Enchanted.
4 Not where the storyline ends!
This night is flawless, don't you let it go… I'm wonderstruck, dancing around all alone.
A noite estava sem falhas, perfeita.
Eles dançavam com os corpos colados e respiração entrecortada, os corações batiam ligeiramente acelerados, a pulsação descompassada e os olhos fixos.
Não gostariam de piscar. Um piscar de olhos e algo poderia ser perdido: um movimento, um detalhe. Então se beijaram e sussurraram promessas de resgate um para o outro, ele a tiraria daquele castelo e do destino infeliz de herdeira das riquezas Greengrass e ela arrancaria dele aquele olhar triste.
Ele tirou a máscara dela e disse que mesmo que não voltasse a vê-la, guardaria aquele rosto com ele para sempre. Quando encostara a testa na dela, disse: eu te amo.
– Tire a máscara para mim. – Ela pedira.
O rapaz loiro – que ela apelidara de Fitz, como uma referência ao Mr. Darcy de Orgulho e Preconceito. – sorria calorosamente enquanto desamarrava a máscara, suas mãos foram em direção ao rosto para amparar a máscara.
Quando estava perto de ver o rosto de Fitz, ele tinha a voz de Dafne.
Por que ele tinha a voz de Dafne?
– Astoria! Acorda! – Dafne berrava frenética. – Astoria! Você prometeu.
– Você me atrapalha até nos sonhos. – Tori cobriu a cabeça com a almofada. – O que você quer?
– Você prometeu que iria a Paris comigo. – Dafne cruzou os braços, emburrada. – Não consegui comprar o que queria da ultima vez.
– Você não aprendeu a aparatar em Hogwarts? – Tori perguntou impaciente. – Vai arranjar o que fazer e me deixa em paz.
Dafne reclamou por mais uns minutos até sair do quarto de Astoria batendo a porta.
Tori fechou os olhos, tentando voltar ao sonho, tentando ver o rosto de Fitz. Mas não conseguira. Vinha tendo o mesmo sonho desde que o vira há duas semanas e aquela era a primeira vez que ele dizia com a voz rouca que a amava.
Permitiu que os sentimentos e a leveza de adolescente a atingisse pelo menos uma vez na vida, sorriu fitando o vazio e desejou dormir para sonhar com ele novamente. Não podia dizer que o amava, por Merlin, nem bem o conhecia.
Mas gostaria de amá-lo e, mais que tudo, desejava que ele a amasse.
Sorriu com a perspectiva de um pouco de felicidade e se deixou levar por isso, cantou e dançou sozinha no quarto até cair exausta e radiante em sua cama... Mais tarde haveria outro baile.
E se tudo desse certo, dessa vez ela veria seu rosto.
***
Dessa vez ninguém precisou insistir para que ele fosse ao baile.
Se a esperança de vê-la não fosse tanta, estaria assustado pela ausência de máscaras. Todos os sentimentos pueris invadiram sua mente: e se ela não gostasse dele? E se ela descobrisse que ele era um Malfoy e resolvesse descarta-lo como o ser repugnante que era?
Era melhor assim, que ela o visse sem qualquer tipo de máscara. Jogaria limpo e sem medo. Não seria mais o garoto mimado que fora durante grande parte da vida, não seria mais o adolescente inconsequente que fora um comensal pelos motivos errados – não que houvesse algum tipo de motivo certo – e não usaria mais a carranca amargurada que vinha vendo no espelho nos últimos anos.
Tentaria ser ele mesmo, mesmo que não soubesse quem era.
Descobriria a tempo se tivesse sorte, embora estando certo de que falaria pouco, ora enfeitiçado por aqueles lábios cheios, ora rindo e compartilhando com ela das piadas que teriam em comum. Porque teriam piadas em comum, talvez gostos em comum e se tudo desse certo, uma vida em comum.
Eram planos ambiciosos demais para alguém que estava acostumado a não fazer planos. Era sonhar alto demais para alguém que estava acostumado a pesadelos e não devaneios.
–
Ela não o reconheceu de imediato. Os olhos perdidos vagueavam pelo salão enquanto a irmã segurava-lhe o braço impedindo-a de partir a procura de Fitz.
– Hoje você vai conhecer o meu noivo.
– Dafne. – Astoria pediu, girando os olhos. – Por favor, me deixe em paz.
– Larga de ser chata! – Dafne choramingou, se excedendo no drama. – Logo ele fará parte da família e eu quero que ele se sinta assim.
– Ele nem te pediu em casamento ainda, Dafne. – Tori disse antes de completar bruscamente. – E nem sei se vai!
– Por quê? – Dafne perguntou com os olhos instantaneamente mareados. – Você acha que há algo de errado comigo?
– Não. – Tori respondeu secamente, antes de respirar fundo e completar brandamente. – Não há nada de errado com você, é só que você não deveria se casar por casar...
– Ah! Olha ele lá! – Dafne ajeitou os belos cabelos loiros e sorriu. – Draco! Draco! Aqui!
Os olhos dele pareciam tão perdidos quanto os dela há momentos.
Quando se olharam, ele a reconhecera quase que imediatamente, estivera a ponto de perder as esperanças de encontrá-la; por isso sorrira aliviado quando percebeu que ela o olhava.
Quando ele sorriu, ela o reconheceu finalmente.
Quis correr para beijá-lo novamente, para abraçá-lo novamente e para tornar pelo menos parte de seus sonhos realizados. Mas o que vira, não imaginara em nenhum de seus mais loucos sonhos: Dafne soltando seu braço e agarrando o braço do rapaz que estivera em todos os seus sonhos nas ultimas semanas. Fitz – que na verdade se chamava Draco – a olhava atônito e mais pálido que nunca.
– Finalmente! – Dafne disse radiante. – Draco, essa é minha irmã Astoria; Tori, esse é Draco, meu futuro noivo.
– Seu futuro noivo? – Draco perguntou com uma leve nota de desespero na voz.
– Então você é o rapaz que está enrolando minha irmã. – Astoria forçou um sorriso.
– Sou o rapaz com a corda no pescoço. – O tom brincalhão mascarou a nota de súplica na voz dele.
– Tori, olhe os modos! – Dafne a repreendeu com uma risada boba e um chute na canela. – Eu e Draco frequentamos Hogwarts juntos, Draco, você não deve se lembrar da Tori, ela entrou dois anos depois da gente. E entrou para Corvinal, depois passou um ano na França.
– Você não quer fornecer minha altura e meu peso, Dafne? – Tori ironizou, cruzando os braços e encarando cada parte, menos os olhos, de Draco. – Se vocês não se importam, eu vou caminhar.
– Eu também vou. – Draco disse prontamente.
– E eu? – Dafne perguntou, com a voz chorosa.
– Dafne, você já conheceu... – Draco olhou em volta, procurando uma solução. –Meu amigo Córmaco McLaggen?
Nem bem assistiu Dafne olhar surpresa, saiu correndo atrás de Tori, que já estava perto de um garçom tomando a segunda dose de whisky de fogo.
– Eu fico com isso. – Ele disse tirando a terceira dose de whisky de fogo da mão dela.
– Ah, me deixe em paz você também. – Tori girou os olhos emburrada. – Já tenho idade legal para beber.
– Ainda bem. – Draco disse, tomando a dose de whisky. – E agora?
– E agora o que? – Astoria perguntou cruzando os braços.
– O que faremos? – Draco perguntou, esperando que ela aparecesse com uma solução.
– Ah, você vai se casar com a minha irmã mais velha e eu vou levar as alianças. – Tori disse andando. – Me parece um bom plano.
– Pra quem? – Draco perguntou, com aquele tom de desespero.
– Para minha irmã. – Tori confessou, se virando para ele. – Por que você não me contou que estava noivo da minha irmã?
– Porque eu não estou noivo. – Draco quase berrou. – E porque eu não sabia nem seu nome, quando iria imaginar que você era irmã da Dafne? Vocês não são nem parecidas.
– Ah, vocês não estão noivos? – Tori disse colocando o dedo no peito dele. – Então vai lá e conta para a Dafne que já comprou até o vestido de noiva.
– Vou mesmo. – Draco falou, nem um pouco intimidado pela pose ameaçadora dela. – Eu nunca me forçarei a me casar com outra pessoa. Ainda mais com Dafne, sem ofensas.
– O que tem a Dafne? – Astoria perguntou de braços cruzados, embora já soubesse da resposta.
– O que tem a Dafne? – Draco repetiu rindo, com a voz cheia de ironia. – Sua irmã parece só estar esperando a Sininho chegar com o pó de mágico para voltar para a Terra do Nunca. Sem ofensas.
Astoria não queria, mas riu e Draco riu com ela. Nunca falara sobre alguma história trouxa com alguém, até porque se sua família soubesse certamente seria castigado.
– Não ri. – Astoria falou fazendo careta. – Ainda é da minha irmã que estamos falando, sua noiva.
– Por Merlin, Rei Arthur e toda Távola Redonda. – Draco girou os olhos. – Eu nunca irei me casar com ela. Não iria mesmo e agora então que não me casarei, não quando outra pessoa me domina os pensamentos.
– Se essa outra pessoa for eu, você pode esquecer. – Tori disse, procurando outro garçom com os olhos. – Não sou do tipo de pessoa que apunhala a irmã pelas costas.
– Tecnicamente isso não é apunhalar. – Draco falou ainda andando atrás dela.
– Quer parar de me seguir e me explicar como isso não é apunhalar?
– Se você parar de andar, eu paro de te seguir.
– Ah, cala a boca.
– Quer saber, vou calar. – Ele disse a arrastando para o armário de casacos. – E você também vai calar a sua.
E então com os dedos enterrados no cabelo dela, a beijou uma, duas, três e incontáveis vezes.
– Viu. Não é apunhalar. – Draco disse, recuperando o ar. – Não quando você também me quer o tanto que eu te quero.
– Quem disse que eu te quero? – Tori tentou desafiar.
– Você. – Draco sorriu antes de beijá-la novamente. – E disse mais uma vez.
– E o que você quer que eu faça com isso? – Astoria suspirou. – Você está prometido em casamento para irmã mais velha.
– Promessas são quebradas a todo o momento. – Draco disse tirando uma mecha de cabelo castanho do rosto dela. – Eu não vou me casar com ela, você fugindo ou não comigo.
– Fugir? – Tori arregalou os olhos. – Não posso fazer isso.
– Então parece que temos um impasse. – Draco cruzou os braços e encostou-se a um dos cabides. – Porque, você sabe? Eu sempre tive tudo o que eu quis, e eu não vou desistir de você tão fácil.
– Você sabe que isso não soa nem um pouco romântico, não sabe? – Astoria falou fazendo careta. – Soa um tanto prepotente, mimado e mais uns adjetivos nada legais que passam pela minha cabeça.
– Não era para soar bonito. – Draco falou indo em sua direção, até encosta-la a parede novamente. – Essa é só a primeira página, não é onde a história termina.
– Vamos ver como a história termina. – Astoria falou, acertando os cabelos negros. – Eu tenho uma breve ideia, termina com você casado com a minha irmã. Olha, esse lance de se beijar nos armários, e etc., foi divertido, mas eu tenho que voltar para a vida real.
– E você não quer fazer disso, sua vida real? – Draco perguntou com as mãos nos ombros dela.
– Não. – E Astoria respirou fundo antes de mentir. – Eu estou apaixonada por outra pessoa.
– Está? – Draco não esperava por aquela.
– Aham. – Astoria disse. – Isso aí, por um cara alto, forte e loiro que se chama Mark, então você pode desistir de mim.
Draco por um momento imaginou que ela estivera mentindo, mas o desespero tomou conta dele e ele saiu dali, deixando-a sozinha no armário de casacos.
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