Empty Soul

10 Capítulo Bônus - Parte Um


Notas iniciais
Demoro maaaais chegou! Aproveitem leitoras queridas!

Capítulo Bônus – Edward

*Andrew Belle — Make It Without You — http://www.youtube.com/watch?v=UnCRaFMWv4E

A dor que estava em meu peito era algo insuportável, acho que nunca senti algo com tanta força. Chegava a fazer minhas pernas perderem as forças. E foi o que aconteceu.

- Minha menininha – falei entre sussurros.

A cerimônia já tinha acabado há algumas horas, mas não conseguia sair dali, não podia deixar minha filha. Amigos já tinham ido embora a meu pedido, já minha família, bom, eu não tinha ninguém, minha mãe abandonou meu pai quando eu tinha apenas cinco anos de idade, meu pai ficou tão triste e amargurado que me largou em um internato se perdendo no mundo deixando apenas o dinheiro que pagava minha estadia ali e uma alta quantia para a faculdade. Não tinha irmãos nem irmãs, era apenas eu me minha menininha, já que sua mãe a rejeitou fugindo do hospital logo após o parto.

Coloquei as mãos no rosto sentindo as lágrimas descendo sem dó de meus olhos. Não. Agora era apenas eu e a solidão, já que minha filha estava em baixo da terra tendo seu sono eterno. Como eu sobreviveria a isso?

Levantei-me e olhei a última vez aquele dia o túmulo de mármore. Saí com aquele tão terrível bolo na garganta.

Lembro-me apenas de ter ido direto para meu barzinho em casa e tomado uma garrafa de Whisky, ou foram mais? Não me lembro, apenas sei que no outro dia acordei no chão do meu quintal e minha casa estava toda destruída, como meu interior.

Ainda não entendia como tanta merda acontecia pra mim constantemente. Já não bastava ser abandonado pela família e esposa? Por que minha filhinha?

Olhei para os céus, ainda deitado na grama.

- É castigo? Mata-me logo e me tira desse inferno! Eu não acredito mais em você!

Minha fé de que um dia eu seria feliz era nula, eu não tinha mais fé em nada.

Já se passava dois anos desde a morte de Pietra, a falta que eu sentia dela era algo desesperador, me esmagando por dentro. Eu ainda me perguntava se era algum castigo de alguma merda que fiz em uma vida passada. Leucemia é um castigo muito alto a ser pago e o que me doía era que não era eu quem pagou o preço e sim minha pequena.

Lutei todos os seus 4 aninhos para que a doença, que foi diagnosticada quando ela tinha 6 meses, não a vencesse, mas tudo foi em vão. Todos os anos de sofrimento, via minha filha se degradar dia após dia tendo que ser forte e segurar sua mão dizendo que tudo ficaria bem, que logo a dor passaria. Mentindo esses anos todos.

Perdoa-me filha.

Estava terminando de comer um lanche, era umas oito horas da noite, quando uma correria se instala no hospital e barulhos de sirene enchem meus ouvidos. Levantei-me agilmente e corri para ver o que estava acontecendo quando a vi pela primeira vez.

Joel & Luke — Love’s To Blame — http://www.youtube.com/watch?v=_tF8bKqUkQo

Seu rosto pálido estava ensanguentado, tentando esconder a beleza que ele trazia em si. Lábios carnudos e agora sem muita cor que me fizeram sonhar. Simplesmente meu corpo seguiu até ela sem nem mesmo meu cérebro mandar, foi como a gravidade, como imã.

- O que aconteceu? – perguntei para os paramédicos aflitos que corriam com a maca.

- Acidente, uma caminhonete bateu em um carro, três vítimas, o motorista da caminhonete fugiu, tinha uma criança no carro, um homem e essa mulher – um deles falou rapidamente, assenti acompanhando e aflito pela pequena criança.

- Me dê! – pedi para que me entregassem a prancheta.

Olhei as anotações e fiquei um pouco mais tranquilo, ela apenas aparentava ter batido a cabeça, nada mais grave.

- Como está a criança?

- Hemorragia doutor – olhei chocado e uma mulher que levava a maca abaixou o olhar com tristeza.

- Já a levaram para a sala de cirurgia?

- Já foi encaminhada – assenti.

Foi um dia feliz e altamente triste ao mesmo tempo. Feliz por ter conhecido aquela linda mulher de olhos cor de mel e triste por ter presenciado o pior dia de sua vida.

Seu desespero ao ver seu marido entre a vida e a morte. Sua desolação ao assistir a morte de sua filha. A esperança morta quando seu marido não resiste. Eu via sua alma esvaziando perante meus olhos, deixando a minha fervendo, querendo a pegar no colo e a consolar, tentar preencher o vazio que seus olhos delatavam. Sua tristeza era tanta que meu corpo sentia e se entristecia junto.

Eu ainda não tinha entendido como eu tinha me segurado por cada toque seu em mim, fazia meu corpo querer abraça-la, chutava-me mentalmente por tal desejo.

Já se passava um mês desde que tinha visto a dona dos meus pensamentos, estava me matando não saber como ela estava, se estava conseguindo seguir em frente, se estava viva principalmente.

Viajava em minhas preocupações com a dona de meus pensamentos quando escuto ao longe o som da ambulância chegando ao hospital. Soltei uma lufada de alivio, quase não tivemos nenhum chamado de emergência hoje, isso sempre me entediava.

Levantei da cadeira em que sentava tomando o último gole de café e esperei os enfermeiros entrarem com a maca.

Meus olhos arregalaram e meu coração bateu mais rápido. Era ela. Mais magra e branca que antes, mais ainda sim era ela. Corri como nunca até onde ela estava.

- Salvem minha irmã – a mulher de cabelos espetados chorava desesperadamente correndo atrás da maca.

- O que aconteceu? – falei um tanto alterado, me olharam com espanto.

- Foi encontrada desacordada pela irmã, parece estar com anemia.

- A deixe comigo – o garoto apenas assentiu.

Baterias de exames foram feitas. Tinha uma forte anemia e desidratação a deixando muito debilitada, soltei o ar em frustração, como sua família pode a deixar chegar a esse ponto?

Larguei a prancheta e a olhei. Tão linda, ainda que frágil e cansada. Sem me conter caminhei até perto da maca e minha mão seguiu para seu rosto vagarosamente, com receio por sua fraqueza. Sorri, macia como seda, minha imaginação não fez jus a ela. Seu sorriso foi meu tiro de largada para ser mais ousado, ela estava gostando, entrei em êxtase. Passei meus dedos em seus lábios controlando meu desejo de toma-los pra mim.

Estava tão extasiado e deliciado com sua delicadeza que levei um pequeno susto ao escutar o nome de seu falecido marido sair de seus lábios. De primeira me deliciei com sua voz macia, porém rouca, consequência de sua inconsciência, depois algo mais forte que eu.

Um ciúme, o mais forte que senti em minha vida, me encheu por inteiro me fazendo ficar duro e me afastar a passos largos. Pensei em parar e voltar quando ela chamou, mas não era a mim quem ela chamava, era ele. Cheguei a minha sala e bati minha testa algumas vezes em meu armário, frustrado, enraivecido, enciumado e o principal, infeliz.

Frustrado por deixar esse sentimento tão forte e irracional tomar conta de mim dessa maneira. Eu nunca a tinha visto, nunca trocado uma única palavra, além de tudo só a tinha visto machucada, como isso pode ter acontecido comigo? Infeliz, por esse sentimento doentio e o maior motivo, nunca ter seu amor pra mim como seu marido, mesmo depois de morto, tinha.

Deixei meu corpo cair na cadeira e chorei de raiva, como há tempos não fazia. Que merda de vida.

Ela recebeu alta poucos dias depois, sua irmã se comprometeu comigo que a deixaria sobre sua custódia e que a deixaria andando na linha, mas eu não acreditei muito, Isabella se mostrava nem aí pra morte, se duvidar era algo que almejava pra si.

*Bat For Lashes – Siren Song — http://www.youtube.com/watch?v=tRYwr9Waeos&feature=fvst

O ano se seguiu e suas visitas ao hospital se tornaram cada vez mais frequentes, mas apenas sabia disso porque virei um maldito de um perseguidor, vigiando cada um de seus passos, já que sua irmã a mandava para outro hospital, com medo de que ela surtasse vendo que aquele era o mesmo em que sua família morrera.

Sim, sua irmã descobriu minha obsessão por Isabella me flagrando, em um dia, vigiando sua casa. Depois de eu me explicar e de me apresentar ela acabou que me ajudando já que prometi ajuda-la com os cuidados de sua irmã. Liguei para psicólogos e psiquiatras, os melhores da cidade. Mas ela se negava a ser atendida batendo a porta para cada um.

Uma vez Alice me ligou falando que Isabella estava cada vez pior, que estava até pensando na possibilidade de interna-la, mas a ligação foi interrompida com a voz enfurecida da dona de meus pensamentos, implorando para que ficasse com sua família, foi aí que eu vi que a situação estava pior do que pensei, além do físico, sua mente estava começando a ficar debilitada.

Entrei em desespero por minha pequena. Bufei. Minha, que bobagem. Eu era completamente dela, e isso era mais do que provado, não conseguia olhar para mulher nenhuma. Antes dela até que conseguia sair com alguém, mas nada importante, não sentia vontade de nada depois da morte de Pietra. Quando vi aqueles olhos castanhos, minha mente jamais conseguiu ver algo que me atraísse.

Rezei aquela noite com todo o resto de fé que ainda existia em meu ser, com tanta intensidade que me senti tão cansado que dormi no meio de minhas rezas.

Recebi notícias de Alice ainda no dia seguinte dizendo perceber melhoras, que pelo menos tomou seu café sem que ninguém mandasse e as outras refeições seguiram do mesmo jeito. Poucos dias depois ela começou a trabalhar em uma biblioteca. Foi com essa notícia que me permiti ficar tranquilo em relação a ela e tentar seguir minha vida e deixa-la em paz.

Passou-se quase um ano e me parecia que Isabella estava realmente bem, já que não foi mais vez alguma ao hospital e o último contato com Alice, que tinha sido a mais de oito meses atrás, me afirmou que ela finalmente seguiu em frente.

Estava em casa, era meu dia de folga, quando um celular começa a tocar sem piedade de ouvido algum. O que me fez assustar não foi por ter sido pego no susto e sim por aquele toque, configurado apenas para o número de Alice, ser o som que ouvia.

Corri de encontro ao aparelho, pegando-o tão rapidamente que quase o derrubei.

- Alice! – falei arfante.

- Edward me ajude! – entrei em pânico pelo sua voz chorosa e desesperada.

- O que aconteceu com Isabella? – já falei calçando tênis.

- Ela sumiu.

- Eu a procuro – falei colocando o casaco de chuva, já que uma tempestade começou logo que o telefone tocou.

- Edward, hoje faz dois anos, vá ao cemitério, eu estou chegando em Forks.

- Ok – mal falei e desliguei o telefone colocando de qualquer jeito no casaco e apertando o botão do controle destravando o carro.

Mal entrei no carro e já o coloquei em movimento correndo para o cemitério mais conhecido da cidade. O caminho que normalmente seria feito em meia hora, realizei em apenas quinze minutos. Por ser madrugada e pelo meu desespero, não é algo muito surpreendente.

Arfava, suava e não parava de olhar para todos os lados, respirei fundo algumas vezes para tentar me acalmar sem muito sucesso.

- Esteja bem, Deus, que ela esteja bem – repetia acelerando cada vez mais.

Quando avistei o cemitério parei em cima da calçada saltando do carro sem nem ao menos desliga-lo. Não importava a água fria que começava a me molhar, a única coisa que me importava era acha-la. Olhava para os lados, não fazia ideia onde eram os túmulos, mas por sorte não foi algo difícil de achar.

Quando meus olhos encontraram aqueles cabelos castanhos emaranhados e molhados, meu mundo desabou ao ver o corpo inerte deitado na terra, tremia muito e murmúrios baixos saiam de sua boca.

- Meu Deus! – falei baixinho e corri ainda mais rápido até ela, me ajoelhei mexendo em seu corpo checando os sinais vitais, tudo certo, mas uma forte febre a consumia. Sem tempo a perder a peguei no colo e segui meu caminho para o carro – O que você fez Isabella? Por favor, esteja bem – era só isso que eu dizia.

- Giulia, James – ela falava baixinho, sem forças, num mantra.

Coloquei-a deitada no banco de trás, passando um cinto em sua cintura para segurança e corri para o banco do motorista. No caminho liguei para a o hospital os preparando para a emergência e logo em seguida para a Alice avisando que a tinha encontrado e que já estava a encaminhando.

Quando cheguei ao hospital, uma equipe já estava a minha espera, dei os procedimentos e seguimos para a sala de exames. Depois de tudo que deveria ser feito, constatamos que era febre causada pelo seu emocional e a chuva tinha ajudado. Suspirei aliviado quando ela estava bem.

- Edward – Alice falou baixinho enquanto abria a porta do quarto.

- Ela está bem – afirmei, ela veio até mim e me deu um abraço.

- Meu Deus, eu não poderia ter me esquecido, eu sabia que ela não lidaria bem, eu me lembrei em cima da hora, saí correndo do jantar dos meus sogros e... – caiu num choro incessante, apenas afaguei suas costas tentando acalma-la.

- Shii, calma, ela está bem agora.

- Obrigada por cuidar da minha irmã, você não sabe o quanto sou grata.

- Não precisa agradecer, eu a amo Alice – e ao afirmar isso, um sorriso nasceu em meu rosto. Nunca falei isso em voz alta, admitindo de vez o meu sentimento insano, Alice se afastou do abraço e me olhou – desde a primeira vez que a vi, eu amo Isabella! – ela sorriu e me abraçou mais uma vez.

- Obrigada por ama-la – ela apenas disse e me soltou indo ao encontro da irmã que dormia com uma expressão torturada na maca, suspirei e olhei para a mulher aflita chorando pela irmã.

- Vou deixa-la com ela, se acontecer qualquer coisa...

- Eu o chamo – assenti e sai do quarto.

Passei o resto da noite sentado no corredor, não sairia dali de jeito nenhum, ainda mais que Alice já tinha ido embora me afirmando que ela estaria bem, mas chegou um momento que meus olhos pesaram mais do que deveria e me permitir ir comprar um café.

*Levi Kreis – I Should Go — http://www.youtube.com/watch?v=5moX0iBLi44

Não demorei cinco minutos, mas ao voltar para o corredor me deparo com as costas de Isabella correndo para fora do hospital, corri até meu carro e comecei a segui-la, começando a entrar em desespero quando a perdi de vista.

- Deus me ajude, me guia pra onde ela está, por favor – dizia correndo meus olhos furiosamente para qualquer movimento da rua.

Quando meus olhos passaram pela ponte mais sombria da cidade, vi meu grande amor começar a subir o muro, acelerei entrando em pânico e quando cheguei perto, consegui tempo para pega-la antes que se jogasse na ponte.

- Senhorita Isabella, o que está fazendo? – falei histérico, mas ainda sim formal, não podia mostrar tanta intimidade, não queria assusta-la.

- Me deixa ir, eu quero – se debateu, mas não a soltei – não quero mais ficar aqui – e caiu num choro, deixei minha fachada cair e a envolvi num abraço que há tempos queria.

- Shiii, vai ficar tudo bem – tentei reconfortar.

Quando ela me olhou uma certeza se instalou em seus olhos, como se me reconhecesse.

- Não doutor, nada vai ficar bem, nunca! – ela disse e deixou seu corpo perder as forças, a peguei no colo e me deixei sentir sua fragilidade mais uma vez, eu a quis por tanto tempo, não tinha como negar esse desejo a mim agora. Levei até meu carro e a ajeitei dirigindo, depois, até minha casa.

Fiquei surpreso por ela não ter questionado nada sobre eu a estar levando pra minha casa, ela apenas olhava tudo ao seu redor sem brilho algum, como se não vivesse, apenas estava ali, disfarcei a tristeza que me consumiu.

Depois de tanto tempo, sonhando com a cena de agora, ela em minha casa, não sabia o que fazer. Disse onde estava tudo que ela precisava, ofereci as roupas da mãe de Pietra, que ainda estavam na gaveta, achava que ela precisava de espaço, mas me surpreendi e me enchi de esperança quando ela me pediu para ficar com ela, mas logo me chutei por isso. Ela apenas estava precisando de um amigo, só isso Edward.

Não importava, se era isso que ela queria de mim, era isso que ela teria. Tudo ela teria.

Deitei-me na cama e a aninhei em meus braços, sorri quando ela se acomodou do jeito que quis contra meu corpo. Comecei a cantar a canção que cantava pra Pietra dormir e logo Isabella ressonava em meus braços, logo me permiti dormir também.

Sonhava com a dona de meu coração caindo da ponte, eu não tinha conseguido chegar a tempo, mas logo uma sensação de paz e um toque em meu rosto me fizeram sorrir, era algo tão bom. Quando me virei para trás ela apareceu me abraçando e eu logo a apertei contra mim.

Não sei em que momento, mas apenas lembro de ter acordado e sentido o vazio, tateei a cama em desespero, como se não acreditasse que ela tinha sumido, mas logo suspirei aliado quando ouvi sua voz do outro lado do quarto.

Eu me encantava com sua voz doce e até pouco desconfortável, mesmo estando em minha presença. Ao perguntar se eu sabia seu nome, falei com tanta firmeza que até me bati mentalmente. Ela não fazia ideia de o quanto eu a conhecia, do quanto a persegui e fiquei atrás dela apenas pra saber se havia comido. Quando percebeu que eu compartilhava de seu sentimento de perda, fez meu muro de falsa superação ruir e deixar a morte de Pietra vir a tona, choramos até dormir, e foi como eu sempre esperei, ao seu lado, com ela em meus braços e seu cheiro grudando em mim.

Notas finais
Então, resolvi dividir o capítulo final, ainda não sei se só em duas ou em três partes, e agora trouxe apeeenas uma, jaja irei trazer o resto.
Beeeijiinhos até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!