Empty Soul
5 Capítulo 4 - Me deixe ir!
Notas iniciais
Boa Leitura!
Kris Allen – I need to know — http://www.youtube.com/watch?v=0v3arozTKB8
Estava sentada a poltrona de sempre, fazia quanto tempo que estava aqui? Minutos? Horas? Dias? Não sei ao certo, só apenas abraçava aquele ursinho como se fosse minha vida, entrando em agonia quando sentia o cheiro de minha filha ir sumindo a cada momento, esse fato me fazia chorar ainda mais, algo que não parava desde que acordei. E era nisso que se resumiam meus dias, lágrimas e mais lágrimas escorregando por meu rosto, levando minhas forças e vontade de viver com elas.
Já havia passado mais de um mês da morte de minha pequena família, mas a dor parecia só aumentar a cada dia que passa.
A dor é tanta, que estava ficando uma dor física, não mais sentia prazer em nada da vida, apenas dor. Minha vida tinha acabado e apenas o que sobrara fora a dor e tais lágrimas, mas seria assim até minha vida insignificante ter um maldito fim.
Olhava o quarto de minha filha, vestida apenas com a camiseta de James, me abraçando ao resto de cheiro deles ali, percebia que a poeira começava a se acumular no cômodo, o resto da casa deveria estar na mesma maneira, mas eu não me importava, não saia desse quarto de qualquer maneira.
Levantei com dificuldade da poltrona e fui em direção à cama de Giulia, mas minhas forças não me deixaram ficar em pé. Minhas pernas fraquejaram, me fazendo cair ao chão. Fiquei lá deitada, tentei me erguer com uma das mãos apoiadas no chão, mas nem consegui sequer desgrudar meu tronco da madeira. Acabei desistindo e ali, segurando o ursinho de Giu e vestida com a camisa de meu marido, deixei a escuridão me pegar e levar para algum lugar distante e calmo.
Sentia uma mão deslizando suavemente pela minha bochecha e depois em meus cabelos, sorri percebendo o toque masculino. Era ELE, eu percebia a devoção na caricia que só ele tinha. Quando meu abri meu sorriso, seus dedos passearam por meus lábios, depois meu nariz. Era como se decorasse cada linha de meu rosto.
Estava ficando agoniada por não conseguir abrir os olhos e olhar para os seus então juntando todas as minhas forças consegui murmurar seu nome.
- James, meu amor... – mas foi como se isso o espantasse porque logo as carícias pararam e logo escutei barulho de passos indo para longe – não... vá – murmurei e cai na completa inconsciência.
Acordei depois e me vi em um hospital com minha irmã dormindo no sofá duro.
Depois de um ano a dor me abandonou, me deixando oca, vazia. Minhas idas frequentes ao cemitério se tornaram nulas. Na maioria das vezes que ia para lá, voltava de madrugada, ou até dormia no meio dos túmulos sendo acordada por uma Alice desesperada. Ela me vigiava a todo instante, dizia que não queria que eu cometesse algo contra mim mesma.
Eu mal conseguia levantar da cama e nem pretendia também, eu queria ficar ali e definhar até a morte vir me buscar. Não mais comia, nem bebia. Tudo era no automático, um robô. Parei de escrever e me dedicava horas a fio a olhar o quarto de minha filha vestida com alguma roupa de James, que já não tinha mais seu cheiro há algum tempo. Mas agora não chorava mais, apenas olhava e lá ficava.
Minhas idas ao hospital ficaram frequentes, anemia e desidratação me rondaram por todo o tempo. Meu corpo já nem tinha mais lugar para perfurar com agulhas, de tanto de intravenosa que usei. Psicólogos e psiquiatras batiam em minha porta, mas eu apenas fechava a porta e voltava para o quarto de Giulia, me afundando novamente na poltrona.
Leona Lewis – Stop Crying Your Heart Out — http://www.youtube.com/watch?v=miLjaCY0-S8
Já escutei numa conversa de minha irmã no celular a possibilidade de me internar em uma clínica de reabilitação, o que me fez reagir agressivamente.
- Você não vai me tirar de perto de minha família – segurei seu braço com força – não faça isso comigo Lice, eu te imploro – e num rompante estava chorando me agarrando ao corpo pequeno de minha irmã, que me acompanhava no choro e me confortava.
- Não irei fazer nada minha irmã, shiii, se acalme – sentou comigo no chão deixando minha cabeça em seu colo, acariciando, adormeci.
Depois daquilo tentei melhorar, pelo menos me alimentava e hidratava normalmente, diminuindo as idas ao hospital no segundo ano da morte de minha família. Tentei me reerguer, agindo como alguém normal e até arranjei um trabalho na biblioteca perto de minha casa. Era um lugar onde conseguia me manter em pé, não pelo pouco que ganhava, mas sim por estar cercada pelos livros.
Estava andando pelos corredores das estantes, já era de noite e todos já tinham ido, estava apenas eu e uma funcionária. Comecei a olhar uma estante de livros famosos, algo que nunca tinha me interessado, sempre dava lugar aos menos conhecidos, comecei a olhar cada um que me interessava, mas parei ao olhar aquele que tanto conhecia.
Cada linha, cada palavra estava ainda em minha mente e fez minha pulsação aumentar, ergui fracamente meu braço e peguei aquele livro, que já tinha a aparência usada.
“O nosso lar”
Passei o dedo por cima do título em dourado e em alto relevo. Uma lágrima sem permissão desceu por minha bochecha e molhou a capa.
- Rose, fecha pra mim? – perguntei em agonia para ela, que apenas assentiu com compaixão.
Sai agarrada ao livro. Toda minha vida, toda minha felicidade, todo meu amor estava escrito em cada página. O livro em que escrevi como uma biografia de toda a minha vida com James e uma parte de Giulia. Tudo estava naquelas páginas.
A dor que se escondeu durante esse último ano voltou tudo de uma vez enquanto eu olhava seus túmulos. Tudo que tinha segurado, todas as lágrimas, todo sofrimento, toda a dor que tinha guardado para fingir uma vida normal explodiu de minha prisão particular se instalando em cada espaço de meu corpo. Caí de joelhos no chão, não conseguindo mais segurar-me, fiquei no meio dos dois chorando compulsivamente e assim fiquei por horas.
Não sabia que horas eram apenas sei que a lua me deixou, junto com as estrelas, para as nuvens negras me saudarem com águas frias banhando meu corpo inerte na grama do cemitério. Comecei a cantarolar a canção de ninar que cantava pra Giulia, era uma cançãozinha que minha mãe cantava pra mim toda noite. Cantei até a escuridão me pegar e os sonhos tomarem conta me minha consciência. Foram sonhos bons, eu, Giu e James na piscina da casa de minha mãe até que tudo ficou escuro e meu corpo pesado, eu precisava deitar-me e descansar, mas eu já estava fazendo e nada adiantava, até que comecei a recuperar os sentidos.
- Vamos, abra os olhos – sentia mãos tatearem meu rosto, e coisas plugadas em minha pele.
Sentia-me flutuar, sem chão e muito frio, eu queria levantar os olhos e ver o que acontecia ao meu redor, mas eu não conseguia, eles eram muito pesados, e eu muito fraca pra eles.
Eu queria desistir de sentir tudo ao meu redor, estava muito cansada. Depois de muito tentar, consegui abrir meus olhos. Lágrimas saiam deles quando me lembrei de que foi aqui que minha vida tinha acabado.
- Bella – escutei ao meu lado – Bells, maninha – olhei pra Alice que me olhava preocupada – Bells – ela acariciou meu rosto – por que fez isso? Poderia ter morrido minha irmã – disse meio apavorada – sabe o quanto fiquei preocupada com você? Nunca mais faça isso comigo.
- Por que eles e não eu? – disse olhando o nada, as lágrimas agora fluíam silenciosamente – eu não quero mais isso sem eles – ela me abraçou.
- Shiii, não fala assim, aquilo foi um acidente, aconteceu o que teve que acontecer e...
- O que teve que acontecer? Dane-se o que tem que acontecer eu não quero mais essa realidade – disse exasperada, quase gritando – se é destino eu ficar assim, sinto muito, mas eu prefiro morrer do que viver essa vida inútil.
Ela apenas me olhou e me abraçou mais.
- Eu te amo minha irmã, não fala mais isso, eu morro junto com você – chorava desesperada – não fale mais isso, por favor!
Ficamos em silencio chorando durante um bom tempo.
- Eu também te amo Lice – seu celular começou a tocar – pode atender – ela me soltou e foi em direção a sua bolsa.
- Alô – ela atendeu sem nem ao menos ver quem era – oi filha – aquele brilho que eu tinha a cada vez que falava com Giulia, estava agora eu seus olhos, isso fez crescer a dor em meu peito – mas filha, a mamãe está no hospital com sua tia – um vinco de preocupação estava estampado em sua testa – já estou indo, beijos, também te amo – desligou e me olhou preocupada.
- Eu tenho que ir – disse meio tensa, mas com um brilho diferente no olhar.
- O que aconteceu? – perguntei disfarçando a dor que sentia.
- Lexy menstruou – um sorriso involuntário cresceu em sua boca, ao contrário de mim, que a dor crescia.
- Que maravilha – disse tentando demonstrar entusiasmo, mas ela viu em meu rosto que era mentira.
- Eu vou estar sempre aqui, você sabe! – repetiu o que sempre me disse, ela era minha irmã mais velha, e fazia jus ao cargo.
- Eu sei, obrigada, de verdade – abri um falso sorriso – pode ir, eu vou ficar bem – ela me olhou preocupada – vá ficar ao lado de sua filha – ela pensou, mas acabou cedendo, se despediu e se foi.
Beyoncé – Still in love — http://www.youtube.com/watch?v=NU5GGiFK5Bc
Era de madrugada, e tudo estava numa penumbra do hospital, saí da maca e coloquei minhas roupas, consegui sair sem ser notada e fui pra onde eu deveria ter ido há algum tempo e ficado por lá o resto da eternidade.
A ponte da rua de minha casa quando criança era o lugar que sempre temi, por sua altura e aparência sombria, agora se transformou no lugar que mais pretendia estar.
Subi o pequeno muro, ficando em pé em cima dele, olhando o rio negro que passava em baixo, estava tão longe, mas não temi era o que eu queria e o que eu teria.
“Para onde eu estou indo
Não vou precisar dos meus freios
Mal posso esperar para ver seu rosto
Quando as suas janelas se quebrarem
Eu chegarei destruindo tudo”
Fechei meus olhos sentindo a brisa fria cortando meu rosto, tremi, pois meu corpo ainda estava febril, mas a sensação era ótima. Pensei em Giulia e seu lindo rostinho, apareceu sorrindo em minha mente, um sorriso involuntário se abriu no meu.
- Me espera filhinha, a mamãe já está chegando – minhas palavras ecoaram no vento.
Eu estava pronta, iria pular e acabar com todo esse sofrimento, essa vida inútil e deixar minha alma vazia e quebrada vagar até encontrar o lugar onde ficaria inteira, junto de Giu e James.
Quando comecei a inclinar meu corpo pra frente, braços fortes envolveram minha cintura, me puxando pra trás.
- Senhorita Isabella, o que está fazendo? – uma voz masculina familiar, perguntou histérico.
- Me deixa ir, eu quero – falei me debatendo – não quero mais ficar aqui – comecei a chorar.
- Shiii, vai ficar tudo bem – o homem me envolveu em um abraço.
Olhei pra cima pra ter certeza de que era quem eu pensava.
- Não doutor, nada vai ficar bem, nunca! – falei perdendo as forças do corpo, ele me pegou no colo e me levou até um volvo prata, me deixando no lado do passageiro e ajeitando meu cinto de segurança.
Não perguntei nada, apenas chorava e ele tentava me acalmar passando a mão em meu braço, o que me confortava um pouco, mas não o suficiente pra ficar bem.
Chegamos numa casa grande e bonita, duas colunas se localizavam na entrada a deixando robusta, era toda branca com uma sacada em cima da porta e várias janelas, que estavam abertas, fazendo as cortinas igualmente brancas voarem com o vento. O jardim da frente era impecável, com algumas flores, mas nada feminino, apenas muito bem cuidado.
Ele estacionou na garagem, indo rapidamente para meu lado, abrindo a porta e me pegando no colo sem dizer uma palavra.
Não falei nada, apenas deixava minhas lágrimas deslizarem em meu rosto e me permitia sentir a paz que aquele homem irradiava sobre mim.
A casa, por dentro, era com o mesmo estilo de fora, era toda branca e ampla, percebia-se que ali existia muito conforto.
Ele seguiu até a escada, subindo sem esforço algum e me levou até um quarto muito bem arrumado, mas parece que não muito frequentado, e me deitou na cama, dando um beijo em minha testa.
- Me chame se precisar de algo – dizia ainda abaixado – se precisar de um banho, tem roupa feminina no armário e aquela porta é o banheiro – apontou pra porta no outro lado do quarto, depois coçou a nuca parecendo nervoso – boa noite Isabella – falou depois de um longo silencio, quando ele se afastou um pouco, a solidão que me perfurava, aumentou, e num gesto quase involuntário, segurei em seu braço. Ele me olhou surpreso.
- Po-por favor, não me deixe aqui sozinha – gaguejei num sussurro.
Ele não disse nada, só deitou do meu lado, me aninhando em seus braços. Ele fazia carinho em minhas costas, cantarolando uma cançãozinha, que julguei por ser de ninar, e foi o que me ajudou a dormir.
Acordei, ainda era de noite, porque tudo ainda estava escuro e a lua estava linda no céu, era semana de lua cheia e iluminava o quarto, deixando uma penumbra interessante contrastando com o branco do quarto.
Olhei para o doutor, que me tinha aninhada em seus braços, com uma expressão de dor no rosto, não consegui me segurar e acariciei seu rosto, na tentativa de suavizar seu sofrimento, o que fez efeito. Um sorriso lindo abriu em sua boca, um sorriso sem abrir a boca, apenas os lábios fechados, mas foi um sorriso tão lindo que, pela primeira, vez desde a morte de minha família, eu fiquei em paz e sentindo de novo, mas isso durou apenas alguns segundos, mas foi o suficiente pra acalmar minha alma.
Tentei tirar seus braços ao meu redor, pra me levantar, mas quando tentei fazer isso sua carranca sofrida voltou, me apertando junto a ele, mas depois de passar a mão em seu rosto e colocar um travesseiro em meu lugar, que ele tirou o sofrimento de rosto, apertando o travesseiro.
Fui até o banheiro e me olhei no espelho. Era uma visão horrível, meu cabelo estava ressecado pela falta de cuidados, olheiras imperavam meus olhos, pela falta de sono, minhas roupas estavam estragadas e toda minha pele descuidada, tinha emagrecido bastante, deixando meus ossos mais a mostra. Era a visão de uma pessoa doente, mas eu não podia negar que não estava, não fisicamente, mas emocionalmente eu estava em estado vegetativo, morrendo aos poucos.
Cansei da imagem a minha frente, fui até a janela e me sentei na poltrona que estava a sua frente, cobrindo-me com a manta que tinha ali.
A lua me passou calma, paz ao espírito. Ela era a única coisa que me deixava mais viva.
Christina Aguilera – Lift me Up — http://www.youtube.com/watch?v=U_PKY6Lvi6E
Escutei uma movimentação e olhei pra ele, que tinha acordado e estava tateando a cama, ainda sem virar pra mim, e voltei a encarar a lua.
- Eu não sei seu nome – abracei ainda mais minhas pernas.
- Ah – respirou fundo – que susto você me deu – sua respiração pareceu se normalizar – pensei que tinha sumido – vir-me-ei pra ele abrindo um sorriso um pouco forçado.
- Desculpe assustá-lo – me voltei à lua de novo – é que a lua está tão bonita, me da paz – terminei a frase fechando os olhos, sentindo o brilho da lua em minha pele.
- Edward – olhei pra ele em dúvida do que falava – Edward Cullen é o meu nome – sorriu.
- Lindo nome – seu sorriso se abriu mais – acho que você já sabe o meu, não é?
- Isabella Marie Swan Gigandet – falou com firmeza, sem bobear em nenhum sobrenome.
- Uau – fiquei abismada em como ele tinha gravado meu nome inteiro com tanta clareza – co-como sabe? – balancei a cabeça – eu sei que foi você quem... – engoli seco, a dor invadiu meu peito novamente e abaixei a cabeça.
Ele veio até mim e me abraçou. Eu me sentia culpada por deixar algum outro homem me tocar que não fosse James, mas eu não conseguia me afastar, ele conseguia me ajudar a anestesiar as feridas.
Retribui o abraço. Ficamos abraçados durante algum tempo, não sei dizer, mas depois de um tempo ele me pegou no colo, me levando pra cama, me deixando entre as suas pernas, aninhada em seu corpo, me sentia tensa pela aproximação, mas ao mesmo tempo meu corpo pedia por isso, me deixando num conflito com a culpa que me consumia.
- Eu sei como é essa dor – o senti engolir seco – sei exatamente como é – senti meu ombro ficar molhado, olhei pra cima, encontrando seu olhar sofrido e molhado por conta do choro, dessa vez quem o abraçou para consolar fui eu.
- Perdeu alguém que amava? – perguntei baixinho, quando me separei de seus braços para olhar em seus lindos olhos verdes.
- Minha filhinha – respirou fundo, tentando se controlar, mas seu olhar mostrava o desespero e dor que estava sentindo.
- Oh meu Deus – o abracei fortemente, ele sabia de como me sentia muito bem.
Ficamos abraçados um ao outro e acabamos dormindo assim.
Notas finais
eu sei, eu sei que foi triste pela morte dos dois, eu fiquei de luto quando escrevi a parte e pra não me deprimir fiquei quase 1 mês sem escrevê-la novamente para não entrar em depressão.
e aí está nosso lindo e perfeito Edward *---*
boom, o próximo cap eu trago mais rápido se tiver recomendações :D
beeijos, até o próximo cap *-*
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