentários e elogios! Sério, fez a minha semana! haha ♥