Encantado

6 Capítulo Cinco - Wish


Notas iniciais
Olá! Domingo chegou e finalmente vocês saberão a reação do Edward (;
Capítulo dedicado à CahSwan, pela linda recomendação! ♥ Obrigada, flor.
Nos falamos na N/A.
Divirtam-se!

Bella POV.

As palavras “eu sou casada” foram as últimas ditas, pelos próximos cinco minutos, no carro. Eu esperei Edward dizer algo – qualquer coisa –, mas ele me encarava, os olhos verdes arregalados.

Sua respiração estava um pouco ofegante e seus olhos ora estavam em mim ora estavam em minha mão, à procura de um anel.

Ele não encontraria nenhum. Não até Riley voltar.

Tentei lhe dar um espaço, deixar que pensasse, porque era óbvio que ele esperava ter algo a mais do que uma simples amizade comigo.

Porém, o silêncio parecia sufocante. Talvez fosse a hora de eu dizer alguma coisa.

- Eu a tirei – sussurrei. Seus olhos saíram de minha mão e me encararam, mas ele não disse nada. – A aliança, quero dizer.

Edward me encarou, assentindo.

Mas continuou calado.

- Estava larga – continuei, desesperada para inventar alguma coisa e continuar falando. – Eu mandei apertar.

Por que o silêncio incomodava tanto a mim?

Por fim, desisti. Parecia óbvio que Edward nunca mais iria querer me ver, que eu não teria mais o carinho da família dele.

Encolhi-me contra o banco da limusine, desejando que o motorista dele chegasse logo à casa que eu nunca conseguiria chamar de minha. Meus olhos tentavam a todo custo evitar olhar para Edward, buscando as ruas lá fora, mas parecia impossível.

Ele ainda estava ali, praticamente parado, sem sinais de que diria alguma coisa.

Suspirei pesadamente quando a casa de Riley – pintada em um laranja abóbora, que eu particularmente achava horrível – apareceu e o motorista parou junto ao meio fio.

Era a minha deixa.

E Edward ainda não havia dito nada.

- Obrigada pela carona – murmurei. – Me desculpe se causei a impressão errada.

Esperei por uma resposta e não a obtive.

- Adeus, Edward.

Eu não o veria mais, isso estava claro.

Muitas pessoas já haviam partido de minha vida – inclusive a mulher a qual eu deveria chamar de mãe. Eu já deveria estar acostumada com isso. A felicidade não era para mim; nunca foi e parecia que nunca seria.

Por que eu ainda me permitia ter esperanças?

Tranquei a porta da casa, tentando entender o aperto em meu coração.

Eu deveria apenas lamentar, sim, um pouco, a partida de Edward. Mas... Por que esse aperto intenso e cada vez mais forte no coração?

_

O final de semana foi longo.

Limpei toda a casa no sábado, lavando as roupas, trocando a roupa de cama e tudo o mais. Tentei não pensar que Riley voltaria em uma semana. Tentei não pensar no que acontecera ontem.

Tentei, mas não obtive sucesso.

O frio da casa me incomodava ainda mais, porém eu não tinha tempo para mais lamentações em minha vida.

Tudo o que eu podia fazer era continuar a trabalhar e juntar o meu dinheiro, para conseguir pagar uma faculdade.

Assisti um pouco de TV à noite, sem realmente ver. Cansada daquele dia, apenas deixei que minha cabeça se acomodasse mais a almofada do sofá e adormeci.

Edward POV.

No momento em que as palavras escaparam de sua boca, eu pensei que era brincadeira.

Cogitei rir por um momento, mas Bella permanecia séria, me encarando, esperando que eu dissesse algo.

Mas eu não consegui.

Em minha mente, imagens de repente muito dolorosas surgiram. Ela beijando um homem – o qual eu nem conhecia, mas odiava imensamente –, ela adentrando uma Igreja, toda arrumada e linda em seu vestido de noiva, enquanto esse mesmo homem esperava no altar.

Meus olhos procuraram por uma aliança, mas eu não a encontrei. Estava ciente dos próprios olhos castanhos em mim, ainda esperança que eu dissesse algo... Não consegui, porém.

- Eu a tirei. – Bella sussurrou, fazendo com que eu a olhasse, sem entender o que queria dizer. – A aliança, quero dizer.

Eu assenti, pensando em perguntar por que ela faria isso. Entretanto, as palavras pareciam ter fugido.

- Estava larga – continuou, como se tivesse lido meus pensamentos. – Eu mandei apertar.

Casada.

Bella era casada.

A mulher que me encantou logo na primeira vez que a vi, a mulher que me atraía de um jeito que nenhuma outra jamais havia conseguido... Era casada.

Não sei dizer quanto tempo mais se passou e ficamos em silêncio. Eu sabia que deveria dizer algo, eu tentava dizer algo.

Mas não conseguia.

Primeiramente não deveria estar sentindo aquela dor no peito, como se alguém tivesse me enfiado uma faca. Em segundo lugar, parecia brincadeira... Tinha que ser brincadeira. Do contrário, eu nunca poderia tê-la.

Eu senti o carro parar, mas permaneci imóvel, desejando que ela falasse que na verdade era solteira e que queria me beijar tanto quando eu ainda queria beijá-la.

Mas ela era casada.

E isso mudava tudo.

- Obrigada pela carona – murmurou. – Me desculpe se causei a impressão errada.

Ela me encarou por alguns segundos e eu mais uma vez não falei nada; se falasse, acabaria falando algo que não deveria.

Acabaria tendo de pedir para ela ficasse comigo, embora não entendesse o motivo.

O que eu estava sentindo naquele momento não podia ser traição... Ela sempre deixou claro que sempre seríamos amigos e nada mais. Eu que achei que era o jeito dela de ser, toda tímida, linda e... Perfeita.

Na verdade, ela ainda era tudo isso.

Mas nunca seria minha.

- Adeus, Edward.

Eu a vi sair do carro, parecendo convicta de que nós nunca mais nos veríamos, enquanto eu fiquei ali, sem ter ideia do que fazer.

- Para onde agora, senhor Cullen? – Marcus interrompeu meus pensamentos, fazendo-me suspirar.

- Para a empresa, por favor.

Eu precisava mergulhar no trabalho, precisava esquecer quem eu constantemente gostava de lembrar.

Procurei esquecer o assunto nas próximas horas, mergulhando-me no trabalho de tal forma, que, quando me dei conta, já havia se passado das duas da manhã.

Como já havia dispensado Marcus e estava tarde, deitei-me no sofá de couro da minha sala e ali, fechei os olhos.

Eu sou casada e os olhos de Isabella, foram as últimas coisas que minha mente registrou antes de eu enfim me entregar à exaustão.

_

Quando acordei, horas mais tarde, estava me sentindo um pouco confuso, tentando me lembrar de como fui parar ali e o que estava fazendo com o terno do dia anterior.

As imagens foram aos poucos aparecendo; o olhar de Bella ao me dizer que era casada, a minha reação.

Eu nunca tinha reagido assim. Não era certo me sentir assim. Ela tinha sido clara ao dizer que jantaríamos como apenas amigos.

Então, por que me importar tanto?

Respirei fundo e saí da empresa o mais rápido possível, pegando um táxi e pedindo que me deixasse em casa. Não demorou muito até que chegasse ao meu apartamento, o que agradeci. Entreguei uma nota de cinquenta dólares ao motorista, sem querer receber o troco e corri para dentro do meu prédio.

Tomei um banho quente e longo, deixando que a água batesse em minhas contas, enquanto eu pensando nela.

Por quê? Por que ela? Eu poderia ter qualquer mulher, eu sabia bem disso. Mas... Não conseguia me imaginar aqui – e agora – saindo com alguma outra que não fosse Bella.

Mas por quê?

Frustrado, resolvi caminhar um pouco antes de ir para a casa dos meus pais. Coloquei minha roupa de corrida, pegando a carteira apenas por precaução, juntamente com meu celular e os fones de ouvidos.

Correr sempre me fazia bem.

Não sei dizer por quanto tempo corri, várias coisas em minha mente. Confesso que já havia criado momentos futuros para mim e Bella. Nós jantamos, brincando, ela se aproximando mais da minha família, participando dos jantares. Eu cuidaria dela, eu ajudaria com a faculdade.

Eu só queria que ela fosse feliz.

Mas agora... Saber que ela era casada.

Mudava tudo.

E tinha esse sentimento no meu peito. Era só um sentimento estranho, doloroso, vazio, intenso e que me fazia perder o fôlego. Eu não devia estar me sentindo assim, devia?

Suspirei pesadamente enquanto corria devagar na volta para casa. Estava quase chegando, decidido a tomar outro banho, comer alguma coisa e partir para casa dos meus pais.

Até passar em frente a uma loja.

Eu não sei de fato porque ela me atraiu a atenção. Não era grande, não era exagerada.

E talvez seja por isso que ela me chamou a atenção.

Por ser extremamente delicada.

Eu adentrei a loja, extremamente vazia, e pedi à vendedora que me deixasse ver a pulseira. Ela a pegou e colocou na minha palma estendida.

- É de prata e essas pedrinhas são pérolas rosas – informou-me. – Se o senhor quiser, posso lhe mostrar as que são feitas banhadas a ouro e...

- Não – interrompi-a, meus olhos nunca deixando de olhar aquela pulseira. – Essa é perfeita.

Ela era perfeita para Bella.

Banhada a prata, como a vendedora dissera, e adornada com uma palavra: wish. Cada letra oscilava na pulseira, com três pérolas cor de rosa; duas ao lado da palavra e uma próxima ao fecho.

Não sei dizer por que aquela pulseira chamou minha atenção.

Mas eu decidi que iria comprá-la e dá-la a Bella, algum dia.

Paguei e voltei para casa, tomando meu banho e comendo. Acabei desistindo de ir à casa dos meus pais naquele dia, deixando para o dia seguinte. Concentrei-me em contratos e quando dei por mim, estava dormindo no sofá, só que no escritório do meu apartamento.

No domingo, acordei tarde. Tomei um banho rápido e comi, antes de ir para a casa de meus pais. Como eu dava folga a Marcus nos fins de semana, exceto quando eu realmente precisava, tirei meu carro da garagem e dirigi até a casa dos meus pais.

- Edward! – Alice praticamente voou em mim assim que abri a porta. – Onde está Bella?

Eu suspirei pela décima vez, revirando um pouco os olhos. Não queria me lembrar dela tanto assim...

- Ela está em casa, Alice – disse, entrando em casa e fechando a porta. – Provavelmente com o marido dela.

Minha mãe, sentada no sofá, virou-se imediatamente quando me escutou. Seus olhos levemente arregalados, assim como os de Alice.

- Bella é casada? – indagou mamãe. – Mas eu não vi aliança...

- Nem eu. – Alice me seguiu até o sofá. – Ela não disse nada também...

- Não sei por que – dei de ombros. – Ela me contou ontem, depois que eu tentei beijá-la.

As duas ofegaram.

- Oh, querido – minha mãe afagou meu rosto. – Eu sinto muito.

- Está tudo bem, mãe – menti. – Ela sempre deixou bem claro que seríamos amigos. Eu que pensei que fosse por outro motivo, por ainda ser muito menina em alguns aspectos.

Minha mãe abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida pelo toque do telefone. Levantou-se, em um pulo, e correu para atender.

- Edward... – Virei-me e Alice me fitava; os olhos verdes curiosos. – Você se apaixonou...

Não era uma pergunta e sim uma afirmação que me pegou de surpresa. Tentei negar, tentei balançar a cabeça de forma negativa, mas não consegui.

Doía em cada célula do meu corpo negar aquilo.

Eu me apaixonei por Bella.

Uma mulher casada.

De repente tudo parecia fazer sentido. O fato de estar tão encantado, tão envolvido e sentindo tudo isso que me deixou bem confuso. E a pulseira, que agora está em meu bolso.

Desejo... Uma pulseira simples, com tantos significados escondidos por detrás de uma única palavra.

Desejo de tê-la para mim, desejo dela se apaixonar por mim, desejo das coisas darem certo. Tantos desejos para uma palavra e uma mulher só.

- Edward?

Eu fitei minha irmã, ainda meio chocado, e ela pareceu entender.

- Vai ficar tudo bem – disse, segurando minhas mãos. – Prometo isso para você.

Assenti, porque nesse momento era tudo o que seria capaz de você.

- Me dê o endereço da Bella – pediu, ainda segurando minhas mãos, que pareciam muito grandes perto da sua. – Eu vou lá conversar com ela.

- O marido dela... – engasguei, incapaz de dizer qualquer outra coisa.

Mas era Alice. E ela e eu sempre compartilhamos uma amizade forte e até certo ponto, estranha. Ela entenderia.

- Ele não vai ligar se eu for – frisou. – Eu sou mulher, caso você nunca tenha percebido.

Eu acho que assenti, mas não pude ter certeza. Passei o endereço, ainda me sentindo estranho, confuso, perplexo demais.

Porque eu estava apaixonado.

E enquanto minha mente insista em lembrar que ela era casada, meu coração batia desesperadamente por uma chance.

E eu não tinha ideia do que iria fazer.

Bella POV.

O domingo para mim começou cedo, com o telefone tocando. Sonolenta, olhei o visor do meu celular, constatando que não se passava das oito. Estiquei a mão até o telefone e o coloquei na orelha.

- Alô? – bocejei.

- Bom dia, querida. – A voz de Riley soou carinhosa demais, me fazendo sentar imediatamente. – Como está?

- O que você quer, Riley? – grunhi.

- Só queria dizer que estou com saudades, meu bem – riu.

E só então percebi que ele estava bêbado.

As coisas só ficavam piores quando ele estava assim.

- Acho que é melhor você ir dormir – disse. – Por que não me liga depois?

- Hm... Talvez seja melhor mesmo – riu ainda mais alto. – Eu te ligo, meu bem!

E assim, ele desligou.

Procurei ler pelo resto da manhã, já que não consegui dormir. Tomei um banho frio mesmo antes do almoço e depois só fiquei ali, vendo TV.

E sentindo saudades de Edward.

Suspirei pesadamente, encostando a cabeça no encosto do sofá e fechando os olhos, começando a relaxar e me lembrar daqueles olhos verdes.

Antes que eu começasse a dormir, a campainha soou e eu dei um pulo, assustada.

Caminhei a passos lentos, fechando a blusa de frio em torno de mim, olhando pelo olho mágico.

Era Alice.

Abri a porta, um pouco receosa. Será que tinha acontecido algo com Edward?

- Oi, Bella – sorriu para mim, tirando seus óculos escuros.

- Oi... – mordi o lábio inferior. – Algum problema?

- Não. – deu de ombros. – Só queria te chamar para sair.

Eu sorri um pouco. Gostava de Alice.

- Que bom – disse. – Entre, é bom que posso entregar sua roupa e...

- Não precisa – entrou. – Trouxe essa aqui para você.

Ela me estendeu uma sacola e eu corei. Não estava acostumada com isso.

- Não precisa – gaguejei. – Eu...

- Você pode me devolver depois, se for fazer com que se sinta melhor.

Assenti, mesmo sabendo que provavelmente ela nunca iria aceitar depois. Pedi que ela se sentasse e segui até o quarto, já tirando a blusa de frio.

Esse foi o meu erro.

Eu escutei o ofegar apavorado de Alice e congelei, ainda no corredor. Ela tinha visto minhas marcas.

Ela tinha visto.

- Bella... – murmurou.

Eu me virei lentamente, tentando não demonstrar nenhuma emoção no rosto. Meus olhos vagaram pelas marcas de meu colo e ombros. Não estavam tão ruins agora, embora demorassem mais de duas semanas para sumirem completamente.

O que nunca acontecia, já que Riley parecia incapaz de se controlar.

Os olhos verdes de Alice avaliaram as marcas e eu soltei um riso amargo, tentando segurar as lágrimas.

O que ela diria se visse todas as marcas do meu corpo? As marcas que meu marido fazia questão de deixar quase todas as noites em mim?

Eu comecei a abrir minha boca, pronta para contar uma mentira a Alice, mas nada saiu.

Porque ela tirou a conclusão sozinha.

- Seu marido te bate...

E eu somente fiquei ali, parada, incapaz de dizer qualquer coisa.

Notas finais
N/A: Oi... Pois é. Edward sabe agora que a Bella é casada e descobriu que está apaixonado por ela... Só eu que me derreto por esse Edward? *suspira*. E agora Alice viu as marcas :/ E aí? Ela vai guardar segredo ou vai contar para o Edward? E se contar, como que ele vai reagir?
Bom, por hoje é só. Domingo que vem tem mais.
Mas para quem está curiosa demais, já sabe, não é? Só deixar email que eu mando spoiler ;)
E mais uma vez, obrigada à CahSwan, pela linda recomendação ♥
Até o próximo capítulo, meninas.
Besos ;*
N/B: Tadinho do Edward, sério... Fiquei com pena da Bella, mas pelo menos a Alice apareceu e já sacou tudinho que acontece com ela. (: Menos pior... Agora só nos resta torcer pelo melhor, apesar de eu sentir que o Riley ainda irá aprontar um bocado. *suspira*
beijo, Tamy ;*