Encantos & Desencontros
13 Capítulo 13
Notas iniciais
“Eu amo você, querida
E se estiver tudo bem
Eu preciso de você, querida
Para aquecer as noites solitárias
Eu te amo, querida
Acredite em mim quando eu digo.
Ah, minha linda
Não me deixe deprimido, eu imploro
Ah, minha linda
Agora que eu te encontrei, fique
E me deixe te amar, querida
Me deixe te amar.”
JAMZ – Can’t Take My Eyes Off You
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Estêvão ficara embasbacado com a simples frase dita por Maria. Ele ria, sem saber exatamente o porquê, só havia uma única certeza dentro de si: esse seria o melhor presente que poderia guanhar no dia do seu aniversário de casamento.
— Maria – a olhou dentro dos olhos, quase enxergando sua alma – você tá falando sério? – O pobre homem ria tomado pelo nervosismo.
Para provar que não estava para brincadeiras, Maria se pôs de joelhos sobre a canga, e, lentamente, começou a desabotoar sua blusa branca, revelando um sutiã vermelho vibrante. Foi nesse exato momento que a sanidade de Estêvão começou a se esvair.
— Eu pareço estar brincando, Estêvão?
Um sorriso travesso e incrédulo surgira novamente em sua face. O mesmo sorriso que tinha o poder de hipnotizar sua amada, um sorriso que parecia dizer “valeu a pena cada minuto de espera, finalmente esse dia chegou”.
Os olhos de Estêvão não revelavam somente paixão e desejo, mostravam muito mais: mostravam amor. Ao se aproximar de Maria, roçou seus lábios nos dela, antes de toma-los em um beijo, que, de início, era um beijo tímido, como uma pequena fagulha, mas que logo se converteu em um grandioso incêndio.
Maria fechou seus olhos, buscando sentir com mais clareza cada sensação que Estêvão a proporionava. Mesmo sabendo que o tempo havia sido o maior rival dos dois, não havia pressa, não havia correria. eles decidiram deixar as coisas seguirem seu rítmo, sem apressar nada, apenas se deixaram ser levados pelo momento.
Num instante, talvez o único momento de rapidez, eles se libertaram daquelas peças de roupas, que só faziam atrapalhar. Logo, o fogo que eles produziam, fora o suficiente para eliminar o frio que se fazia presente no ambiente.
Cada vez que a boca de Estêvão se chocava com a pele de Maria, todo seu corpo era tomado por um arrepio. Ele sabia exatamente como tocá-la, sabia seus gostos, tinha decorado todos seus desejos libidinosos.
Ambos já se encontravam deitados sobre aquela pequena canga no chão gélido, mas pouco os importava o frio que fazia aquela noite, a calidez que que estava sobre eles derretia qualquer gelo. Entre beijos e carícias, novamente Maria experimentou o que era ser amada por aquele homem. Estêvão era excepcional no que fazia. Nenhum milímetro do seu corpo fora esquecido, cada parte fora mapeado pela sua boca, beijando, mordendo, aflorando ainda mais os desejos da mulher que estava abaixo do seu corpo. Maria gemia seu nome em seu ouvido, e ele ficava ainda mais excitado.
— Oh, Estêvão...
Quando por fim Estêvão a penetrou, ela fincou suas unhas em suas costas largas, e um grito de prazer ultrapassou sua garganta. Ela já não se importava em ser a recatada, já não queria mais reprimir seus gritos, e soltou tudo o que havia dentro si.
Prazer, volúpia, cobiça eram os personagens principais daquele filme que não era inédito.
— Mais rápido Estêvão, por favor! – Ela pediu num tom de súplica, e Estêvão sorriu excitado.
— Seu pedido é uma ordem.
Suas investidas aumentaram, os gemidos dela também.
Estêvão estava em êxtase vendo aquela mulher abaixo do seu corpo se contorcendo de prazer, seu desejo era que aquilo tudo mão acabasse nunca, mas tamanha era a excitação do momento, e por fim, ambos chegaram ao ápice do prazer.
— Estêvão... – Ela disse se derramando e com a respiração mais que acelerada.
Eles levaram alguns minutos até que suas respirações, e todo o corpo voltasse ao normal.
— Ah, eu não acredito! – Estêvão gritou, olhando para o céu escuro. – Eu sou o homem mais feliz do mundo!
Nus, cobertos apenas por suas roupas, eles seguiam abraçados, em êxtase pelo momento que viviam, e ainda mais satisfeitos por não terem que dar explicações a ninguém. Eram somente os dois e a imensa escuridão.
— Para de gritar, seu louco. – Riu. – Eu também gostei, foi inesperado, e bom.
Maria se inclinou para cima dele, e o beijou, demoradamente.
— Não podemos ficar aqui a noite toda. – Disse, ainda por cima dele.
— Com você eu fico em qualquer lugar, Maria. – Lhe roubou um selinho.
— Eu tô falando sério, Estêvão.
— Você quer que eu vá embora?
— Eu não disse isso. Eu hospedada num hotelzinho daqui, se quiser, você pode passar a noite comigo.
...
A festa estava seguia a todo vapor, todos se divertiam muito, até que Fabíola notara que havia algum tempo que não via Estêvão, e começou a procurá-lo pela festa. A mesma foi a um e a outro convidado, perguntando pelo marido, e todos diziam a mesma coisa: que não o haviam visto, deixando-a preocupada. Se aproximando, então do filho, que estava na companhia de Juliana, perguntou:
— Vocês viram Estêvão? – Ela teve de falar um pouco alto, devido a altura da música.
— Meu pai saiu já tem algum tempo, disse que tinha que resolver alguma coisa. – O filho atensioso respondeu, deixando sua mãe enraivecida.
— Juliana, cadê sua mãe?
— Minha mãe não veio, Fabíola. Foi passar o fim de semana em Santa Izabel.
— Interessante, sua mãe não está, meu marido não está, eu não duvido nada que eles estejam juntos agora. – Sua voz aumentava, dessa não por causa do som, mas pela cólera, que já subia por todo seu corpo.
— Não fala um absurdo desses, Fabíola, minha mãe não tá com ele!
Fabíola ignorou o comentário da sobrinha, e saiu dominada pelo ódio, empurrando quem estava em sua frete, até que encontrou Cláudio numa rodinha de amigos, tomando um drink. Giovana também estava por perto.
— Sua mulher é uma vagabunda! – Ela gritou trazendo todas atenções e olhares assustados para cima de si.
— Quê isso Fabíola, tá louca?
— Ela é uma vagabunda e você um corno, idiota!
Giovana, que até o momento parecia estar entediada, arrumou sua postura e paasou a assistir de camarote o vexame que a tia estava prestes a pagar.
— Abaixa o tom! Como se atreve a falar assim da minha esposa? – Cláudio logo demonstrou um grande aborrecimento ao ouvir tal acusação sobre a esposa, afinal, Maria era seu ponto fraco.
— Você sabe onde a sua santa esposa está agora?
— Ela foi passar o fim de semana fora. – A encarou, furioso.
— Interessante né, ela e Estêvão sumirem juntos. Você é mesmo um trouxa, só você pra acreditar nela.
— Ah Fabíola, continua, tô adorando a cena que você tá fazendo. – Giovana disse em meio a gargalhadas.
— E você não se mete sua ordinária. Agora sei porque você é assim, teve a quem puxar.
— Olha como você fala da minha filha, lava a sua boca!
— Não esquenta não pai, ela é uma mal amada, abandonada na sua própria festa. – A menina ria da vergonha da tia sem a menor misericórdia. Alguns convidados agiam da mesma forma.
— Agora sei bem porque sua irmã não vai com a sua cara, você não vale nada mesmo. Giovana e Juliana – gritou – vamos embora, não temos mais nada pra fazer aqui.
...
De pronto, Estêvão aceitou a proposta feita por Maria. Não demorou muito e ambos estavam vestidos e seguiram para o simples hotel de beira de estrada.
A noite passou num estalo. Estavam matanto a saudade de vinte e cinco anos, tentando costurar o buraco que existia entre eles. Finalmente, Maria esquecera tudo o que fazia sua consciência pesar, e se entregara a ele de corpo, alma e coração.
— Sabe, eu te olho aqui, desse jeito, ainda acho que é um sonho.
Estêvão estava sobre ela, entre suas pernas. Ela brincava com seus cabelos negros, como gostava de fazer.
— Eu também, jamais imaginei que pudéssemos estar assim de novo. – Declarou, com um sorriso sincero.
— Fazer amor com você ainda é a coisa que eu mais gosto de fazer no mundo. – Sorriu travesso. – Eu adoro quando você mexe no meu cabelo assim. – Confessou.
— Eu sei bem disso.
— Ué, ainda se lembra? – Franziu a testa.
— Claro que me lembro. Me lembro também que você amava quando eu te chamava de fera, mesmo não sendo nem um pouco bravo. – Riu .– E sei que você ama – ela ergueu um pouco seu corpo, e começou a sussurrar em seu ouvido – quando eu digo eu digo besteiras ao pé do seu ouvido. – Após a declaração, os pêlos de Estêvão se eriçaram.
— Ai, Maria. – Disse com a voz bamba. – Eu também me lembro muito bem de coisas que você gosta, como eu te chamar de Bela. Eu posso não ser como a fera, mas você sempre será minha bela. – Os dois riram. – Eu sei que você adora quando eu mordo seu lábio ao fim de cada beijo – a beijou, mordendo o lábio dela ao fim do mesmo – e quando eu te aperto contra mim, a ponto de deixar a marca da minha mão na sua pele.- Estevão pressionou sua coxa contra si, elevando um pouco a temperatura.
— Estêvão... – Maria gemeu seu nome ao pé do seu ouvido.
Outra rodada de deleite dera início a partir daquele ponto. Os dois estavam insaciáveis, e não se cansavam de se amarem, de se desejarem e de quererem estar em contato, e cada vez mais unidos, como um só.
— Você me tem louco Maria! – Ele disse se jogando na cama com a respiração incontida.
— A culpa é sua, sabe muito bem como como me deixar desse jeito.
Os dois se falaram por breves minutos, para esperar que suas respirações voltassem ao normal. Nesse ínterim, o celular de Maria tocou.
— Não atende, por favor. – Ele segurou sua mão, para que não pegasse o celular.
— Eu tenho que atender, pode ser as meninas.
Ela pegou seu aparelho em cima do criado mudo. Sua fisionomia mudou um pouco ao ver quem era, não pela pessoa, mas pela possível reação de Estêvão.
— É uma das gêmeas? Ou Cláudio?
— Não.
— Então desliga, Maria!
— Eu preciso atender Estêvão, é rápido. – Maria se levantou, e foi até o centro do quarto. Sua voz estava mais baixa que o habitual, mas Estêvão ainda escutava a conversa. – Oi meu amor, saudades de você, me esqueceu, não me liga mais... Eu sei que você tem feito suas coisas, mas e eu, não tenho espaço na sua agenda?... Sim, eu estou carente... Não, não vou parar de drama, enquanto eu não te encontrar, vou continuar agindo assim... Promete?... Ok, vou esperar então, beijos... Também te amo... Não, eu te amo mais... Te espero hein.
Maria voltou para cama, e encontrou Estêvão com a cara amarrada. Quando foi beijá-lo, ele, simplesmente, virou o rosto.
— Como você tem coragem Maria? – Ele saiu da cama irritado. – Acabamos de fazer amor, e você tem a cara de pau de falar com outro na minha frente?
— Estêvão...
— Estêvão nada Maria, como você tem coragem? E esse seu discurso barato que não pode ficar comigo por causa de outros é um papo furado, né?
— Tenta me entender, por favor.
— Te entender? Cláudio deve saber né, é um corno manso.
— Quê?!
— O que ele tem que eu não tenho? Por acaso ele é um garotão, e te dá mais prazer que eu?
— Não diga um absurdo desses. – Ela saiu da cama, e foi até ele. – Não é nada disso que você tá falando. – Ele se desvencilhou dela.
— Então me explica, estou pronto pra te ouvir.
— É confuso, não dá pra falar agora.
— Então – ele começou a se vestir – não tenho mais nada o que fazer aqui.
Maria fora atrás dele tentando impedir que ele prosseguisse, mas ele se afastava dela o tempo inteiro.
— Eu tô indo. – Disse após se vestir. – Minha família deve estar preocupada comigo.
Ele saiu, sem ao menos dizer um tchau.
Estêvão saiu indo em direção a sua casa. Ele estava meio atordoado com aquela ligação que Maria recebera. Há algum tempo ele quebrava a cabeça para saber quem era a tal pessoa a quem Maria dava toda sua devoção, e mais alguma coisa. Tinha total ciência de que ela não era do tipo que se deitava na cama de um e de outro, mas com todas aquelas ligações suspeitas, ele não tinha como pensar outra coisa, a não ser isso.
Apesar de não ter nenhum direito de impor algo a ela, o ciúme corria em suas veias, só em pensar que, além de ter que dividí-la com o marido, teria também que dividí-la com outro marmanjo, uma vontade súbita de socar qualquer coisa que visse pela frente o invadia.
A volta para casa fora repleta de pensamentos insanos. A todo instante sua mente o traía, zombando dele, chamando-o dos piores nomes possíveis, e ele acreditava em todos eles, pois sabia que todos eles condiziam com a sua real posição.
Ao entrar em casa naquela manhã, quase tarde, a encontrou vazia. Os empregados fizeram um ótimo trabalho, pois não havia um resquício sequer da festa do dia anterior. Ele se sentira sortudo por não ter que olhar nos olhos da sua esposa, não naquele momento. Mas a vida também estava tirando sarro de sua cara, e quando menos ele esperou, Fabíola apareceu na sala batendo palmas para o próprio.
— Se o seu objetivo foi me fazer de trouxa na frente de todos os nossos convidados, meus parabéns, você conseguiu! – A raiva estava estampada em sua face.
— Fabíola, acho que esse não é o melhor momento pra conversamos. – Ele disse tentando fugir do inevitável.
— Não?! E qual será a melhor hora Estêvão? Vai dizer também que você não estava com ela?
— Fabíola...
— Você tem noção do vexame que me fez passar, Estêvão? Você imagina como as pessoas saíram desta casa ontem?
— Me desculpa, por favor, eu não quis magoar você.
— Eu não acredito que tô ouvindo isso – riu – você acha que com seu pedido de desculpas patético você vai reverter tudo que aconteceu?
— Eu sei que não...
— Então por que tá dizendo? – Ela gritou o mais alto que pôde. – Eu sabia que isso ia acontecer, mais cedo ou mais tarde. – Fabíola começou a chorar enquanto gritava sem se importar com quem a ouvia. – Sabia que a hora que ela quisesse, você sairia correndo como um cachorrinho atrás dela.
— Não torne as coisas mais difíceis, Fabíola. Você, melhor que ninguém, sempre soube que eu a amava.
— Mais eu sou a sua esposa, você tem que me respeitar como tal!
— Mas...
— Mas o quê? Você vai me dizer pela enésima vez o motivo de estarmos casados? Eu tô cansada de ouvir essa mesma ladainha, muda o disco, por favor!
— Eu não te obriguei a se casar comigo – ele aumentou a voz – você sabia de tudo, e mesmo assim quis se envolver!
— Eu tinha esperanças de que você a esquecesse e me notasse, notasse o quanto eu te amo!
— Mas isso não aconteceu Fabíola, e nunca vai acontecer. O que eu sinto por você é apenas um afeto, eu nunca vou conseguir te amar como eu a amo.
— Seu desgraçado!
No seu momento te fúria, Fabíola partiu para cima do marido e começou a esbofeteá-lo. Ele deixou que ela o fizesse para liberar sua raiva, afinal, a culpa fazia questão de importuná-lo o tempo inteiro.
— Eu acho que esse casamento já deu o que tinha que dar. – Ele a segurou pelos pulsos, e a olhou em seus olhos encharcados de lágrimas. – Não adianta a gente insistir em algo que nunca teve futuro.
— Você não pode fazer isso.
— Vai ser melhor pra nós dois, tenta entender.
— Não vai, Estêvão! Será que você não entende que ela nunca vai te perdoar de verdade? Que ela nunca vai deixar a família dela por você? Não se iluda!
— O que vai acontecer daqui pra frente e problema meu, mas minha decisão já está tomada.
Após uma última olhava, Estêvão a soltou, e saiu de sua presença ainda escutando seu choro e todas as palavras mal ditas a ele. Contudo, ele seguiu, e não olhou para trás.
...
O domingo já estava quase chegando ao seu fim quando Maria resolveu voltar para casa. Ela não sabia ao certo o que a esperava, mas se preparava para o pior. Com o coração na mão, ela abriu a porta de casa, e entrando, se deparou com o marido sentado no sofá, certamente esperando por ela.
— Oi. Cadê as meninas?– Disse sem saber ao certo o que dizer. Ela deixou sua pequena mala em algum canto e chegou mais perto dele.
— Não atendeu nenhuma ligação, fez questão de deligar o celular. – Disse após respirar fundo para dar início ao diálogo.
— Eu disse que queria ficar sozinha.
— Por que você não foi mais clara e disse que queria ficar sozinha com Estêvão?
Maria fechou seus olhos ao ouvi-lo dizer tais palavras. Aquele era o momento que ela tanto temia, o seu desejo era que o chão se abrisse e a engolisse para não ter aquela conversa.
— Eu não fui pra lá com esse objetivo, Cláudio. Foi ele quem foi atrás de mim.
— Ah, agora só ele tem culpa? Vai dizer também que ele te obrigou a ir pra cama com ele, e você não teve outra escolha a não ser obedecer?
— Cláudio!
— Como pôde ser tão suja, Maria? E por que logo com ele, o meu sócio? Como teve coragem de fazer isso comigo depois de tudo o que eu fiz por você?
— Agora você vai jogar na minha cara o que fez?
— Sim, eu vou! Se eu não tivesse aparecido na sua vida, muita coisa não teria acontecido, e é assim que você me retribui, com um par de chifres?
— Eu não tô acreditando que tô ouvindo isso. Você sempre soube o quão grata eu sou a você, mas eu nunca te pedi pra fazer nada, você fez porque quis! Agora não venha jogar isso na minha cara como se eu tivesse a obrigação te venerar você pra o resto da minha vida!
— Não tenta virar o jogo, o que você fez é imperdoável!
— Eu não tô feliz com o que eu fiz, mas não me arrependo nenhum pouco!
Cláudio, como que por impulso, levantou sua mão para bater em Maria quando ouviu o que a mesma disse, Maria, por sua vez, se encolheu toda esperando pela bofetada do marido, mas ele não tivera coragem suficiente para atacar a mulher a sua frente, e recolheu sua mão a seu corpo, fazendo Maria respirar aliviada.
— Eu não esperava isso de você Maria, não mesmo. – Concluíu prostrado.
— Eu entendo sua insatisfação, mas eu não tive culpa.
— Como não? Eu repito minha pergunta: você foi obrigada?
— A minha vida inteira eu vivi pra servir você e as meninas, eu vivi e vivo pra ver vocês felizes, será que ao menos uma vez eu posso ter o direito de escolha?
— Se é isso que você quer, tudo bem, eu só digo uma coisa: não vou deixar as coisas fáceis pra vocês, não vou te dar o divórcio, se é isso que quer.
— É você quem sabe. – Maria pegou sua bolsa e, colocando no ombro, se virou para se retirar da sala.
— Vai sair? Se encontrar com ele?
— Não é da sua conta.
Maria simplesmente virou as costas e saiu de casa sem dizer aonde iria, deixando o marido ainda mais irritado, mas ele preferiu deixá-la sair sem trocar mais farpas.
...
Maria seguiu com o carro – o que não era algo costumeiro, já que ela quase nunca dirigia – pelas ruas tumultuadas de São Paulo se esquivando de outros carros, buzinando e ouvindo insultos de machistas dizendo que ela deveria estar cozinhando ao invés de estar dirigindo, mas ela os ignorou. Após alguns longos minutos, ela finalmente chegara ao seu destino: o aeroporto.
Para variar, o aeroporto estava lotado. Alguns voos cancelados, outros muitos atrasados, e muito, muito falatório. Maria prosseguiu se desviando de toda aquele gente que estava em seu caminho, indo até o saguão onde aguardava a chegada de uma pessoa a qual tinha estima.
Dez, quinze, vinte e cinco minutos se passaram, quando finalmente ela avistou a pessoa que esperava.
— Maria!
E num abraço apertado, começaram a matar a saudade.
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