Enchanted
11 Capítulo 11 - Wake Me Up
Notas iniciais

A manhã seguinte chegou lentamente. O sábado amanheceu com nuvens nublando o sol e uma brisa indicando que choveria mais tarde. Dentro da casa, o silêncio era quebrado apenas pelo som leve de respiração.
Rose dormia de lado, uma perna pendendo no colchão e o tronco coberto por um lençol branco que se estendia até o corpo de Dimitri, que a abraçava por trás, cobrindo seus quadris. Sua mão cobria um dos seios de Rose frouxamente e seu rosto descansava em sua nuca, afundado na massa de cabelos castanhos espalhados pelo travesseiro que compartilhavam.
Às oito horas, as nuvens afastaram-se brevemente e um raio de sol clareou o quarto, incomodando o sono do casal. Dimitri acordou rapidamente e em paz, ao sentir o corpo inerte de Rose junto ao seu. Ela, por sua vez, moveu-se irritada pela claridade, mas não despertou de imediato.
Dimitri esfregou a ponta de nariz em sua pele exposta do pescoço, experimentando acorda-la.
- Hmm... – Rose gemeu e mexeu-se na cama – Cinco minutos e já levanto.
A risada baixa e sonora de Dimitri que a trouxe para a realidade e a fez sorrir ao se lembrar da noite incrível que ambos passaram juntos.
- Bom dia. – murmurou o homem ai senti-la despertar espalhando beijos suaves como o pouso de borboletas por seu pescoço e ombros.
- Ótimo dia. – corrigiu apoiando o braço sobre o dele e puxando-o para mais perto. Ela, então gargalhou, despertando a curiosidade de Dimitri. – Acordou animado.
Por um momento, Dimitri não entendeu o que Rose quis dizer, mas então a consciência lhe caiu e ele rio. Absorto como estava, observando o perfil de Rose na primeira manhã que passavam juntos, tendo seu corpo tão junto e encaixado ao seu, não reparou na ereção entre as pernas até que Rose pontuasse.
- O que uma mulher bonita não faz... – provocou, fazendo com que Rose virasse para ele com ar desgostoso.
- Qualquer mulher bonita, é?
- Hhmm... – Dimitri abaixou a cabeça em sua clavícula, inspirando fundo ali antes de responder – Não. Claro que não. Só você, Rose. Sempre você.
- Bom mesmo. – retrucou enciumada. Ela, então, deu um tapa estalado em uma das nádegas do homem sobre ela. – Agora preciso que você se levante, camarada. Preciso ir ao banheiro.
- Até parece que você ficou o tempo todo na cama essa noite...
- Há-há. – Rose jogou o lençol para o lado e se levantou.
Dimitri observou sua silhueta levantar-se e andar pelo quarto até a porta do banheiro do outro lado da parede. Sentindo o olhar em sua nuca, Rose virou a cabeça com um sorrisinho.
- Vê algo que gosta? – provoca.
- Oh, sim. E muito.
Rose riu e entrou no banheiro, fechando a porta.
Dimitri caiu nos travesseiros, seu corpo formando um “X” no colchão. Um sorriso apareceu em seus lábios e ele sentiu-se como um adolescente com sua primeira namorada.
Minutos depois a porta abriu-se novamente e Rose pulou sobre ele. Ela vestia um blusão cinza que chegava até o meio da coxa e Dimitri pode sentir que também vestia uma calcinha nova além do hálito refrescante de quem acaba de escovar os dentes.
- Eu estou morrendo de fome.
- Rose, você está sempre com fome.
- Eu sei. Mas hoje em especial estou faminta. – o estômago de Dimitri roncou ela cutucou sua barriga com as pontas dos dedos enquanto ria – Não sou a única, viu. Temos que repor a energia que perdemos.
- E nos preparar para a que vamos perder. – completou Dimitri cheio de promessa na voz, provocando arrepios na nuca da mulher.
Ele, então, a segurou pela cintura e a retirou de cima de si para poder se levantar. Ao contrário de Rose, que estava bem à vontade com a nudez, Dimitri enrolou o lençol na cintura.
- Tímido, Dimitri? Sério?
- Se quiser me ver nu andando pelos cômodos, vá até a minha casa. – respondeu suavemente, fazendo-a rir.
- Proposta tentadora. Pode deixar que pensarei com carinho. Hey, pode usar minha escova de dentes se quiser, vou buscar algo para você vestir.
A interação de ambos era natural. Como se dormir e acordar juntos fosse algo rotineiro assim como as brincadeiras pós-sexo e a intimidade adquirida pelo casal desde a última noite.
Conheciam-se há alguns meses e até então se consideravam grandes amigos e companheiros, mas era diferente de ser um casal. Entretanto, um nem outro estranhavam a nova relação entre ambos.
Mas a verdadeira prova do respeito e apoio mútuo viria pouco tempo depois que Rose deixava o quarto em busca de roupas confortáveis para Dimitri. E mais uma vez suas mentes pareciam estar em sincronia, pois Rose adentrou ao quarto lívida e Dimitri a olhava da porta do banheiro com um ar assustado.
- Meu Deus. Dimitri... – Rose levou a mão à boca e as roupas que carregavam caíram ao chão – Ontem à noite eu não estava pensando direito... Estava tão distraída, eu...
- Rose. – Dimitri atravessou o quarto em três passos largos e chegou até ela, segurando-a gentilmente pelo braço. – Calma. Respire, pelo amor de Deus, não tenha um ataque de pânico.
- Eu lá tenho cara de quem tem ataque de pânico? – retrucou desvencilhando-se dele e indo sentar-se em sua cama. – Argh! Como pude ser tão burra. Uma coisa simples para se lembrar: camisinha, pronto!
- Eu deveria ter me lembrado também. – Dimitri sentou-se ao seu lado e a segurou pelas mãos de maneira acolhedora – Deveríamos. Mas na hora... foi difícil. É difícil lembrar até de respirar quando estou com você;
- Eu sei... ugh, eu sei, e isso me deixa frustrada! – Rose escondeu o rosto nas mãos e grunhiu – Minha mãe atormenta minha cabeça desde que eu tinha 12 anos com isso. “Nunca ande sem proteção Rose”, “Rose, nem pense em sexo sem camisinha”, bla-bla-bla. De tanto ela falar...
- Rose, não sabemos. Nada pode ter acontecido. E você pode tomar pílula, se quiser vou à farmácia agora comprar pra você.
- Do jeito que sou sortuda, a pílula não vai funcionar e daqui um mês vou descobrir que estou grávida. De trigêmeos! — Não havia graça no assunto, mas Dimitri se viu abafando um riso – Qual a graça? Não é você que vai engordar e entrar numa montanha russa de hormônios por nove meses!
Dimitri suspirou e acariciou seus cabelos com gentileza.
- Você está sofrendo por antecipação.
- Eu sei. Mas eu não posso engravidar agora. Preciso terminar a faculdade e não sei nem o que farei depois disso! E minha mãe surtaria. Já sei até o que ela irá dizer: você está cometendo o mesmo erro que cometi. Ser mãe já não é fácil, mãe solteira é ainda pior e por ai vai.
- Wow, e quem disse que você vai estar sozinha? – a voz de Dimitri beirava à ofensa. – Rose, se você por acaso engravidar eu não te deixaria sozinha.
- Você diz isso agora.
Raiva. Tristeza. Medo. Dimitri não sabia como responder a essa afronta. Ele a amava e ela havia declarado seu amor, como então poderia sequer sonhar que ele a deixaria, principalmente com um filho seu no ventre?
Respondeu da única maneira que poderia pensar no momento. A maneira que ele poderia mostrar que nada os afetaria. Ele a beijou. De maneira intensa e apaixonada, e nada sexual. Era um beijo de amor puro que tirou o fôlego de Rose antes que ela pudesse colocar a cabeça no lugar e retribuir.
- Roza, te disse e repito: eu te amo. Eu enfrentei a morte do meu pai, mudança de país e suportei minha família sendo o único homem da casa. Eu enfrento a morte e lido com o perigo sempre que uso o distintivo. Não é um positivo rosa num palito que irá me fazer recuar. Nem a sua mãe.
- Você deveria ter medo dela. Ela é assustadora. Acho que até o chefe dela tem medo do que ela é capaz de fazer quando pisam no calo dela. – Dimitri sorriu e Rose seguiu-o, segurando seu rosto entre as mãos e abraçando-o com força. – Me perdoe. Eu entrei em desespero. É que quando percebi o que fizemos, digo, o que deixamos de fazer eu meio que comecei a ouvir minha mãe falar e isso me tira do sério.
- Por que não vamos até a farmácia e compramos aquela pílula? E na segunda sugiro que você ligue para um ginecologista para que ele receite a melhor pra você. – Dimitri afastou-a para poder olhar em seus olhos que haviam suavizados – Porque acho que seria bom você começar a tomar, Rose. Não quero ficar dependendo de termos ou não um pacote de camisinha na hora e eu não posso prometer que irei parar por causa disso.
- Seu pervertido. – mas Rose riu e o beijou levemente. – Eu peguei umas roupas do irmão de Lissa pra você devem servir. E pode deixar que eu vou até a farmácia sozinha, caminhar vai me fazer bem. Principalmente se quando eu voltar tiver um super café da manhã me esperando.
- Isso foi uma indireta? – Dimitri ergueu uma sobrancelha.
- Não, camarada, foi uma direta mesmo. – Rose selou seus lábios mais uma vez antes de se levantar e dirigir-se até a cômoda, retirando uma calça de lá. – Já volto. E não se preocupe que ninguém vai aparecer aqui, então pode ficar à vontade. – disse com inocência no tom mas malícia nos olhos enquanto vestia-se. Antes de sair, porém, Rose parou a porta e encarou Dimitri com admiração. – E obrigada, camarada.
Ele se levantou e foi até ela, acariciando seu cabelo e depositando um beijo no alto da cabeça.
- Não, Rose. Obrigado você.
Sem mais, Rose saiu do quarto e em alguns minutos Dimitri ouviu a porta bater.
Os minutos que passaram separados foram estranhos. Dimitri trocou de roupa e foi à cozinha ver o que prepararia naquela manhã que começava a esfriar. Sentia-se à vontade o suficiente para cozinhar, embora, como disse a Rose, não andaria nu por ali para a infelicidade da outra.
A mesa da cozinha estava posta quando Rose voltou. Panquecas com mapple descansavam num prato e o cheiro de bacon dominava a cozinha. A visão de Dimitri descalço, com uma calça moletom e camisa regata a fez sorrir.
- Já me disseram que homem cozinhando era sexy, mas nunca pensei que seria divino. – disse ela anunciando sua presença – Ainda mais quando a casa cheira a comida gostosa.
Dimitri riu e depositou os bacons num prato, juntando-os às outras coisas da mesa.
- Também fiz suco. Suas laranjas estavam tão maduras que mais dois dias passariam do ponto.
- Hm, um homem cheio de dotes. Que sorte a minha.
Rose lavou a mão e sentou-se a mesa seguida por Dimitri que levava o suco. Ele a serviu e aproveitou o momento para tomar o medicamente que havia comprado. Nenhum dos dois comentou sobre isso.
O café passou tranquilo e relaxado. Estavam tão próximos que Rose apoiou sua perna no joelho de Dimitri, tendo a mão desde deslizando por sua pele com naturalidade. Riram e conversaram bastante, trocaram beijos e carícias.
- Está satisfeita? – indagou Dimiti a Rose a certa altura, uma mão deslizando cada vez mais alta em sua coxa e outra em sua nuca.
- Mais um menos... – Rose parecia um gatinho manhoso, aproximando seu rosto do dele e deslizando o nariz em seu pescoço. – Estou com fome de outra coisa agora...
- Ah é? E será que posso te ajudar a saciar essa fome?
- Hm, não sei, vejamos... talvez um pedaço disso.
Rose segura a gola da camisa e o puxa para um beijo, deixando claro suas intenções. Dimitri passa os braços em baixo de sua perna e se levanta, levando-a junto consigo até a sala onde se deita sobre ela no sofá.
- Vamos cuidar dessa fome então, Roza.
Sorrindo, os dois afundaram um no outro novamente.
- Eu adoro ficar assim.
Rose e Dimitri estavam deitados no tapete de camurça ao chão. Ela de bruços, a cabeça descansando nos braços e virada para Dimitri, que apoiava o cotovelo no chão e com a mão livre deslizando nas mechas escuras que caiam pelas costas nuas de Rose.
Dimitri amava seu cabelo e já havia deixado isso claro. Não se cansava de observar seu brilho e cor nem e muito menos de sentir sua maciez em seus dedos. Rose adorava quando ele a acariciava daquela forma.
- Assim como, Roza? – indagou gentilmente.
- Juntinha de você. Quietinha, te olhando e você me fazendo carinho. E eu definitivamente gosto de acordar com você ao meu lado e simplesmente gosto de te ter por perto.
Dimitri sorriu e inclinou-se sobre Rose, beijando sua bochecha com carinho.
- Também adoro ficar junto de você.
Beijaram-se silenciosamente por um tempo antes de Dimitri perceber que Rose lutava contra o sono. Ela queria ficar acordada, mas desde a noite anterior quase não descansava. Dimitri sabia que ela não admitiria, então age sutilmente, para que Rose não percebesse suas intenções.
Puxa uma almofada do sofá para deitar a cabeça e em seguida abraça a cintura de Rose trazendo-a para si. Ela não recua e deita a cabeça em seu peito, ouvindo seu coração batendo forte e ritmado. Rose, sem motivo aparente, então ri sozinha.
- O que foi? – as pontas dos dedos de Dimitri subiam e desciam em seu braço provocando sua pele.
- É que... Não. Nada, esquece.
- Rose... – Dimitri gemeu frustrado – Você está envergonhada. Me diga o que se passa nessa sua cabeça?
- É só que... – deveria dizer? Não era nada de anormal. Rose era uma mulher feita assim como Dimitri era um homem feito, além de mais experiente. Ele não riria dela. – Você tem alguma... fantasia?
- Sexual? – indagou com um sorriso no rosto. Onde ela queria chegar com essa conversa? Rose apenas maneou a cabeça positivamente – Na verdade, nunca pensei nisso. Mas a julgar sua reação, acho que acabou de ter alguma.
- Acho que o certo seria algumas... – murmurou desenhando com a ponta do indicador formas aleatórias no peito de Dimitri.
- Que são... Vamos Rose, começou agora termine. Não me deixe curioso.
- Bem... foi só algo que você disse ontem. Sobre não transarmos no hall ainda. Me fez pensar...
Ela parou, mas Dimitri, que a entendia muito bem, captou seu pensamento. Seu sorriso abriu-se, pois, certamente pensara na mesma coisa.
- Você quer fazer lá? É isso?
- Também. Há outros lugares da casa que me deixam... interessada.
Dimitri riu, mas não dela. Gostava dessa ideia, afinal lera e algum lugar sobre ser criativo e aberto com seu parceiro na vida sexual ajudava na relação. Não que os dois precisavam disso. O sexo normal já era extasiante e Dimitri nunca enjoaria de Rose e seu corpo.
- Que lugares?
- Bem, tipo... basicamente todos os cômodos de uma casa. Sobre o balcão da cozinha. Na mesa do escritório. Contra a parede do hall. – ambos sorriram com a última, lembrando-os da noite anterior. – Já fizemos na sala, mas sempre há como inovar.
Dimitri riu com a forma que Rose conclui, decidida.
- E definitivamente, o banheiro.
- Banheiro?
- Ah sim. – ela ergueu a cabeça para poder encarar seus olhos e ver sua reação enquanto continuava a segredar-lhe seus desejos mais íntimos com uma voz sensual e rouca – Contra a pia. Na banheira. No chuveiro. Já pensou nas formas que podemos fazer apenas no banheiro?
Dimitri a encarou, os olhos brilhando de desejo e luxúria. Rose conseguira o que queria, ambos sabiam disso. Ele a beijou com força, sendo retribuído com vontade. Antes que pudessem levar a diante, Dimitri os separou.
- Vamos descansar um pouco. – diz com intensidade, olhando-a nos olhos – Porque ainda temos o resto do dia e o domingo inteiro e você precisa estar descansada para o que eu quero fazer com você.
Rose arrepiou-se e o abraçou com força.
- E o que você quer fazer comigo?
Dimitri levou a boca até sua orelha, beijando-a antes de concluir baixinho ali mesmo:
- Estou louco pra começar essa sua lista.
A perspectiva de como seria o resto do final de semana faz Rose corar e se excitar, porém, ela se contém. Lutava contra o sono e sabia que sem um bom descanso ficaria chata e nada aproveitaria. E tudo o que era queria era aproveitar. E muito.

Notas finais
Não tenho muito o que dizer.. a fic está quase pronta aqui no word, mas não irei dizer ainda quantos capítulos falta pro final. =P Não se preocupem com isso ainda.
Beijinhos
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