Encantada Transformação
97 Capítulo 97 - Missa
Notas iniciais
Seus pais estavam idênticos, mas com os olhos sem aquele brilho de antes, a senhora Diana tinha os mesmos olhos do filho, o senhor Diego os mesmos cabelos, e Nina o mesmo sorriso, acolhendo-me de braços abertos a família dele me amava como filha, era aceita sempre que aparecia, e tentava não chorar ao subir ao seu quarto e deitar na sua cama, sentir o perfume do meu amado no travesseiro, ver nossas fotos na estante, sentir que ele ainda estava ali, era difícil e reconfortante estar no quarto dele, poder fazer parte nem que seja um momento do tempo que sonhei estar em seu quarto e ver ele entrar por aquela porta todo suado e sorridente, depois de um dia de jogo intenso, onde ele sempre era o vencedor. Agora era só lembranças que eu sempre tinha medo de esquecer um dia.
O dia passou e no outro a missa chegou, marcando um ano da morte do meu pai, um ano que tinha recebido a noticia, que minha vida acabou pela primeira vez. Colocando minha roupa de luto segui para a igreja com Dorian ao meu lado, os amigos e conhecidos encheram os bancos e escutamos a prece do padre, dizendo palavras marcantes e reconfortantes, mostrando que alem da amizade que ele tinha com o meu pai, que a fé inabalável do Senhor estaria conosco, e que meu pai esta em um lugar melhor.
Depois da missa segui para o cemitério levando as flores e colocando em seu tumulo, chorando aos pés da lapide do meu pai, minha vida não tinha sentido sem ele ao meu lado, meu querido paizinho que sempre estava comigo, minha vida, minha sustentação. Na volta ainda muito abalada fui carregada nos braços de Dorian em meio à chuva que caiu depois da missa, encharcada e machucada, ele colocou-me na cama, e disse palavras de paz e serenidade, fazendo-me adormecer em seus braços.
Os dias passaram assim, eu trancada no quarto recebendo as visitas dos meus amigos, ora saindo para ir a igreja escutar as palavras do padre, ora indo ao cemitério visitar os dois, a cada dia minha vida parecia ficar mais triste, e o tempo ia se aproximando, a outra data chegando, as lembranças recordando.
Quando o dia chegou chorei mais ainda, era a data da morte de John, as lembranças invadindo minha alma, devastando meu coração. Novamente coloquei um vestido negro e um véu no rosto, entrando na igreja e sentando-me ao lado da família dele, os choros silenciosos de todos nós enchiam o lugar conforme o padre relembrava nossos momentos. Apertando a mão da minha antiga sogra, dividindo nossas dores enfrentamos mais essa luta, mais essa batalha da vida, a ida ao cemitério foi mais triste, de braços dados com Nina, ajoelhei-me ao lado da lapide, sentindo meu mundo desabar mais uma vez, querendo estar ao lado dele naquele cemitério, querer ter ido aquele jogo e ter morrido com ele naquele acidente, mas era impossível voltar no tempo, e só a tristeza já era suficiente para magoar um coração já ferido.
Notas finais
- Saia da minha casa, saia da minha vida. - gritei alto.
Briga final...
Xoxo
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