Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados

31 Capítulo 31: Desculpas em diferentes formas e tamanhos


Notas iniciais
SAD CHAPTER, weee S2 ENTÃO, já qe estamos nessa onde de "Jesus Leto cortou o cabelo", "olha o Jared de Coringa!" vms por uma musica do 30 Seconds, vlw? (~mentira, é pq todo dia eu tenho qe olhar pro Jared gigante na minha parede. Os olhos dele segem pelo qarto, sério msm e.e) A música do cap chama-se The Kill, da banda 30 Seconds To Mars. Você pode encontrá-la aqui: https://www.youtube.com/watch?v=8yvGCAvOAfM com o clipe bem maneiro (~e emo). E SE VC N LEMBRA QEM SÃO ESSES EMOS e na sua memória eles só parecem "tudo igal e franjudo' eu fiz um negócio bem negócio e lecau tentando dar um help. Acesse: http://tassi-viebrantz.blogspot.com.br/2015/02/fichas-de-emo-coes-relembrando-os.html e veja se ajuda! Revisado por ~AndyYumi Boa leitura ~

– Hey... Você deve ser o Bryan – a moça loira que mais parecia uma modelo disse um tanto sem graça, fugindo do meu olhar e sorrindo mais que o normal.

– E você é...?

– Louise – ela respondeu com aquele grande sorriso idiota, parecendo ainda mais sem jeito. Ótimo, ela tem um bom nome francês. – Prazer.

– Prazer... – murmurei tão baixo que nem eu mesmo escutei direito. Minha animação neste momento está em números negativos.

Desviei o olhar da moça para qualquer coisa que não fosse ela. Encima da mesa estava aberto o meu pote de sorvete de chocolate e minhas bolachinhas de chocolate. Respirei fundo muito lentamente, tentando reunir a calma que eu não tinha.

– Você está comendo meu sorvete e minhas bolachas – disse em um tom mais amargo do que gostaria. Apenas saiu daquela forma.

– Ah... Eu não sabia – ela disse com aquele tom penoso que fez com que eu quase tivesse pena dela... Quase, se não fosse aquele meu maldito sorvete de chocolate com as minhas malditas bolachas de chocolate. Deu para perceber que eu gosto de chocolate. – Eu vou guardar de volta...

– Você acha mesmo que eu vou querer comer a sua baba? O meu pai pode querer, mas eu não, obrigado – retruquei sem pensar nem ao menos uma vez antes. Foi automático. Não é como se eu quisesse, realmente, ser grosseiro com ela, é apenas que... Eu quero ser grosseiro com ela. Sei que não faz sentido...

Louise praticamente largou recuou perante minhas palavras, correndo para próximo do sorvete e das bolachas para guardá-los. O quão preconceituoso de minha parte seria dizer que ela é a típica “modelo sem cérebro”? Afinal, eu deveria ser a última pessoa do mundo a ter preconceito com alguma coisa... Entretanto ela compreende exatamente o estereótipo modelo... E é ignorante, porque eu disse que não comeria sua baba.

– Desculpe. Eu não sabia que era seu... Michael apenas me disse para comer o que quisesse...

As desculpas de Louise deveriam servir para me acalmar, porém tudo o que fizeram foi piorar a situação. Porque a culpa é do meu pai... Ele fora quem permitira que ela pegasse o que era meu. Não estou sendo injusto, era meu e eu não gosto que mexam no que me pertence.

De repente o silêncio desconfortável que se instalara entre nós fora interrompido pelo barulho de passos descendo a escada. Obviamente era meu pai. Apenas me virei de frente para a porta, de costas para Louise, esperando pela sua entrada...

– Louise, estarei te levando de volta para... – sua frase morrera assim que seu olhar cruzara com o meu. Uma expressão de choque que eu nem lembro em já tê-la visto em minha curta vida. Se não fosse uma situação séria eu poderia até mesmo ter rido. – Bryan... O que estás fazendo aqui?

Entreabri os lábios com o choque da pergunta. Eu estou sendo expulso de casa... De novo?! É sério?! Como assim “o que estás fazendo aqui”?!

Após alguns segundos com ambos em estado de choque eu apenas balancei a cabeça de um lado para o outro, sentindo cada segundo pesar ainda mais.

– Eu não sei... – murmurei ouvindo a minha própria voz quebrar. – Eu acho que eu apenas... Eu apenas queria ir pra casa... Agora eu sei que não deveria ter vindo – expliquei pensando com sinceridade. Eu não deveria ter vindo, deveria apenas ter aceitado que meu pai não me atendeu e ligar em outro momento, porém ao falar percebi o quanto minha voz soava muito mais magoada do que era minha intenção...

Meu pai não aguentou permanecer me encarando por um tempo longo demais e oscilou para trás de mim, onde aquela... Moça estava. Aproveitei a chance para sair literalmente correndo de lá, já sentindo meus olhos começarem a arder.

– Bryan...! Bryan! – ainda o ouvi gritar atrás de mim, chamando meu nome. Era um mau sinal porque meu pai odeia gritos...

Bati a porta de meu quarto, olhando desesperadamente ao redor, sem saber o que fazer. Não quero ser um idiota, não quero tomar decisões precipitadas, porém... As lágrimas começaram a escorrer, logo me apressei a tentar secar com as costas das mãos. Porém ele me deixou... Nós brigamos e meu pai estava mais interessado em cuidar da sua namoradinha do que atender a minha ligação...

Eu odeio isto. Odeio me sentir assim, trocado, traído... Odeio estas emoções malditas que sempre surgem, me colocando para baixo...

Fora uma questão de pouquíssimos minutos até que houvesse uma batida na minha porta.

– Bryan...

– Me deixa. Vai cuidar da sua namoradinha! – respondi com veneno escorrendo pela voz, trêmula pelo choro. Fora uma mentira porque a última coisa que eu queria era que ele fosse embora.

Meu pai me ignorou (felizmente), porque no segundo seguinte estava abrindo a porta e dando dois passos para dentro do quarto. Passei meus braços na frente do meu próprio corpo, me sentindo pequeno enquanto ele me encarava parecendo... Envergonhado, chateado... Minha visão embaçou por conta das lágrimas.

– Sai... – tentei fazer parecer com uma ordem, porém tudo o que saíra fora um pedido baixinho e magoado.

Ele suspirou, batendo as mãos nas próprias pernas antes de se virar de costas. Por um segundo eu realmente achei que ele fosse sair e meu coração apertou, porém ele apenas fechara a porta antes de virar novamente de frente para mim, desta vez vindo ao meu encontro.

– Bryan...

– Por que faz isso comigo...? – tentei questionar, sendo interrompido por um soluço causado pelo choro.

Seus braços me rodearam em um abraço apertado que, é claro, eu retribuí, apertando-o de volta e escondendo meu rosto no seu peito. Abracei seu corpo com força, como se fosse meu e só meu. Outra pessoa não pode ter o carinho dele...

A verdade é que meu problema não é a existência de Louise em si. Não é o fato de ele ter uma namorada que me incomoda, mas, sim, dele não ter me contado... Ele a escondeu de mim, me trocou por ela e ainda sim é rígido em meu próprio relacionamento. Ele não me conta o dele, mas se vê no direito de fazer o que bem entende no meu...

– Desculpe filho... – ele pediu em um tom calmo, o que, devo admitir, abrandou meu choro. – Venha aqui... – ele chamou enquanto se separava, recuando até sentar na beirada da minha cama.

Aproximei-me como pedira, fungando pelo pouco de choro que ainda havia. A primeira coisa que ele fez fora tocar em meu rosto, esfregando os polegares nas minhas bochechas.

– Veja, eu sei que não queres saber de Louise...

– Meu problema não é ela, mas que você me trocou... Se intrometeu no meu relacionamento, brigamos por causa disso e quando eu tento arrumar... Você me ignorou porque estava com ela – expliquei um tanto receoso de que pudéssemos começar uma briga por isto.

Meu pai me encarou por alguns segundos, ainda com a palma encaixada em meu rosto antes de suspirar.

– Eu sei e eu estava errado. Desculpe filho... Não chore, ok? – ele pedira de forma doce, com o qual fez meu choro parar completamente. Maneei a cabeça em um sinal afirmativo, demonstrando que havia entendido. – Eu sei que foi errado, mas apenas... Nada nem ninguém jamais irá te substituir. Tu és minha vida, Bryan, e por isso eu quero te proteger de tudo...

Concordei novamente, avançando para abraçá-lo, mesmo que a nossa diferença de altura estivesse trocada por ele estar sentado e eu de pé.

– Desculpe o escândalo...

– Tudo bem. Agora me deixe levar Louise para a casa dela e quando voltar nós conversamos, okay?

Concordei, beijando suavemente sua bochecha de barba rala antes de me afastar, permitindo que ele se levantasse.

Eu não sei direito quem é Louise ou o que ela pode significar... Mas eu sei que ela jamais significará mais do que eu na vida de meu pai...

– Agora eu preciso

.

– Você vai lá... – tentei mais uma vez, puxando Luke levemente pela mão, apenas pela intenção do movimento, pois não queria puxar com mais força e correr o risco de machucá-lo.

– Não, eu não vou mais lá...

– Hey! O que aconteceu com o nosso Luke fodão o qual diz tudo na cara e vai atrás do que quer? – incentivou Matheus, sorrindo enquanto segurava a outra mão de Luke. Não parecia ajudar, embora, pois o olhar claro de Luke mantinha aquele mesmo pânico estampado.

– Vocês não ouviram o que ele me disse na ultima vez... – Luke respondera com os olhos magoados, como se estivesse prestes a chorar. Seu cabelo completamente preto ainda parece um pouco estranho, sem a franja azul ou mechas coloridas, entretanto isto não significa que não combine com ele, pelo contrário. Luke parece muito mais... Fofo e inofensivo com a franja completamente escura caindo-lhe nos olhos claros entristecidos e pele pálida. Tão inofensivo... Dá vontade de abraçar e proteger, mesmo Luke sendo mais alto que eu.

– Ele não vai te machucar, Luke. Se ele gritar com você ou dizer algo muito ruim nós vamos nos intrometer, ok? – tentara Matheus, recebendo um olhar suplicante em resposta.

– “Algo muito ruim”...? – Luke repetira naquele mesmo tom choroso. Se eu fosse Matheus já teria cedido.

– O Bryan vai lá falar com ele e depois você entra, pode ser?

Voltei-me assustado para Matheus, prestes a xingá-lo. Eu realmente não quero entrar naquela sala de aula e “preparar terreno” com o professor mais sexy da história sobre a queda que meu melhor amigo tem por ele, entretanto mordi a parte interna da minha bochecha antes que qualquer palavra deixasse meus lábios. Se fosse fazer com que Luke parasse de se automutilar então sim, eu farei.

Luke me fitara, aguardando por uma resposta minha. Dei um sorriso meio torto, pouco confortável, apenas para confirmar de que sim, eu faria aquilo por ele. Durante alguns segundos ele pareceu considerar, sem gritos, sem recusas... Senti uma cotovelada em minhas costelas, vinda de Matheus. Interpretei como um sinal para fazer algo antes que ele mudasse de ideia.

– Certo, um minuto e já volto – informei rapidamente, sem dar tempo para réplicas enquanto abria a porta da sala de artes e adentrava, deixando-a entreaberta atrás de mim.

Não muito diferente de uma sala normal, apenas muito mais... Criativa, com esculturas, argila, desenhos, quadros... Por todos os lados. Algumas classes, inclusive uma maior onde o professor Rafael se encontrava sentado, com uma pilha de folhas desenhadas na sua frente. Provavelmente estava “corrigindo-os” (se é que é possível corrigir uma obra de arte).

Assim que adentrei a sala sua cabeça levantara-se. O olhar disparando na minha direção.

– Bom dia, Bryan. Ao que devo à honra da visita?

– Bem... O senhor disse que eu poderia vir vê-lo caso tivesse algum problema... – comecei de repente acanhado com a sua presença intimidadora e superior. Não que ele aja de tal forma, como se eu fosse inferior, é mais algo natural. Porque ele é um professor... E inteligente... E lindo... E bissexual... E protege eu e meus amigos... Uma combinação de tudo isto.

– Claro, contando que não me chame mais de “senhor”. Estamos fora da sala de aula e eu não sou tão velho assim – ele brincara, sorrindo simpático. – Sente-se – oferecera em um tom ameno, demonstrando-se não estar arrependido de sua oferta para com problemas.

Assenti e sentei na cadeira a sua frente, do outro lado da mesa.

– E então, problemas familiares...? – professor Rafael arriscara, fitando-me com seus olhos claros. Um pouco incomodo, mas, obviamente, é a sua aura natural de autoridade e beleza.

Pensei por um momento. Para ser sincero eu não sei o que vim falar. O que eu deveria dizer? “Oi, o Luke quer se matar e boa parte da culpa é sua. Ele vai vir falar com você, então, por favor, seja legal e não o maltrate.” Creio que Luke não ficaria nada satisfeito...

– Não... Na verdade é com um amigo. Ele... Está passando por momentos difíceis e tem se machucado de propósito. Tenho medo que ele possa tentar se matar, mas eu não sei o que dizer para ele... – expliquei vagamente, parando ao perceber que o professor havia ficado tenso de repente. A postura rígida, lábios levemente entreabertos e olhos arregalados, com uma expressão de choque no rosto.

Alguns segundos inconfortáveis seguiram-se.

– Por favor, me diga que não é o Luke... – ele murmurara atônito. Parece que eu passei bem o recado...

– Sim, é ele mesmo...! – respondi fingindo estar surpreso por ele reconhecer tão rápido. – Será que o senh... Você poderia falar com ele? Eu e os garotos estamos bem preocupados...

O professor parecia ainda muito chocado para reagir. Senti esta sensação estranha... De que ele sabia de algo mais... Talvez para além daquilo que Luke havia nos contado...? Demoraram alguns longos segundos até que ele finalmente tivesse uma reação, ainda que lenta, balançando a cabeça em sinal afirmativo.

– Ah, certo. Vou chamá-lo! – respondi rapidamente, me levantando e rumando até a porta antes que ele pudesse mudar de ideia. Parece que ambos sabem que esta conversa não vai dar muito certo...

Cheguei à porta e abri-a, mais do que apenas a fresta a qual havia deixado.

– Luke, sua vez.

Luke agitara-se de repente, tentando virar as costas e sair correndo, porém Matheus fora mais rápido, segurando sua mão.

– Vamos lá, Luke! Ele não está brabo, está, Bryan?

– Não, ele não está. Só quer conversar com você, Luke – concordei com Matheus. Luke, por outro lado, não parecia satisfeito, ainda sim se permitira (ou não notara) que Matheus seguisse o puxando pela mão para dentro da sala de aula.

Quando ele se dera por conta já era tarde demais: Luke estava dentro da sala de aula e quando fez menção de sair correndo Matheus bloqueou seu caminho.

– Coragem, Luke! Prometo que eu e o Bryan vamos estar aqui por você o tempo todo – Matheus prometeu e era verdade, nós nos mantivemos do lado de fora. Devo admitir que não era apenas por Luke, mas também por uma enorme curiosidade correndo em nossas veias.

Assim que o professor viera para próximo da porta Luke rapidamente fora parar do outro lado da sala, de frente para nós, os braços vestidos com um moletom listrado, branco e cinza, cruzados na frente do corpo, como se estivesse tentando se proteger.

Luke fitou o professor Rafael por detrás da sua franja.

E se eu quisesse quebrar?
Rir de tudo na sua cara
O que você faria?
(oh oh oh oh)

– Não foi minha ideia estar aqui... – Luke murmurara em um resquício de voz, parecendo tentar se defender.

– Eu sei...

Rafael avançou um passo, o qual Luke prontamente recuara.

– Não fuja Luke. Eu quero... – nosso professor fizera uma pausa, passando uma mão pelo caminho nervosamente, seguido de um suspiro. –... Eu quero conversar com você.

– Não... – Luke riu forçado, riu mais do que deveria, um riso machucado enquanto seu tom de voz aumentava gradativamente. – Não, você me odeia. Você desdenhou de mim e riu de mim! Foi isso que você fez quando estávamos sozinhos e agora está tentando ser legal e conversar só porque o Bryan pediu, só que não... Não, eu não quero mais! Você foi ruim!

– Só que eu não sabia que você levaria isto tão longe! – Rafael devolvera um tom mais alto, interrompendo Luke.

E se eu desmoronar?
Se não puder mais aguentar
O que você faria?
(Faria, faria, faria, faria, faria)

Ambos se encararam. O professor fez menção de se aproximar, porém no mesmo instante Luke recuara. Ele avançou mesmo assim e Luke recuou, fazendo a volta na mesa do professor.

– Não! Saia de perto de mim!

– Luke, eu quero ajudar!

– Não! Você riu de mim, me machucou e pisoteou! Me tratou como se eu não fosse nada além de um adolescente idiota...

– Você estava me perseguindo o tempo todo, queria que eu fizesse o quê?!

– Que me ouvisse! – Luke praticamente gritara de volta, atrás da mesa do professor. – Que pensasse em como eu me sentia!

Novamente Rafael tentara se aproximar, contudo desta vez Luke já estava mais do que alterado e quando o viu tentar avançar virou a classe do professor, jogando-a na direção dele, no intuito de acertá-lo, e espalhando os trabalhos e canetas que se encontravam encima desta.

– Fique longe de mim!

Meu coração acelerou perante aquela cena. Por uma distância de não mais do que um pé a grande mesa não caíra nos pés do nosso professor.

Matheus, ao meu lado, segurara minha mão, apertando-a levemente. Parece que esta não fora a nossa melhor ideia...

Venha me destruir!
Me enterre, me enterre!
Eu terminei com você!

– Luke... Vamos lá, vamos tentar...

“Por que não pode apenas... Tentar?” eu perguntei... – Luke murmurara com a voz trêmula pelo choro. Ele tremia perante a força que usava para trancar a própria mandíbula. As lágrimas começaram a escorrer, de seus olhos brilhantes pelas bochechas pálidas. – “Porque eu não quero” você me disse. Você quebrou meu coração... Quebrou, espedaçou! Você me quebrou! – ele gritara com raiva, chutando a classe caída e algumas canetas e lápis que apareceram no seu caminho.

Desta vez Rafael nada respondera, muito menos tentara avançar. Ele permaneceu parado no mesmo lugar, encarando Luke até que este lhe devolvera o olhar com um próprio de pura mágoa.

E se eu quisesse lutar?
Implorar pelo resto da minha vida
O que você faria?
(Faria, faria, faria)

– Desculpe – o professor pedira, com uma única palavra. O tom alto, porém oscilante, provavelmente temendo que Luke pudesse voltar a gritar.

O emo moreno erguera o queixo, os braços novamente cruzados na frente do corpo, com as mãos depositadas na cintura, protegendo a si mesmo.

“Estaria feliz se eu te comesse aqui, sussurrando ao pé do seu ouvido o quanto te acho um adolescente estúpido e superficial? Aonde queres chegar com isso, Luke? Já não basta de perseguição? Eu estou farto de você!” – Luke dissera em meio aos soluços, a voz falhando a cada frase. Meu peito apertou ao ouvir aquilo. Eu realmente não sabia que havia sido tão ruim... – Você sabe quantas vezes eu repeti isto para mim mesmo mentalmente...? Sabe quantas vezes eu estive sozinho, lutando contra mim mesmo, implorando para mim mesmo, tentando me convencer de que eu realmente valho alguma coisa, implorando para sentir que minha vida realmente vale alguma coisa...?

Matheus fungou ao meu lado. Ele estava chorando. Eu também devo admitir. Fora muito difícil ouvir aquelas palavras de nojo pronunciadas por Luke, usando seu próprio nome na sentença, como se tivesse aprendido a odiar a si mesmo...

Você disse que queria mais
O que você está esperando?
Não estou correndo de você

– Eu te amei... Eu te amei tanto... – Luke fungara, levando as próprias mãos cobertas pela manga do casaco para o rosto, esfregando olhos e nariz. – Eu nunca amei alguém como te amava... Eu só queria... Eu só queria que alguém, alguma vez na vida, me amasse de volta... – a voz de Luke foi morrendo aos poucos. Suas costas bateram contra a parede e ele escorregou até o chão, fechando-se em uma bolinha, com os joelhos puxados contra o peito e rosto abaixado.

A falta de reação do nosso professor já estava me irritando. Qual era o plano dele? Ficar parado o tempo todo?! Deixar Luke chorar, chorar e chorar? Segurei-me para não ir correndo interromper e abraçar Luke como ele merece.

Desta vez quando Rafael avançara um passo Luke não reagira – provavelmente porque nem ao menos percebeu. Ele ficou parado em sua bolinha até que Rafael estivesse bem próximo. Quando Luke erguera o olhar e percebera da proximidade erguera-se em um pulo, recuando até que seus pés encontrassem a aresta da parede, as costas batendo contra o cimento pintado de branco.

Venha me destruir!
Me enterre, me enterre!
Eu terminei com você
Olhe nos meus olhos!
Você está me matando, me matando!
Tudo que eu queria era você!

Luke tremia dos pés a cabeça, nervoso, com lágrimas nublando os olhos claros e escorrendo pelas bochechas mais pálidas que o normal. Ele parecia um cervo contra faróis de um carro, assustado e, ao mesmo tempo, magoado...

– Espero que encontre sua paz quando eu morrer, porque se estou morrendo muito em parte é sua culpa e por você... – Luke disse sério, ainda que em seu tom quebrado, muito provável no intuito de machucar mesmo, porque doeu até em mim essa.

Rafael envolveu seus braços ao redor de Luke em um abraço forçado. O corpo menor ainda tentara resistir, empurrando e estapeando o professor para longe, sem sucesso. Ele resistia, fazendo força e praguejando com xingamentos aleatórios. O professor não desistiu, soprando alguns “shh” até que, eventualmente, Luke parara de se debater, aceitando o abraço forçado, encolhendo-se enquanto o choro piorava e surgiam os soluços.

Eu tentei ser outra pessoa
Mas nada pareceu mudar
E eu sei agora, isto é o que eu realmente sou!
Finalmente eu me encontrei!
Lutando por uma chance que sei agora
Isso é o que realmente sou!

– Por quê...? – Luke murmurara em meio ao choro após algum tempo, finalmente rodeando os braços pela cintura do mais velho para retribuir o abraço.

– E se eu disser que senti algo por você...? – prendi a respiração ao ouvir a resposta do professor, suave e baixa. Luke por outro lado apenas riu amargo, desencostando a cabeça de seu peito para poder encará-lo.

– O quê, meu estilo diferente, o sexo ou a aventura de estar saindo com um aluno? – Luke sorriu amargo e breve, rapidamente desmanchando o sorriso. – Não foi este o seu raciocínio quando eu disse que havia me apaixonado...?

– Eu estava tão, tão errado em lhe dizer estas coisas, Luke... – ele respondera em um suspiro pesaroso, o tom não aumentando nem um decibel a mais do seu suave e calmo.

– Eu tentei tanto... Se soubesse o que você quer eu poderia ter me tornado essa pessoa, eu juro que teria feito qualquer coisa...! Qualquer, qualquer coisa... Eu sou só um fodido, quebrado, perdido e sem esperança... E eu não posso ser nada além disto. Eu aceitei quem eu sou, é por isso que te deixei em paz...

– São estes seus motivos para ter feito isto consigo mesmo...?

Os braços do professor deixaram Luke apenas para escorregarem pela extensão dos braços menores, fazendo o outro corpo tremer.

– Eu mereci...

Venha me destruir!
Me enterre, me enterre!
Eu terminei com você
(Você, você)

Rafael puxou os braços de Luke para fora de sua cintura, colocando ambos na sua frente, puxou as mangas e tudo ficou tenso de repente. Meu peito ardeu como se em meu coração estivessem sendo feitas as mesmas cicatrizes grotescas que se espalhavam pelos braços pálidos...

– Luke...

– Eu mereci... Eu mereço cada uma destas cicatrizes.

– Não... Não Luke. Como você pode pensar isto de si mesmo...?

– Você diz agora como se não concordasse... – Luke respondera com a voz falhando por conta do choro, os olhos azuis brilhantes.

Olhe nos meus olhos!
Você está me matando, me matando!
Tudo que eu queria era você!
Venha me destruir!
Me destruir, me destruir!

– Não... Não, não, não. Luke...

O professor envolvera seus braços ao redor do corpo magricelo de Luke. Ele não se opusera, apenas aceitara, escondendo seu rosto no peito do maior. Os próximos segundos que seguiram foram em completo silêncio, com apenas o choro compulsivo de Luke para quebrá-lo.

– Luke... Escute, eu sinto muito por tudo o que eu disse. Nada foi de verdade ou com intenção de te machucar, eu só queria que você saísse de perto porque... Porque ter você por perto o tempo todo era uma puta de uma tentação... – Rafael explicara, recebendo um pequeno e fraco riso de Luke como incentivo para continuar. – Desculpe. Se você não me odiar e se assim for sua vontade... Posso te levar para sair...

– Sim...! – ouvi Matheus sussurrar baixinho ao meu lado, sorrindo. Segurei um próprio sorriso ao ouvir uma risada suave misturada com choro advinda de Luke.

E se eu quisesse terminar?
E se eu
E se eu
E se eu

Notas finais
Tava segurando o cap faz algum tempo, vou admitir HSUAHSAU *foge da fogueira* Mas é pq eu qeria postar com tempo pra responder comentários, pq se só postasse dps n teria tempo u.u Agr eu tenho S2 Então é bom comentarem pra qe eu tenha o qe responder e.e Se tiverem dicas para as fichas dos personagens, se acham qe elas ajudaram, complicaram, tão mto grandes, mto peqenas... Pfvr, digam! Super importante! LOVE YOU ALL ~~ S2 Btw, chegem mais e participem da minha vingança pessoal ~ A revisora de Emo-ções disse qe comentários em Emo-ções são só comentários, não amor u.u Então só qeria compartilhar aqi uma foto minha e dela no show do Black Veil Brides, no Monsters Of Rock de São Paulo, pq ela começou a curtir a banda por causa de Emo-ções e nós começamos a nos falar pq ela COMENTOU em Emo-ções, that's it's ~ https://fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net/hphotos-ak-xpt1/v/t1.0-9/10660355_10200528198883396_7952926115217963753_n.jpg?oh=0210472762d645854640c37e3e1827a7&oe=563DA463&__gda__=1450685802_42cdea3ba1734f0131aab5c6cf12b573 My pink hair... (Já estou ouvindo um "vou te matar Tassiele" ~~) AH, MAIS UMA COISA! Pfvr, leiam minhas histórias Trouble Makers, deem uma chance, se gostarem comentem e se n gostarem juro qe n vou obrigar a continuar lendo ~ S2 They Are Trouble Makers https://fanfiction.com.br/historia/638223/They_Are_Trouble_Makers/ We Are Trouble Makers https://fanfiction.com.br/historia/599347/We_Are_Trouble_Makers/