Encare-me
2 2- Bebida de macho
Após a aula fomos a uma lanchonete como sempre fazíamos.
Ela estava tão próxima a mim que se me aproximasse mais um pouco poderia beija-la. Ela sorriu e como se ouvisse meus pensamentos começou a se aproximar bem lentamente
—Haaaa! Perdeu – Gritou Roberta
—Não é justo – Bufei – Você estava muito perto, não tinha como não piscar – Disse indignada com a trapaça e voltando a comer meu lanche.
—É melhor se acostumar a perder porque eu andei treinando – Disse se referindo ao jogo de ficar sem piscar que nos fazíamos frequentemente. – E agora você me deve 2 doses.
—Se for pra festa da Kat eu te pago até 3...
—Já disse que não Jessy. O que eu vou fazer numa festa cheia de adolescentes? – Perguntou tomando um gole de seu suco.
—Me fazer companhia. – Rebati esperançosa
—Não Jess. Sinto muito – Terminou de beber o liquido que estava em seu copo e continuou – Mas te dou uma carona.
Assenti com a cabeça. Ela não iria para a festa comigo mas pelo menos iria comigo ate la.
Roberta alem de ser minha professora e o amor da minha vida, também era minha amiga. Isso significa que saímos muito juntas. Mas nunca íamos a festas. Só fomos juntas a uma festa. Na verdade não fomos juntas... Nem éramos amigas na época.
Flashback
Era a festa da Mila, todos já estavam bêbados. Os professores fingiam não ver os alunos e os alunos fingiam só ver as bebidas.
Eu estava procurando a Mila, como não a encontrei no meio da festa resolvi subir as escadas e procurar nos quartos.
Quando passei pelo banheiro, a porta estava entreaberta e pude ver que alguém estava passando mau.
Entrei no banheiro e fechei a porta. A mulher estava com o cabelo no rosto e não pude ver quem era mas pude ver que precisava de ajuda então me propus a segurar seu cabelo enquanto a mesma vomitava.
—Obrigada – Disse em um tom quase sem fôlego.
Aquela voz... eu conhecia aquela voz. Foi quando ela virou para mim que eu realmente lembrei... Roberta... A bruxa que me fez ficar depois do horário na escola hoje mais cedo.
Ela se levantou ficando de pé mas ainda cambaleando.
—Você esta bem? – Perguntei já sabendo qual seria a resposta.
Por dentro eu estava gargalhando, não é todo dia que se encontra um professor bêbado e ainda por cima vomitando.
—Sim. Eu só estou um pouco... Tonta...
Acho que ela quis dizer bêbada mas não a repreendi.
—Vem cá –Disse pondo um de seus braços em volta do meu pescoço – Você precisa tomar um ar
A levei para fora da festa e a sentei no jardim.
—Obrigada por me ajudar – Disse novamente mas dessa vez sorrindo pra mim
Flashback off
—Ruby? – Chamei e logo Roberta me encarou
—Diga
—Nos tornamos amigas porque eu te salvei naquela festa, não foi?
—É... Isso ajudou bastante... Mas acho que acabaríamos nos aproximando mesmo sem o episodio da festa.
—Você acha? – Pergunto sorrindo
—Eu acho que, eu preciso ir para casa e você precisa terminar esse refrigerante se ainda quiser carona pra festa.
Terminei rapidamente e logo fomos para o carro. Durante o caminho conversamos sobre as musicas que tocavam no radio. As vezes dávamos uma de cantoras e eu sempre acabava errando a letra da musica por me distrair olhando Roberta.
—Chegamos princesa – Disse parando o carro na frente da casa da Kat – Você desce aqui, e se precisar de mim estou no final da rua.
Assenti e sai do carro. Kat mora na mesma rua em que Roberta, acho que esse foi o motivo de eu ter vindo para a festa.
—Cachorra! – Cumprimentou me Thatty pulando em mim como fazia sempre
—Eai Rosinha o que eu perdi? – Perguntei fingindo empolgação
—A Ju e o Arth se pegando no sofá.
Meu queixo caiu, A Judith era basicamente a santa da turma. Não pude acreditar no que estava ouvindo.
— E cadê a vaca da Mila? To morrendo de saudades daquela piranha – Disse entusiasmada.
Mila era a garota das festas, sempre encontrávamos Mila em todas as festas ela realmente não perdia uma.
—Ta viajando querida... Europa! – Disse num tom de inveja
—E a gente... vai ficar aqui fora falando da diversão da Camilla, ou vamos nos divertir de verdade?
—Ainnn amor... não precisa falar duas vezes! Vamos buscar alguma coisa para beber.
Assenti com a cabeça e a segui para dentro da casa que estava tocando musica alta.
Curti a musica por um tempo com uma garrafa de whisky na mão
Eu não gosto de whisky mas como Arthur que por sinal não largava da Ju disse que whisky era bebida de macho e logo depois se engasgou com a bebida, eu assumi a garrafa.
Não demorou muito para o liquido se encontrar abaixo da metade na garrafa. Nem estava mais sentindo aquele gosto ruim do whisky, na verdade não que estava sentindo mais gosto nenhum.
Apenas dancei e bebi. Judith se juntava a mim as vezes mas logo Arth a puxava para mais beijos.
Em algum momento perdi Thais de vista e então fui procura-la. Afinal não seria difícil achar alguém de cabelo rosa.
Subi as escadas mas não a encontrei. Olhei para a garrafa em minha mão que já estava vazia e resolvi que o melhor seria pegar outra. De cima da escada avistei Thais no meio da sala.
—Thatty! – Gritei ainda de cima da escada
—Vem pra cá cachorra! – Disse movimentando a mão para que eu descesse, mas eu continuei no mesmo lugar.
—Thatty! Eu amooo essa musica – (estava tocando Sober da P!nk) Me inclinei para frente. Ao descer o primeiro degrau, perdi o equilíbrio e cai escada abaixo.
—Jess! – Judith gritou desesperada correndo até mim enquanto Arthur ligava para a emergência.
Não demorou muito para a ambulância chegar fazendo todos os vizinhos curiosos saírem para observar o show.
—Quem vai acompanha-la? – Perguntou o paramédico me pondo na maca e depois no veiculo.
—Eu vou! – Thatty se ofereceu
—Precisa ser maior de idade – Informou o homem.
—E onde esta a Mila quando precisamos? Na Europa... – Disse indignada
—Ei! O que esta acontecendo aqui? – Perguntou Roberta se aproximando da ambulância.
—Jessy foi dar uma de bêbada bailarina na escada, caiu, desmaiou e precisa de acompanhante. Sera que...
—Claro! Eu vou! – Disse preocupada entrando na ambulância e se pondo ao meu lado que permanecia inconsciente
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