Encare-me
7 7 Uma dose disso com um pouco de limão
Notas iniciais
Dia do casamento. Eu certamente estava mais nervosa do que a noiva. Quero dizer, não com cabelo vestido e maquiagem. Tava mais para Roberta, sumiço e Roberta de novo...
Não consigo ver um motivo que faça sentido para ela não atender minhas ligações ou responder as minhas mensagens. Ficaria grata até com um sinal de fumaça apenas dizendo que ela esta viva e que eu estou preocupada sem motivos. Mas nem isso eu recebi.
Telefone toca, corri até a sala para atender, na esperança de ser Roberta com um pedido de desculpas mas isso seria muito fantasioso...
—Alô – Disse esperançosa
—Garota, se você não derramar pelo menos uma taça de champanhe na Dia, eu te mato! – Semanas sem ouvir aquela voz doce que sempre tentava parecer agressiva.
—Achei que tinha morrido dona Camila. A Thatty esta surtando sem você aqui madame.
—Se eu te contar que eu fui roubada e fiquei sem celular até agora você acreditaria?
—Não. Tem mais a sua cara perder o celular no apartamento e demorar semanas para achar.
—Foi quase isso... Eu perdi o carregado...
—E só achou agora. – Conclui
—Quem disse que eu achei? Tive que comprar outro.
—Se ficar gastando dinheiro sem necessidade e não trouxer nada pra mim quando voltar, você ta morta.
—Senti falta das suas ameaças sem fundamentos...
—Não são sem fundamento. Eu juro que te mato.
—Pode guardar a arma porque eu já comprei seu presente.
—Comprou o que?
—Você só vai saber quando eu voltar... – Fez uma pausa – A gora me diz com que roupa vai ir no casamento?
—Você só vai saber quando a Dia voltar da lua de mel e postar as foto... – Disse triunfante.
—Eu não queria saber mesmo... Só por favor, não vá parecendo um mendigo. Não se esqueça que vai estar representando nos duas.
—Tudo bem madame sociável...
—Droga... – Disse ela
—O que?
—Outra ligação...
—Thais?
—Exato, preciso desligar. E não se esqueça de derrubar champanhe na noiva.
—Tchau Mila. – Disse desligando o telefone.
Bom se até agora não consegui falar com Roberta, a festa vai ter de me ajudar nisso.
Depois de uma longa batalha contra meu guarda-roupa, encontrei algo que pudesse usar num casamento. Quero dizer, algo que agradaria Camila porque se dependesse de mim, jeans e camisa estavam ótimos. Esse vestido eu havia ganhado da minha tia Lanna. Acho que foi da formatura dela ou algo assim. Ele era cinza, não muito longo mas não chagava a ser curto. Tinha uns detalhes de renda na alça. Ele era lindo. Eu nunca havia o usado antes. Lanna dizia que ela e minha mãe dividiam esse vestido, então eu guardava como se fosse um artefato de museu, com o maior cuidado possível.
Já estava pronta, só esperava Judith chegar para me dar uma carona. Ela não queria ficar para a festa mas sua mãe se ofereceu para me deixar lá.
Não demorou nem cinco minutos para ouvir leves batidas em minha porta.
—Adorei o vestido. – Comentou Judith – Vamos?
Tranquei a casa e entrei no carro. Só conseguia pensar em uma coisa, com que vestido Roberta estaria? Eu sei que eu deveria estar brava por ela não estar atendendo minhas ligações mas... Eu não poderia ficar brava com ela.
—Se divirta e fique longe das escadas – Disse Patricia a mãe de Judith ao parar o carro.
Judith gargalhava no banco de trás vendo sua mãe tirando uma com a minha cara. Apenas agradeci a carona e entrei no salão.
Logo ao entrar fui surpreendia por um abraço.
—Jessiquinha – Disse me apertando.
—Um “oi” já seria suficiente. – Comentei tentando recuperar o ar.
—Desculpa, você não sabe como eu to nervosa... – Confessou Dianna
—O que ela ta fazendo aqui? – Disse ao avistar Laurinda em uma mesa no final do salão.
—Mantenha a calma e prometa ficar longe da cadeira dela. – Disse rindo
—Eu prometo. Mas só se me por numa mesa perto da Roberta.
—Porque da Roberta? – Disse arqueando a sobrancelha
—Porque ela é a única que eu converso por aqui. – Vi ela desmanchar o sorriso – Alem de você dona Dianna.
—Tudo bem. Quando ela chegar, ela e o marido vão pra sua mesa.
“Ela e o marido...” Não gostava da ideia do marido dela ficar conosco mas o que eu poderia fazer?
Me sentei em uma das mesas e peguei um copo de vinho enquanto esperava Roberta.
De longe, avistei Inácia vindo em minha direção.
—Sozinha? – Perguntou
—Acho que sim. — Disse olhando para o relógio.
—Alguém especial? – Disse se sentando.
—É... – Disse abaixando a cabeça para não ter que olhar nos olhos dela,
—Vai me dizer quem? – Tentou ela.
—Se eu te contar... vou ter que te matar – Disse fazendo uma cara mistério que arrancou gargalhadas da mesma – Eu estava esperando a Roberta, mas a julgar pelo horário, acho que ela não vem. – Disse desmanchando o sorriso torcendo para que Inácia não tenha percebido.
—Posso buscar algo pra gente beber? –Disse se levantando
—Claro.
Inácia voltou com uma garrafa de whisky.
—Whisky? – Fiz uma cara um tanto preocupada.
—Não gosta? – Disse se sentando
—Vamos dizer que eu não tive uma boa experiência com whisky... – Disse dando um sorriso de canto.
—Então vamos fazer você ter uma boa experiência com whisky. – Disse nos servindo uma dose – E se te deixa mais tranquila eu te levo pra casa quando a festa acabar. – Estendeu o copo pra mim.
Pensei um pouco e cabei pegando o copo da mão de Inácia.
—Promete que vai me deixar longe de escadas?
Ela assentiu com a cabeça sem entender do que eu estava falando.
Algumas doses depois eu já podia me sentir um pouco tonta.
—E então vai me dizer porque esta olhando para o celular de cinco em cinco minutos?
—Esperando uma mensagem... – Confessei
—De algum garoto da escola? – Tentou Inácia
—É uma garota – Fiz uma pausa para observar a reação de Inácia que apenas sorriu – Uma mulher na verdade. – Ri ao ver como estava sendo ridícula
—Esta apaixonada por ela? – Disse me servindo outra dose.
—Eu... – Fui interrompida por uma noiva bêbada que me puxou sem aviso prévio para a pista de dança.
—Essa é a hora que você dança comigo Jessica Ferrer – Disse me puxando mais para perto de seu corpo.
—Nossa Dia... O que você bebeu? Porque eu quero uma dose disso com um pouco de limão.
—Querida se eu soubesse... – Disse encostando a cabeça em meu ombro – Bebi uma coisa diferente em cada mesa que passei.
—Eu não queria ser seu marido quando você for vomitar tudo isso antes de dormir – Disse zombando dela.
—Sem sermão dona Jessica. Já livrei tua barra muitas vezes pra ouvir você passando sermão. – Disse se afastando e me encarando
—Tudo bem dona Dianna... – Voltamos a dançar.
—Se eu pudesse escolher mais alguém para ser a minha afilhada seria você. Você e a Mila. – Disse se confortando em meu ombro novamente.
Ao avistar o fotografo ela chamou para bater uma foto nossa.
—Me da um selinho pra foto afilhadinha. – Me pediu se aproximando dos meus lábio.
Antes que eu pudesse pensar em responder ela já avia me roubado um selinho e o homem já avia batido a foto.
—Jessy? – Disse Inácia que pareceu surpresa ao ver a cena. – Eu tenho que ir... você vem?
—Já vão? – Disse Dianna desapontada. – Que horas são? Nem deve estar tarde...
—São cinco da manhã... – Respondeu Inácia entregando meu celular em minhas mão que eu provavelmente havia deixado na mesa ao ser raptada pela noiva bêbeda.
Dianna pareceu chocada ao saber o horário e não argumentou mais para que ficássemos.
Inácia me levou para casa, ficou o caminho inteiro sem dizer uma palavra. Sua expressão era de que algo havia lhe chateado. Seus olhos não a deixavam mentir, um olhar magoado disfarçado com um sorriso sem jeito quando percebeu que eu estava a observando.
—É aqui? – Disse parando o carro.
—Isso... Eu te chamaria para entrar mas...
—Mas são cinco e meia da manhã e estamos morrendo de sono. – Completou Inácia
—Obrigada. Por ter me feito companhia, ter bancado a baba e por me trazer em casa também...
—Não precisa agradecer. Gostei de ter tido a sua companhia... – Disse acelerando o carro lentamente e indo embora.
Fale com o autor