Encare-me

17 17- Te desafio a me amar


Notas iniciais
Dessa vez eu tenho um motivo pela demora. Minha mãe conseguiu queimar meu computador e eu fiquei sem ter onde escrever. Quer dizer... não sei se ele tinha queimado mas eu o ligava e ele simplesmente ficava numa tela preta bizarra... Enfim... Um amigo formatou o pc e eu passei um dia inteiro instalando umas coisas que eu precisava (incluindo o word) e só consegui escrever hoje. Espero que entendam e não abandone a fic.

Quando voltamos para São Paulo tudo voltou ao normal. Ou pelo menos a nossa nova versão de normal.

Roberta e eu decidimos revezar em que casa dormíamos, uma semana na minha casa e outra semana na dela para que ninguém desconfiasse. Mas isso acabou gerando muitos interrogatórios pelos meus amigos de porque eu estava indo tanto na casa de Roberta e porque eu não estava dormindo em casa. Eu não poderia dizer que estava dormindo na casa dela isso só daria mais motivos para insinuações.

Como Camila sabia de tudo ela sempre arrumava uma desculpa e me ajudava a sair do interrogatório. As vezes eu penso que a melhor coisa que fiz foi ter contato sobre mim e Roberta para Camila.

Para disfarçar Roberta dormindo em casa colocamos a culpa toda em minha tia dizendo que ela não queria me deixar sozinha. E as vezes Camila dormia por lá também para incrementar nossa mentira.

Um mês havia se passado e todos pararam de insinuar coisas. Quer dizer... quase todos... Thais continuava insistente que eu estava tendo um caso com a Roberta.

Até que um dia alguém colocou na cabeça dela que Camila estava dormindo em casa porque ela estava tendo um caso comigo e não Roberta.

—Assumam logo – Insistia Thatty

—Não tem nada pra assumir criatura – Eu respondia irritada enquanto Camila se divertia do meu lado.

Estávamos do lado de fora da escola, Camila como já havia terminado o colegial, mas não tinha nada pra fazer ia lá todo final de aula para levar a gente para algum lugar ou simplesmente ir para casa de alguém. Geralmente era pra casa de Thais, mas eu nem comentava nada. Quer dizer, Ela achava que eu estava tendo um caso com Camila, mas continuava dormindo com ela...

Roberta se aproximou de nós sem que eu percebesse e pôs uma de suas mãos na minha cintura fazendo com que eu desse um pulo assustada.

—Te assustei? – Disse sorridente

— Você demorou pra sair... – Cometei.

—Estava conversando com a Inácia.

—Vai deixar Camila? – Disse Thais em um tom alto mas ninguém entendeu o que ela quis dizer – Roberta com a mão na cintura da sua namora, vai deixar mesmo?! – Provocou olhando para mim e depois para Camila.

Pude ver o sorriso de Roberta sumir, e eu não fui a única a perceber isso. Camila também percebeu o desconforto com o comentário de Thais.

—Já chega Thatty. – Disse puxando Camila para longe de nós.

Em seguida eu e Roberta nos despedimos de Judith e Arthur e fomos para a nossa lanchonete.

Roberta não disse nada durante o almoço até que eu joguei uma bolinha feita com guardanapo nela.

—Jura?! – Disse arqueando a sobrancelha

—Pelo menos agora você esta olhando pra mim.

—Isso foi infantil – Disse jogando a bolinha de volta e acertando minha testa.

—E revidar não é infantil né?! – Disse revirando os olhos enquanto ela ria.

—Preferia quando insinuavam sobre nós, do que agora que insinuam de você e da Mila. – Finalmente confessou.

—Esta com ciúmes da Mila? – Disse rindo. – A Mila é tipo uma irmã pra mim você sabe.

—Sei. E sei também que já dormiram juntas. – Disse meio irritada.

Eu revirei os olhos em resposta. Na verdade não sabia o que responder. Era verdade.

—Oi gente – Disse Inácia se aproximando de nós. – Eu posso...? – Apontou para uma cadeira vazia em nossa mesa.

—Claro – Respondeu Roberta forçando um sorriso.

—Eu já volto. – Disse me retirando da mesa e indo para o banheiro

Lavei o rosto e comecei a encarar meu reflexo.

—Ei amorzinho, que cara é essa? – Perguntou Inácia ao me ver debruçada na pia.

—Nada. – Disse na tentativa de convence lá

—Não quer contar não conte. Mas não diga que não é nada. – Comentou se aproximando. – Pode segurar pra mim enquanto uso o banheiro? – Disse pondo seu celular em minhas mãos.

Ela fechou a porta e o celular dela vibrou dizendo que ela havia recebido uma mensagem. Não que eu seja curiosa, mas acabei entrando na caixa de entrada dela. Que estava vazia a não ser pela mensagem da operadora que ela havia acabado de receber. Não satisfeita fui ver a caixa de saída. No meio de muitas mensagens enviadas estranhei ao ver meu numero lá. Eu nunca havia recebido uma mensagem de Inácia. E não era apenas uma mensagem cujo havia meu numero, havia varias. Aleatoriamente abri uma das mensagens

“Significa: Eu te desafio a me amar”

—De quem é o celular? – Perguntou Roberta que leu a mensagem por estar atrás de mim.

—Da Inácia... – Respondi meio incrédula.

—Achou a sua admiradora nem tão secreta assim... – Disse saindo do banheiro nervosa

—Ruby... – Tentei ir atrás, mas fui impedida por Inácia.

—Não sei o que aconteceu. Mas é melhor deixar ela esfriar a cabeça.

Assenti com a cabeça e voltei para a mesa com Inácia onde Roberta já havia pego sua bolsa e sumido dali.

Meu desanimo e preocupação não poderiam ser escondidos nem disfarçado. Eu só queria sair correndo atrás da Roberta.

—Relaxa. – Disse Inácia fazendo pouco caso. – Casais se desentendem, é normal.

Casais? Como assim casais? Como ela sabia disso?

—Nós não somos...

—Querida – Olhou fixamente em meus olhos – Eu reconheço um namoro lésbico a quilômetros de distancia. – Fez um pausa – Sem contar que vocês não sabem disfarçar muito bem...

—O que nos entregou? – Perguntei curiosa

—Desde o casamento da Coordenadora eu meio que percebi a troca de olhares entre vocês. – Confessou

—Posso perguntar uma coisa? – Disse meio apreensiva

—Claro – Disse tomando um gole de suco.

—Porque parou de mandar as mensagens?

Inácia que estava bebendo suco se engasgou ao ouvir minha pergunta.

—Fuçou no meu celular? – Perguntou já sabendo a resposta.

Inácia balançava a cabeça indignada.

—E então? – Insisti

—Depois que me disse que estava apaixonada, acho que eu desisti... – Confessou desviando o olhar. – Me diz que a Roberta não leu a mensagem e que ela não saiu daquele jeito por culpa minha. – Disse quase numa suplica

—Ela leu... – Lamentei. – Acho melhor eu...

—Ir atrás dela? – Completou Inácia – Pode ir. Eu pago a conta.

Não sabia se a recém descoberta iria mudar algo na minha relação com Inácia. Nós meio que estávamos amigas depois que ela se aproximou da minha turminha. Não sabia se ela ainda mantinha o sentimento de quando era a minha admiradora, mas isso era o que menos importava no momento. Eu precisava conversar com Roberta.

Essa semana era a semana de ficarmos na minha casa. Mas eu sabia que ela não iria para lá depois do que aconteceu.

Fui direto para a casa dela, como tinha a chave simplesmente entrei. Mas para a minha infelicidade ela não estava lá.

Então lembrei de onde ela gostava de ira para pensar. A praça onde ficamos no dia que fomos visitar minha mãe no cemitério.

Cheguei na praça e lá estava Roberta encostada numa arvore olhando para o céu. Lentamente me sentei ao seu lado.

—Eai vai chover? – Brinquei ao ver que ela continuava olhando pra cima

—Cara de pau – Disse me dando um empurrão fraco, mas que foi o suficiente para que eu me jogasse no chão fazendo ela rir.

—Ta brava? – Perguntei ainda deitada na grama.

—O que você acha?! – Fez aquela cara de quem ia me dar uma bronca mas nada disse.

—Eu acho – Comecei a balançar os pé no ar – Que você quer me beijar... – Ela segurou o riso e continuou com a cara de brava. – Quer que eu peça desculpas? – Eu não sabia o que fazer em meio a situação. Não me sentia culpada mas se me desculpar era o preço para ter Roberta alegre de novo eu estava disposta a pagar.

—Você não tem que pedir desculpas, idiota! – Disse sem olhar para mim

—E o que eu tenho que fazer, idiota? – Brinquei

—Me chamou de idiota? – Roberta olhou pra mim como se fosse me matar pela brincadeira.

—Idiota? Nunca!

Ficamos em silencio por um tempo até que Roberta resolveu falar.

—Tem mais algum nome que eu precise acrescentar na listinha do ciúmes?

—Listinha do ciúmes? – Me diverti com aquele nome.

—Não ria! Você não sabe como é um saco saber que a mulher mais atraente da escola tem uma queda pela sua namorada e você não poder falar que ela é sua... – Lamentou

—Você é a mulher mais atraente da escola... – Disse fazendo ela corar e em resposta ela me deu um outro empurrão. – E em minha defesa, eu sei sim que é um saco. Eu tenho que aturar uma escola inteira te chamando de gostosa pelas costas.

Ela riu com a minha confissão.

—E você não tem ciúmes?

—Claro que tenho. Mas eu não posso sair igual louca arrumando confusão com a escola inteira.

—O que sente em relação a Inácia? – Perguntou com receio na voz.

—Eu te amo idiota. Inácia é só uma amiga da galera

—Tem certeza? – Insistiu ela

— Ela é só uma amiga, Ruby. – Afirmei

—Tem certeza que me ama? – Perguntou se aproximando.

—Absoluta – Me inclinei dando-lhe um beijo

Ao nos separarmos percebemos que nossos colares estavam novamente entrelaçados. Fazendo com que voltássemos a nos beijar.

—Se me chamar de idiota de novo eu te mato Jess.

—Tudo bem... nada de "idiota"... Idiota – Provoquei Roberta que se jogou em cima de mim fazendo-nos rolar na grama.

Paramos ao ouvir o toque do meu celular. Era Judith

—Oi Jujuba – Disse ao atender

—Jess – Gaguejou Judith. Parecia nervosa.

—Que foi criatura? Thais te fez beber de novo?

—O Arth... – Parecia estar chorando.

—O que aconteceu?

—Vem pra cá por favor – Pediu ela quase implorando.

—Ta legal. Aonde vocês estão?

—Na casa da Thatty.

—Já chego ai – Disse desligando o telefone.

—O que foi? – Perguntou Roberta

—Não sei mais parece serio... Tenho que ir para a Thatty.

Notas finais
Quem ai acertou a identidade do admirador secreto? O que sera que aconteceu com o Arthur? Até a próxima gente :3