Empty Soul

4 Capítulo 3 - Perdendo a Alma.


Notas iniciais
um conselho, fiquem com lenços do lado ;x

nos falamos ali em baixo.

Evanescence – Bring me to Life — http://www.youtube.com/watch?v=aezAhZhv7v0

“Conduzindo você até meu interior.
onde eu me tornei tão entorpecido;
Sem uma alma.
Meu espírito dorme em algum lugar frio,
até que você o encontre e o leve de volta pra casa.”

Abri meus olhos e os fechei por conta da claridade que os invadiu. Eu estava em um hospital, mas por quê?

Imagens do que tinha acontecido me preencheram a cabeça, e em nada mais pensei. Arranquei tudo que estava grudado em mim e pulei da maca, a enfermeira tentou me segurar, mas consegui escapar.

- Giulia, James – a enfermeira veio me segurando.

- Calma senhora, não fique nervosa – ela tentava me arrastar de volta pro quarto. Mas puxei meus braços com força e a segurei pelos ombros.

- CADE MINHA FAMÍLIA? – disse a sacudindo – CADE GIULIA E JAMES? Fale-me, por favor – comecei a chorar.

- Calma senhora, eu irei te levar até seu marido e sua filha, mas, por favor, se acalme – ela disse.

- Me diga o numero do quarto – disse a ela.

- Por favor, se... – no nervosismo, catei uma agulha que estava a vista e apontei pra mulher como se fosse uma faca.

- Diga a porra do numero ou eu te mato – disse com os dentes cerrados.

- Seu marido esta no segundo andar, segunda porta a esquerda. E sua filha no centro cirúrgico – ela disse apavorada.

Eu nem pensei duas vezes, sai correndo pra ver meu marido, já que minha filha estava em alguma cirurgia.

Eu chorava, não via mais nada ao meu redor, era tudo um borrão. Será que minha filhinha estava bem? E meu marido? O que estava acontecendo meu Deus? Faça-me acordar desse pesadelo! Como as coisas podem mudar tão radicalmente desse jeito? Uma hora estarmos rindo e na outra numa maca de hospital.

Pessoas me olhavam com espanto, mas eu não me importava. Derrubei várias coisas a minha frente e trombei com muitas enfermeiras e pacientes, eu poderia ser presa, sedada, qualquer coisa, nada mais me importa, só quero ver minha família, só quero ter a certeza de que não estou sozinha.

Cheguei ao quarto e a cena que vi, me fez perder o chão. James respirava fracamente, e seus batimentos estavam fracos também. Fui até ele, depois não enxergava mais nada, as lágrimas tampavam tudo. Peguei em sua mão, caindo de joelhos no chão.

Minha vida, minha alma parecia tão fraca, quanto à saúde de minha filha e meu marido, se algo acontecesse com eles, eu nunca ficaria inteira novamente. Seria como se parte de mim fosse junto.

Um médico entrou no quarto e se assustou ao ver-me ali. Meu estado não era dos melhores, estava além de toda inchada de tanto chorar, estava cheia de curativos e minha cabeça enfaixada.

- Oh – ele soltou um muxoxo – acho melhor a senhora voltar a seu quarto, está muito alterada – ele disse vindo em minha direção, me ajudando a levantar.

- Ele vai ficar bem doutor? – disse entre soluços, enquanto ele segurava em meu cotovelo, um tipo de apoio.

- Tudo vai ficar bem – ele disse olhando o nada, aquilo não me ajudou, nem um pouco.

Sabia que na verdade tudo estava perdido, aquelas palavras escondiam a verdade.

Meu choro se tornou tão intenso, que me corpo convulsionava, o doutor percebeu que meu corpo estava perdendo as forças e passou um braço em minha cintura, me segurando pra não cair.

Num ato desesperado abracei o doutor. Eu me sentia perdida, sem chão. Meu marido estava deitado naquela maca, entre a vida e a morte.

Ele estava tenso, rígido, mas tinha uma mão em minhas costas me reconfortando. Soltei-me dele e me virei pra James segurando sua mão como se fosse minha vida.

- Como está minha filha doutor? – perguntei passando a mão que eu segurava em minha face, lembrando dos carinhos que ele me fazia.

Ele abaixou a cabeça, mas tentou disfarçar e olhou pra mim. Ele iria começar a falar, mas eu o interrompi.

- Diga a verdade doutor, por favor, já que ta tudo se acabando pra mim, é o mínimo que eu mereço – disse ainda de costas pra ele.

- Ela esta ainda no centro cirúrgico, não estamos conseguindo muita coisa – ele disse com cansaço na voz.

- O que aconteceu com meu bebê? – me virei pra ele, sem soltar a mão de James.

- Um dos destroços do carro entrou na parte da barriga, ela esta com uma hemorragia que não estamos conseguindo controlar — seu olhar estava morto olhando pro meu.

- Me deixa vê-la, eu te imploro, eu preciso ver minha menina – eu disse soluçando desesperadamente.

- Me siga – o doutor disse depois de um tempo quieto pensando.

Ele saiu do quarto, eu antes da sair voltei minha atenção pra James.

- Por favor, não me deixe sozinha – disse beijando a palma de sua mão – eu te amo – e soltei indo em direção ao doutor que me esperava na porta.

Seguimos até um corredor longo, minha respiração estava audível de tão alterada que estava. Parecia que estava caminhando no corredor da morte, sem saber o que encontraria no final.

Entramos numa salinha, onde tinha um vidro como janela pra sala de cirurgia. Olhei pra lá e a cena me fez congelar no lugar.

Minha filha estava desacordada, cheia de tubos ligada a seu corpo, e vários médicos mexiam apressadamente em sua região abdominal, que estava ensanguentada.

- Giulia – disse me grudando no vidro – bebê, a mamãe está aqui – disse debilmente – a mamãe te ama muito neném, ela vai estar sempre com você – as convulsões do choro aumentaram.

Rihanna – Cry — http://www.youtube.com/watch?v=rwgXvL9o0QQ

Foi como se Giu só esperasse minhas palavras, porque ao terminar de falar, o aparelho que mostrava seus batimentos cardíacos, transformou os bips, em um único som.

Meu mundo caiu. Coloquei a mão na boca e gritei com todas as minhas forças, caindo de joelhos lentamente.

O médico me segurou pelos ombros, mas não falou nada, apenas tentava me confortar.

Os médicos lá de dentro tentavam reanimá-la, mas tudo parecia em vão. Quando viram que nada mais adiantava, pararam e se olharam com tristeza, se viraram em nossa direção e saíram da sala.

- Me deixe tocar minha filhinha, por favor – disse ao doutor – eu te imploro – puxei a gola de sua camisa para que ele olhasse para mim.

Ele não disse nada, apenas segurou meus cotovelos e me ergueu, passando um braço em volta de mim, segurando fortemente o meu, me guiando pra dentro da sala. Chegando lá ele soltou-me a meu pedido,

Caminhei até a mesa de cirurgia, onde jazia o corpo de minha filha. Cada passo parecia uma faca fincando em meu peito, a dor era insuportável me deixando sem ar, quando cheguei à mesa, minhas mãos criaram vida própria, indo acariciar a face inerte de Giulia.

Sua pele estava um pouco gelada, mas ainda estava macia, como um pêssego, seus olhinhos estavam meio abertos, ela sempre dormiu assim, era uma gracinha, uma gracinha que nunca mais irei ter ao meu lado, nunca mais vou ouvir ou sentir, isso me matava.

- O que eu vou fazer aqui sem você filha – disse baixinho, enquanto estava de joelhos, ficando na mesma altura de sua cabeça – a mamãe quer ir junto com você, não quer ficar mais aqui não, me leva – eu não consegui proferir mais nenhuma palavra, meus soluços não deixavam.

- Senhorita Swan...

- Gigandet – disse sem emoção ao médico, acariciando o cabelo dela, sem nem ao menos desviar meus olhos de seu rosto lindo, agora não mais tão corado – Isabella Gigandet.

- Perdoe-me, é que temos que tira-la daqui – eu assenti.

- Me dê apenas 1 minuto – ele assentiu e saiu da sala.

Analisei todo seu rosto, porque seu lindo corpinho estava todo machucado e eu realmente não queria gravar essa imagem de minha filha.

- Mamãe nunca vai te deixar – passei a mão em seus cabelos – aqui e aqui – apontei pro meu coração e cabeça – você sempre vai estar.

Comecei a cantar sua canção de ninar, enquanto pegava o pano que cobria seu corpo e arrumei como se fosse um cobertor de sua cama. A última vez que a ajeitaria para dormir.

- Por favor, filha – disse baixinho no ouvido dela, quando escutei passos – não me deixe só, mande sinais, apareça em meus sonhos, venha em espírito, qualquer coisa, mas não me deixe só – disse beijando sua testa – eu amo você.

Ao terminar de falar, mãos seguram meus ombros me puxando pra cima, eu tentei me desvencilhar, mas tudo é em vão, porque enquanto eu me debatia, outros a levavam pra longe de mim.

Eu gritava e me remexia, minha visão ficou turva e eu fiquei tonta. Desmaiei, não sei, apenas sei que estava num lugar vazio, assim como metade de mim agora, nada lá tinha sentido. Quem eu era, o que eu era, problemas e tudo ao redor. Nada importava, porque nada disso existia, e era o que eu queria agora.

Acordei com desgosto, mas ao olhar para o lado vi meu marido e todo desgosto fora embora, deixando apenas dor e desespero.

Pulei da maca, derrubando tudo que estava plugado em mim e indo ao lado dele, que estava mais pálido ainda do que da última vez que tinha o visto.

Peguei em sua mão fria e seu monitor aumentou meramente os bips, mas ainda sim estava fraco demais, e diminuía cada vez mais. Eu sabia o que viria a seguir, mas me agarrava ao último fio de esperança que existia em meu ser.

- Não me deixe, eu não aguentaria isso – disse já chorando novamente – eu te amo tanto, mas tanto, que até dói – dizia beijando toda sua mão e a passando em meu rosto – apenas não me deixe sozinha – comecei a acariciar seu rosto e me abaixei dando um beijo em sua bochecha, depois beijando toda sua linda e machucada face.

Quando me ergui, uma chama se acendeu em mim, ao ver seus olhos tão azuis, iguais de Giulia. Uma pequena pressão em minha mão e percebo que ele apertou minha mão com a sua.

- Eu te amo – disse em lagrimas, quase quicando de alegria por ele ter acordado.

Mas minha alegria foi substituída por uma dor maçante, cheguei a perder as forças das pernas, caindo de joelhos soluçando e apertando debilmente o botão da enfermeira.

Seu monitor cardíaco estava num som único, sem pausas, sem mudança de entonação.

Eu levantei e comecei a bater violentamente em seu peito.

- Bate de novo – dizia alto – volta pra mim, por favor – disse caindo em seu tronco – não me deixe – e foi a ultima coisa que disse antes de apagar.

(...)

Evanescence – Anywhere — http://www.youtube.com/watch?v=ZEVIeErWcnU

Borrões, chiados, era tudo que minha mente captava no momento.

Meu ultimo resquício de alma estava sendo estraçalhado e enterrado.

Por que meu Deus? Por que eles e não apenas eu? Por que isso foi acontecer com a gente? Por que eu sou cercada pela morte?

Várias perguntas que jamais conseguiria a resposta, mas nunca iria parar de me perguntar. Principalmente agora, vendo meus bens mais preciosos sendo enterrados em seu funeral.

Estava cansada das pessoas vindo até mim e perguntar se eu estou bem. Como podem ser tão ignorantes a ponto de perguntar isso? Como eu poderia estar bem vendo minha filha e meu marido sendo enterrados? Eu tinha vontade de dar um soco em cada pessoa que vinha me perguntar isso, a única que conseguia estar ao meu lado, sem eu ter vontade de jogar para de baixo da terra, era minha irmã, Alice, que no momento estava me aninhando em seus braços, sem se importar de eu estar molhando toda sua fina roupa com minhas lágrimas.

- Pode chorar minha irmã – ela chorava junto comigo, ela amava demais os dois – eu sei que dói – nós estávamos sentadas na grama, ao lado do mármore da sepultura já fechada. A cerimônia tinha acabado há algum tempo, mas eu não conseguia sair de lá.

Ela tinha se encarregado de não deixar nenhuma imprensa entrar, não queria mais um estorvo pra minha dor.

Alice ficou comigo até o anoitecer, sem reclamar, apenas me confortava com seus braços pequenos. Seu marido, Jasper, e sua filha, Lexy, tinham ido embora logo quando acabou a pedidos dela, ela sabia que eu queria ficar sozinha.

Quando a noite chegou, eu ainda chorava, estava sem forças pra nada. Foi com algum esforço que minha irmã me levantou e me guiou para fora do cemitério me levando até sua casa, ficando comigo na cama comigo até eu adormecer, coisa que ela sempre fazia quando eu tinha pesadelos quando era pequena.

Ela sempre foi como uma mãe pra mim, me protegendo e aconselhando, deve ser por conta de nossa diferença de 8 anos de idade. Na época em que briguei com meus pais e sai de casa, Alice na hora que soube queria me abrigar em sua casa, mas não concordei em ir, pois ela era casada e tinha sua filha pequena, além do mais, já estava morando com James.

James... Giulia. Só de pensar em seus nomes, uma facada em meu coração.

Como conseguiria viver sem eles?

Eu não conseguiria.

Notas finais
então, eu fiquei de luto pela morte dos dois durante um tempinho, é triste, mas foi necessário para a história.

desculpem qualquer fuga da realidade, mas não sou alguém que entende muito sobre acidentes ou hospitais, então já pesso desculpas desde já.

e aaah, um alôoou especial a todas as leitoras novas que estão acompanhando essa história!

PS: com bastante coments e quem sabe recomendações, eu posto beem mais cedo, o próximo cap está prontinho, só falta vocês comentarem.

beeijos em todos vocês !