Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados

28 Capítulo 28: Como posso me conectar a você?


Notas iniciais
A música que aparece neste capítulo (mais uma música? Sim, mais uma música) chama-se: Human Connect To human da nossa amanda banda emo alemã, Tokio Hotel que vocês podem encontrar no youtube aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AIgujbFmtb8 (inclusive com a opção para download). Qualquer erro na letra ou tradução da música me avisem porque como passei um tempo sem internet lá fui eu na força e garra escrever a letra e traduzi-la... Pois é, um desastre. Enfim, divirtam-se (afinal, se já deram uma olhada na música sabem qe será "divertido" esse cap") e boa leitura!

Não me foi permitido trancar a porta atrás de mim, pois Pedro puxou-me pela cintura, beijando meu pescoço e entrelaçando nossas pernas. Eu ri nervosamente, ainda um tanto desacostumado com a intimidade.

– Oi meninos – cumprimentou Amanda, surgindo de surpresa na porta da cozinha. Não precisei me desvencilhar, pois Pedro me soltara imediatamente, o que não me impediu de sentir-me constrangido.

– Boa tarde – Pedro cumprimentou tomando a dianteira e indo beijar a bochecha de Amanda com completa naturalidade. Explicitamente meu namorado é muito mais sociável que eu... – A Senhora está muito bonita hoje. Mudou o cabelo...

Entreabri os lábios, surpreso. Amanda riu, alegre. Não consegui acreditar que meu namorado realmente notara alguma diferença naquele ninho encaracolado.

– Você percebeu? Eu usei um novo creme da Dove...

– Notei, é claro! Uma mulher tão bonita inovando...

– Ah, que isso... Na minha idade receber um elogio de um garoto tão bonito e jovem... – Amanda ficou completamente sem graça, com as maçãs do rosto vermelhas. Eu revirei os olhos sem paciência com, admito, um tanto de ciúmes.

– Vamos subir Pedro?

– Ah, podem ir. Eu vou preparar um lanche bem gostoso para vocês.

Pedro respondeu algo, puxando o saco de Amanda que finalmente saiu e deixou-nos em paz. Sinceramente fiquei irritado e não quis que Pedro chegasse perto de mim. Virei de costas para ele e fui até a escada, subindo. Adentrei meu quarto e deixei a porta aberta. Comecei a mexer no console do Playstation, selecionando o jogo. Pedro veio logo atrás de mim.

– Bryan? O que houve?

Segurei e engoli, sem admitir verbalmente. Sim, eu estou com ciúmes porque eu cortei o cabelo e pintei. Minha franja já não está mais tão comprida – mesmo que ainda esconda um dos olhos, se não puxada – e meu cabelo está em um tom de preto diferente. Eu jamais cobraria de Pedro que ele percebesse porque eu mesmo não percebo quando alguém muda, contudo ele notou que Amanda trocou o shampoo!

– Bryan?

Liguei o console e peguei os controles, desenrolando os fios e fui indo até os pés de minha cama. Sentei, com um controle em mãos e pus o outro ao meu lado.

– Sente-se.

Pedro me encarava, provavelmente tentando descobrir o que fizera de errado. Eu não queria pensar algo assim, mas agindo desta forma meu namorado parece um verdadeiro idiota. Após perceber que não receberia nenhuma resposta por minha parte ele obedeceu e sentou-se ao meu lado.

– Está com ciúmes? – ele perguntou, me pegando de surpresa. Com o choque eu virei o rosto para o lado contrário dele, não querendo que Pedro visse meu rosto vermelho.

– Idiota!

– Oh, meu menino!

Pedro aproximou-se mais, sentando-se bem próximo de mim. Contornou minha cintura com seus braços firmes e começou a distribuir beijos cálidos pelo meu pescoço, provocando-me arrepios.

– Meu menino está com ciúmes? Meu menino ficou irritado? Minha culpa, não estou dando amor o suficiente para o meu menino...

– Para Pedro!

Estava irritado e ao mesmo tempo... Gostando, um pouco. Porque todo seu corpo quente, envolvendo o meu somado aos beijos gostosos em meu pescoço, os sussurros abrasadores e seu peitoral contra minhas costadas tornava impossível desgostar por completo.

– Mas o meu menino é tão fofo assim... Meu menino faz com que eu me apaixonar cada vez mais...

– Certo, certo! Você venceu, não estou chateado – dei-me por vencido, virando o rosto em sua direção para encará-lo. Corei ao pensar em minhas próximas palavras e desviei o olhar. – Eu só... Senti sua falta nesses últimos dias, nem nos falamos direito.

Recebi uma mordidinha suave no nariz e voltei o olhar para Pedro que sorria. Meu namorado é tão lindo...!

– Também estava com saudades – seu sorriso aumentou, eu retribuí. Então veio um beijo curto e fofo, sem língua, todavia antes dele afastar-se capturou um de meus piercings na boca, puxando. – Aliás, você não precisa ter ciúmes, baby. Eu jogo verde. Mulheres sempre mudam algo no cabelo, mesmo que seja um novo creme. É claro que eu não percebi, apenas quis ser legal.

Entreabri os lábios, novamente incrédulo. Pedro riu da minha expressão.

– Isso seria uma técnica de sedução?

– Por quê? Você mudou o cabelo? Ah, sim, você mudou. Está diferente... Mas bonito, eu só não sei dizer o quê...

Corei levemente, porque por um pequeno segundo eu realmente acreditei que ele tinha notado. Escondi o rosto com as mãos, envergonhado em ter que admitir que realmente caí na dele. Não precisei verbalizar minha crença, pois Pedro entendeu e sorriu, depositando outro beijo em meus lábios.

– Certo, vamos jogar – disse-lhe, desvencilhando-me de seus braços e pegando meu controle, com certo receio de ser interrompido por Amanda, já que ela adora tanto se intrometer.

Jogamos um pouco de tudo enquanto conversávamos. Na maioria das vezes tudo acabava em risadas e brincadeiras. Nossas vitórias nos jogos era algo equilibrado, normalmente eu ganho em jogos de corrida ou do tipo e Pedro nos de luta. Bem, chegou a hora de mudar esse placar. Levantei-me para trocar o jogo, o próximo seria o clássico e amado Mortal Kombat.

– Agora você perde – informei-o ao retornar para o seu lado, sorrindo confiante.

– Então que tal uma aposta?

Sentei ao seu lado e mordi meu piercing, escondendo um sorriso. Esse é o meu melhor jogo, sem dúvidas.

– Uma aposta então – concordei, abrindo um grande sorriso. – O que você quer?

– Se eu vencer você dança pra mim.

Meu sorriso aumentou enquanto revirava os olhos, imaginando o ridículo da situação. Eu jamais o faria, tinha tanta certeza disso quando a de que eu não perderia.

– Certo.

Suas mãos me pegaram de surpresa, puxando-me para seu colo. Aceitei um pouco contrariado, sentando sobre suas coxas. Mordi meu piercing novamente.

– E se você ganhar? O que quer?

Parei e pensei. Não havia nada realmente que eu quisesse, mas pediria. Algo que o envergonhasse, mesmo sendo difícil, considerando que Pedro não se importa com um tanto de coisas. Uma marca? Arranhões? Não, um chupão seria melhor ainda. Tentei esconder o sorriso, todavia os cantos de meus lábios repuxaram-se.

– Então eu deixo uma marca no seu pescoço.

Pedro sorriu de volta, repousando a mão direita em meu rosto em um carinho suave.

– Temos um acordo? – ele perguntou sem deixar o sorriso um segundo sequer.

– Temos um acordo.

– Uma partida só. É tudo ou nada.

Concordei com um sorriso debochado e deixei seu colo para sentar ao lado, no meu lugar. Peguei o controle conforme o jogo foi inicializando. Com tudo pronto estávamos com os personagens decididos e a luta prestes a começar. Escolhi o Scorpion contra Pedro como Sub Zero.

A luta começou e menos de dois minutos depois tinha terminado.

Eu estava boquiaberto.

Simplesmente não pude fazer qualquer movimento, pois cada vez que meu personagem se movia Pedro o congelava e atacava. Quando descongelava, novamente, eu não tinha tempo de nada, pois ele o congelava novamente sem que qualquer movimento fosse feito.

Eu perdi.

– Você joga sujo!

– Eu ganhei.

– Mas você jogou sujo! Isso foi roubo!

– Não, as regras diziam uma partida, tudo ou nada. E o personagem está aí para ser usado, foi justo.

Fitei-o muito, muito chateado. Ele está certo, se está no jogo é porque pode e não foi especificado nada que um determinado personagem não pudesse. Ele tinha ganhado, mas poxa, Mortal Kombat é um dos jogos no qual eu sou melhor e ele apenas usou um único gole! Isso é tão injusto.

– Você está fazendo bico, Bryan? É isso mesmo?

– Não!

Virei à cabeça, envergonhado. Eu estou? Eu não percebi. Merda! Seus braços vieram para minha cintura, puxando-me para próximo dele. Não o fitei.

– Vamos meu menino, não seja um mau perdedor. Eu quero o meu prêmio.

– Eu não sou um mau perdedor! Isso foi injusto! – disse-lhe sem raiva, só chateado. Eu realmente sou bom nesse jogo e perdi para Pedro que só usou uma única técnica.

– Se serve de consolo eu realmente acredito que você seja muito melhor que eu no Mortal Kombat, eu só sei jogar com o Sub Zero mesmo. Mesmo assim eu ganhei e quero meu prêmio.

Suspirei, fitando-o com um olhar triste. Não é manha, eu juro, eu realmente me sinto entristecido por uma derrota assim, tão vergonhosa. Ele está certo, mas pelo menos concorda que eu seja melhor jogador. Então agora eu tenho que manter minha palavra e...

Oh, merda.

– Eu não sei dançar – soprei baixinho, sentindo o sangue subir até minhas bochechas. Pedro riu e beijou a esquerda. Mordi meu piercing.

– Tudo bem, somos somente nós dois. Eu não vou terminar nem nada do tipo. E ainda vou insistir em meu prêmio.

Suspirei novamente e me levantei, indo pegar meu notebook de cima da escrivaninha. Abri a tampa e esperei um pouco. Eu não o desligara e logo comecei a mexer na pasta com as minhas músicas.

– Que música você quer? – perguntei curto e grosso.

Senti novamente seu braço rodeando minha cintura, me puxando para próximo de si. Então outro beijo fora depositado em minha bochecha quente.

– Não fique chateado, é só uma dança. Você pode escolher a música, mas tem que ser sexy.

Meu rosto esquentou ainda mais apenas no pensamento de uma dança sexy. Eu não sou sexy! Por que meu namorado tem que ser assim? Quero dizer, eu nunca tentei, como posso conseguir? Eu nem ao menos sei como se faz...

– Eu não sei uma música sexy... Por que você não escolhe?

– Porque eu não conheço nenhuma dessas músicas.

– Certo...

Parei e pensei. Que música sexy que eu tenho? Nenhuma. Sim, é um pouco vergonhoso admitir, contudo as minhas músicas são de depressão ou algo do tipo. Eu sou emo, afinal. O que eu tenho de quase sexy...?

– Ah... Eu acho que pode ser Tokio Hotel. O Bill, vocalista, canta gemendo como uma cadela no cio – ri de meu próprio comentário, sendo acompanhado por Pedro. Eu adoro Bill Kaulitz e adoro Tokio Hotel, mas esta é a verdade.

– Então você vai cantar pra mim também.

– Não! Esse não era o acordo!

– Mudamos o acordo. Vai ser tão sexy você cantando...

– Não! Claro que não! – Se eu já não quero dançar, cantar muito menos! O que Pedro está pensando...?

– Por favor? Você não vai fazer este pequeno agrado ao seu namorado que sempre faz tudo por ti?

Ele fitou-me com um olhar pidão e um pequeno sorriso. Eu não pude deixar de resmungar porque, novamente, ele está certo, sempre faz tudo pra mim sem se irritar. Respirei fundo antes de acenar positivamente e ver o sorriso alastrar-se. Somos somente nós dois...

– Você sabe inglês? – Suspirei. – Eu não sei por que estou fazendo isso...

– Não, mas você pode me mostrar a tradução antes de começar. Tenho boa memória.

Concordei, querendo acabar logo e escolhi uma música na pasta de Tokio Hotel, “Human Connect to Human”. Abri a letra na internet e entreguei o note para ele. Fiz questão de não lê-la antes que me arrependesse. Já conheço a letra de cor, não preciso ler.

– Certo – Pedro respondeu após ler, me passando o notebook. – Isso vai ser ótimo...

– Você vai ficar sentado? – perguntei ao me levantar, largando o note onde estivera sentado. Pedro concordou com a cabeça e eu mordi o lábio inferior, sugando um de meus piercings. O notebook já estava com a música preparada e pausada, ao seu lado. – Certo, pode dar play – informei, sentindo meu coração pular com minhas próprias palavras.

A música começou e não, eu não fiz os gemidos iniciais.

Tentei balançar meu quadril, esperando que Pedro risse, mas ele não o fez, apenas abriu um belo sorriso pra mim. Aproximei-me um pouco mais, inseguro e constrangido. Suas mãos vieram parar em meus quadris que rebolavam.

– “We Meet/somewhere/One night/to share/Just you/and me/We spread/The seed” (Nos conhecemos/em algum lugar/Uma noite/para compartilhar/Apenas você/e eu/Nós espalhamos/A semente) – sorri largamente nas duas últimas partes, tentando evitar rir com tamanha a semelhança conosco. Lembrou-me de nossa “quase primeira vez”.

Fiz questão de arrastar a voz em cada palavra cantada, como o Bill fazia. Não tentei ser sexy como deveria, apenas manhoso.

Pedro não parecia desgostar.

– “Our schedule, so natural/Human connect to human/Boy meets girl, know what to do/Human connect to human/How can I connect to you?/Human connect to human/Boy meets girl, know what to do/Human connect to human/How can I connect to you?” (Nossa programação, tão natural/Humano conecta-se a humano/Garoto conhece a garota, sabe o que fazer/Humano conecta-se a humano/Como eu posso me conectar a você?/Humano conecta-se a humano/Garoto conhece a garota, sabe o que fazer/Humano conecta-se a humano/Como posso me conectar a você?) – cantei dessa vez um pouco mais puxado, mais confiante, porque Pedro não ria. Eu realmente não tentei ser sexy, talvez um pouco vulgar, mas parece que estava indo muito bem para Pedro.

Posicionei-me mais entre suas pernas, sentindo suas mãos apertarem meu quadril. Continuei balançando de um lado pro outro enquanto rodeava seu pescoço com os braços, passando os dedos pela sua nuca delicadamente, provocando-lhe um arrepio que não passou despercebido.

– “A kiss/a touch/Never/enough/So soft/so hard/Don’t stop/you start/Instinctive skills like animal” (Um beijo/um toque/Nunca/suficiente/Tão suave/tão difícil/Não pare/Você começa/Habilidades instintivas como um animal).

Antes que eu pudesse continuar Pedro emaranhou seus dedos em meu cabelo escuro e me puxou para um beijo quente, forçando sua língua dentro da minha boca. Devo acrescentar que a música realmente estava criando um grande clima. Ajoelhei-me na cama, uma perna de cada lado de seu corpo, obrigando-o a juntar as pernas. Aproveitei e insinuei que sentaria em seu colo, sem quebrar o beijo, esfregando meu corpo no seu. Estava ficando fodidamente quente, meu estômago fervia bem como meu pênis em meus jeans skinny apertado.

Eu perdi o refrão.

Humano conecta-se a humano
Garoto conhece a garota, sabe o que fazer
Humano conecta-se a humano
Como posso me conectar a você?

Humano conecta-se a humano
Garota conhece garota, sabe o que fazer
Humano conecta-se a humano
Como posso me conectar a você?

Seus lábios escorregaram para meu pescoço com beijos, lambidas e mordidas. Seus dedos seguiram em meu cabelo, puxando levemente. Continuei me movimentando automaticamente, esfregando mais meu corpo no seu, sentindo seus músculos quentes.

– Cante – ele soprou na pele sensível, provocando-me arrepios.

Obedeci.

– “Let me Interact/How can I connect?/Let me interact/How can I connect?/Hit me/Hit me/Hit me/Hit me.” (Deixe-me interagir/Como posso me conectar?/Deixe-me interagir/Como posso me conectar?/Me bata/Me bata/Me bata/Me bata) – cantei e cada vez que dizia um “me bata” meu cabelo era puxado com mais força. Não reclamei. Estava sendo muito, muito excitante aquela brincadeira.

Suas mãos já estavam embaixo de meu casaco e minha blusa, tocando minha pele nua. Pedro beijou minha clavícula e largou meu cabelo, mantendo contato visual comigo.

– “Human connect to human/Boy meets girl, know what to do/Human connect to human/How can I connect to you?/Human connect to human/You and me know what to do/Human connect to human/How can I connect to you?” (Nossa programação, tão natural/Humano conecta-se a humano/Garoto conhece a garota, sabe o que fazer/Humano conecta-se a humano/Como eu posso me conectar a você?/Humano conecta-se a humano/Você e eu sabemos o que fazer/Humano conecta-se a humano/Como posso me conectar a você?).

Novamente meus lábios foram atacados e mais uma vez eu perdi o resto da música. Deixei que suas mãos subissem, puxando meu casaco para cima consigo no processo. Sua língua era ávida e desesperada, exigindo cada pedaço da minha boca.

Deixe-me interagir
Como posso me conectar?

Deixe-me interagir
Como posso me conectar?

Sentei em seu colo sentindo que ele estava tão duro quanto eu. As pontas de seus dedos foram parar em meus mamilos, provocando-me pequenos gemidos baixos e abafados. A música terminou, mas nós estávamos longe de.

Suas mãos voltaram para a minha cintura, girando ao trocar nossas posições e me empurrar de costas na cama, no centro. Sorri ao sentir uma de suas pernas entre as minhas, evitando gemer com seu joelho pressionando minha ereção.

Minha consciência foi embora à medida que beijos eram trilhados novamente pelo meu pescoço. Não podemos fazer isso, eu sei e ele sabe. Amanda pode entrar aqui a qualquer momento e se meu pai souber... Contudo afastá-lo era impossível, uma vez que eu queria aqueles toques talvez mais do que ele. Sem falar o grande clima excitante que a música criou. Acho que me saí bem, no final das contas...

Não demorou muito para que Amanda realmente abrisse a porta de meu quarto assim, sem bater, interrompendo-nos naquele momento muito importante.

– Trouxe um lanche para vocês.

– Eu não quero – trinquei os dentes, fitando a Pedro que fez menção de sair decima de mim. Não permiti, rodeando seu pescoço. Dei-lhe um selinho, tentando incomodá-la ao máximo por ter interrompido e estragado meu momento.

– Hum... Bem, na verdade eu não tenho permissão para deixa-los sozinhos.

Dei um pulo da cama na hora, sentando-me. Fitei-a com toda a raiva que eu sentia, rangendo os dentes.

– Quem disse isso?

– Seu pai.

Arrumei meu casaco para baixo e juntei toda a raiva que tinha para ir até a escrivaninha e pegar meu celular. Disquei o número nas últimas ligações enquanto fitava Amanda. Ela estava assustada e sem graça, segurando uma bandeja com algo que nem me dei ao trabalho de ver o que era, evitando me encarar no que eu imaginei que fosse vergonha porque estou... Excitado. O telefone chamou duas vezes antes de ser atendido.

– Alô?

– Desde quando você manda na Amanda?!

Não pensei em qualquer consequência. Eu só queria descontar toda aquela raiva e frustração em quem merecia. Se não fosse ele seria Amanda.

– Oi Bryan...

– Desde quando eu não posso ficar sozinho?! Eu não posso viver a porra da minha vida longe de você? Foi pra isso que decidiu voltar a falar comigo? – cuspi minhas palavras, sentindo raiva verdadeira em cada uma delas. Eu queria me livrar daquilo.

Meu pai deveria estar com, imagino, uma reação perplexa. Eu gritei. Eu xinguei. Eu reclamei e critiquei-o, tudo em apenas três frases. Fiz tudo o que ele mais odeia.

– Não vejo o porquê de dever deixa-lo sozinho quando se demonstra desmerecedor desta confiança já na primeira vez.

– E o que eu fiz de tão errado? É a minha vida, então me deixe viver! Se você quer se preocupar deveria ter se preocupado meses atrás quando me trocou de colégio e me deixou sozinho! Não agora quando estou sendo um adolescente normal!

Eu joguei na cara sim porque eu simplesmente ainda não acredito que ele fez algo do tipo. Se fosse uma garota estaria tudo bem, certo? Ele deixaria que eu ficasse sozinho com uma “namorada” fazendo coisas muito piores, então por que tem que me incomodar tanto...? Pedro me ama, deveria ter se preocupado quando eu estava magoado e sozinho aceitando consolo sexual de Matheus!

Ok, não foi bem assim, mas que diferença isso faz?

– Bryan-

– Eu não quero ouvir qualquer motivo estúpido. Nada justifica pai, porque você sabe que se eu fosse heterossexual me deixaria sozinho com cinco garotas diferentes. Você já estragou tudo, certo? Não precisa mais se preocupar. Tchau.

Eu desliguei antes que ele pudesse responder. Uma merda atrás da outra. Larguei meu celular de volta na escrivaninha e mordi a língua com força, segurando as lágrimas que ferviam em meus olhos.

– Bryan... – Pedro me chamou calmamente, receoso que eu gritasse com ele também. Arrastei-me de volta para a cama, ao seu lado, recostando minha cabeça em seu ombro.

Joguei para fora toda a raiva e tudo o que sobrou foi tristeza e mágoa. Por que ele tem que estragar logo quando vai tudo bem...? Eu realmente não entendo.

– Pode nos deixar, por favor? A porta vai ficar aberta – Pedro pediu suavemente, o que surtiu efeito, pois ecoaram os passos de Amanda afastando-se do quarto.

Seus braços rodearam minha cintura carinhosamente, fazendo com que eu desmoronasse. As lágrimas vieram, encharcando meus olhos. Retribuí o abraço, descansando o rosto em seu peito. É a primeira vez que choro para Pedro – para, não por.

– Está tudo bem, Bryan. Nós dois sabíamos que seria assim...

– Mas eu sinto raiva – retruquei, com a voz falhando por conta das lágrimas.

– Ele só quer te proteger. Vai que eu seja um aproveitador de meninos indefesos?

– Então não namoraríamos. Eu não sou idiota... – balbuciei, parando para pensar. Eu realmente acreditei que Alex era bom e que Matheus era ruim. Eu também acreditei que Pedro era ruim e só queria me usar... Ergui o olhar para Pedro, sentindo-me envergonhado por ser visto com lágrimas nos olhos. –... Sou?

– Você não é idiota, é inocente. E mesmo assim não pode culpa-lo, ele é seu pai e está cuidando do filho. Isso não é bom?

– Não quando me sufoca...

O choro se foi assim, tão rápido quanto surgira. Afastei-me de Pedro para secar os olhos, tentando não borrar a maquiagem na frente de meu namorado.

– Bem-vindo ao mundo normal, onde pais sufocam os filhos.

Ri levemente, observando que meus dedos estavam escurecendo pelo lápis de olho escorrido.

– Você está com raiva?

Pedro maneou a cabeça em sinal negativo, provocando-me um sorriso. Aproximei-me para beijar sua bochecha e me levantei.

– Desculpe por ser tão idiota com algo assim. Vou limpar a maquiagem.

Com isso me retirei do quarto, percebendo que Amanda realmente não estava ao lado ou algo assim, felizmente.

.

A tarde foi passando sem mais transtornos. Comemos o lanche que Amanda preparou e ela pediu desculpas. Eu a desculpei, afinal ela já fez coisa pior, como me dizer que meu pai pretendia adotar uma criança. Após eu e Pedro jogamos mais outros jogos. Ele aceitou, também, outra partida em Mortal Kombat onde escolheria um personagem que não fosse o Sub Zero. Eu ganhei e me senti melhor. Era por volta das 5 horas quando ouvi o carro de minha mãe. Isso não era muito bom.

– Tudo bem? – Pedro me perguntou quando parei subitamente, largando o controle ao meu lado. Ouvi a voz de minha mãe no andar de baixo, conversando com Amanda. Pulei da cama fechei a porta.

Minha mãe não é louca como meu pai, ela não vai pegar no meu pé porque Pedro está aqui, é só que... Bem, ela não sabe que meu namorado está aqui. Eu não tenho que pedir sua permissão para trazer amigos, como com meu pai, imagino que namorado também não. Ainda sim ela não sabe... E não o conhece...

– Quer que eu vá embora?

Levantei o olhar para Pedro e balancei a cabeça negativamente.

– Tem certeza?

– Sim, eu só preciso falar com ela porque não sabe que você está aqui. Você espera aqui um pouco? Pode escolher o jogo que quiser.

Pedro concordou. Encostei meus lábios nos seus antes de sair do quarto, fechando a porta atrás de mim. Segui no corredor até o quarto de minha mãe. Bati na porta e esperei uma confirmação antes de entrar.

O quarto se encontrava mal iluminado, com as cortinas fechadas. Ela estava sentada em sua espaçosa cama, rodeada por vários papéis e revistas. Quando a porta fez barulho ela olhou pra mim com seus olhos claros por cima dos óculos e sorriu.

– Oi mãe.

– Oi Bryan. Tudo bem?

– Sim. Posso sentar? – perguntei sem jeito. É estranho, eu sei, mas não tenho muita intimidade com a minha própria mãe.

Ela concordou, empurrando alguns papeis para que eu pudesse me sentar na frente dela. Observei aquele monte de papel espalhado, provavelmente devem estar a dias jogados assim.

– Trabalho? – perguntei curiosamente.

– Ah não, ou melhor, é... Ou era. São alguns documentos e coisas velhas. Estou organizando.

Observei novamente com um pouco mais de cuidado. Havia várias revistas espalhadas, algumas abertas, pouco folheadas, outras fechadas. Algumas, inclusive, pareciam ser bem novas... Acabei de descobrir que minha mãe é grande fã de revistas.

– Então Bryan, o que houve?

Ergui o olhar para ela, constrangido em ter que começar a falar. Meu pai está certo, eu tenho os mesmos olhos dela.

– Meu namorado está aqui.

Ela sorriu calmamente, já esperando que eu a dissesse tais palavras.

– Eu sei, Amanda me contou. Também disse que você brigou com seu pai.

Revirei os olhos. Maldita mulher fofoqueira!

– Está tudo bem Bryan, sabe que eu não me importo. Por mim ele pode dormir aqui, inclusive – disse de forma suave, intercalando entre me fitar e fitar a revista que tinha no seu colo.

– Eu sei... Só queria te dizer – respondi um tanto sem graça e vazio. Eu e minha mãe não somos íntimos... Nunca fomos. Na verdade nem ao menos conversamos muito, só quando necessário. Na maior parte do tempo ela está no trabalho ou preocupada com. Ela não se importa se Pedro está aqui ou não e é duro admitir, mas ela não se importa com nada porque sempre fomos assim... Afastados... O mais próximo que já tivemos eu acho que foi os nove meses que ela me carregou antes de me entregar ao meu pai.

Abaixei o olhar tentando não entristecer-me, não no momento, e pousei o olhar na revista que minha mãe lia. Na página em específica tinham rostos bem distintos que eu reconheci na mesma hora.

– Eu os conheço! – exclamei sem pensar duas vezes, apontando para um menino em específico, com cachos perfeitos caindo-lhe ao lado da face. – Esse daqui... É Nicolas, não é?

Minha mãe voltou-se para mim com os olhos arregalados, como se eu tivesse dito algo assustador. Subitamente um sorriso começou a alastrar-se por seus lábios até tomar conta.

– Sim, este é o Nicolas. Como você sabe?

– Eu acho que ele é amigo do Matheus. Eu já conversei com ele na sorveteria... – pausei, tentando puxar na minha memória aquele dia caótico e divertido. O resto do pessoal que eu vi também estava na foto com mais outros adolescentes, todos distraídos em algo que parecia uma praça. – Este aqui, — apontei para o menor, pequeno e loiro, semelhante a uma garota, – Este não é uma menina, é um menino com um nome estrangeiro... Natrel!

– Sim, este é o Natrel! – minha mãe exaltou-se, fitando-me com um sorriso iluminado. Sorri de volta. – Você os conheceu? Isso é incrível!

– Sim... Estes dois também estavam lá – apontei para os dois outros morenos que reconheci, ainda que tivesse visto rapidamente. São muito bonitos e distintos. – Nicolas é bem legal. Natrel também, só que ele é mais... Assustador.

– É, Natrel é bem irritado – minha mãe riu, ajeitando-se para aproximar-se mais de mim de forma que a revista não mais estivesse de cabeça para baixo. – Estes dois são o Seth e o Luka – ela disse apontando para os dois morenos que eu vi na sorveteria. Após tinha um loiro muito bonito seguido de um ruivo fogo. – E estes são Mike e Blake.

– O que eles são?

– São muito ricos e alguns são modelos. O pai deste aqui, — ela disse apontando para o anjo, — é dono de um dos maiores colégios do país.

– Sério? Ele é tão rico assim?!

Incredulidade era pouco para descrever como me sentia. Era Nicolas e dele eu lembrava muito bem, nunca tinha visto um garoto como ele, que parecia tanto com um anjo caído. Não bastando isso o garoto ainda é rico?!

– Sim, mas não é berço de ouro, ele é adotado.

– Ah, sim, eu lembro que ele nos disse isso...

Se os olhos claros da minha mãe já estavam enormes, então agora pareciam que iam saltar da órbita. Seu sorriso era enorme e isso me animou ainda mais. Aqueles garotos realmente tinham sido interessantes.

– Nicolas conversou sobre a família com vocês! Isso é incrível, Bryan! Na verdade quando eu era uma adolescente era apaixonada pelos pais destes meninos. Espere.

Ela começou a mexer em suas revistas pela cama, afoita, mais espalhando do que qualquer outra coisa. Pegou uma e começou a folheá-la rapidamente, encontrando a página desejada.

– Aqui. Esta daqui é recente, mas dá pra ver bem. Estes são os pais deles, andam todos juntos. Alguns formam casais.

Meu queixo caiu com suas palavras. A foto tinha vários homens, cerca de sete ou mais e todos de muito boa aparência.

– Tipo casal gay?

– Sim. Veja, este aqui é o Ricardo, — ela apontou para o homem mais musculoso e forte, o mais... Másculo. Em seguida puxou a outra revista de seu colo e apontou para os dois morenos que eu vira na sorveteria, — ele é pai destes dois. E este daqui, — então puxou a segunda revista e apontou para um menor, talvez o mais novo do grupo, parecia mais um adolescente, com aparelho nos dentes e tudo. – É o Andrew. Ele é namorado do Ricardo a anos e irmão mais velho deste aqui, — então a primeira revista voltou pra cima e ela indicou o pequeno loiro que parecia tanto com uma menina.

– Eles são um casal? Sério? E ele tem filhos? Que legal!

– Não é?

Fitei-a, sorrindo animado e meu sorriso era retribuído, mais radiante que o meu próprio.

– Eu era apaixonada por eles quando era mais nova, do tipo muito mesmo, seu pai tinha até ciúmes, e agora meu filho conhece os filhos deles! Isso é incrível!

Senti meu peito encher de alegria e orgulho. Não era apenas uma história interessante, muito menos um assunto divertido, era algo que envolvia o passado de minha mãe, este algo sendo usado para nos unir, mesmo um pouco que fosse. Era... Especial.

– Mãe, desculpa, eu quero saber muito mais, mas o Pedro está me esperando – balbuciei entristecido. Eu amo Pedro e ele não tem culpa, eu tenho culpa por deixa-lo esperando, mas neste momento eu adoraria ficar mais com a minha mãe.

Ela se inclinou e beijou o topo de minha cabeça, acariciando meu cabelo levemente.

– Tudo bem filho, podemos conversar mais tarde ou amanhã. Eu entendo que seu namorado esteja aqui.

– Ok... Mas guarde isso tudo para me contar mais!

Ela sorriu e eu me inclinei, abraçando-a. Recebi um afago nas costas antes de nos separarmos e eu estava de pé. Minha mãe me olhou ainda com aquele brilho orgulhoso nos olhos, animando-me ainda mais.

– Você quer que eu dispense a Amanda, Bryan? – ela perguntou simplesmente, recebendo como resposta uma expressão surpresa. Não precisei pensar para rejeitar a oferta, balançando a cabeça em sinal negativo, todavia sorri a oferta, tendo meu sorriso retribuído carinhosamente.

– Obrigado mãe, mas eu prefiro não ter mais problemas com meu pai.

– Tudo bem. Se quiseres eu também posso conversar com ele.

Acenei e murmurei baixinho um agradecimento para, após, virar de costas, seguindo na direção da porta. Parei na metade do caminho, virando-me para trás.

– Mãe?

Ela parou de arrumar as revistas, erguendo o olhar pra mim.

– Você quer conhecer o Pedro?

Eu sei que meu pai não gostaria nada dessa ideia, contudo ele está me devendo essa. Minha mãe sorriu largamente, levantando-se da cama em um pulo.

– Bem, já que a oferta foi feita. Prometo ser legal.

Sorri e voltei para ela, pegando em sua mão e puxando-a até a porta comigo.

– Certo. Você pode jogar videogame conosco, eu te ensino.

– Tudo bem. Espero que ele seja bem bonito.

Novamente eu senti meu coração inflar, repleto de sentimentos bons. Pela segunda vez no mesmo dia eu posso dizer que minha mãe ficará orgulhosa de mim.

– Sim... E ele é o melhor jogador de futebol do colégio.

Minha mãe ficou ainda mais entusiasmada enquanto saíamos de seu quarto. Seu sorriso era largo, como quando falamos dos garotos da revista.

– Você namora um jogador de futebol? Que tudo Bryan!

Concordei sem graça, abrindo a porta de meu quarto. Pedro estava sentado na cama jogando algo, eu entrei e ele sorriu, pausando o jogo.

– Pedro, esta é a minha mãe. Mãe, esse é o Pedro, meu namorado – apresentei-os vendo que Pedro se levantou e caminhou até ela, cumprimentando-a adequadamente.

– Ele é lindo mesmo, Bryan. Meu filho tem bom-gosto.

– Bem, obrigado. E eu posso ver de quem meu namorado puxou à beleza.

Novamente aquela mesma sensação boa formigando em meu peito. Sorri sincero e rumei para os pés da cama, sendo seguido pelos dois.

– Minha mãe vai jogar com a gente Pedro, prometi que vou ensiná-la. Vamos começar com Mortal Kombat.

– Hum... Acho que vou escolher a Sindel – Pedro comentou inocentemente. Meu queixo caiu.

Meu namorado é um traidor!

Notas finais
Demorou? Então, culpem a Sara, ela disse qe eu n podia postar até ela ter internet e ameaçou estuprar nosso noivo, Andy Biersack, com um cabo de vassoura D= Essa é a expressão de vocês ao começarem a ler a cena musical: https://scontent-a-iad.xx.fbcdn.net/hphotos-frc3/t1.0-9/10277386_717566881639619_1724246454617318256_n.jpg É, não foi desta vez.... (prevejo ameaças) Esse cap todo bonitinho e todo amr é pq muita gente sentiu falta do Bry e do Pedro, então eu fiz esse vomito de arco-íris ♥ E foi diver escrever a parte da música, até... Aliás, perceberam como aqela loucura na sorveteria tinha um motivo ?? Sempre teve, é só qe... São tantos personagens, né ?? *sem graça* é difícil organizar tudo sem dar milhões de palavras... Como podem ver eu digo há um tempo qe Emo-ções tá acabando (epareceqenuncaacaba) e eu tenho tudo organizado, é só qe... Tem tantos personagens, né ?? Hehe... Outra coisa, se possível gostaria qe vocês subissem um pouqinho, clicassem no meu nome de usuário e dessem uma visualizada no meu perfil pq tem um recado. Em menos de um minuto vocês leem e não, não é má notícia... Na verdade é boa. Fica por vocês. Aviso/spoiler/dica: No próximo capítulo vocês ouvirão Three Days Grace! Aliás, espero que vocês estejam gostando das músicas... Era para TDG ter ido junto nesse cap, mas ficou grande, como sempre... Foi um sacrifício encontrar música para o momento do próx cap e eu tenho um monte de gente pra agradecer... No próximo cap... Mais uma coisa: muitíssimo obrigada a Anniie Hime e ao SrDiAngelo pelas recomendações! Fazem minha felicidade para toda a vida ♥ Sem falar qe tbm praticamente fazem o cap, né ?? Me dão a vontade de escrever ♥ Então... É isso ?? É isso. Obrigada pelo pessoal das ameaças também, como a Najla, vocês são todos importantes! Se precisarem de agradecimentos digam qe eu cito aqi, faço uma música, um poema, um sacrifício humano... Qualquer coisa, apenas continuem lendo, por favor comentem e se possível deem aqela passadinha no meu perfil. Após publicar estarei respondendo comentários ♥ Obrigada pelo amor!