Notas iniciais
Bom, espero que gostem c:

O cruzeiro Sea Spirit é a embarcação mais conhecida em todo o Reino Unido, grupos musicais famosos são a atração principal e alguns talentos ainda não conhecidos tentam agradar ao público com seus timbres, instrumentos e danças.

POV. Caroline
– Eu sou ou não sou a melhor empresária do mundo?
– O que foi, criatura de Deus?
– Olha o que eu consegui! – balancei as credenciais, ou melhor, as esfreguei na cara de Erica.
– E por qual motivo credenciais a tornam uma ótima empresária?
– Sorte sua que canta bem, pois se dependesse da inteligência, seria uma mendiga e moraria em baixo da ponte.
– Obrigada pela consideração. Mas o que é isso?
– É um animal mesmo! – murmurei para mim mesma – Você vai se apresentar no Sea Spirit e vamos ter todas as despesas pagas.
– E por que "vamos"? A estrela aqui sou eu!
– Porque sou sua empresária e fui eu quem te coloquei lá, aliás, se você tem algum reconhecimento é graças a mim!
– Desculpe Senhora "Eu sou a melhor empresária do mundo" – Erica disse rindo – Quando embarcamos?

POV. Anni
– Gente incompetente é o que há! – gritei exaltada.
– Que culpa eu tenho se eles te recusaram porque não tem talento?
– Talento eu tenho, o que eu não tenho é um boa empresária que deixou pra mandar o vídeo no último dia. Provavelmente eles já montaram a agenda inteira.
– Eu fiz o máximo que pude! E consegui isso – Manuella jogou os convites VIP em cima da mesa.
Ela havia conseguido entradas para o Sea Spirit, mas somente como turista e não como artista em si.
– Isso até eu conseguiria. Sai daqui agora, a propósito, está demitida! – A raiva me consumiu.
– Mas... – Manuella tentou argumentar.
– "Mas" nada. E deixa um convite, é meu! – A repreendi quando percebi que ela iria guardar os dois na bolsa.

POV. Caroline
Chegamos ao cruzeiro e percebemos o quanto ele é lindo.
– Meu Deus! – Ca disse pausadamente.
– É o cruzeiro mais lindo que eu já estive! – eu disse boquiaberta.
– É o único cruzeiro que eu já estive – ela rebateu. – E o pior é que na maioria do tempo vamos trabalhar, sem poder aproveitar nada.
– É verdade... – olhei no relógio – E por falar nisso, vamos logo, precisamos ir checar os equipamentos e blá blá blá – disse arrastando Ca para que andasse, ou melhor, corresse comigo.
Deixamos nossas malas de qualquer jeito na cabine que dividiríamos e fomos até o local da apresentação.
O palco principal era redondo e alto, ficava na extremidade do salão, que era lotado de mesas e cadeiras acolchoadas, perto da parede da direita havia um grande piano de cauda branco, e do lado esquerdo, um bar com o formato de semicírculo, com banquinhos perto da bancada.
Tudo extremamente arrumado, e vazio. Alguns funcionários andavam de um lado para o outro carregando alguma coisa.
Subi no palco e fui em direção as cochias, com Ca em meu encalço, lá uma garota com uma prancheta veio em nossa direção.
– Vocês não podem entrar aqui, só o pessoal autorizado.
– Mas eu vou me apresentar aqui, e queria checar o local – Ca disse.
– Ah, então me desculpe. Qual é o seu nome?
– Erica Lencina.
Ela checou alguma coisa na prancheta e se virou para mim.
– E o seu?
– Eu não vou estar aí na lista. Sou a empresária – sorri.
Eu adorava falar aquilo, me dava um ar de importância.

POV. Anni
Embarquei no Sea Spirit feliz, aquele cruzeiro era enorme. Com uma mochila em minhas costas e a capa do violão segura na mão procurei minha cabine. 18A. Sorri satisfeita e passei o cartão-chave em seu devido lugar, destrancando a fechadura.
O quarto era incrível, toda sua decoração era em tons de azul. Tinha uma cama de solteiro, onde minhas malas se encontravam, em volta dessa havia diversas prateleiras profundas, um guarda-roupa, um frigobar e uma escrivaninha ocupavam uma parede, e na restante tinha um grande um espelho e uma porta, que julguei ser do banheiro.
Coloquei minhas malas no chão, e sentei na cama. Abri um zíper e retirei meu violão de dentro da capa.
Dedilhei algumas cordas e soltei um suspiro pesado.
Talvez se eu fosse atrás de algum dos organizadores, conseguiria me apresentar, nem que fosse com outras pessoas. Talvez. Minha vida estava cheia deles.
Guardei novamente meu violão, peguei uma palheta em minha caixinha de palhetas em forma de osso de cachorro e a coloquei no bolso de trás da calça jeans. Peguei o cartão-chave e fui atrás de meu sonho.
Subi algumas escadas, andei por alguns corredores e cheguei a um salão com um piano de cauda, um bar e um palco. Subi uma escada em sua lateral e entrei no meio das cochias.
Três garotas conversavam, uma delas usava um uniforme e segurava uma prancheta. As outras duas passaram por mim e eu tive certeza de que conhecia uma delas, balancei a cabeça impedindo que pensamentos desse tipo não me deixassem me focar em meu objetivo. Fui até a garota de uniforme.
– Com licença. – ela assentiu com a cabeça, me encorajando a continuar a falar – Eu sou Anni Ceola, e queria muito me apresentar, mas...
– Desculpe garota, a agenda está lotada. Tente no próximo ano.
– E se eu tocasse pra você. Deixe-me pelo menos tentar – argumentei já tirando meu violão da capa e dedilhando algumas notas.
– A agenda está lotada. Nem se eu quisesse poderia te colocar pra tocar, e olha que eu queria. Com certeza é mais legal que o outro cara.
Ela sorriu e eu percebi que se pudesse, me encaixaria em algum show, qualquer um.
– Bom, de qualquer forma. Se acontecer alguma coisa. Qual é o seu nome mesmo?
– Anni – ela fez uma pequena anotação na prancheta.
– Prazer, eu sou Beatrice. Se precisar de uma amiga, ou qualquer coisa. Procure-me, Anni. – ela me entregou um cartão preto.
Esse poderia ser o começo de uma amizade, afinal quem eu conhecia que estava naquele cruzeiro, fora Manuella?

POV. Niall
Mal entrei na grande cabine que dividiria com Liam e Zayn e já me joguei na cama. Estiquei meu corpo o máximo possível me espreguiçando e bocejando.
– Estou com fome – murmurei, agora me sentando.
– Agora me diga uma novidade – Zayn disse e eu tive certeza de que ele estava sorrindo – Vamos procurar alguma coisa para comer, duende.
Zayn se levantou e foi em direção ao pequeno frigobar.
– Vejamos. Temos água, refrigerantes e cerveja – Fez uma pausa e olhou em direção a um armário – Também tem chocolates e salgadinhos.
– Tem doritos?
– Tem.
– Manda pra cá!
Zayn pegou o pacote e me entregou, que prontamente abri e coloquei um três na boca de uma vez só.
– Como você consegue comer isso? É nojento! – Louis disse, adentrando o quarto com Harry em seu encalço.
– Comoo você não consegue gostar disso? – rebati.
Liam mexia em seu celular.
– Temos um pequeno problema.

POV. Erica
Eu estava olhando o palco com Carol. Parecia um lugar legal, era um lugar legal.
Ouvia tudo atentamente, então escutei uma conversa vinda da cochia. Era feio ficar ouvindo coisas, e eu nem estava entendendo nada mesmo. Ouvia duas vozes conhecidas conversando com poucas palavras, depois algumas notas de um violão. Uma das vozes era da organizadora com quem eu conversei à pouco. Mas era a outra que me intrigava, eu a conhecia. Tentei ouvir mais atentamente e ouvi o que queria, o nome dela era Anni. Anni. Claro, como não me lembrei antes?
Esperei a garota aparecer em meu campo de visão.
– Anni? – perguntei.
A garota me olhou com a testa franzida, ela havia mudado desde os dois anos que não a via, estava mais alta, com mais corpo, porém as mesmas feições meigas de sempre.
Ela arregalou os olhos e depois sorriu, se aproximando.
– Ca? Nossa, quanto tempo. Pensei que nunca mais te veria.
Ela me abraçou.
Anni costumava ser minha melhor amiga. Costumava ser. Que coisa estranha de se dizer. Ela e eu estudamos juntas a maior parte da vida, caíamos na mesma sala todos os anos, os mesmos professores não nos aguentávamos mais juntas, então nos formamos. Fizemos promessas de que íamos manter contato e continuar nos vendo. Claro que mantivemos esse contato, por quase duas semanas. As conversas foram se tornando menos frequentes, marcávamos de sair, mas não saíamos, nos encontrávamos eventualmente em festas, mas não tínhamos assunto e fizemos novos amigos, eu conheci Carol na faculdade de artes plásticas, e Anni começou a andar com Manuella, quando viraram tão amigas eu não sei, só sei que não suportava aquela garota com todas as minhas forças, e da última vez que eu e Anni nos encontramos, há uns dois anos, elas estavam juntas, então nem as dirigi a palavra.
– Como estão as coisas? – ela perguntou, com um sorriso enorme em seu rosto.
– Estão ótimas, e como você está?
– Mesma normalidade de sempre. Terminei aquele curso de violão agora sou quase uma profissional. Mas descobri que Manuella é uma péssima empresária e não conseguiu pra mim uma chance de me apresentar aqui.
– Ca não pode dizer o mesmo. A empresária dela é ótima – Carol se aproximou e estendeu a mão para Anni, que a apertou. – Sou Caroline.
– Ótima e modesta.
Revirei os olhos.
– Ah, obrigada Ca. Eu sei que você me ama.
– Carol.
– Sim?
– Cale a boca.
– Então, Ca. Seguiu seu sonho? Sempre disse que você tem uma boa voz – Anni colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e mudou a capa do violão de mão.
– É, e parece que eu tirei a sorte grande nesse quesito.
– Caroline! – ouvi alguém chamar e Carol se virar.
– Se me dão licença.
Ela foi em direção à organizadora, Beatrice, com quem falamos mais cedo.

POV. Louis
Os garotos e eu estamos sentados em volta de uma mesa, Liam havia recebido uma mensagem e estávamos com um pequeno problema. Pequeno mesmo, seria fácil de resolvê-lo. O cara que ia tocar conosco tinha machucado a mão, mas não precisávamos criar pânico. Niall toca violão, mas pergunte se eles me ouvem. Não, não ouvem.
Estamos esperando a organizadora aparecer, ela fora buscar a empresária de uma garota que também se apresentaria com o auxilio do cara.
Logo vi duas garotas vindas em nossa direção. Uma delas usava um uniforme azul, branco e vermelho e segurava uma prancheta. A outra parecia estava com uma roupa mil vezes mais confortável, short jeans, uma blusa e um tênis. Sou um homem, e não é preciso ser um gênio para saber que tênis é muito melhor que salto alto.
As duas se aproximaram e puxaram uma cadeira cada uma, se sentando.
– Eu sou Beatrice, falei com algum de vocês por telefone – a de uniforme sorriu.
Tentei assimilar as coisas. Telefone. Uniforme. Prancheta. Ela com certeza era a organizadora. O que me fez pensar que a outra garota era a empresária. Ela tinha uma expressão neutra, porém divertida no rosto.
– Falou comigo – Liam disse – Então, como eu lhe expliquei, ele machucou a mão e não vai poder tocar, ele nem está a bordo.
– Eu tenho uma pergunta – a empresária disse, com uma voz calma.
– Diga Carol – Beatrice sorriu.
– O que Ca e eu temos a ver com isso?
– Ele ia tocar com ela na apresentação.
– Hum.
– Alguma ideia de como podemos resolver isso? – Zayn perguntou.
– Niall pode tocar – falei, já sabendo que iriam ignorar a proposta.
– Pelo amor de Deus. Quem é Niall? – Carol perguntou.
– Eu sou Niall!
– Obrigada. Agora estou menos confusa – ela usou um tom de voz tão irônico, que acabaria com a graça de qualquer um.
Mas não com a minha, não consegui segurar uma pequena risada.
– O que foi? – ela me encarou. Seus olhos brilhantes me fitavam curiosa.
– Nada, você é engraçada.
Observei atentamente cada movimento seu, suas sobrancelhas se uniram e ainda me olhava fixamente nos olhos.
– Obrigada... Eu acho.
– NOSSA! Como não pensei nisso antes? – Beatrice disse alto de repente, batendo a mão na testa.
– O que foi? – Harry perguntou.
– Eu já sei quem pode tocar.
– Quem? – perguntamos em uníssono.
– Anni! – disse por fim.
Pelo visto, só ela e Carol conheciam essa tal Anni.
– Você já a ouviu tocar? – a segunda perguntou.
– Algumas notas apenas.
– E como pode ter certeza de que sabe tocar? – Niall perguntou.
– Não tenho certeza. Mas podemos tentar.
Beatrice se levantou.
– Eu vou procurá-la – e saiu.
Carol não se mexeu. Continuou lá sentada entre Liam e uma cadeira vazia. Todos nós a olhávamos com interesse.
– Estão incomodados com minha presença não é? – ela apoiou os braços nas laterais da cadeira, fazendo menção de se levantar também.
– Relaxa aí, Carol. Pode ficar – Niall disse – Vamos comer alguma coisa?
A garota deu os ombros e apoiou os braços na mesa.
– Comer seria ótimo.

Notas finais
RUIM? MUITO RUIM? REVIEWS, SE PUDEREM ♥