Encaixe
8 Capítulo 6
Notas iniciais
Talvez seja só frescura, ou mais uma das minhas inseguranças, ou apenas eu com toda a raiva acumulada, de cada não reprimido, de cada palavra guardada, de cada sentimento escondido. Aquela raiva não liberada, que ficou guardado, que foi se aos poucos se alojando aqui dentro, e tomando parte do meu ser, se tornando uma parte vital de mim.
Eu me tornei a pior parte de mim. Não consegui ganhar a batalha travada aqui dentro, no final, a magoa, a raiva me ganhou, foi mais forte que eu. E mais uma vez, duvidei que eu me encaixaria de algum jeito no mundo, na sociedade, na minha família.
Como pode eu estar tão animada num momento, e no outro simplesmente tá desanimada pra tudo? A simples vontade de viver sumiu, ao mesmo tempo em que aquela chama viva que poderia estar acesa, se apagou mais um pouquinho. Aquela curiosidade de saber o que viria a seguir sumiu, assim como cada ansiedade de momentos que sabia que iriam acontecer em algum momento. A Curiosidade que existia em mim, se foi, e levou consigo mais um pedaço de mim. E cada vez que isso acontece, algo de ruim volta a me atingir, e minha única vontade é de sumir.
Talvez eu só esteja sendo dramática, como muitos falam, ou ingrata com a vida que Deus me deu, ou querendo chamar a atenção como tantos dizem. Mas a verdade, é que eu só queria ajuda, uma companhia, alguém que entenderia apenas o meu lado, e diria se eu to sendo realmente egoista, injusta, dramática, ma agradecida.
Não sei definir o que está acontecendo ao meu redor, não sei dizer se vou estar bem daqui a 5 minutos, ou se vou estar intacta daqui 5 dias, ou 5 anos.
Seria possível eu conseguir sobreviver o suficiente pra que alguém perceba que eu preciso de ajuda e que realmente o faça? O mundo é tão grande para um simples murmuro de um pequeno pedido de socorro, quase silencioso, que me deixa sem voz, por mais baixo que seja solto, me cansa ficar sempre tentando falar, e nunca ser ouvida.
Um pequeno desabafo talvez ajude, não sei. Não sei se seria capaz de ficar bem apenas com palavras escritas em uma nota de celular, ou em uma folha de papel de caderno, não acho que apenas isso aliviaria cada sentimento guardado aqui dentro, cada magoa, cada palavra não diga.
Seriam muitas notas, muitas folhas, muito tempo gasto a toa, sem motivo aparente, sem sentido, sem razão, sem esperança de uma melhora mesmo que mínima em minha vida.
Nem todos são felizes com tudo que tem, nem todos se sentem completo mesmo tendo tudo o que precisa para se viver uma vida boa, e feliz.
Felicidade não se trata em apenas ter bens materiais, ou amizades que dizem ser verdadeiras. Se trata também, de se sentir bem no mundo, de se sentir completa, viva, de não se sentir sozinha, desamparada, solitária.
Um lobo solitário não vive sozinho, mas sim em uma alcateias. Mas cadê a minha? Será que ela existe e está por aí me procurando, ou me esperando? Ou ela não existe mesmo? E sendo assim eu acabe sendo um lobo solitário na vida, que ao ser encurralado pelo inimigo, rapidamente passa a ser uma presa fácil, mesmo sendo um predador.
Será que é realmente frescura?
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