Enchanted

14 Capítulo 14 - Far Away


Notas iniciais
"- Não estou assim por causa dele. – retrucou. Mas não era totalmente verdade. - Vocês quase não se falam há uma semana. Acho que isso tem a ver sim. "

Cause with you, I'd withstand

All of hell to hold your hand

– Meus pais estão vindo pra cá.

Foi a primeira coisa que Rose disse ao encontrar-se com Lissa no café da manhã.

– O quê?

– Eu disse que meus pais estão vindo pra cá. Pra Nova Orleans.

Lissa abaixou a xícara de chá com tranquilidade e olhou para a amiga com o cenho levemente franzido.

– Acho que faz sentido, não? – começou escolhendo bem as palavras – Quero dizer, eles passaram sei lá quanto tempo viajando e lua de mel. Agora que estão de volta querem te ver.

Rose se deixou cair em uma cadeira ao lado da amiga e cruzou os braços abaixo do peito.

– Fala sério Liss! Janine Hathaway não é do tipo fraternal, e você sabe disso. – bufou Rose, fechando os olhos. Quando se portava assim, Lissa se lembrava de uma criança – Só pode ser papo do velhote.

Lissa não pode deixar de sorrir e apoiou o queijo na mão, observando Rose. Era um processo interessante, ela achava, observar como o cérebro de Rose funcionava. Quase podia ver as engrenagens rodando dentro de sua cabeça conforme surgiam ideias. Rose abriu os olhos e Lissa decifrou certo medo ali.

– Ah, não. Eles sabem de Dimitri. Por isso querem vir!

– Como eles podem saber de Dimitri, Rose? Eu não contei, você certamente não. Só se eles...

– Me espionassem! – concluiu Rose com assombro – Soa o tipo de coisa que Abe faria.

– Eu ia dizer que eles podem ter falado com Adrian. Ou Sydney, sei lá.

– Porque eles falariam com Sydney. – Lissa não respondeu de imediato, deixando Rose ansiosa – Liss, porque?

– Bem... eu achei que você soubesse. Syd trabalha com Abe.

Rose soltou a respiração como se tivesse levado um soco no estomago. Lissa se levantou com sua xícara e a depositou na pia. Precisava dar um tempo – e espaço – para a amiga se recuperar do choque.

– Maldito! – exclamou por fim – Adrian não me disse nada! Porque ele escondeu isso de mim?

Lissa não respondeu, mas murmurou algo que soou como Temia sua reação.

– Mas o ponto aqui. – Retomou a loira terminando de lavar – É que eles estão vindo. Eles querem te visitar Rose. Pare de dificultar a vida deles.

– Minha mãe praticamente me jogou aos cuidados dos seus pais e só descobri quem era meu pai aos 18 anos. Não sou eu quem está dificultando as coisas. Foram eles que negligenciaram o tratamento parental por anos e agora se arrependeram ou sei lá.

– Não era como se Abe tivesse alguma chance né Rose. Também foi novidade para ele.

Rose deus nos ombros. Ela ainda estava magoada com sua família, Lissa entendia isso, mas pelo menos eles estavam vivos e a amavam, apesar de não serem exatamente experts em serem pais.

– Você deveria ouvir o que Dimitri lhe disse, Rose. Perdoar e seguir em frente. Eles são seus pais e nunca deixarão de ser. E sempre estarão aqui, quer você queira quer não. Aliás, se você continuar os tratando com esta indiferença, não serão eles que irão se arrepender.

Rose revirou os olhos e gemeu.

– Meu Deus, você e Dimitri são iguaizinhos. Eu não disse que não iria recebê-los. Só não estou confortável com isso. – jogou os braços pro ar em gesto de desistência – Vou subir e tomar um banho. Quem sabe eu descubra que tudo isso não é um sonho?

– Quanto mal humor, Rose! – sorri a amiga a seguindo pelas escadas – Uma semana sem Dimitri te deixa terrível.

– Não estou assim por causa dele. – retrucou. Mas não era totalmente verdade.

– Vocês quase não se falam há uma semana. Acho que isso tem a ver sim.

– Besteira. Ele esta trabalhando, eu estou me focando nas provas finais.

– Ah sim, o seu ciúme de Tasha não tem nada com isso?

Rose balbuciou algo que Lissa não entendeu, mas a fez sorrir. O ultimo domingo Dimitri passou com Tasha, que estava indo embora. Apesar de estar segura com seu relacionamento, Rose ainda não ficava confortável com a tia de Chris.

Após o banho, Rose engoliu algo de café da manhã e avisou Lissa que sairia para correr no parque. Estava com energia e ciúmes acumulados e precisava espairecer. Era sábado, mas Dimitri estava na delegacia cuidando de um caso. Ele fora particularmente misterioso quanto a isso, o que favorecia para deixar Rose com raiva de seu segredo. Ela tinha quase certeza que ouvira o nome Conta envolvido, e Conta era o sobrenome da amiga em apuros com o pai.

Após Dimitri prometer ajuda-la, quase não teve retorno. Sabia que andavam investigando e procurando provas e testemunhos, mas até então: nada. Até mesmo a amiga sumira.

Camille Conta estudou com Rose e Lissa na escola. Ela e Rose não eram muito chegadas, Camille andava mais com Natalie, mas era uma garota legal, por baixo do seu ar metido. Na verdade, Rose aachava um pouco tola até Camille ligar desesperada em busca de apoio. Aparentemente, sua vida não era o conto de fadas que Rose julgara.

A musica que embalava a corrida foi interrompida quando alguém ligou. Com receio, Rose atendeu a ligação da mãe.

– Um detetive? Você está namorando um detetive? – Foi a primeira coisa que Janine disse e Rose não se sentiu surpresa.

– Oi pra você também, mãe.

– Isso é perigoso. Ele se mete com gente... E ainda por cima é mais velho! Rose, o que um homem feito poderia querer com uma menina que mal começou a vida?

– Eu vou bem, obrigada, e você?

– Vai te usar e jogar fora. E você nem vai perceber a besteira que fez até ele ter te engravidado em meio a promessas de amor. Que ele não tem intenção de cumprir.

Rose revirou os olhos e se sentou num banco.

– Manhê, pelo amor de Deus, chega! Já sou grandinha, posso me virar. Quem disse que não sou eu o usando até cansar?

O bufar do outro lado da linha avisou-a de que não era o melhor a se dizer.

– Dimitri é ótimo, mãe. Vai ver. Sério, responsável, dedicado. No final você vai brigar comigo por não ser boa o bastante e irá troca-lo por mim se terminarmos. Como ficou sabendo dele, de qualquer forma.

– Abe.

Claro. Rose precisou de muita força para não suspirar e dizer algo. Mordeu a língua e contou até cinco.

– Quando vocês chegam?

– Esta noite. Gostaria que você fosse nos buscar no aeroporto.

– Você quer dizer que o Abe gostaria. – corrigiu. Ele era quem mais se esforçava para juntar a família – Tudo bem. Me diga que horas e estarei lá.

Mais essa agora. Essas convenções sociais familiares não eram o forte de Rose muito menos de Janine. Mas Abe era a favor fervorosamente, então as duas entravam na dança. E Rose sabia que a mãe não falaria muito, então seria um bom momento para se descobrir se estava muito encrencada com seu silencio durante a lua de mel dos dois e por conta de se namoro.

Rose estava terminando seu cachorro quente, comprado num carrinho no parque quando seu celular vibra novamente. A chamada era restrita, o que lhe chamou a atenção. Poderia ser Dimitri convidando-a para almoçar juntos. Ele ainda não sabia que em breve conheceria seus pais. Deveria avisa-lo e dar-lhe tempo de fugir?

– Fuja enquanto pode.

Brincou Rose. Mas não foi uma voz com um belo sotaque russo que a respondeu.

– Rose, é você? – a voz era sussurrada e amedrontada. Imediatamente entrou em alerta.

– Quem é?

– Rose, preciso de você. – a voz era chorosa e quase infantil – Por favor, vem me buscar.

Finalmente reconheceu a voz. Sentiu uma pontada de medo, pânico, mas procurou manter a calma.

– Camille. O que aconteceu?

– Venha me buscar, por favor! – repetiu Camille com mais força. – Me tira desse lugar.

– Tudo bem, eu estou indo. Onde você está?

– Em casa. Ele saiu, venha logo.

Era agora que pegava o desgraçado do pai dela. Rose nem mesmo passou em casa. Jogou o resto do cachorro quente no lixo e quase se jogou na rua para conseguir um taxi. Seu coração estava acelerado e angustiado. Marcel saíra, mas não sabia quando voltava. Esperava tirar Camille de lá e leva-la para delegacia o quanto antes.

Quando chegou ao endereço da amiga, pediu ao taxi para esperar que voltava logo. Era o tempo de pega-la e irem embora o mais rápido possível.

Casa era grande e havia um enorme jardim atrás dos muros altos. Não estava surpresa que estivessem abertos. Ninguém veio recebê-la. A porta estava aberta. Entrou.

– Camille?

Chamou a meio tom, arriscando uns passos para dentro da casa. Estava escuro, as janelas fechadas. Ao longe ouviu um choramingar. Deveria estar na cozinha.

– Camille, sou eu, Rose.

Tentou mais uma vez, adentrando cada vez mais no interior silencioso. Sentiu um arrepio na espinha.

Em seguida não sentiu mais nada.

I keep dreaming you'll be with me

And you'll never go

Stop breathing if

I don't see you anymore

Notas finais
Agradecimentos a linda da Donis por me ajudar com a playlist hoje e sempre hahah *-*