Luar

Luar incandescente

Que as águas incendeia

Traz a inquietude de sensações

Perturbadoras que arrepiam.

Transtornam o respirar de desejos

Que anseiam saciar-se.

Luminosidade que provoca

Junção simbiótica de vontades.

Raios que evocam suspiros

De inconscientes quereres.

Magia que agita os seres

Desequilibrando os sentidos contidos.

Deleite de olhos extasiados e sentidos

Aguçados sem noção de tempo.

COMO MÚSICA

Nossas peles se arrepiam.

Nossos corpos vibram.

E nossas respirações arpejam

Ao toque de nossas mãos,

Como as cordas do violino.

São as notas do nosso carinho

Compondo a partitura do nosso amor.

O sussurro das nossas vozes,

O bater dos nossos corações,

E o deslizar de nossas mãos,

Hora Suaves, hora intensas.

São acordes em compasso harmônico

Na sinfonia dos nossos corações.

Saudade

A praia... deserta.

Na areia... conchas e estrelas do mar

Disputavam a atenção da Lua.

Ela no céu, observava extasiada

O barquinho sereno por ali ancorado.

E em nada prestava atenção aquele

Que pegadas no fofo chão marcava.

Seguia um destino sem rumo

No seu curso da memória.

Refugiava-se na marcha incerta.

Figura triste do olhar perdido

Na poeira do passado.

O som da brisa tocava os acordes

Da música dedilhada nas

Cordas do instrumento saudade.

Testemunha

Jaz numa ponta de terra

Que invade o mar bravio,

Elevando-se num penhasco

De pedras nuas e escuras,

Com topo coberto de relva verde e

Adornado de flores coloridas,

Um velho farol abandonado e

Feito em ruínas pelo impiedoso tempo.

Suas fortes e robustas paredes

Já abrigaram e sustentaram um

Poderoso facho de luz, que assegurava

Viagem tranquila a viajantes

Desconhecidos, que por ali

Passavam pedindo sua benção e proteção,

Antes de seguirem seus caminhos,

Agora jazem num esqueleto quase vazio.

Seu interior que antes abrigava luz,

Hoje, recebe em seu regaço sombrio

Ninhos diversos que abrigam-se

Nas reentrâncias das suas

Magníficas pedras, que adquirem vida

De tempos em tempos,

A cada ano renovando-se

Num amplo berçário de belas aves.

Local desolado e fascinante em sua singularidade.

Ponto de encontro de garotos desafiadores

Que buscam aventuras para serem contadas.

Refúgio de amantes e apaixonados.

Inspiração para artistas e poetas.

Local de memória e saudades.

De sonhos perdidos e amores vividos.

O farol a todos vigia como testemunha do tempo.

Noites de Luar

Mistérios nas noites de luar,

Luz intrometida que sombras faz pairar

Sobre o chão que se deve cruzar.

Imagem refletida no profundo mar,

Movimentada pela brisa que está a soprar

Sobre os cabelos dos que estão a contemplar.

Inspiração para os que estão a sonhar,

Memórias suscita ao que acabou de se apaixonar,

Ou aquele que faz muito, aprendeu a amar.

No silêncio ermo que em profusão enche o ar,

Ou no tumulto citadino que não nota seu clarear,

Presencia segredos o descarado luar.

Superação...

Capacidade de vencer a si mesmo;

De fazer novo o errado;

De melhorar o que ficou mal acabado;

De preencher os espaços vazios;

De desafiar-se a realizar o improvável.

Chegar aonde não poderia;

Encarar os medos;

Vencer os obstáculos;

Ser feliz, quando tudo diz o contrário.

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