Encantado

8 Capítulo Sete - To Trust


Notas iniciais
Domingo chegou e eu vim aqui para trazer o doce Edward e a menina-mulher Bella para vocês!
Divirtam-se e nos falamos mais na N/A ;*

Bella POV.

Cada músculo do meu corpo pedia que eu continuasse deitada no aconchegante sofá, debaixo das cobertas, com minha cabeça devidamente acomodada na almofada.

Porém, eu não podia.

E também não queria.

Riley dormiria até as nove e depois iria trabalhar, voltando para casa por volta das oito. Às vezes, se algum amigo ou colega o chamasse, ele chegava de madrugada.

E eu estava torcendo para que aquilo acontecesse.

Levantei-me antes que meu celular despertasse, evitando, assim, de acordá-lo. Gemi de dor ao sentir as pontadas na região do meu abdômen e parei por um momento, antes de seguir para o quarto e com todo o cuidado do mundo, separar minhas roupas do dia.

Voltei para o corredor, fechando a porta do quarto e me tranquei no banheiro.

As lágrimas estavam tomando conta de meus olhos antes que eu sequer tirasse minha blusa. Fechei os olhos por um momento enquanto me despia, só tendo coragem para me olhar no espelho, quando me encontrava completamente nua.

As marcas do meu ombro, pescoço e alguns pontos das coxas eram as mesmas de duas semanas atrás, porém quase desaparecendo já. Meus braços estavam livres, como sempre, assim como meus tornozelos e joelhos.

Meu abdômen, entretanto, não tivera toda essa sorte.

Marcas roxas e azuis espalhavam-se por todo ele, trazendo ainda mais lágrimas. A dor que eu sentia no peito, o aperto cada vez que eu via uma marca dele em mim, estava se tornando insuportável.

Tomei um banho rápido, notando que Riley já me permitira utilizar de água quente novamente.

Foi quase impossível não relaxar debaixo da água, ficando ali mais tempo do que necessário, mas acabei conseguindo.

Tentei me secar rapidamente, apesar das dores. Voltei ao quarto e peguei um dos poucos vestidos que tinha. Colocar um jeans parecia impossível, já que só a calcinha apertando na altura do quadril já me causava dor.

Por fim, depois de pronta, saí de casa, após pegar minha mochila.

Mais tarde eu precisaria da aliança que estava ali dentro.

Foi difícil conseguir me acomodar no ônibus. Tudo o que eu desejava era chegar logo a confeitaria e tentar me distrair enquanto trabalhava.

Parei em uma farmácia antes de seguir para o trabalho, ciente de que aquelas dores ainda me incomodariam muito, então eu precisaria de comprimidos.

- Bom dia, Sue – cumprimentei, tentando sorrir.

- Bom dia, Bella – sorriu. – Como foi o final de semana?

Apenas dei de ombros, ciente de que o que aconteceu ontem, definitivamente estragou com todo o final de semana.

- Vou me trocar – informei. – Já volto para assumir o caixa, ok?

Ela assentiu.

- Sem pressa – disse.

Troquei-me com cuidado, tentando não olhar muito para as marcas.

Parecia impossível, porém.

Antes de ceder à tentação das lágrimas, terminei de me vestir, prendendo meus cabelos no costumeiro coque e calçando as sapatilhas brancas, que faziam conjunto com o uniforme delicado, rosa bebê.

- Pronto, Sue... – comecei, assim que fechei a porta do vestuário. – Você já pode...

Parei de falar quando notei Edward sentado ali, o costumeiro sorriso torto no rosto, vestido em um terno perfeitamente alinhado ao seu corpo.

- Bom dia, Bella – disse, levantando-se.

- Bom dia – recompus-me de forma rápida, sorrindo um pouco. – Aconteceu algo?

Ele deu de ombros.

- Só passei rapidamente para lhe fazer um convite – riu um pouco. – Na verdade, passar um recado da minha mãe.

Franzi o cenho, um pouco confusa.

- Sua mãe? – indaguei.

- Sim – riu. – Ela pediu que eu chamasse você para almoçar conosco hoje.

Suspirei pesadamente por um momento, querendo – e muito – aceitar aquele convite. Eu gostei de conversar com os pais de Edward e Alice, definitivamente, eram boas pessoas.

Alguém que facilmente eu conseguiria chamar de amigos.

Só que Riley voltara antes e se ele descobrisse que eu tinha ido almoçar fora...

- Bella?

Balancei a cabeça, abrindo a boca para falar algo, mas sendo interrompida por pessoas adentrando a confeitaria.

- Eu tenho que atendê-las – disse, mordendo o lábio inferior. – Talvez seja melhor outro dia, por que...

- Nada disso. – Sue interrompeu, me assustando. – Vá, Bella, você nunca se diverte. Além do mais, Angela retorna da licença de maternidade hoje, após o almoço. Aproveite e tire o dia de folga.

- Então está combinado – disse Edward, sem esperar que eu pudesse protestar. – Eu passo para te pegar na hora do almoço.

Ele acenou, ainda com um sorriso no rosto e sem esperar que eu dissesse mais nada, e saiu da confeitaria.

Não me restou nada a fazer, além de suspirar e torcer para que Riley não descobrisse.

E torcendo para que ele viajasse logo.

Porque eu queria viver aquele sonho novamente. De ser livre, de poder me divertir de verdade, sem ter medo de chegar a casa dele e não saber o que esperar.

Nem que fosse só por duas semanas.

_

Dez minutos antes do meu horário de almoço, corri até o vestuário novamente, colocando a roupa com a qual tinha chegado. Arrumei minha mochila, despedi-me de Sue – agradecendo novamente pela folga – e saí da confeitaria.

Edward já me esperava, com o sorriso no rosto, e a porta da limusine aberta.

- Pronta? – indagou, se afastando um pouco para que eu pudesse entrar.

- Obrigada – corei.

Foi difícil me acomodar no banco do carro. Agora que o efeito dos analgésicos estava passando, ficava mais difícil me esquecer da dor. E eu não podia arriscar e tomar remédio na frente das pessoas.

Queria evitar perguntas desnecessárias.

Respondi a algumas perguntas de Edward, me sentindo sonolenta, já que não havia dormido bem à noite, devido às dores.

Fechei os olhos por um momento, desejando ter um lugar para ficar em paz, apenas para me enrolar no cobertor e chorar até dormir.

E era em momentos como esse que eu desejava ter uma mãe.

Ou uma amiga.

Todas as pessoas que eu considerava amigas em Forks, não se importavam de me procurar, de saber se estava tudo bem. Confesso que também não procurei por nenhuma delas...

Isso só fazia com que eu me lembrasse do quão sozinha era.

Naquele dia em especial, queria alguém para me abraçar, para cuidar de mim... Não estava acostumada com isso e achava que nunca conseguiria encontrar alguém capaz de fazer algo por mim sem querer receber nada em troca.

A única vez que me senti perto disso foi quando a família Cullen cuidou da minha gripe, com todo aquele carinho.

Mas teve o seu preço.

E esse preço agora eram as marcas que habitavam meu abdômen. A constante lembrança de que Riley era meu marido.

O cara a quem me entreguei, na época apaixonada, acreditando que ele retribuía a tal sentimento.

- Bella?

Pisquei lentamente, notando que quase cochilara.

- Chegamos – anunciou Edward. – Está tudo bem com você? Parece meio quieta hoje...

- Desculpe – corei, saindo do carro. – Eu só estou com uma dor de cabeça chata.

Seus olhos verdes me fitaram por um momento, estreitando-os um pouco.

Por fim, suspirou, desviando os olhos, e me conduzindo para dentro da sua casa.

Mal entramos e senti os braços de Esme ao meu redor, rindo e me apertando em um abraço carinhoso. Mordi os lábios com força, para evitar o gemido de dor que queria escapar.

- Obrigada por ter vindo, Bella – disse, se afastando. Sorri, em meio a uma careta de dor. – Infelizmente, Carlisle teve uma emergência no hospital e pediu desculpas por não estar aqui.

Sorri mais uma vez.

- Está tudo bem, sério – corei. – Não precisava se incomodar por minha causa.

Ela revirou os olhos, largando-me para cumprimentar Edward, que nos olhava sorrindo. Seus olhos escondiam alguma coisa e aquele sorriso em seu rosto, para mim, era forçado.

Será que Edward tinha percebido alguma coisa?

Esme nos puxou para a cozinha e continuamos a conversar, até que Alice e outro homem chegaram. Ele chegou logo fazendo piadinhas, que mesmo sem graça me faziam rir.

Logo descobri que ele era o Emmett, irmão de Edward e Alice, e trabalhava na empresa com o irmão.

Foi um almoço divertido e muito bom. Lamentei quando acabou, lembrando que estava de folga e que teria de ficar enrolando até dar o horário de ir para a casa dele.

- Por que não fica aqui com Alice? – Edward sugeriu. – Eu passo para te buscar as seis.

- Oh – corei. – Não há necessidade, eu não quero incomodar...

- Deixa de bobeira, Bella. – Alice revirou os olhos. – Podemos ver um filme, comer pipoca...

Eu ri.

- A gente se vê mais tarde, então. – Esme se aproximou, me abraçando novamente. – Obrigada por ter vindo, querida.

- Obrigada por tudo, Esme – sussurrei de volta.

Emmett se despediu com uma das piadinhas, dizendo que esperaria Edward no carro. E Alice, animada como nunca, disse que iria escolher um filme para assistirmos.

- Até mais tarde, Bella – murmurou Edward.

Eu me virei totalmente para ele, encontrando seus olhos muito intensos me encarando. Parecia haver tanto por trás daquela intensidade. Eu queria descobrir, embora não soubesse por que nem como.

E mesmo sabendo que não podia.

- Tudo bem – sorri. – Obrigada por ter me chamado para almoçar. Eu me diverti muito.

Não sei o que me levou a fazer aquilo, mas de repente meus braços estavam em volta de Edward, o abraçando delicadamente. Não demorou muito até que seus braços me cercassem também, abraçando-me com tanta delicadeza que foi impossível sentir dor.

Seus lábios procuraram minha testa e deixaram ali um formigamento estranho.

E ele logo se afastou, sorrindo um pouco.

- Não precisa agradecer – disse. – Divirta-se com Alice.

E saiu.

- Pronta, Bella?

Alice me puxou para o andar de cima, me ignorando quando pedi que fosse com mais calma. As dores me atormentavam e muito.

- Que filme iremos ver? – perguntei, assim que adentramos uma sala grande de TV.

Aproximei-me de uma mesinha ao ver a capa de um DVD ali, me arrependendo assim que meu quadril colidiu com outra mesa que eu não vira.

A dor me tirou o fôlego, trazendo imediatamente lágrimas aos meus olhos.

- Bella?

Coloquei a mão em meu abdômen, respirando fundo, procurando me controlar.

Só que Alice agiu mais rápido.

Sem parecer se importar com o fato de eu estar usando vestido, ela afastou minhas mãos, puxando minha roupa um pouco para cima.

E vendo todas as minhas marcas.

Ela ofegou.

Não consegui mais segurar as lágrimas. Não sabia o que fazer.

- Alice, eu... – comecei.

- Vem aqui – cortou-me, tirando-me da sala e me levando até outra porta.

O quarto era grande, bonito e aconchegante, pintados nas cores lilás e branco.

Alice me empurrou até a cama, me fazendo deitar.

- Vou pegar um remédio para você.

Ela saiu antes que eu pudesse protestar, sendo que na verdade eu não queria.

Era assustador estar tão próxima de uma família tendo a conhecido a tão pouco tempo, mas eu não conseguia me afastar.

Eles cuidavam de mim quando ninguém mais parecia se importar.

E fugir de Alice parecia impossível.

Porque ela sabia.

Ela era a única que sabia.

Aceitei o comprimido oferecido e voltei a me deitar, as lágrimas correndo livremente pelo meu rosto.

Ela não disse nada. Não me julgou, não fez perguntas. Só ficou comigo ali, como há muito ninguém ficava.

- Shhh... – sussurrou, acariciando meus cabelos enquanto eu soluçava sem parar. – Vai ficar tudo bem, eu prometo isso para você.

Em algum momento meus olhos se tornaram pesados demais e eu me deixei entregar a escuridão, com as palavras de Alice ainda martelando em minha cabeça.

Vai ficar tudo bem.

Edward POV.

Era difícil imaginar o marido de Bella batendo nela e tendo que aceitar e ficar calado sem fazer nada. Eu queria ir até a casa dele e bater até que ele sentisse a dor que Bella sentia, toda vez que apanhava.

Ele tinha que enfrentar alguém capaz de se defender.

Porque, por mais que Bella parecesse forte, ela era tão delicada, tão frágil... Eu queria abraçá-la e protegê-la.

Queria que ela fosse feliz e ficasse bem.

Aceitei, então, de bom grado o convite de minha mãe para almoçar lá no dia seguinte, prometendo levar Bella.

E ela estava estranha. Calada, triste, sem o costumeiro sorriso no rosto.

Não conseguia acreditar na desculpa para a dor de cabeça e por um momento cogitei perguntar se ela brigou com o cara que eu já odiava sem nem mesmo saber o nome.

Mas suspirei, deixando isso de lá. Porque Alice e eu tínhamos que ser cautelosos, tínhamos que pensar em algo que ajudaria Bella.

Ela conseguiu relaxar um pouco no almoço, rindo de verdade pela primeira vez naquele dia. Era impossível não rir do seu riso, todo rouco e infantil.

Ela era encantadora demais para seu próprio bem.

Sugeri que ficasse com Alice, porque isso era só mais uma desculpa para que eu pudesse levá-la em casa depois e vê-la mais uma vez.

Tudo agora parecia se tratar dela.

E isso me assustava um pouco.

E quando Bella me abraçou, com seus braços delicados me rodeando, fazendo meu coração bater mais rápido... Eu só queria segurá-la ali, protegê-la, fazê-la feliz e bem.

Meus lábios precisavam provar o gosto dos seus, mas agora eu sabia que não podia.

Ela era casada.

Ela tinha um marido.

Depositar um beijo em sua testa foi tudo o que pude fazer, antes de partir para o trabalho, mais ansioso do que nunca para que a hora de embora chegasse logo.

_

Dispensei Marcus mais uma vez, seguindo com o meu carro até a casa dos meus pais.

Provavelmente, só Alice e Bella estariam lá, já que meu pai ainda estava no hospital e minha mãe trabalhava até as sete.

E Emmett mais uma vez tinha ido atrás de Rosalie... Como sempre.

Estacionei o carro, saindo dele rapidamente e caminhando até a sala.

Alice estava sentada no sofá.

- Onde está Bella? – indaguei.

Será que ela tinha ido embora?

Aproximei-me da minha irmã, notando-a tensa. Ela suspirou pesadamente e apontou o sofá a frente para eu me sentar.

- Bella está dormindo no meu quarto – sussurrou. – Ela...

- O que foi Alice? – indaguei.

Os olhos de minha irmã se encheram de lágrimas.

- Ela está cheias de marcas roxas e azuis no abdômen, Edward – soluçou. – Ela mal consegue tocar no próprio corpo sem sentir dor. Como alguém é capaz disso? Como alguém é capaz de ferir uma pessoa a tal ponto?

Puxei Alice para meus braços, minha própria raiva e dor se refletindo na dela.

- A gente tem que fazer algo – murmurei. – Eu... Eu não suporto conviver com isso, não sei se...

- Nós vamos dar um jeito nisso – prometeu. – Vamos sim.

Apertei minha irmã ainda mais em um abraço, respirando fundo e tentando acreditar em suas palavras. Porque Bella precisava da gente agora.

E eu iria fazer de tudo para que ela fosse feliz.

Notas finais
N/A: Oi, meninas, como estão?
Capítulo meio intenso esse, não? Menina Bella abraçando o Edward daquele jeito me deixou toda toda :''') Vontade de pegar Bella no colo e apertar até falar que chega, quem tem? E esse Edward, meu Deus? Ai, ai... Algo me diz que em algum momento vai ser demais para ele, que ele não vai aguentar menina Bella sofrendo desse jeito... Ops, eu falando demais :x
Bem, por hoje é isso.
Quem quiser spoiler, já sabe, deixa email que eu mando. E quem quiser outro spoiler, só ir lá no twitter (@deh_cc) porque quando estou escrevendo, sempre acabo soltando umas coisinhas :D
Até semana que vem, suas lindas.
Besos besos ;*
N/B: ai gente... Coitadinha da Bella, ugh! Vontade de esquartejar o Riley e dar os pedacinhos pros cachorros comerem. :@ Só espero que os irmãos Cullen deem logo um jeito nisso!
Beijos, Tamy ;*