Emoções Perigosas
3 Capítulo 3
Três dias depois, numa sexta-feira chuvosa, Elena chegava à casa grande do Lago Lanier. Era uma bela construção de pedra e madeira, cercada por um bonito jardim que começava a florir. No outro extremo do gramado bem-cuidado ficava o atracadouro de barcos e a enseada, com uma pequena praia particular.
Elena imaginou que tudo aquilo deveria ser ainda mais lindo num dia de sol. Mal podia esperar para ver.
Tocou a campainha e uma mulher pequena, num uniforme de algodão, apareceu.
– Sou Tilly — ela se apresentou. — A senhorita deve ser a moça que a senhora Salvatore está esperando. Por favor, em diga.
Assim que entraram, Elena ouviu o ruído de passos apressados e notou uma garotinha de cabelos e olhos escuros descendo a escada.
– Olá, sou Elena Sommers — apresentou-se deixando o sobrenome do pai de lado e trocando pelo da mãe.
A menina a encarou muito séria.
– Olá.
– Esta casa é uma beleza — Elena falou. — Você mora aqui com a senhora Salvatore?
– Ela é a minha vó.
– Por aqui, senhorita. — Tilly chamou.
– Oh, desculpe-me — Elena respondeu.
A seguir piscou um olho para a garota e foi atrás da empregada.
Edna Salvatore ela alta, magra, grisalha e tinha olhos muito brilhantes.
– Você deve ser Elena, estou contente que esteja aqui. Simplesmente não posso pesquisar e escrever ao mesmo tempo. O que sabe a respeito dos Plantagenetas e dos Tudor?
Elena conteve a risada.
– Na realidade, quase tudo. Os reis ingleses sempre me fascinaram. Trouxe meus livros de História e poderei encontrar qualquer coisa que a senhora quiser.
– Perfeito — Edna exclamou.
– Ela vai morar aqui? — uma vozinha interrompeu — as da porta.
Elena virou-se e observou a menina parada na entrada da sala. Ela vestia uma saia de pregas marrom, meias três quartos e sapatos fechados. Parecia demasiadamente formal para a sua idade.
– Sim — a avó respondeu. — Entre, Amanda. Quero que conheça a senhorita Elena Sommers. Ela vai me ajudar nas pesquisas para meu novo livro.
– Ela já me disse seu nome. — Amanda comentou.
– Mas você não me disse o seu — Elena falou. — Sabia que Amanda quer dizer "merecedora do amor"? Era o nome da minha mãe.
Os olhos da criança se arregalaram. — Verdade? — Em seguida uma sombra de tristeza escureceu aquele rostinho bonito. — Minha mãe morreu.
– A minha também — Elena disse com simpatia — Mas você tem sua avó.
Amanda inclinou a cabeça e estudou a recém-chegada.
Elena vestia um jeans, blusão de moletom e um vibrante poncho mexicano muito colorido, brilhante e um pouco ousado.
– Que poncho bonito. Parece um arco-íris. — Amanda observou.
– Um amigo trouxe-o para mim, do México — Elena disse. Na realidade, foi ela que comprou no México. Só que não podia deixar que soubessem como já tinha viajado. — Pode usá-lo, se quiser.
Amanda fez uma careta.
Papai não deixaria — resmungou. — Ele nem permite que eu use jeans.
"Papai" deve ser bem estranho, Elena pensou.
– Meu filho é banqueiro — Edna contou. — Damon é tudo o que eu tenho. A esposa faleceu há alguns anos e a partir daí ele se tornou um homem um tanto taciturno.
Que maneira estranha de falar, Elena pensou, enquanto Tilly servia bolo e café/
Edna não havia mencionado o nome da nora, e o tal filho parecia aterrador. Ficou contente que ele não morasse na casa. Por um momento, temeu que seu pai estivesse bancado o cupido de novo, mas descartou a ideia. Damon Salvatore, provavelmente era uma nova versão do Conde Drácula. Pelo menos o que diziam dele dava a impressão.
As duas mulheres passaram uma tarde agradável conhecendo-se melhor. Amanda ficou com ela e Elena sentiu uma afeição espontânea pela garota. Lembrava-se do tempo em que também era um menina solitária, quando, após a morte de sua mãe, seu pai resolvera se enterrar no trabalho e não dispunha de tempo para ela. Talvez esse também era o problema de Amanda.
Depois do jantar, foi para o quarto e ficou encantada com o que viu. A janela dava para o lago e a mobília era toda estilo provença. Elena se sentiu confiante de que poderia provar ao pai que conseguiria viver sem a fortuna dele.
Suspirou e afastou o pai de seus pensamentos, mas não conseguiu adormecer. Talvez fosse culpa do novo ambiente ou da tempestade lá fora. Levantou-se da cama, resolvida a tomar um copo de leite. Um bebida certamente a ajudaria a dormir.
Fora do quarto, o corredor estava escuro como breu. Já devia passar da meia-noite e o resto do pessoal da casa estava dormindo. De vez em quando, um raio rompia a escuridão. E foi durante uma dessas explosões que Elena correu escada abaixo e, ao virar-se no corredor, chocou-se com uma enorme barreira.
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