“Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia

Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
E voltar num sonho lindo
Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido

Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo.”


Gal Costa e Tim Maia – Um Dia De Domingo


****


Giovana olhava a mãe como se implorasse para que ela mudasse de idéia, e por mais que aquele par de olhos tivessem um efeito sobremaneira grande sobre Maria, em momento algum ela pensou em voltar atrás.

Era um sentimento tão horrível e pesado, que Maria se encontrava tonta diante das revelações. Certamente, era uma das piores sensações que já havia sentido. Pior do que ser chamada por nome nada cordiais, era saber que já havia lutado com a morte, e agora, descobrindo que quem intermediou essa luta fora sua própria irmã, sangue do seu sangue.

— Mãe, por Deus, se acalme, você vai acabar tendo um troço! – Giovana implorou indo até o chão, onde estava Maria.

— Eu não quero me acalmar, Giovana! – Maria gritou. Seus olhos estavam repletos de lágrimas e raiva. – Eu quero vê-la, quero olhá-la nos olhos.

— Mãe...

— Não tente me convencer do contrário. Se você não for comigo, eu vou de qualquer jeito, mas preferia te ter do meu lado. – Com a voz amena, ela falou, mas ainda havia muito pesar em seu tom.

— Tudo bem, vamos.

Mesmo contrariada, Giovana acompanhou Maria, mas ficou em silêncio durante todo o percurso, como em desaprovação a ordem da mãe. Maria também não tentou puxar nenhum assunto, pois estava ocupada imaginando como seria o reencontro com a irmã.

O tempo passou tão depressa que Maria nem notou quando o carro estacionou, quando deu por si, estava sendo cutucada por Giovana. Como era de esperar, o lugar não era nem um pouco convidativo, pelo contrário, aquela imagem só fazia mãe e filha quererem sair dali o mais depressa possível.

Em cima daquela prisão parecia pousar uma permanente nuvem cinzenta e tenebrosa, dando àquele ambiente um ar ainda mais tenso. Mas nem com todos sentimentos ruins, Maria pensava em se retirar dali, não sem antes trocar algumas palavras com Fabíola.

— Acorda detenta, você tem visita.

Fabíola certamente não se assustou somente com as batidas do cassetetes na grade, mas, principalmente por ouvir aquela pequena frase, já que isso não acontecia há algum tempo.

— Você... – Foi o que ela disse quando entrou na saleta destinada à visitas. Ela não escondeu a surpresa ao ver Maria ali sentada à sua espera.

— Que falta de sorte, né Fabíola. Você aqui, enjaulada, e não pode nem ao menos ter a felicidade de saber que estou morta. – Disse irônica.

— Tô vendo que não tenho sorte mesmo. – Se acomodou a frente da irmã. – Eu ficaria aqui satisfeita, mas nem o prazer da sua morte você me deu. – Seguiu a mesma ironia de Maria. – Vamos lá, o que veio fazer aqui?- Perguntou séria. – Rir da minha desgraça? Zombar da minha cara? Se certificar que estou na pior? Pronto, já viu, agora vai embora! – Quase gritou.

— Ainda não, antes temos algumas coisas a tratar. Por que, hein Fabíola? – Indagou magoada. Maria sabia a resposta, mas quis ter certeza, mesmo sabendo que o que ouviria machucaria. – Nós duas somos irmãs temos sim nossas diferenças, mas chegar a esse ponto?

— Como você tem coragem de me perguntar isso, Maria? Depois de ter arruinado minha vida, você vem aqui e me pergunta por quê? – Cuspiu as palavras sem a menor pena.

— Eu não fiz nada contra você.

— Não?! Roubar meu marido foi o que mesmo? Não responde, tô cansada de ouvir a mesma ladainha!

— Ainda assim, isso não justifica você ter tentado te matar. – A voz de Maria aumentou em algumas oitavas.

— Se te deixa melhor, essa vontade existia há muito tempo, naquele dia eu finalmente tive coragem – Fabíola exibiu um sorriso diabólico, que se desfez ao concluir sua fala – mas infelizmente, não me saí bem.

— Você é um monstro. – Maria semicerrou os olhos e balançou a cabeça em negação.

— Não, você me fez ficar assim. Maria, minha querida irmã – começou num tom natural – tenho certeza que você não ficou um só dia sem receber visitas enquanto estava internada, e sabe quantas vezes alguém veio me visitar aqui? Uma. Logo que me prenderam, Henrique veio me ver, e não pensa que ele veio dizer que estava do meu lado, não, pelo contrário, eu ouvi as piores coisas do meu filho. Ouvi ele me chamar de assassina, ouvi ele dizer que tinha vergonha de mim, e que não era para eu contar com ele, e nem chamá-lo de filho, e você ainda tem coragem de me perguntar por quê?

— Eu sou a culpada? Acaso eu te obriguei a alguma coisa? – A encarou.

— Você voltou, Maria! – Enervada, Fabíola se levantou e encarou a irmã de cima. – Minha vida desandou depois da sua volta. Você tirou meu marido de mim, meu emprego, minha liberdade. Além das inúmeras vezes que você jogou na minha cara o quanto é melhor que eu.

— Eu nunca disse isso, e nem quis ser melhor que você, não sei de onde tirou isso. Sempre quis que fôssemos amigas, cúmplices, mas foi você que me afastou, quando ainda éramos jovens, então por favor, não me culpe. – Maria foi incisiva.

— É fácil dizer isso quando se tem filhos que se orgulham de você, homens brigando por você, o emprego dos sonhos. – Nessa altura, Fabíola caminha pela cela, sendo seguida pelos olhos atentos da irmã. – É por isso que eu te odeio, porque você tem tudo que eu sempre quis ter. – A fitou.

— Pois saiba que eu não te odeio, Fabíola, mas sinto pena de você. Tinha tudo pra ser uma grande mulher, mas preferiu ir por outro caminho.

— E sabe que eu não me arrependo – sorriu – só me arrependo mesmo de não ter aproveitado direito a oportunidade de ter mandado pra terra do pé junto, esse é meu único arrependimento.

— É, eu tenho pena de você, pena do ser desprezível que você se tornou. Curta seu arrependimento – Maria se pôs de pé – pois enquanto você fica aqui, solitária, eu estarei lá fora, cercada pelo amor dos meu filhos e do homem que eu amo. Adeus Fabíola, espero que um dia você veja o que perdeu agindo assim, e se arrependa.

— E eu Maria – Fabíola se aproximou tanto que Maria quase pode sentir sua respiração – vou torcer todos os dias pra você se danar.

— Adeus, Fabíola.

Maria deu as costas e saiu sem olhar para trás, sem notar que Fabíola chorava. Certamente, suas lágrimas era de raiva, inveja por querer estar exatamente no lugar que a irmã se encontrava.

...

Diferente de todos os dias, Estêvão resolveu acordar um pouco mais tarde do que o habitual naquele sábado, mas o sol invadia o quarto pelas frestas da cortina, informando a ele que o dia estava radiante lá fora, e não valia perdê-lo na cama. Estêvão entendeu o recado e decidiu que uma hora a mais na cama seria suficiente para repor as energias de uma longa e cansativa semana de trabalho.

Antes de se levantar, mandou uma mensagem de bom dia para Maria, que respondeu de pronto. A curta troca de mensagem seria suficiente para que seu dia fluísse leve e agradável.

Entre um afazer e outro, Estêvão recebeu uma ligação inesperada de Miguel, e logo atendeu. O conteúdo da ligação foi ainda mais estranho: um convite para um almoço. Não havia vestígios de rancor na voz do rapaz, fazendo com que Estêvão ficasse ainda mais encucado com o telefonema.

— Miguel.

— Estêvão.

Ao se encontrarem no restaurante, como combinado, ambos se cumprimentaram formalmente, e logo ocuparam seus assentos.

— Não vou negar que fiquei surpreso com sua ligação, e curioso também. – Estêvão disse enquanto tomava um gole de sua bebida.

— Imagino que sim. – Miguel tentava parecer gentil. – Você teve uma irmã e sabe que às vezes elas chamam a gente pra conversa, e não querem nem saber se somos mais velhos ou mais novos, elas falam mesmo. – Falou, deixando Estêvão ainda mais confuso.

— Sei bem com é. Na verdade, mulheres em geral gostam de serem ouvidas. – Os dois riram. – Mas não entendi aonde você quer chegar.

— Eu andei pensando numas coisas que Giovana me falou, e acho que ela pode estar certa.

— Você não precisa ficar encabulado, pode falar qualquer coisa, Miguel.- Estêvão, percebendo que o rapaz estava um pouco tímido, resolveu intervir.

— É sobre isso de você ser meu pai. – Respirou fundo, buscando coragem. – É muito estranho olhar pra você e pensar “esse cara é meu pai”, além de tudo que você sabe bem. Mas Giovana me fez pensar, e no fim das contas, ela tá certa. Vocês eram muito jovens, e além do mais, minha mãe, que é quem realmente importa, já te perdoou, então não tem porque eu ficar agindo como uma criança mimada e cheia de vontades.

— Isso quer dizer que...

— Que a partir de agora eu quero passar a te enxergar como um pai. Quero ter acesso a sua vida e quero que tenha acesso a minha também. Acho que é isso. – Sorriu, ainda bem nervoso.

— Você não sabe o quanto eu fico feliz ouvindo isso, Miguel. – Estêvão ficou estasiado com a revelação, e começou a sorrir o incontroladamente. – Eu pensei que você nunca me aceitaria, mas ainda assim, torcia todos os dias pra que você me perdoasse. Meu filho – ele segurou a mão de Miguel que estava sobre a mesa – meu filho.

— Pai... – Disse como se saber como seria dizer aquela palavra a ele. – Isso vai ser um pouco estranho por um tempo, mas acho que vale a pena tentar.

— Quando eu pensei que não teria filhos, a vida me deu a oportunidade de cuidar de Henrique, e acredite, eu o amo e daria minha vida por ele como faria por um filho; e agora descubro que tenho um filho com a mulher que sempre amei. Hoje posso dizer que sou um homem realizado.

— Você tá parecendo um velho bobão apaixonado.

O comentário acabou arrancando gargalhadas de Estêvão.

— E eu sou mesmo. Pra ficar ainda melhor, só falta sua mãe recobrar a memória.

...

Um almoço em família num domingo ensolarado era um dos programas preferidos de Maria. Assistir seus três filhos ao redor da mesa junto a ela, a deixava nas nuvens. Mas sua alegria não durou muito, já que as gêmeas resolveram sair cada uma com seu namorado, e Miguel fora a um encontro.

E então ela estava ali, sozinha naquela enorme casa. Mas Estêvão fez o favor de mudar isso. Pouco depois das quatro, Maria recebeu uma ligação com um convite para um passeio. Maria bem que tentou tirar alguma informação de onde iriam, mas Estêvão ficou de bico fechado.

No caminho rumo ao lugar misterioso, os dois foram conversando amigavelmente, num clima agradável e satisfatório. Por alguns momentos Maria teve que se lembrar que ainda estava sem memória para eles. Foi uma missão complicada, já que ao lado de Estêvão, ela se sentia desarmada, tão a vontade, que fingir já não era algo que desejava.

Os dois estavam tão entretidos na conversa que Maria nem se deu conta que já haviam chegado, e quando viu onde estavam, pasmou. Ele tinha levado-a num parque de diversões.

Um sorriso logo se fez em seus lábios, indicando que ela havia amado a surpresa. Maria amava parques, apesar de ter ido tão poucas vezes nos últimos tempos, e nenhuma vez desde que retornara ao Brasil. Ela estava eufórica, como uma criança, e queria começar logo a se aventurar em todos os brinquedos. Estêvão notou seus olhos brilhando, segurou sua mão e a guiou no meio de todas aquelas pessoas.

Maria era a liberdade em pessoa. Em nenhum momento conteve sorrisos, e gargalhadas saíam desinibidas. Não era só pelo local, era mais que isso, era a circunstância, era a companhia. Sentia como se uma nova felicidade batesse à sua porta, e por um instante, tinha até se esquecido do seu medo de altura.

— Não acredito que você me fez andar nessa roda gigante! – Comentou entre risos. Ela falava um pouco alto devido o números grande de pessoas ao redor.

— Quê isso! Nem era tão gigante assim, essa aí é moleza de encarar. – Estêvão rebateu, também sorridente.

— Pra você que não tem medo de altura.

Inconscientemente, ele segurou sua mão e juntos, continuaram caminhando entre toda aquela gente sorridente. Uma parada numa barraquinha de algodão doce, e com um sorriso nostálgico da parte dela, seguiram para longe daquele aglomerado.
Caminhando lentamente, os dois ainda falavam sobre a adrenalina dos minutos anteriores. Os dois tinham o riso solto, como se o mundo a volta tivesse se desligado, e só os dois estavam ali.

Por fim, eles acabaram sentando num meio fio fora do parque. A frente deles, o enorme parque, atrás, uma praça vazia, com apenas dois postes de luz iluminando. A música que vinha do parque não era muito alto, dessa forma, a conversa dos dois não era interrompida pelo som alto e nem pelo falatório.

— Foi um fim de tarde muito agradável, Estêvão. Obrigada. – Ela o olhava com um olhar doce.

— Não precisa agradecer, sabe que é um prazer pra mim te ver assim, contente.

Um silêncio surgiu, mas não os incomodou. Estêvão foi quem tornou a falar depois de alguns minutos.

— Miguel me convidou pra um almoço ontem. – Falou com o olhar fito na luz do parque a frente.

— E como foi? – Maria indagou com pressa.

— Melhor impossível. – A olhou. – Acho que estamos começando a nos dar bem, como pai e filho.

— Fico muito feliz. Sabia que mais cedo ou mais tarde isso acabaria acontecendo.

— Sabia? – Arqueou uma sobrancelha.

— É, coisa de mãe.

Apesar da resposta ter saído com naturalidade, um gosto amargo surgiu na garganta de Maria, um desconforto por estar por estar faltando com a verdade. Incomodada, ela se levantou, caminhando de um lado para o outro. Estêvão a olhava sem entender.

— O quê houve? Tudo bem com você? – Ele se levantou, ficando a sua altura.

— Eu tô bem, é só... Eu não sei explicar.

— Quer que eu te leve pra casa?

— Estêvão, eu tenho que te contar uma coisa, e se eu não fizer isso, vou acabar explodindo. – Ela o encarou, tinha urgência em sua voz.

— Você tá me deixando preocupado, Maria. Você tá sentindo mal? Quer que eu ligue pro seu médico?

— Não, não, minha saúde tá boa, até demais. – Mirou o chão.

— Como assim? – Perguntou enquanto segurava seu queixo, fazendo-a o olhar.

— Estêvão, eu amo você, e não tenho dúvidas disso. Me sinto feliz só pelo fato de você segurar minha mão.

— Maria...

— Deixa eu continuar. Você trás o ar pros meus pulmões se eu não consigo respirar, você trás cor pros meus dias cinzentos e chuvosos, você me deixa sem chão, e nem assim eu tenho medo de pisar em falso. Mas eu também tenho amor próprio, e não quero passar a minha vida toda tendo que me explicar, portanto, nosso futuro vai depender da sua reação quando eu contar o que tenho pra te contar. – Maria era tão intensa que mal conseguia controlar sua respiração.

— Contar? Não tô te entendendo. – Um V se formou entre suas sobrancelhas.

— Vai entender agora. Eu me lembro de tudo, tudo mesmo. – Falou sem rodeios.

— Você recuperou a memória, Maria?

— Não, você não tá entendendo, eu me lembro de tudo porque eu nunca me esqueci de nada. Sempre soube quem é você, Cláudio, meus filhos, enfim, tudo.

— Então você... – Ele arregalou os olhos quando finalmente entendeu o que estava acontecendo.

— Fingi. Eu fingi que não me lembrava de nada.

— E por que você fez isso, Maria? – Perguntou com a voz aumentada.

— Ora Estêvão, os acontecimentos anteriores ao acidente respondem sua pergunta. Estavam todos contra mim, eu só queria um momento de paz.

— Você não devia ter feito isso. Sabe o quanto nós nos preocupamos? Todos nós ficamos com medo de você nunca mais se lembrar de nada, e você aí, rindo da nossa cara.

— Claro que não! Eu só estava esperando o momento certo pra abrir o jogo, o que eu mais quero é minha vida de volta, ou você acha que eu amo ser paparicada o dia todo por vocês?

— Eu nem sei o que dizer, o que pensar. – Ele deu as costas para ela, encarando a praça vazia.

— Não quero que pense, não tem o que pensar, não dá pra voltar atrás, e acho que nem me arrependo. Mas quero saber de você: vai continuar sendo esse Estêvão que me trouxe aqui, que diz palavras bonitas, que me fez sentir única ou vai virar as costas e ir embora, e depois dizer aquilo que eu tô cansada de ouvir?

— Maria... – Tornou a olhá-la.

— Eu não vou esperar seu tempo, Estêvão. Somos bem grandinhos já. Você errou, eu errei, mas cá estamos. Só quero que saiba de uma coisa: eu sei viver sem você, eu consigo, mas a questão é: eu não quero.

— Você tá me deixando sem palavras.

— Você não precisa de muitas. É muito simples, Estêvão, e agora a escolha está com você.

Faltava muito pouco para que o coração de Maria saltasse pela boca. Ela tentou transparecer uma calma que não existia, pois o que queria era gritar e dizer a todo ouvido para que ele esquecesse tudo e a tomasse em seus braços e a beijasse como nunca antes. Mas não, apenas o olhava enquanto ele voltou a encarar o escuro.

— Sabe o que é mais interessante de tudo isso? – Disse depois de uns minutos em silêncio.

— Hum?

— É que eu queria dizer tantas coisas, mas como você bem disse, não tem muito o dizer.

— E o que isso quer dizer? – Acabou rindo da sua pergunta.

— A vida deve tá de saco cheio de tentar nos juntar, e nós parecemos que estamos nos repelindo. Acho que tá na hora de aproveitarmos essa oportunidade que a vida está nos dando, de novo.

— É o que acha?

— Sim. Vamos botar um ponto final nessa história e esquecer o passado. Eu errei, você errou, mas de uma coisa tenho certeza: o nosso amor é maior que tudo isso. – Estêvão se achegou e ela, segurando suas duas mãos.

— Tem certeza disso? Você não vai poder mais voltar atrás. – O coração dela parecia que ia falhar a qualquer momento.

— Eu não quero voltar atrás, quero olhar pra frente, e no meu futuro, só vejo você.

Estêvão olhou dentro dos olhos de Maria, e mesmo com a escuridão parcial atrás deles, ele enxergou exatamente o que ela queria que ele visse: uma mulher disposta a esquecer um passado de mentiras para construir um futuro onde a verdade seria o ponto principal. Uma mulher que queria gritar seu amor àquele homem aos quatro cantos do mundo. Ele via Maria, aquela mesma mulher que ele se apaixonou, e desde então, dedicara a ela todo seu amor.

Em silêncio, ele tocou seu rosto e um sorriso se desenhava em seus lábios enquanto ele aproximava seu rosto do dela. Maria mostrava seu anseio pelo beijo que viria em breve, mas ele parecia não ter a menor pressa.

Estêvão a abraçou, segurou-a forte em seus braços, como se ela fosse a coisa de maior valor em sua vida e ela sentia que era mesmo. Depois de uns minutos daquela forma, ele voltou a olhá-la de forma terna, e ela conseguia ler tudo o que ele queria dizer. No fim, apenas três palavras sussurradas saíram da sua boca:

— Eu te amo!

E por fim, ele tomou seus lábios em um beijo nada modesto. Finalmente unidos por aqueles beijo, suas línguas se encontraram e logo Maria se via refém dele, mas isso não era um martírio, pelo contrário, era como se fosse sua salvação.

Estêvão percorriam com suas grandes mãos pelo corpo de Maria, trazendo-a ainda mais para ele. Suas respirações seguiam fora de ritmo, enquanto seus corpos dançavam de acordo com aquela melodia que os dois compuseram.

Maria deixou escapar um gemido quando uma das mãos de Estêvão apertou sua cintura com força. Ela poderia dizer que o queria ali mesmo, mas ainda existia um tanto de razão dentro da bela mulher.

— Tá calor aqui, né. – Quando ele ameaçou dizer alguma coisa, ela prosseguiriu: – Não faça nenhuma piada.

— Quer que eu te leve em casa? – Segurou o riso.

— Acho melhor, daqui a pouco eles começam a ligar preocupados.

— Ok, mas vou logo dizendo que vou pelo caminho mais longo.

Mesmo rodando quase a cidade toda para chegar até a casa de Maria, Estêvão não demorou mais que meia hora do parque de diversões até o condomínio.

Os dois juntos exalavam puro amor. Agiam como um casal de namorados que não faziam a menor questão de esconder o quanto se amavam, e na verdade, era isso mesmo que eram.

Quando entraram na casa, ela parecia estar vazia, e alí mesmo na sala ele capturou seus lábios, beijando-a com vontade, e ela respondeu na mesma intensidade. A demonstração de carinho de ambos só terminou mesmo quando Juliana apareceu no topo da escada esboçando a pior das reações.

— Larga ela, Estêvão! Eu não acredito que você tá se aproveitando da falta de memória da minha mãe, seu canalha!