Encantos & Desencontros
11 Capítulo 11
"E antes de perder de vista meu caminho
Eu quero olhar para você um pouco e sonhar
Que o destino
É com você, meu amor.
Fique um segundo aqui para me fazer companhia
E fique um pouquinho mais
Eu quero te sentir minha."
Camila – Abrázame
****
Uma das gêmeas emergiu da escuridão, deixando a mãe sobremaneira assustada. Seu coração palpitou ainda mais com a possibilidade de ser Giovana a descer as escadas, mas relaxou com viu que não se tratava da filha rebelde.
— Que susto, Juliana! – Falou baixo, quase cochichando. – O que você tá fazendo acordada uma hora dessas?
— Não ignora minha pergunta, mãe. – Ela terminou os degraus, e se juntou a mãe no sofá, que se livrava dos saltos que consumiam seus pés. – São quase duas da manhã, e você ainda na rua. Onde estava? – A encarou no meio da escuridão.
— Eu ando um pouco estressada, meu amor, só fui dar uma espairecida. Saí com umas amigas antigas pra tomar um vinho e jogar conversa fora.
— Tem certeza? – Sua voz tinha um tom meio desconfiado.
— Absoluta! Vamos dormir? – Perguntou com um sorriso, porém com uma pitada de preocupação devido às perguntas da filha.
As duas subiram e Juliana cessou as perguntas. Maria fizera companhia à filha até que dormisse, como quando elas eram crianças. Ela era uma mãe coruja, e não se cansava de admirar a sua beleza, não só exterior, mas principalmente interior, Juliana era um verdadeiro anjo, o que a deixava mais desapontada consigo mesmo, pois estava pensando muito mais em si, do que nas filhas, que dizia a todos os ventos serem seu bem maior.
...
A manhã seguinte fora uma correria só, e Maria mal tinha parado para ter a conversa com a filha, como havia prometido para si. Juliana e ela haviam ido para o trabalho na Casa de Modas, enquanto Giovana permanecia em casa no castigo.
Na hora do almoço, ela fez questão que Juliana ficasse no trabalho, ou pelas redondezas, e se certificou que Cláudio não iria para casa, para que então, pudesse conversar a sós, sem ser interrompida ou escutada por mais ninguém.
— Onde está Giovana? – Ela gritou pra nenhum emprego em especial.
— Está no quarto senhora.
Maria saiu como um raio trás da menina. Ela entrou em seu quarto e a encontrou deitada mexendo no celular, parecia que só sabia fazer isso. Maria tinha sangue nos olhos.
— Que negócio é esse de ficar enchendo a cabeça da sua irmã de besteiras? – Ela jogou a sua bolsa em qualquer canto.
— Oi pra você também mãe. E eu não sei do que você tá falando. – Ela usava um tom de ironia na sua voz, pois sabia perfeitamente do que sua mãe falava.
— Não se faça de sonsa Giovana, sua irmã foi atrás de mim ontem perguntar se eu teria coragem de trair seu pai. Como você pode insinuar tal coisa? – Maria estava indignada.
— E o que você respondeu – ele se sentou, dando mais atenção a conversa – a verdade ou mentiu dizendo que não existe nada entre você é Estevão?
— Disse a verdade, disse que não trairia seu pai, disse que não existe nada entre mim e Estêvão!
— Desde quando essa é a verdade? Ou você se esqueceu que eu peguei vocês dois no flagra. – Jogou na sua cara, novamente.
— Já te expliquei que aquilo não passou de um mal entendido – gritou – eu não tenho nada a ver com ele, e nunca terei! Será que é difícil entender isso?
— Talvez – desdenhou – é que não entra na minha cabeça que uma mulher cheia de classe como você ande se encontrando com o próprio cunhado. Você não tem muita moral pra falar de mim, mãe, bom, eu pelo menos sou solteira né, não tô traindo ninguém.
— O fato de você ser solteira não te faz certa, Giovana. Ele ainda continua sendo casado, e nunca vai dar bola pra uma menina mimada como você. – Riu com ar de zombaria.
— Pode até ser, mas só quero saber como você vai ficar quando meu pai souber que você tá apaixonadinha pelo sócio dele, e que vivem se encontrando às escondidas.
— Estêvão e eu não temos nada. – Foi firme. – Tire isso dessa sua cabeça oca, menina.
— Que bom que você disse isso, assim eu fica mais fácil pra eu conquistar ele, já que não vou ter que competir com a minha própria mãe.
— Você enlouqueceu, você nunca não ficar com ele!
— E por que não?
— Porque eu não vou permitir! – Maria usou toda a sua voz pra que sua filha entendesse o que ela estava dizendo.
— Você não me manda mãe, e eu sou maior de idade, e faço o que bem entender da minha vida! – Giovana se pôs de pé, de frente pra mãe, e gritou da mesma forma que Maria tinha feito anteriormente. – Não existe ninguém, ninguém mãe que vai me impedir de ter o Estevão, nem mesmo você!
Giovana saiu batendo a porta deixando Maria sozinha no seu quarto.
— Isso é o que veremos Giovana, isso é o que veremos. – Ela falou pra si mesma.
...
Maria e Cláudio estavam sozinhos na sala da casa naquela noite, o clima entre os dois parecia estar voltando ao seu normal, apesar das discussões serem um pouco mais frequentes do quando moravam fora. Cláudio se desculpara com a esposa, e depois da centésima vez, ela aceitou seu pedido de desculpas. Parecia que as coisas estavam voltando ao seu eixo, mas apenas parecia.
— Estêvão me contou uma história ontem no trabalho, que até agora eu tô sem acreditar na reação dele. – Ele olhava a esposa, que estaba sentada na outra ponta do sofá.
— Sério que quer falar sobre ele? – Revirou os olhos. – Parece que aqui nessa casa só sabem falar daquela família.
Ele começou a história ignorando o comentário de Maria:
— Ele tava me dizendo que tem uma garota, que deve ter mais ou menos a idade das meninas, não para de dar em cima dele, e ele não aguenta mais essa situação.
— Ah é? – Maria se mostrou interessada no assunto.
— Sim, coitado, parece que tá sentindo sufocado com isso. Mas eu o aconselhei, sabe.
— O que você disse?
— Que ele tinha que levar logo a garota pra cama. Não tem esse negócio de ser menina de família, se fosse de família, não se prestaria a esse papel.
Maria mudara sua expressão no mesmo instante que ouvira a insanidade que o marido acabara de proferir.
— Que tipo de conselho é esse Cláudio? Que tipo de amigo é você? – Maria era a indignação em pessoa.
— Ah, não acredito que vai ficar nervosinha por isso também, Maria?
— Não vou não, já estou! Como você tem coragem de falar uma coisa dessas? – A mulher alterada se levantou, e começou a andar pela sala.
— Ué Maria, eu sou homem, e homem pensa dessa forma! Se coloque no meu lugar!
— Ah, ainda acha que está certo. Você é um canalha, isso sim. Já imaginou se fosse uma das suas filhas que fizessem algo do tipo? – O encarou.
— Isso nunca iria acontecer, minhas filhas não fariam uma coisa dessas.
— Claro, isso só acontece na casa do vizinho. Você não se cansa de me decepcionar, não é mesmo?
— Espera aí, vai ficar irritada comigo por causa da história de uma pessoa que você nem conhece?
— Vou! Ai meu Deus, Cláudio! Eu tô chocada, não fala comigo, não depois desse seu ato machista. Me poupe!
...
Mais tarde, Estêvão se sentia tão preso em sua própria vida, que resolveu dar uma volta pelas redondezas, sozinho, porém não imaginava que alguém o vigiava. Antes que ele pudesse passar pelos portões de pedestre do condomínio, Giovana o deteu, pondo-se em sua frente, assustando-o.
— O quê é isso garota? O que significa isso?
— Eu precisava arrumar um jeito de falar com você, já que você tá fugindo de mim, como o diabo foge da cruz.
— Eu não tô fugindo de você – riu – eu não tenho porque fazer isso. Você que tem que se dar conta do que tá fazendo, e se colocar no seu lugar. Agora, me dá licença.
— Opa, ainda não terminamos – o segurou pelo braço – será que você não entende que tá me machucando me tratando assim? – Fez manha. – Eu preciso de você Estêvão, eu te amo.
— Por que comigo, hein? – Ele levou sua visão para ouro lado, buscando paciência para lidar com a garota. – Tantos garotos da sua idade disponíveis por aí, e você teve que cismar logo comigo.
— O coração não escolhe quem amar. – Os seus olhos brilharam, ela parecia estar sendo sincera.
— Porém eu escolho, e você não. – Estêvão foi frígido, lhe dando um banho de água fria.
— É por causa da minha mãe, não é mesmo? Você gosta dela, é isso.
— Claro que gosto, ela é minha cunhada.
— Odeio quando vocês agem como se eu fosse uma completa idiota! O que ela tem que eu não tenho, hein? Eu sou melhor do que ela e a Fabíola juntas. Será que não percebe?
— De uma coisa eu tenho certeza, você é mais petulante que as duas juntas, agora deixa eu ir, que eu já perdi tempo demais com você.
Antes que Estêvão partisse, Giovana avistou que sua mãe se aproximava deles e como que por impulso, buscando provocar a mãe, ela o agarrou e o beijou. Ele não teve reação, apenas tentava a todo custo desgruda-la de si, mas parecia que ela tinha uma cola que não se separava dele. Enquanto Maria, quando viu a cena, não aguentou e fugiu para o mais longe deles.
— Você ficou louca?! – Ele a empurrou bruscamente. – O que deu em você pra fazer isso?
— Nada, só queria saber como é beijar você. Poderia ter sido melhor se você cedesse, mas ainda assim, foi bom. Tchauzinho.
Ela caminhara em direção a sua casa, acenando para ele com um sorriso cínico. Ainda tentando entender o que se passara, Estêvão foi rumo a sua caminhada noturna, buscando esquecer a atitude imatura da menina.
— Senhor Estêvão – o porteiro chamou a sua atenção assim que ele passou pelo pequeno portão – por acaso a nova moradora é conhecida do senhor, certo? A – buscou seu nome na mente – senhora Maria Fernandes?
— Sim. Por quê? Aconteceu alguma coisa?
— Não sei. Ela passou por aqui não tem muito tempo, e ela parecia transtornada e chorava muito.
— Merda! – Disse para si mesmo. – Obrigado!
Sem esperar mais, ele saiu à procura de Maria, sabendo o possível motivo de ela sair como saira. Indo pelo caminho indicado pelo porteiro, Estêvão não demorou muito para encontra-la. Ela estava numa praça, que estava deserta, sentada em um balanço, parada. Ainda chorava um pouco.
— O que houve? Por que você saiu desse jeito? – Ele agachou em sua frente.
— Quem mandou vir atrás de mim?
— E você achou mesmo que eu não viria? O que deu em você?
— Você não mudou né? – Ela se levantou, e ele a seguiu com o olhar, ainda agachado. – Disse que não queria nada com a Giovana, que ela não te interessava, e quando eu menos espero, encontro você a beijando, praticamente na porta da minha casa. – Seu choro aumentou um pouco mais. – Por que logo com a minha filha, Estêvão?
— Ei – ele foi até seu encontro secando suas lágrimas, ela não o repeliu – eu não a beijei, foi ela que me agarrou, e eu não consegui impedi-la. Sei que eu já menti pra você, mas eu juro que isso não vai acontecer mais Maria, eu não quero nada com ela.
— Eu não sei se posso acreditar em você.
— Me diz uma coisa Maria – os dois estavam a poucos centímetros um do outro – você está mesmo com ciúmes da Giovana?
Maria se afastou dando as costas a ele. Ela ficara calada por algum tempo, ele respeitou o seu silêncio, mas estava ansioso por alguma resposta sua. Quando pensou que não viria nada, ela tornou a falar:
— Sim! – Falou mais alto do que desejara. Sua respiração estava ofegante. – Meu coração parecia estar sendo esmagado quando vi vocês dois se beijando.
— Meu amor – ele foi até ela, e a abraçou por trás – não tem razão pra ficar assim – delicadamente, ele a virou para si – eu jamais trocaria você por mulher nenhuma Maria, não precisa sentir ciúmes.
— Mas eu sinto! – Novamente, ela se afastou dele. – Senti ciúmes quando vi você com a minha irmã assim que cheguei, senti ciúmes quando soube que minha filha está apaixonada por você, e mais ainda quando eu os vi tão pertos. Eu não suporto ver outra mulher te tocando Estêvão.
— Por favor, não fala isso, eu não sei se aguento – Estêvão estava sobremaneira emocionado e surpreso com as palavras dela, ele foi ao seu encontro, rindo, sem saber se era um sonho, ou se era real aquele momento – você não precisa sentir inveja de ninguém, não precisa ter ciúmes, pois é só você estalar os dedos, que eu me lanço aos seus pés. Será que você não entendeu que eu sou seu escravo?
Ela o olhava com os olhos tomados por lágrimas. Não sabia o que dizer, nem o que pensar, nem mesmo se ele estava sendo verdadeiro, a única certeza que tinha naquele momento, era que todas as pequenas partículas do seu corpo gritavam o nome dele. Cansada de repelir vontades, finalmente ela disse a frase que estava na ponta de sua língua há algum tempo:
— Não diz mais nada, só me beija, por favor, é tudo o que eu mais quero agora, que você me beije.
— Seu desejo é uma ordem!
Estêvão a olhou com um sorriso brincalhão e não esperou que ela pedisse mais uma vez.
Se deixando levar pelo frenesi do momento, ele enluvou seus cabelos, e com toda a fúria, tomou seus lábios num beijo arrasador. Seus cabelos, em poucos minutos, estavam totalmente bagunçados, Maria fez questão de não deixar nem um fio no lugar.
Estêvão a puxava ainda mais para si, como se ainda houvesse algum espaço entre eles. As respirações descompassadas ambos estavam em sincronia, como se os dois unidos escrevem a mais linda melodia de amor.
Hora ou outra, Maria soltava alguns gemidos pelo êxtase causado por aquele beijo, e ele se sentia um máximo por ainda lhe causar tais sensações.
Sem mais ar, eles se separam, mas ainda se encaravam, e eles sabiam exatamente o que o olhar um do outro dizia.
...
Naquela noite Maria dormira como um anjo, ou se é que realmente conseguira dormir. Seus pensamentos viajaram, e todo momento ela relembrava aquele curto momento com ele, o homem a quem dedicara o seu amor um dia, e talvez ainda dedicasse, só lhe restava admitir.
Estêvão compartilhava do mesmo sentimento que Maria, ele, porém, estava ciente do que sentia e não estava com a mínima intenção de esconder para ela ou para quem quer que fosse, o seu maior desejo era sair gritando para tudo e para todos o quanto amava aquela mulher.
...
Mais uma manhã normal na Casa de Modas Maria Zilda. Fabíola e Jacques, como sempre estavam juntos, e dessa vez, fazendo a contagem de lingeries prontas e anotando o número que faltava para o lançamento da coleção que estava se aproximando.
— Adivinha o que eu vou fazer? – Ela perguntou numa animação total.
— Ir pra um spar, passar um dia com um massagista gato, e depois levar seu amiguinho aqui para um jantar num restaurante chiquérrimo. Ai Fabi, meu sonho. – Ele rodava enquanto falava, com a cabeça nas nuvens, com se visse as imagens descritas.
— Não, nada disso. – O amigo voltou a por os pés no chão, com uma cara nada satisfeita. – Meu aniversário de casamento está chegando, eu quero fazer uma mega festa. Convidar todos os meus amigos, os amigos do Estêvão, uma festa pra ficar marcada na mente de todos!
— E essa festa é por que vocês estão bem, ou pra jogar na cara de certas pessoas o seu casamento com ele? – Alfinetou sem dó.
— Não diga bobagens Jacque, eu não tenho que provar nada pra ninguém.
— Não é o que parece. – Ele afirmou, penteando sua sobrancelha com o dedo.
— Eu não pedi a sua opinião, eu somente te comuniquei, ok. Agora deixa de ser petulante, que você vai me ajudar com a organização da festa.
— O Estêvão sabe disso? Ele concordou?
— Não, mas não tem porque ele não concordar, são quinze anos juntos, nossas bodas de cristal.
— Fabi, acho melhor você falar com ele antes, ele pode não concordar. – Aconselhou.
— Já está decidido, Jacque. Vou provar pra certas pessoas que o casamento frustrado e da vovozinha.
— Ué, você não acabou de dizer que não tinha que provar nada pra ninguém?
— Ah, Jacque, cala a boquinha, vai.
...
Fabíola seguia animada com a ideia da festa, mas ainda tinha um duro passo pela frente: contar a Estêvão a sua ideia. Ela sabia muito bem que a chance dele negar era máxima, ainda mais sabendo que Maria estava tão próxima dele, mas ela era esperta. Ela estava somente aguardando o momento certo para jogar a bomba, sem dar a ele a chance de negar ou contrapor. E a sorte estava ao seu favor.
Ao chegar em casa, encontrara marido e filho conversando amigáveis, era a oportunidade perfeita. Ela sabia que ele detestava brigar quando Henrique estava por perto ouvido, então, aquele era o momento, e ela não ia desperdiçar.
— Os dois homens da minha vida juntos – ela beijou o rosto do filho, e deu um selinho no marido, que fora indiferente – que bom que os dois estão aqui, tenho uma novidade.
— Hum, novidade mãe? Tô curioso, conta.
— Meu amor – Fitou Estêvão que não a olhava diretamente – como você sabe, daqui a algumas semanas é nosso aniversário de casamento, quinze anos. E pra celebrar essa data lendária, eu resolvi fazer uma festa pra gente.
— O quê? Como assim, uma festa, Fabíola?
— Ora, uma festa Estêvão. Com nossos amigos, comes e bebes, uma festa como outra qualquer.
— E como você resolve isso sem me avisar antes?
— Ah pai, pra que ter que te avisar? Todos nós sabemos que você é o maior festeiro dessa família! – O menino brincou. – Tá aí, eu gostei da ideia mãe, vocês dois merecem isso. Quem sabe não é o up que o casamento de vocês precisa.
— Viu amor, até nosso filho concorda que vai ser uma festa ótima. Eu já mandei preparar os convites, e quero dar pessoalmente pra alguns amigos nossos mais íntimos.
— Que seja.
Estêvão se levantou e saiu bufando do meio dos dois. Henrique não entendera muito bem a atitude do pai, mas Fabíola fazia uma leve ideia do por que daquela irritação.
— Ué, o que deu nele? – Henrique Indagou.
— Deve ser cansaço.
...
Todos os convites para a tão esperada festa já estava em mãos. Para a maior parte dos convidados, ela mandaria entregar, mas para uma família, ela fazia toda a questão de dá-los em mãos.
— Boa noite.
Ela saudou os três: Cláudio, Maria e Juliana que se encontravam na sala. Fabíola estava de mãos dadas com Estêvão, que tinha a cara amarrada mostrando toda a sua insatisfação de estar ali.
— Boa noite Fabíola, sentem-se, fiquem a vontade. – Cláudio respondeu a saudação, cortês.
— Nós não vamos demorar Cláudio. Só viemos entregar esse convite – ela fora até a irmã, e deu o envelope a ela. Maria ficou observando o mesmo, mas não o abriu – daqui a duas semanas é nosso aniversário de casamento, eu espero a presença de vocês na festa.
— Ah, que ótimo! Meus parabéns podem contar com a nossa presença.
— Que bom Cláudio. Nós não vamos mais incomodar vocês. Bom, boa noite.
— Boa noite. – Cláudio e Juliana responderam.
Fabíola era só felicidades, enquanto Estêvão e Maria não disseram uma palavra sequer, apenas ficaram a se encarar. Estêvão perece ter lido o pensamento de Maria, e só queria uma oportunidade para esclarecer as coisas.
— Eu não tô me sentindo bem, vou subir.
— Mas já amor? Quer que eu te acompanhe?
— Não precisa.
Maria mal entrou no seu quarto e ouviu seu celular tocar, era ele. Sua primeira intenção era desligar o aparelho, mas de tanto tocar, ela acabou atendendo.
— O que você quer?
— A gente precisa conversar. Me encontra daqui a pouco naquele mesmo restaurante.
— Eu não vou, Estêvão. Não conte com isso. É melhor você ficar com a sua esposa, vocês têm muita coisa da festa pra organizar. – Seu jeito de falar mostrava o quanto estava se corroendo de ciúmes.
— Maria, por favor, me encontra lá. – Ela ficou em silêncio. — Eu vou entender esse silêncio como um sim. Te espero.
...
Maria chegou, e Estêvão já esperava por ela, porém eles não entraram no restaurante, mas no carro de Estêvão. O clima estava um tanto tenso nos bancos da frente do veículo.
— O que você quer comigo? – Perguntou fria. – Dizer com que roupa eu devo ir a sua festa? Ou, que eu não devo chegar no auge pra não ofuscar o brilho da sua esposa? – Debochou. Ela estava irada.
— Calma Maria, por favor! Eu não tive como impedir Fabíola de fazer isso, eu não tive como conter.
— Ah claro, você é um pobre coitado, faça-me um favor, Estêvão! Ontem mesmo você disse mil e uma palavras de amor, e hoje aparece na minha casa dizendo que vai festejar com a esposa! Você não mudou não, continua o mesmo canalha de sempre!
— Por favor, Maria, tenta me entender, eu só tô aturando isso por causa do Henrique, eu seu que você entende isso. Mas se você quiser, eu largo tudo, abandono a minha família pra ficar só com você!
— Não! – Gritou. – Eu não quero que você mova uma palha por mim, não quero que você pense mais em mim, e nem me procure mais Estêvão. Ai – bateu em sua própria testa – como eu sou idiota, como pude acreditar que você mudou!
— Eu mudei Maria, por favor, acredita em mim! Por favor, meu amor.
— Não me chama de meu amor, eu não sou nada sua! Esquece que eu existo, ok, e se mantenha afastado da minha filha.
Maria o olhou com rancor e com olhos marejados, mas não voltou atrás em sua decisão. Seu coração estava partido, mas sua moral estava intacta. Ela saiu do carro, bateu a porta e pegou um táxi em direção de volta para sua casa e para sua família.
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