Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados

26 Capítulo 26: Um salvador feito para você/Part I


Notas iniciais
A música desse capítulo chama-se Savior (ou Saviour, depende de onde achá-la) da banda Black Veil Brides, vocês podem encontrá-la no youtube aqui: http://www.youtube.com/watch?v=6lOF_Ph3lQk , mas se quiserem procurar outro vídeo fiquem a vontade, eu escolhi um aleatório porque não há vídeo da banda para esta música. Obs: As notas finais estão na est. "Isso não é legal" Ah, paciência, o Nyah! agora enlouqueceu e pôs limite máximo de palavras nas notas finais! Se isso é só comigo eu não sei, mas que ele está fazendo, está. Desculpem o incômodo, mas eu não vou deixar de me comunicar com vocês por causa disso. Boa leitura.

Chegou àquela casa branca com o coração despedaçado. A porta estava aberta e não hesitou ao correr para dentro, vasculhando todo o local a procura da única pessoa que tomava conta de todo seu ser.

–Lucas! – gritou alto o suficiente para os vizinhos ouvirem. A ausência do pequeno era avassalador. Desligara o telefone não fazia nem um minuto, ele não tinha tempo o suficiente para matar-se.

Correu escada acima. Passava a abria as portas violentamente, quase caindo dentro dos cômodos. Fora fácil, pois a porta aberta era exatamente a porta do quarto do loirinho. Ali estava o dono de seu coração, com marcas roxas e vermelhas espalhadas por todo seu corpo. Os grandes olhos castanhos inocentes transbordavam água, escorrendo e levando consigo a maquiagem preta forte. Aquela expressão devastada, com os lábios em um grande bico era destruidora.

Suas pernas fraquejaram e caiu no chão, já com lágrimas acumulando-se nos olhos verdes.

–Matt? – assustou-se o mais novo, considerando se deveria tentar ir em sua direção.

–O que houve com você, Lu...? O que te fizeram...? – balbuciou nocauteado, assustado com a realidade que se apresentava perante si. Levantou-se com dificuldade e seguiu alguns passos trêmulos, conseguindo com esforço chegar até os pés do loirinho e agachar-se. Apoiou ambos seus braços nas pernas cobertas por uma calça cinza chumbo. Seus órgãos internos reagiram incomodados quando os olhos verdes recaíram nas marcas pelo pequeno corpo.

–O meu pai descobriu e eu não sou mais bem-vindo em casa, eu... Eu tenho que ir embora e o Alex... Ele só estava brincando... – as palavras eram engasgadas, tentando a todo custo não trancarem na garganta.

–Por isso você quer se matar? Não pode, Lu. Você tem a mim, Bryan, Luke, Thiag-

–Matheus! – interrompeu o loiro, com a voz embragada. – Você tem amigos e você tem família... Matt, não é assim para mim. Eu não tenho outra saída...

Não aguentou mais e ajoelhou-se, buscando o corpo menor que o seu. Agarrou-o, com força e sem dó. Apertou, fechando o abraço com força... Força, força, força, amor... E por Deus, como era bom poder abraça-lo e sentir o seu calor, sua pele, seu cheiro, sua carne...

Eu nunca desejei ser aquele

Que te mantinha longe do escuro

Mas agora as minhas feridas estão costuradas

Por causa de quem és

Eu vou carregar este fardo

E tornar-me o Sagrado

Mas lembra-te de que eu sou Humano

E estou confinado a cantar esta canção

–Como assim você não tem ninguém? Não tem a mim? E aqueles presentes que recebia-

–Foi o Alex. Ele só estava brincando comigo...

Pasmo Matheus afastou-se, segurando nos ombros pequenos do loiro falso. Tentou encará-lo seriamente, mas parecia uma missão impossível devido os machucados cada vez mais vivos.

–Quem te disse isso?

–Ele mesmo... – dito isso Lucas fugiu com o olhar, desencorajado. – Ele admitiu que só estava querendo brincar e me iludir...

Apertou rapidamente os ombros abaixo de suas mãos para, em poucos segundos se dar conta daquilo que fazia e cessar. A primeira reação foi sentir raiva, indignado por uma mentira de tamanha proporção, na maior cara de pau. Então, quando foi abrir a boca e verbalizar a sua indignação pausou e então veio a tempestade mental, com tudo que tinha para colocar pra fora.

Levantou-se de forma ereta e pôs as mãos na cintura, colocando tudo para fora.

–Você acreditou nesta mentira sem precedentes? Achou mesmo que o Alex saberia sobre seu sonho de ter um coração que o complete? Ou que o amor é a coisa mais importante pra ti? Achou mesmo que o Alex saberia sobre seu sonho de ter nascido loiro, mas que agora acha charmoso ter essa raiz escura? Achou que o Alex saberia dizer que o chocolate com licor de cereja ser o seu favorito ou que você coleciona chaveiros? Achou mesmo que o Alex se daria ao trabalho de passar a noite toda bolando bilhetes anônimos, transfigurando a escrita para, no dia seguinte chegar mais cedo e esconder tudo apenas para ver o seu sorriso? Porra, Lu! Eu devo ter feito algo de muito errado para você acreditar nessa porcaria!

Viu os olhos embaçados piscarem diversas vezes, não para tirar o excesso d’água, como seria o pensamento lógico. Era figurativo, causado pela confusão daquele discurso. Percebendo isso Matheus perdeu a pose, sabendo muito bem para onde o raciocínio lógico levaria o pequeno emo.

–Foi você, Matt...?

Suas bochechas ganharam a coloração mais avermelhada que Matheus poderia imaginar, tudo graças ao seu coração, batendo acelerado, bombardeando seu sangue em uma velocidade incrível. Seu corpo ficou mole e trêmulo, quase o levando ao chão. Seus ombros cederam e seus braços caíram, completamente desarmado.

–Eu amo você, Lu... Por que eu não posso ser bom o suficiente? – seus olhos extremamente verdes marejaram antes da primeira lágrima escorrer, sendo seguida por uma segunda no lado contrário. Esforçara-se para dizer tais palavras e, após elas não pareciam ser o suficiente. Tinha, crescendo em seu peito a necessidade urgente de botar para fora tudo que sentia. – Sabe, eu te amo há muito tempo. Você foi o primeiro garoto por quem eu me apaixonei, pois é, descobri ser gay por sua causa. E eu te amo tanto, tanto... Que ver o merda do Alex receber todo o seu amor me fazia chorar a noite, entende? – pausou e tentou secar suas bochechas, mas assim que passava a mão levando algumas estas eram substituídas por outras.

Percebeu que, a sua frente o loiro falso o fitava abobalhado, com lágrimas secas no rosto. Pela primeira vez aquele olhar castanho recaído sob si não o intimidou, pelo contrário, após engatilhar queria mais é se livrar de todos aqueles sentimentos transbordando de seu coração.

–E eu fiquei tão puto com o desgraçado que eu dava pra ele apenas para que não chegasse perto de você. Porque ele sempre foi e sempre será um idiota que só iria magoá-lo e mesmo assim... Ver você acreditar e desacreditar no amor por causa daquele merda foi como se arrancassem meu coração e o estraçalhassem. Porque eu te amava louca e incondicionalmente, mas sempre tinha o empecilho chamado Alex no caminho! Porque ele te faz chorar ou sorrir e eu nunca tive a chance de ser algo... Então eu penso: “ah, vou demonstrar todo meu amor anonimamente”, mas isso só te fez feliz porque você pensou que tinha sido daquele pedaço de merda! E eu o odeio! Pois é, eu odeio alguém! Eu odeio o merda do Alex que te tirou de mim dia após dia! E eu também me odeio, porque eu nunca consegui ser tão bom quanto ele. E eu odeio todos por serem idiotas e incapazes de entender! Eu odeio todos por não odiarem o Alex! Eu quero mais é que o mundo se foda!

Respirou e inspirou, pois seus pulmões clamavam por ar. Estava tão profundamente envolvido naquilo que dizia, domado pelos sentimentos que nem ao menos se censurou por dizer tantas palavras de baixo calão. Porque elas expressavam perfeitamente como se sentia então que se foda a educação.

– Eu só não odeio você, porque o amor ocupa tanto espaço que é impossível eu sentir qualquer outra coisa por ti – respirou novamente, fungando e esfregando seus olhos com força. Felizmente, naquele dia em específico estava sem maquiagem. Apenas os olhos verdes, avermelhados. – Como eu me odeio... Também por estar chorando na única vez que tenho alguma coragem de dizer o quanto te amo. E eu gostaria que esse momento fosse especial, sabe? Uma declaração romântica, em um local romântico como uma praia ou algo assim... E mesmo tendo esperado por quatro anos agora eu fodo com tudo, perdendo a chance de tentar tornar isso especial... Mas se quer saber-

Fora interrompido com um toque em seus lábios. Um simples e suave selinho. Pra começar que nem ao menos percebera quando o loiro se levantara, ainda mais quando o alcançara. Talvez tivesse sido as lágrimas, bloqueando sua visão, ou seu cérebro, ignorando tudo que via. Enfim, independente de como acontecera aconteceu, estava sendo interrompido por selinho do amor da sua vida.

– Você é tão lindo... – balbuciou, acariciando a pele macia do rosto infantil. Tinha, ainda suas últimas palavras de amor. – É lindo e pode ter qualquer garoto que quiser. Se ao menos me desse uma chance... Por que você foi se apaixonar logo por aquele idiota...? Eu te amo, Lu. Te amo mais do que qualquer outro te amará...

Aquilo soou estranhamente familiar para o loiro que prontamente ignorou, mas ocupado com o geral.

– Por que nunca me disse nada, Matt? – emburrou-se o pequeno, formando um bico com os lábios avermelhados. Acrescentou, antes que o moreno começasse um novo discurso: — Essa é a declaração mais linda que eu poderia receber... E da pessoa mais especial que poderia fazê-la... Eu nunca pensei que poderia ser bom o suficiente para ficar com você, Matt...

– Mas... O quê... Eu... – não conseguiu formular qualquer resposta. Assustara-se com o “... pensei que poderia ser bom o suficiente para ficar com você...” porque, bem, aquelas eram as suas palavras!

– Não vais me beijar? – pediu Lucas, como uma criança mimada.

O mais velho não perdeu tempo, segurando na cintura do pequeno e atacando seus lábios em um beijo voraz completo e totalmente apaixonado. Porque era com o seu loirinho... E porque era após declarar todo o amor que guardava em seu coração há muitos anos... Porque podia tocar em sua cintura, sabendo que ele estava na ponta dos pés sem se preocupar se seria perfeito. Já era perfeito apenas em ser com amor...

Então ouve a minha voz
Lembrando-te para não sangrares
Eu estou aqui

– Matt...

Interromperam o beijo após um bom tempo, em busca de ar. Ainda sim não o largou, mantendo-o preso em seus braços, como se a qualquer momento pudesse fugir.

– Matt, você quer fazer amor comigo?

Levou um susto tão grande que largou o loiro, deixando-o livre de seus braços. Teria corado se seu rosto já não estivesse vermelho demais. Observou aquela face meiga e inocente, com os olhos ainda avermelhados e o rosto com as lágrimas secas. Realmente não parecia que aquelas palavras saíram daquela criança inocente.

– Oi? Quê? Você quer agora?! Não prefere esperar? Eu juro que posso tornar tudo o mais especial possível, sem dor e-

– Vai ser especial pra mim se for agora, depois de tudo que você me disse e não com algo planejado e perfeitinho.

Seu coração pulou, conseguindo bater mais forte que antes. Deveria tomar cuidado, pois estava à beira de um ataque cardíaco, contudo quem se importaria com algo assim tendo seu amado em seus braços pedindo-lhe para “fazer amor”?

Beijou-lhe de forma doce, não querendo, em momento algum, machuca-lo. Começou com carinhos leves em sua cintura, espreitando suas mãos por debaixo do casaco e da blusa colada. Tocava, finalmente, naquela pele branquinha e sensível que se arrepiava com seu toque. Ficou assim por longos segundos, tomando coragem para, finalmente, retirar-lhe a vestimenta superior, interrompendo o beijo para a passagem desta. Quando o encarou o loirinho sorriu, com as bochechas levemente avermelhadas em uma expressão que superava qualquer nível de ‘fofura.

Atacou seus lábios novamente como uma escapatória para o acúmulo de nervosismo. Começou a brincar com o cinto do pequeno. Não tinha coragem de retirá-lo e, ainda por cima nem ao menos conseguiria. Suas mãos tremiam demasiadamente.

– Você tem que tirar sua roupa também – riu o loirinho, indicando a parte superior da vestimenta de Matt. O mais velho não perdeu tempo, apressando-se em retirar seu casaco e camisa, em um puxão só.

Observou Lucas, aguardando sentado aos pés de sua cama, balançando as pernas como a criança que realmente era. Seu peito apertou e não pode evitar derramar algumas lágrimas ao ver o peito, braços, mãos e pescoço do pequeno coberto por manchas roxas e vermelhas causadas pela agressão que sofrera de um próprio familiar.

– O que foi, Matt? – questionou ao perceber as lágrimas que se apresentavam.

– Eu te amo tanto – pronunciou com a voz embriagada e o queixo trêmulo. Aproximou-se cuidadosamente do pequeno, encostando seus lábios nos dele. Queria beijá-lo, de novo e de novo, até que toda a dor que sentia por não ter o protegido esvaísse de seu peito.

Então Lucas recuou com a cabeça, querendo ir para trás. Ao invés de recuar junto o moreno pôs as mãos em seus ombros e o puxou, frustrando o pequeno.

– Você não quer fazer amor comigo, Matt? – irritou-se o mais novo, formando o seu característico bico infantil.

Assustou-se para, ao superar suspirar pesarosamente. Puxou a mão delicada do loiro e pôs em seu peito, encima de seu coração. Este levou um susto.

– ‘Noooooossa... Você não vai morrer, ‘né Matt?

Riu, um tanto envergonhado e tímido. A verdade era que não sabia responder aquela pergunta com total sinceridade.

– É porque é você, Lu, então meu coração não me deixa esquecer isso. E a todo o momento meu corpo me lembra que é a pessoa que eu tanto amo e responde a isso, de todas as formas. – Suspirou, puxando a franja negra com uma das mãos para longe de seu rosto. – Eu realmente desejo, do fundo de meu coração que tudo seja perfeito para você, porque é o que mereces. Foi pra isso que eu me preparei ao longo de todos estes anos. E agora eu me sinto tão... Porque eu não quero que acabe como seu primeiro beijo.

– O que tem meu primeiro beijo? Foi com você, sabe disso, Matt.

– Foi péssimo. Depois você me disse que tinha sido um desastre e queria que tivesse sido muito melhor.

– Porque eu me saí muito mal. Você foi perfeito, no momento perfeito e com um beijo perfeito. Eu fui todo bobo e nem sabia o que fazer direito. Fiquei até envergonhado.

Matheus parou, tentando digerir a informação. Aquela era mais uma novidade que ia contra tudo aquilo que acreditara durante anos e formara sua personalidade. Posicionou as mãos na cintura, indignado.

– Loirinho, você tem que escolher melhor suas palavras. Sabes quantas noites de sono eu perdi pensando na pessoa estúpida que eu era e quantos meninos eu beijei para me tornar melhor para você?

O menor recuou, intimidado. Fez um bico com os lábios e olhinhos brilhantes como um cachorrinho sem dono.

– Desculpe.

Matheus avançou e abraçou-o, martirizando a si mesmo por ter assustado o amor de sua vida.

– Sou eu quem peço desculpas. Eu Entendi mal, desculpe Lu.

Segurou em seus ombros e desmanchou o abraço, encarando-lhe nos olhos castanhos. Encostou seus lábios naqueles vermelhos pidões, pois não conseguia fitá-los, ter aquela chance e simplesmente ignorá-la.

– Então você quer fazer isso ou esperar?

– Fazer. Agora. Eu quero que você faça amor comigo, Matt.

Suspirou pesarosamente, deixando que seus braços amolecessem e caíssem ao lado de seu corpo. Sentou-se ao lado do loiro falso aos pés da cama. Surpreendeu-se ao perceber que o pequeno resolvera tomar uma atitude, subitamente subindo em seu colo, com uma perna de cada lado do seu corpo.

– Eu quero assim, juro por tudo. Pra ser perfeito você tem que ficar nervoso, me tocar sem ficar planejando trinta mil vezes antes e sem buscar objetos sexuais. Quero que me beije nervoso e que trema porque tudo isso significa que me ama de verdade. Se nada desse errado eu não sentiria que realmente sou amado.

Fora desarmado completamente perante tais palavras. Não tinha o que dizer contra aquele argumento que fosse plausível. Lucas estava correto, mas talvez pensasse assim somente porque o amava e sempre o acharia com toda a razão. De qualquer forma ele estava, aparentemente, certo.

Levou sua mão esquerda até o rosto machucado, acariciando a bochecha quente. Sentiu seus olhos marejarem e sorriu, um sorriso nada forçado, contudo um tanto entristecido.

– Eu te amo, Lucas, mas está errado se achas que eu nunca antes planejei como seria esse momento.

A distração funcionou, relaxando ambos os adolescentes. O pequeno riu de verdade, contrastando com seu rosto machucado. Puxou uma bolada de ar e deu dois tapinhas leves na perna do garoto no seu colo, indicando que era para se levantar.

– Deite-se – somente percebeu seu tom autoritário após ter dito e quando fez menção de voltar atrás não precisou, pois o loirinho já estava indo deitar-se no centro da cama de solteiro com um edredom preto de caveirinhas.

Sem olhar para trás levantou-se e retirou os all stars cinza e as meias. Tomou fôlego novamente e virou-se para a cama, sentindo o coração falhar uma batida de tão forte que estava bombardeando o sangue. Viu aquele ser indefeso deitado, com os all stars de cano longo, quase em seu joelho, balançando. As pernas estavam flexionadas, em uma posição completamente entregue. Apressou-se ao subir na cama, engatinhando até ficar por cima dele e poder beijar seu rosto, começando pelas feridas.

Fitou-o nos olhos castanhos claros tão inocentes e beijou-lhe, tão apaixonado quanto estava. Foi descendo suas mãos pelo corpo magro e machucado abaixo de si, acariciando cada mínimo canto da forma mais delicada e cuidadosa que conseguia. Tremia mais do que deveria, entretanto por algo assim ele já esperava.

– Tudo bem? – perguntou ao interromper o beijo em uma grave necessidade de buscar por mais ar. Preocupava-se com as feridas por toda a extensão do corpo de seu amado e em todas as formas nas quais ele poderia machuca-lo.

O loirinho maneou a cabeça positivamente e mordeu o lábio inferior, suspirando de forma gostosa. Aquela expressão, mesmo suavizada instigou-o, como uma droga injetada direto na veia. Era seu Lucas e naquele momento teria a chance de ver todas as suas melhores expressões...

Desceu o rosto para distribuir beijos por sua barriga, mesmo encima dos machucados escuros, estes fora beijando com o maior esmero que conseguia. Vez ou outra lambia, tentando evitar mordiscar, mas acabava caindo na tentação quando conseguia uma parte de seu corpo sem qualquer marca – o que era absurdamente difícil.

Passou as mãos pelas pernas do menor, por cima da bermuda que ele vestia. Descendo percebeu que ele ainda estava com seus all star de cano longo no caminho. Parou seus beijos e ergueu-se, encarando os cadarços do tênis que iam até seus joelhos. Seria um verdadeiro sacrifício retirá-los – constatou para, logo após seu nervosismo aumentar drasticamente, fazendo Matt se perguntar como aquilo era possível.

– Eu vou morrer desamarrando isso – deixou escapar assustado, com seus belos olhos verdes cravamos nos cadarços que apertavam o tênis nas pernas magras.

– Não precisa, tem um zíper.

–Sério? – escapara novamente. Fechara a boca numa tentativa falha de conter suas palavras e sorriu, percebendo que o mais novo virara a perna para o lado, deixando a mostra o zíper que ia de cima a baixo. – Que criação inovadora...

Ouviu a risada gostosa do loirinho abaixo de si e não conseguiu evitar que um sorriso se alastrasse por seu rosto enquanto abria o zíper dos all star de botinhas de Lucas. Tirou um e seus dentes apareceram mais, com os lábios repuxados, descrente. Retirou o outro e parou por alguns segundos, fitando as meias do pequeno, ainda sem acreditar na informação que seus olhos passavam para seu cérebro processar...

–Não, espera aí...

Com uma ajuda do loiro puxou sua bermuda e constatou que aquilo que via não era nenhuma miragem sexual provocada pelo seu cérebro. Lucas realmente estava com um par de meias listradas que iam até suas coxas e uma cueca box preta cheia de caveirinhas lilás. Arrepios percorreram todo seu corpo, principalmente entre suas pernas.

– Não me olhe ‘assiiiiiim – resmungou com as bochechas cheias ganhando uma coloração cada vez mais avermelhada. – Não gostou, Matt? Eu não te excito...?

– Não faça essa cara! – exaltou-se com a visão total que tinha. Lucas semi-nu, com aquela expressão fofa, olhos chorosos e um bico exagerado. Céus, amava-o mais do que qualquer parte de seu corpo poderia aguentar! Principalmente seu pênis... – Assim eu vou te devorar...!

Lucas riu antes de ser beijado mais uma vez. O moreno, apressado e excitado não perdeu tempo e desceu seus lábios para o peito do menor, alcançando seu mamilo direito. Chupou-o sem pensar duas vezes recebendo os mais fofos e lânguidos gemidos que já escutara ao longo de sua vida sexual.

– Mais forte...

Atendera o pedido prontamente, sem duvidas. Lambia e mordiscava o direito enquanto apertava o esquerdo, trocando logo em seguida. Sentia uma das mãos do loirinho aninhar-se em seus cabelos, sem puxões. As pernas não tardaram para serem enlaçadas em sua cintura, pressionando a ereção do mais novo com a sua própria.

Pausou, afastando um pouco os corpos, já sentindo o suor escorrer a sua nunca. Fitou-o e nunca se sentira tão pedófilo, pois Lucas parecia uma criança, com uma expressão de prazer e deleite. Respirou fundo e fechou os olhos minimamente, excitado demais; duro mais ainda.

– Você é uma tentação, Lu...

Em resposta ouviu-o rir, como uma criança. Abaixou-se para beijar seu umbigo, descendo propositalmente uma trilha de saliva. Passara a língua até chegar à cueca, onde parou, beijou e mordiscou, por cima do tecido fino. Os gemidos arrastados tornavam-se cada vez mais altos e satisfatórios. Agradeceu que a casa estivesse vazia, assim poderia ser o único a ouvir o seu Lucas, sem censurá-lo...

– Matt... – os gemidos misturavam-se a chamados roucos, incentivando cada vez mais reações sexuais por parte do mais velho.

Sem muita protelação retirara a cueca do loiro, fazendo questão de manter as meias listradas. Retirada a peça concentrou-se no membro libertado para, após, abocanhá-lo, recebendo um forte puxão de cabelo. Não era difícil colocá-lo todo dentro de sua boca, pois não era muito grande. Lambeu de cima a baixo, tomando cuidado com os dentes para não machuca-lo. Poderia pergunta-lo se estava gostoso, todavia palavras eram desnecessárias enquanto ruídos sensuais deixavam a garganta do mais novo.

Após pouco tempo mudou e usou do auxílio da mão para estimulá-lo, podendo retirar de dentro da boca. Concentrou-se em passar a língua, da base até a glande, provocando. Também não pode deixar de manter seus olhos verdes fixos em cada expressão de prazer do pequeno, deleitando-se com suas reações, vez ou outra puxando um tanto de seus fios negros.

– Matheus... Eu estou...

Entendera o recado rapidamente. Sentia o seu próprio membro quase explodir preso dentro de sua calça com cada expressão sensual do menor. Novamente pôs seu membro todo dentro da boca e implicou com a língua, sentindo o líquido quente e viscoso escorrer, preenchendo sua boca com o sêmen de seu Lucas. Parou e engoliu com a sensação da gosma passando pela sua garganta. Como reação seu próprio membro pulsou, obrigando-o a levar uma mão e apertá-lo por sob a calça jeans.

– Bom? – perguntou assim que os grandes olhos castanhos abriram-se, inebriados.

– Muito...

– Quer mais?

– Hum... Quer que eu faça para você?

Matheus envergonhou-se por ser pego e espremeu os lábios, mudo. Seria incrível ser chupado pelo amor da sua vida, contudo deveria dar um passo de cada vez, assim como planejara e tornar tudo o melhor possível para ele, deixando de lado suas próprias necessidades egoístas...

Aliás, era a primeira vez que lembrava-se do dever de dedicar-se para tornar aquela primeira vez a mais especial possível! Sua mente era uma grande traid-

– Matt?

– Na verdade não. Se você fizer isso eu não conseguirei chegar até o fim – admitiu, receoso e assustado. Não fazia parte de seus planos ter de encurtar o momento para conseguir satisfazê-lo ao máximo.

– Tá... – respondera o pequeno, sorrindo travesso. Não tardou para Matheus entender o porquê, pois logo sentira seu membro ser acariciado por cima da calça, mandando estímulos elétricos para todo seu corpo. Não aguentou e mordeu o lábio inferior, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos.

Ainda resmungou um “merda” antes de abrir o zíper de sua calça e rapidamente retirá-la, junto a sua própria cueca. Suas mãos tremiam nervosamente. O suor já escorria por toda a extensão de suas costas. Desejava a todo custo possuir logo aquele corpo frágil e machucado abaixo de si. Não aguentava, pois toda sua mente era preenchida com o desejo forte e inabalável.

– Você vai colocar agora?

– Vou... Não, espera – balançou a cabeça e apertou as próprias pernas, excitado ao extremo. – Não, eu tenho que te preparar antes.

– Com os dedos?

– É... – respondera fracamente, com a própria voz rouca e enfraquecida. Lambeu os próprios lábios antes de atacar aqueles a sua frente, voraz e ambicioso. Beijou-o de forma violenta e descontrolada, descendo suas mãos por toda a carne quente, almejando cada pequena parte daquele corpo, a partir de cada canto de sua boca. Lucas era todo e completamente seu, ninguém mais tinha o direito de chegar perto ou respirar o mesmo ar que. Amava-o tanto, tanto... Do fundo de seu coração até cada pedaço de sua alma. Desejava-o tanto que ainda não acreditava que estava conseguindo manter tanto o controle perto dele.

Apoiado no colchão com um dos braços não conseguira evitar que seu corpo se movesse, esfregando sua ereção no pênis menor que dava sinais de reação. Friccionava todo seu corpo quente e suado contra o frágil abaixo de si, suspirando em meio ao beijo com o alívio que sentia.

– Matt – fora chamado assim que interrompera o beijo. Não cansava de encará-lo e quando estava prestes a atacar seus lábios novamente fora rejeitado, pois o loiro desviara o rosto com um resmungo teimoso.

– O que foi...?

Sem resposta verbal Lucas puxara a mão esquerda do moreno repousada em sua barriga, levando-a até seus lábios, introduzindo dois dentro de sua boca abrasadora, lambendo-os por completo.

Abobalhou-se com aquela cena, sentindo os tremores percorrerem todo seu corpo. Seus dedos sendo devidamente lubrificados por aquele ser com aquela expressão de inocência e satisfação, tão sexy e tão tentadora... Com aqueles grandes olhos castanhos cobertos pela maquiagem borrada encarando-o...

Oh, céus, que Deus lhe ajudasse, porque já não aguentava mais!

– Pronto, pronto. Está muito bom – apressou-se, retirando os dedos de dentro da cavidade úmida.

Abaixou sua mão, guiando-a até o orifício do loiro enquanto distraia-se em atacar aquele pescoço alvo, lambendo e ouvido os suspiros próximos de seu ouvido, arrepiando-o. Começou como deveria, introduzindo apenas um dedo naquele local apertado e ambos ofegaram, em êxtase. Movimentou, entrando e saindo de seu ânus, sentindo-se ser esmagado.

– Relaxe, meu amor... Por favor, relaxe, eu não quero machuca-lo – sussurrou ao pé de seu ouvido, sentindo-se tentado a mordiscar aquela orelha tão fofa, o que de fato fez, observando de perto enquanto os pelinhos da nuca do mais novo eriçavam-se.

Seguiu com os movimentos lentamente, mesmo que desejasse ir cada vez mais rápido e poder, finalmente, penetrá-lo. Foi paciente enquanto o loirinho relaxava, dando maior liberdade para finalmente introduzir um segundo dedo. Novamente Lu contraíra-se, seguido de um resmungo.

– Vamos, relaxe meu amor, logo, logo ficará melhor, eu prometo – pronunciara-se, mesmo ciente de que a tendência era piorar.

Aguardou uma brecha para seguir com os movimentos, mesmo sentindo que ainda estava forçando mais que o necessário a entrada. Beijou-lhe a extensão do pescoço diversas vezes, descendo até o ombro magro e marcado pela agressão que outrora sofrera. Apressado introduzira um terceiro dedo, forçando... Não tardou para ouvir um choramingar baixinho.

Surpreso ergueu o rosto, fitando ao seu loirinho com água acumulando-se em seus olhos. Pasmo retirara seus dedos de dentro de seu corpo, apoiando-se para beijá-lo uma e outra vez.

– Me desculpe... Me desculpe... Me desculpe... Me desculpe – pedia intercalando com selinhos afoitos. Porque estava machucando aquele quem tanto amava ao invés de preocupar-se em dar-lhe a melhor primeira vez possível. Sentia-se estúpido em ter posto seu prazer acima do pequeno, sem lembrar-se do motivo de ter feito sexo tantas vezes antes, aceitado qualquer um, ensaiado tanto...

Sua garganta fechou-se e seus próprios olhos encheram-se d’água. Fitou-o, completamente arrependido. Seu coração doía e apertava em vê-lo chorar por algo que deveria ser tão prazeroso.

– Me desculpe, Lu. Eu sou um completo idiota por te machucar. Não vou mais continuar.

– Tudo bem, Matt. Eu quero que você continue...

– Mas eu vou te machucar ainda mais – respondera-lhe com a voz trêmula, total e completamente arrependido por suas escolhas.

– Eu quero ir até o fim. Sei que depois melhora...

Suspirou pesaroso e roubou-lhe outro beijo, descrente em si próprio. Baixou sua mão para continuar, entretanto esta fora interceptada no caminho, segurada entre duas mãos menores.

– Eu quero você agora.

– Mas você não está pr-

– Estou sim, Matt!

Mordeu o lábio inferior, sentindo seu queixo tremer pelo choro.

– Vai doer muito...

– Eu sei...

– E eu não poderei fazer nada para tornar mais fácil...

– Eu sei...

Trêmulo engoliu seu coração que tentava saltar para fora. Beijou-lhe a bochecha cheia com todo o esmero possível, sussurrando um “eu te amo” no seu ouvido. Manteve seu rosto ali, escondido enquanto preparava-se, ainda temeroso.

– Eu quero poder olhar pra você, Matt...

Obedeceu, envergonhado. Subira seu rosto, encostando sua testa com a do loirinho. Sentiu ambas as mãos quentes e suadas em suas bochechas, uma de cada lado de seu rosto e permitiu, beijando uma delas. Encarou aqueles olhos inocentes que tanto amava enquanto forçava-se para dentro de seu corpo por um orifício pequeno e despreparado demais para recebê-lo. Quando pode constatar que a expressão de seu Lucas começava a mudar beijou-lhe os lábios docemente.

Começou, mas parou assim que a resistência fora imposta. Não pode evitar e teve de retomar o contato visual, recebendo boladas de ar de encontro ao seu rosto. Observava cada mínima reação sua, sentindo quando seus músculos estavam finalmente relaxados, facilitando um pouco a invasão.

Lágrimas escorriam dos olhos castanhos antes mesmo que a penetração fosse finalizada. Ainda que o pequeno não mais resistisse ainda era muito difícil acomodar algo tão grande dentro de um buraco tão pequeno. Quando finalmente conseguira introduzir-se por inteiro sentira as ondas de prazer, percorrendo todo seu corpo. Era tão bom estar naquele lugar tão quente e apertado... Ainda sim seu coração não deixava esquecer-se por um segundo sequer das lágrimas que manchavam a face delicada de seu amado.

– Quer parar? Podemos tentar outro dia... Eu sei que dói, Lu, e se eu pudesse sentiria toda a dor por você...

Um breve e significativo sorriso apareceu em seus lábios, pequeno e abalado.

– Eu sei, Matt. E eu não quero parar porque... Eu sei que sou um grande chorão, mas eu ainda estou duro...

Só então dera-se conta que realmente o pênis de seu pequeno estava mesmo ereto, pressionado pela sua barriga, então apenas após percebera que seu loirinho não era uma mulher e tinha outro ponto de prazer além da penetração.

Suspirou pesarosamente, sentindo-se um completo idiota.

– Desculpe...

Ainda tendo seu rosto envolto pelas mãos suadas moveu a sua própria, segurando o membro ereto do corpo abaixo de si, masturbando-o. Começou lentamente e foi aumentando a velocidade, acariciando completamente o pênis, de cima a baixo. Com o indicador passava na glande, espalhando o gozo presente ali. Tentado abaixou o olhar, observando se seus movimentos eram satisfatórios.

– Matt, pra mim! Olhe pra mim!

Obedeceu sem objeções, testemunhando que o estímulo estava fazendo efeito. Além de relaxado o loiro parecia mais exaltado, apreciando a carícia. Sorriu um pouco mais calmo, mantendo o contato visual.

– Posso me mexer? – pediu carinhoso em um leve roçar de lábios.

– Uhum...

Começou com movimentos extremamente lentos, ignorando completamente seu prazer e vontade avassaladora de estocar com força. Foi calmo e paciente, pois todo o cuidado do mundo parecia pouco tratando-se da pessoa mais importante da sua vida.

Movimentava-se lentamente, buscando por um ponto específico de seu corpo. Sorriu ao encontra-lo e ouvir um gemido lânguido e alto. Os grandes olhos não mais o encaravam, fechados para melhor apreciar o prazer que fizera seu corpo tremer.

– Mais forte, Matt...

Obedeceu sem objeções, sentindo seu corpo cada vez mais quente e desejoso. Iniciou um novo beijo afoito, enlaçando suas línguas enquanto apreciava os arrepios que abalavam seu corpo. Concentrara-se em manter os movimentos das estocas no mesmo ritmo dos de sua mão, estimulando o máximo possível seu loirinho. Sentiu quando as pernas magras voltaram a envolver sua cintura, aumentando a força exercida no ato sexual. Buscava sempre por aquele mesmo ponto prazeroso do menor e se sabia alguma coisa era como encontra-lo e como acerta-lo uma e outra vez.

– Eu te amo, Lucas... Te amo muito, do fundo do meu coração... – dizia com dificuldade, pois sua respiração saia cada vez mais entrecortada e descompassada. Recusava-se a separar suas testas, aproveitando cada chance que tinha de manter contato entre as peles.

– Também... Também te amo – fora a resposta suave daquela voz meiga que preenchera seu coração. Não tinha uma sensação melhor que aquela, pois naquele momento sentia que se morresse estaria tudo bem, afinal experimentara o melhor sentimento de todos.

Seguiu, rápido e com força, sussurrando tantos “eu te amo” quando sua língua conseguia formular, dentre outras coisas bobas e apaixonadas. Ouvia cada gemido com prazer, respondendo com mais estocadas firmes e fortes naquele mesmo ponto, almejando por mais ruídos e mais altos... Desejando dar o maior prazer de todos para o primeiro garoto que amara com todo seu coração...

Lucas chegara ao ápice antes, gozando na mão e peitoral do moreno. Pouco depois Matheus atingiu seu próprio clímax, tremendo violentamente. Fizera-o dentro do corpo frágil, preenchendo este com seu sêmen. Gemeu abafado e permaneceu assim, com a cabeça enterrada na curva do pescoço do pequeno. Não queria retirar-se dali ou larga-lo por um segundo que fosse.

– Matt... Agora está me machucando...

Apressou-se em retirar-se de dentro do corpo, tombando ao lado deste com cuidado para não cair da cama de solteiro. Puxou Lu para seus braços, apertando-o e abraçando-o, esperando transmitir todo o amor que preenchia seu corpo.

– Te amo, Lu. Te amo mais do que você pode imaginar... Te amo mais do que a mim mesmo... Te amo mais do que posso suportar...

– Também te amo, Matt... Obrigado por me dar a melhor primeira vez de todas... – retribuiu o pequeno, abraçando o maior com o rosto escorado em seu peito. – Hum... Eu posso te fazer um pedido...?

– Qualquer coisa... Pode me pedir minha alma que eu te dou... – foi sincero, pois sentia-se tão perdidamente apaixonado que daria sua vida se fosse necessário...

– Canta pra mim...

O Salvador

Estará lá

Quando estiveres a sentir-te só, oh

Um Salvador

Para tudo o que tu fazes

Então vive livre

Sem o seu mal

.

Acordara tão logo eram duas da tarde após uma pequena soneca. Percebera que havia um pequeno peso em seus braços e sorriu, com seu peito enchendo-se de felicidade e amor. Observou a expressão sonolenta no rosto ferido e sentiu-se mais apaixonado que antes. Simplesmente não podia pedir por nada mais após ter tido o melhor momento da sua vida.

Permanecera pouco tempo admirando-o até entender que havia um grande caminho pela frente e a responsabilidade o chamava. Entristeceu-se ao ter que retirar o pequeno aninhado em seu peito e deixa-lo só na cama, mesmo sabendo que não iria longe. Tomou todo cuidado para não acordá-lo, pois deveria descansar muito após todos os eventos que se desenrolaram.

Levantou-se e juntou suas peças de roupa, após deixara o quarto por breves minutos, em busca de um banheiro. Encontrou e limpou-se o melhor possível antes de vestir sua roupa de volta. Após retornou para o quarto e parou por alguns segundos, admirando o pequeno adormecido.

Certo, foco!

Tateou seu celular e pegou-o, sentando-se ao lado de Lucas na cama. Procurou o número na agenda e ligou, aguardando. Enquanto chamava não pode evitar levar a mão livre até a cabeleira descolorida de raiz escura, bagunçando em um cafuné carinhoso.

– Mamá?

– Oi mamãe. O papai está em casa?

– Está. Hoje eles foram liberados mais cedo porque aconteceu um acidente lá no trabalho.

– Mas ele está bem, certo? – preocupou-se, pois após tudo que ocorrera em metade de um dia...

– Está sim, foi com um colega de outro setor e ele também está bem.

– Certo... Mãe, sabe o Lu? – começou, incerto das palavras que usaria, ainda que soubesse muito bem a resposta que receberia.

– Claro que sim, Mamá! Aconteceu alguma coisa com ele?

– É... O pai dele descobriu que ele é gay, bateu nele e o expulsou de casa.

– Meu Deus, Matheus! – exaltou-se a mulher do outro lado da linha, exclamando um tom mais alto. – Pobrezinho! Como ele está? Ele tem para onde ir? Mamá, traga ele para casa agora! Ele vai morar conosco!

Sorriu abertamente, sem precisar de mais palavras. Sua mãe era assim e conhecia-a bem o suficiente para deduzir qual seria sua reação.

– Eu vou fazer o convite, mamãe. Ele não tem para onde ir, estava até pensando em se matar ou algo assim...

– Não, nem pensar! Luquinhas não vai ficar sozinho nem por um segundo! Que tipo de família expulsa alguém como ele de casa?! Mamá, traga ele pra cá agora! Isso não é um convite, é uma intimação. Eu vou mandar seu pai buscar vocês, onde estão?

– Calma mãe. Estamos na casa dele... Ou ex-casa. Peça para o papai vir daqui uma hora que temos que juntar as coisas dele ainda.

– 60 minutos exatos, Matheus. E se forem terminar antes me avise que seu pai vai busca-los. Vou esperar com um lanche bem gostoso.

Sentiu-se mais tranquilo, ainda que soubesse de antemão que toda sua família adoraria a ideia de Lu indo morar com eles. Suspirou, sem conter um sorriso.

– Certo mamãe, prometo. E... Ah, mãe... – pausou, envergonhado. – Eu me declarei...

– Verdade? Oh, Mamá! Que perfeito! Vamos, apressem-se que eu quero vocês aqui logo para que eu possa abraçar e amar meu novo filhote/genro!

– Já vamos! Avise o papai. Beijos mãe.

– Beijos, Mamá. Não deixe Luquinhas ficar triste, não demore e abrace-o por mim. Se cuidem.

Desligou sem rodeios, pois caso mantivesse a ligação sabia que sua mãe não aguentaria e começaria a enchê-lo de perguntas. Analisou uma última vez a imagem do pequeno tranquilo em seus sonhos e levantou-se, pois ainda tinha muitas coisas a fazer antes de acordá-lo para que partissem. Dentre tantas coisas a primeira que fez foi buscar por papel e caneta. Encontrou em uma gaveta um caderno fino, adjacente a diversos lápis de cor e canetas esferográficas. Pegou uma caneta e a primeira coisa que fez foi escrever um recado para aqueles quem ficariam naquela casa, a segunda seria falar com todos seus amigos para, em terceiro, juntar todas as coisas do loirinho.

Então aqui eu escrevo a minha canção de ninar

Para todos os solitários

Lembra-te como aprendeste a tentar

Ser aquele que amas

Para eu poder pegar nesta caneta

E ensinar-te a viver

O que é deixado por dizer

O maior presente que eu dou

.

Aguardavam sentados na calçada, de mãos dadas. Matheus não podia estar mais feliz em sentir a respiração quente do loirinho batendo em seu pescoço, arrepiando-o. Os dedos menores que os seus entrelaçados davam sinais de que começariam a suar com o calor.

Aquela era a melhor sensação de todas.

Estava tão distraído e alheio que nem ao menos percebeu quando um carro surgiu na rua pouco movimentada e parou na frente deles. Quando abriu os olhos viu um emo conhecido descendo do carro. Sorriu para a figura magra vestida de preto com uma franja comprida caindo-lhe nos olhos. O moreno de olhos azuis repuxou os lábios, afastando seus dois piercings inferiores.

– Vocês parecem dois cachorrinhos abandonados... – ele proferiu em tom de brincadeira, fitando ambos. Uma rápida reação de surpresa passou por sua face ao mirar o loiro, todavia conteve-se, mantendo o sorriso. – Acho que eu vou adotar esse menorzinho.

– ‘Bryaaaaaaaaaaaan!

Lucas deixou-lhe na mesma hora, correndo até o emo diante deles, jogando-se em seus braços. O mais alto retribuiu o abraço, com os olhos azuis mantidos nos seus. Não se importava porque Bryan era um de seus melhores amigos e o último que poderia tentar roubar seu pequeno Lu.

Então ouve a minha voz

Lembrando-te para não sangrares

Eu estou aqui

– Você veio me ver, Bryan? Veio por mim?!

– É claro. Ou você achou que só o Matheus se importa contigo porque ele te ama louca e irrefutavelmente?

Bryan era calmo e contido. Escolhia suas palavras com calma e Matheus sabia o porquê, pois ainda que não concordasse ou entendesse tinha conhecimento que o moreno dos olhos azuis não possuía muita paciência com o pequenino. Ele não era do tipo que admirava coisas fofas e inocentes.

– Você sabe... Como você sabe?

– Até o meu pai sabe. ‘Né pai?

O homem parado do outro lado do carro concordou e sorriu simpaticamente, demonstrando-se ouvinte passivo da conversa. Não conseguiu evitar sorrir perante aquela cena, principalmente porque o pequeno estava sorrindo, envergonhado, alheio ao mal que lhe rodeava.

– Você contou?! Mas... ‘Bryaaaaaaaaan!

– Na verdade até o Pedro sabe. Matheus enrolou muito antes de se declarar.

– Que vergonha – resmungou o pequeno, encostando sua testa no colo do mais velho. – Se todos sabiam por que eu demorei tanto para saber?

– Estou muito atrasado? – interrompeu um quarto emo, magro e extremamente pálido, com o cabelo negro puxado para cima.

– Thiago!

O loiro não perdeu tempo, correndo de um para outro, empurrando Thiago com o impacto, fazendo o moreno recuar um passo ao recebê-lo.

– ‘Hey, tudo bem? Soube que você precisava de muitos abraços e beijos.

– Só abraços. Beijos agora só os do Matt.

– Finalmente!

– Você também sabia?! – envergonhou-se o pequeno, fazendo um bico fofo com os lábios.

Nem um minuto havia se passado da chegada de Thiago e Matheus reconheceu o carro de seu pai, estacionando próximo deles. Sorriu quando o homem desceu do carro e fez a volta, indo até o porta-malas. Levantou-se e pegou as coisas de Lucas sem alarmes, recebendo ajuda de Bryan para carregar até o carro. Não eram muitas coisas, uma mala e duas mochilas, todavia o suficiente para que precisasse de ajuda.

– Esse é seu amigo, filho? – perguntou seu pai para só então se dar conta de Bryan ao seu lado, sorrindo sem graça.

– Ah, é, esse é o Bryan. Bryan, esse é o meu pai. Ele esteve lá em casa uma vez, mas você estava no trabalho.

Cumprimentaram-se e Bryan chamou pelo pai, apresentando-o. Matheus sorriu e o cumprimentou, curioso em finalmente conhece-lo, já que ouvira Bryan falar dele várias vezes.

– E o Lucas? Ele está bem? – seu pai perguntou, fitando-o preocupado.

– Ah, sim, parece que nem nos viu. Fisicamente machucado, mas bem.

– Foi o pai dele? – Bryan indagou-lhe rapidamente, um tom mais baixo. Em resposta apenas maneou a cabeça em sinal afirmativo, incomodado com a recordação. – Eu... Acho que devo falar com ele em particular...

Bryan afastou-se, indo para próximo de Lucas e Thiago. Disse alguma coisa e Thiago sorriu, afastando-se, seguindo em sua direção. Percebeu que ao seu lado seu pai começava uma conversa com o pai de Bryan sobre o quanto a homofobia era algo completamente ignorante e triste.

Thiago aproximou-se, preocupado. Todos se demonstravam assim porque era impossível não ver os machucados físicos expostos na pele clara do pequeno, isso que não haviam o visto sem roupa, tal como Matheus vira.

Observou enquanto Bryan dizia alguma coisa para Lucas. Parecia realmente sincero, seus olhos claros brilhavam, ameaçando derramar lágrimas que não vieram. Era verdadeiramente bom que Bryan conversasse com ele e compartilhasse dos mesmos sentimentos, pois por mais que tentasse entender como era a desolação de ser rejeitado por quem mais amava não conseguia. Fora excluído do colégio sim, contudo tinha sua casa, sua família que sempre o amaria. O pequeno experimentara o terror absoluto de ficar sozinho no mundo e Bryan... Bryan pelo menos entendia como era se sentir assim e superar...

Não demorou para que se abraçassem por longos segundos. Em seguida juntaram-se consigo. Lucas correu e envolveu sua cintura em um abraço firme antes mesmo de cumprimentar seu pai. Não constatou verbalmente, mas adorou o fato de ser o primeiro na lista do pequeno.

– Obrigado, Matt. Você é a melhor pessoa do mundo.

Sorriu e beijou-lhe o topo da cabeça, mexendo em seus cabelos.

– Te amo, Lu – disse-lhe, sentindo que poderia dizer mais uma e outra vez, entretanto nem um milhão de vezes seria o suficiente para expressar a devoção que tinha pelo menor. – Te amo e sempre vou te proteger.

O Salvador

Estará lá

Quando estiveres a sentir-te só, oh

Um Salvador

Para tudo o que tu fazes

Então vive livre

Sem o seu mal

Pelas costas do pequeno observou quando na rua surgiu um novo carro, em baixa velocidade, indo na direção deles...

... E não precisava reconhecê-lo para saber que aquele não era um bom sinal.

Forçou o aperto ao redor do pequeno quando percebeu que o carro parava atrás do de Bryan. As portas iam abrindo e as pessoas descendo. Seu coração apertava cada vez mais, sentindo que não podiam mais fugir.

– Eu te amo, te amo muito, Lu. Te amo de todo meu coração – disse-lhe próximo do ouvido, com o olhar fixo nas pessoas que deixavam o carro. – Não duvide disso nem por um segundo, certo? Eu nunca vou te deixar.

– É claro, Matt – estranhou o pequeno, erguendo o olhar para si.

– Lucas Moura.

Sentiu quando o loiro estremeceu em seus braços ao ser chamado por aquele homem, aquele quem o encarava com tanto ódio no olhar, aquele quem despedaçara o amor da sua vida e aquele quem o machucara... Pois mais que Alex, era aquele homem quem tinha todo o seu ódio.

– Não acredito que você ainda está aqui, seu merda!

Beijou seus cabelos e afagou suas costas, contendo-se o máximo possível para não atacar o homem. Mais importante no momento era proteger e acalmar o garoto menor e indefeso em seus braços. Era o amor da sua vida que finalmente o correspondia, jamais o deixaria sozinho.

– Te amo e sempre te amei. Lu, você é tudo pra mim e eu sempre vou te proteger. Não o escute...

O pai de Lucas riu.

– Então você traz toda a comissão de emos viados na esperança que eu te aceite de volta? Eu não quero vê-lo nunca mais, tenho desgosto de você.

Respirou fundo quando sentiu o choro ameaçar o jovem em seu peito. Não tinha força para continuar estimulando-o porque realmente aquele homem era o mais ignorante e desmerecedor.

– Matt...

Beijou-lhe e tentou não encarar o pai do loiro, evitando, assim, que o ódio lhe dominasse. Não queria que as lágrimas do pequeno viessem, todavia elas surgiram, repletas de fungadas e ruídos.

– Você é tudo pra mim, então por favor, não chore. Te amo com todo meu coração e alma. Você vale muito mais do que ele diz, não acredite em nem meia palavra.

O Salvador

Estará lá

Quando estiveres a sentir-te só, oh

Um Salvador

Para tudo o que tu fazes

Então vive livre

Sem o seu mal

– Quero que suma agora antes que eu mude de ideia e te bata novamente, seu merda. Suma você e esse bando de viado nojento. Espero sinceramente que todos morram.

Aconteceu e seu olhar cruzou com o dele, faiscando em ódio e raiva reprimidos. Tremeu mais do que Lucas, sentindo seu sangue ferver e seu peito encher-se com tanto rancor que deve de desvencilhar-se do pequeno, empurrando-lhe para Bryan. Avançou na direção do homem, tremendo a cada passo, abusando de seu autocontrole para não gritar ou partir para cima.

– Quer saber quem é um merda? Você é um merda de um velho homofóbico! Não vale nem o chão que pisa e não tem nenhum direito de abrir a boca para falar do meu namorado!

Sentiu quando o lado esquerdo de seu rosto fora acertado, formigando. Após ouviu gritos abafados, o principal vindo de seu pai. Não doía, de fato, o tapa forte que recebera – ainda que não estivesse acostumado com violência. Doía e fervia em seu sangue saber que aquelas mesmas mãos haviam feito os machucados que cobriam o corpo do amor de sua vida e não deixaria daquele jeito.

Literalmente partiu pra cima, acertando o cotovelo em seu estômago e o joelho no meio das pernas. No segundo seguinte sentiu-se ser erguido por trás. Esperneou contra o homem que o forte que o erguia, tentando soltar-se. Estava sendo afastado enquanto seu pai estabelecia-se contra o pai de Lucas. Não aguentou mais e perdeu o controle.

– VOCÊ NÃO TEM VALOR ALGUM, É APENAS UM VELHO AMARGURADO E MAL-AMADO! PORQUE ALÉM DE NÃO CONSEGUIR SER ALGUÉM NA VIDA NÃO CONSEGUIU NEM AO PENOS ALGUÉM PARA TE AMAR! – gritou a plenos pulmões, vendo-o dobrar-se de dor. Não era o suficiente. Odiava-o... Odiava-o... – ESTÁ ME OUVINDO? SEU MERDA FILHO DA PUTA! TOMARA QUE VOCÊ SE FODA PRA CARALHO! ENQUANTO ISSO NÃO HÁ NADA QUE VOCÊ POSSA FAZER CONTRA MIM OU O MEU NAMORADO, INVEJOSO FILHO DA PUTA PORQUE ATÉ VIADINHOS TEM ALGUÉM E VOCÊ VAI MORRER SOZINHO! NÓS ESTAMOS AQUI, MAIS FORTES E MAIS JOVENS, COM UM FUTURO PELA FRENTE E VAMOS GARANTIR O SEU INFERNO!

– Acalma-te – disse-lhe o homem que o carregava, um tom mais baixo, próximo de seu ouvido. – Não é assim que conseguirás fazer com que teu namorado pare de chorar.

Quando finalmente foi posto no chão, com a respiração descompassada e o peito irregular Lucas correu e abraçou-o, quase o derrubando para trás. Não conseguiu resistir e retribuiu o abraço, ainda trêmulo e ofegante. Lucas realmente chorava, soluçando.

– Eu te amo, Matt... – pronunciou com a voz oscilante e embriagada. – Por favor, fique comigo.

Quando ouço os teus choros

Rezando pela luz

Eu estarei lá

– Eu vou. Eu sempre vou...

Tudo acontecia tão rápido e tão drasticamente que era um caos, entretanto nada lhe importava enquanto tinha Lucas em seus braços. Havia brigas, discussões, pessoas assustadas, choros... Até mesmo Luke estava lá com sua mãe, gerando mais uma briga.

Somente alguém em específico chamara sua atenção. A sua frente, na entrada da casa estava uma mulher com os olhos mais tristes, afundados e expressivos que já vira na sua vida. Ela tinha o cabelo castanho liso escorrido e estrutura frágil, como se fosse quebrar. Chamou fracamente pelo nome do loirinho em um suspiro que perdeu-se no ar. Era como se ela fosse sumir a qualquer momento.

Então permitiu que Lucas saísse de seus braços e fosse até ela quando esta desmoronou no chão, chorando copiosamente em derradeiro pranto.

– Desculpe meu amor, me desculpe...

Ele se importava com ela e vice-versa. Se fosse somente interpretar a situação diria que ela estava morrendo, enganado por sua aparência frágil e doente. Não precisava olhar muito para saber que eram mãe e filho e que o pânico apresentava-se entre eles.

– Desculpe filho, eu sou tão estúpida... Eu não queria que nada disso acontecesse, eu te amo...

– Está tudo bem, mãe. Eu estou bem, juro. Matheus e a família dele vão cuidar de mim. Eu te desculpo mãe, está tudo bem...

As palavras de ambos eram repetitivas, como se isso bastasse para torna-las mais eficazes, ou para que realmente recebessem algum crédito. Soava como se a morte pairasse sobre eles.

– Eu não quero você longe de meus braços, Lucas, meu bebê, mas eu... – soluços a interrompiam a cada duas palavras proferidas, demonstrando o desespero. – Eu te amo... Me perdoe... Eu sou uma péssima mãe... Meu bebê... Meu pequeno e indefeso... Bebê...

O mundo parecia ter parado, chorando com aquela cena de partir o coração, mas não, e se muito as pessoas ao redor pararam suas discussões para observar uma das consequências daquele ódio. O mundo não se importava com as almas sendo destruídas naquele curto e rápido momento.

Quando ouço os teus choros

Rezando pela luz

Eu estarei lá

– Vamos, Lu? – chamou-o antes de ceder as próprias lágrimas. O loiro levantou cambaleante, deu um último sorriso para a mulher no chão e afastou-se. Diferente do esperado ele não se aproximou de qualquer amigo, mas foi até a única garota adolescente no local, sua irmã e abraçou-a rapidamente.

– Também te perdoo.

Então sim, ele seguiu, abraçando todos seus amigos. Aproximou-se dele e do carro de seu pai enquanto de Luke ele abraçava a mãe de Luke, então Thiago e após Bryan. Todos lhe diziam alguma coisa positiva e estimulante. Após ele abraçou até mesmo o pai do moreno de olhos azuis que demonstrou-se surpreso, ainda sim retribuiu e sussurrou-lhe algo.

Lucas sorriu, intrigando a todos.

– Vamos embora?

De último o loiro abraçou firmemente o pai do próprio namorado para só então seguir até seu lado e segurar sua mão. Entraram no carro, ambos no banco de trás. Imediatamente o pequeno apoiou-se em seu ombro, chorando quieto, com o coração partido.

Algumas coisas destroem a alma e quebram o coração, mas elas são assim, feitas para serem assim e inevitavelmente acontecem, quando você menos espera, espreitando, criando um obstáculo em sua vida para posteriormente torna-lo mais forte e fazer com que sua vida siga em frente. Não há como evitar ou fugir. Não há como consertá-las sem que fique uma cicatriz na alma.

Não há como voltar atrás.

Eu estarei lá

Eu estarei sempre lá

Eu estarei lá

“Escrevo isto para vocês que compartilharam da vida de Lu e agora estão o deixando para trás. Ele os amou, de verdade, do fundo do coração porque ele é assim, fofo, inocente, bobo, amável, cheio de carinho e consideração. Ele ainda os ama, mesmo que vocês não o mereçam.

Destruíram seu coração e o jogaram fora, como se ele não fosse nem ao menos um ser humano. Ele quis morrer por sentir que não tinha chances na vida ou lugar para no mundo. Eu me questiono, de novo e de novo, mas não consigo encontrar a resposta para a pergunta mais óbvia de se fazer num momento desses: que tipo de família faz isso com o próprio filho apenas porque ele é gay? Não há razão por detrás ou motivo que justifique e tudo que eu posso pensar para que me sinta um pouco consolado é: vocês não são a família que ele merece e que este é o melhor para todos.

Ele está bem agora. Eu o amo mais do que a mim mesmo porque eu o conheço e sei a pessoa incrível que é. Eu sempre o amei, ele foi o primeiro amor da minha vida e o meu motivo para me tornar uma pessoa melhor. Meu amor e minha devoção são tamanhos que preenchem todo o vazio que vocês deixaram. É quase uma obsessão porque ele me completa. Nós vamos ficar bem. Minha família o ama de verdade e veem o quão especial Lucas é. É uma pena que vocês também não possam ver. Minha mãe, meu pai, minha avó e minhas irmãs estão incrivelmente felizes e os agradecem do fundo do coração por terem dado ele para nós. Prometemos que ele será tratado como merece.

Espero que um dia percebam o erro que cometeram e isso irá corroer suas almas, pois estarão vivendo longe do coração dele, perdidos na própria dor e arrependimento. Nesse dia tentarão correr atrás e pedir desculpas, apenas para descobrir o quão bem ele estará, curado e feliz, tendo esquecido completamente de vocês. Espero que nesse dia estejamos casados, se acontecer um pouco antes estaremos noivos e um pouco depois estaremos esperando nosso primeiro filho. Porque meu amor é recíproco e ele é o maior presente que Deus poderia ter me dado. Eu prometo cuidá-lo, amá-lo e respeitá-lo até que a morte nos separe :)

Eu vi a necessidade de escrever isto para que entendam o quanto ele está muito melhor na vida do que qualquer um de vocês, é apenas uma questão de tempo para que a dor suma completamente. Antes mesmo do arrependimento bater em suas portas saibam que Lucas está bem e tendo o amor que merece. Ele é meu anjo, minha luz e minha salvação e juro que serei o mesmo para ele.

Então, diante disso que eu tinha para lhes explicar eu creio que cometi um equívoco no modo como comecei minha carta de despedida, não posso consertar porque a pressa me obrigou a escrever de caneta e não tenho espaço para riscar, por isso vou repetir e sei que entenderão:

Escrevo isto para vocês que tiveram a chance de compartilhar de um pequeno pedaço da vida de Lu e agora estão sendo deixados para trás...”

Notas finais
Primeiramente me desculpem por hoje ser dia 23 e eu não postar dia 20, mas eu estava sem internet e eu fiquei com muita raiva, porque porra, logo quando eu tenho o capítulo todo direitinho e tal isso acontece! Segundo: Feliz aniversário (atrasado) Najla! Ou Amaya Sempai que foi como você surgiu em Emo-ções e eu não esqueci. Desculpe não ser no dia, mas prometi e esse é o seu presente, um capítulo novo. Terceiro: Esse foi o motivo da est. ter empacado. Eu odeio escrever lemon (mas vocês gostam, então eu fiz) e eu odeio o Mi comi. Sério, que criatura irritante, quero jogar pela janela u.ú Mas ele está vivo, ok ?? E eu também não gosto de mimimi romantico, prefiro choro, sangue, drama... Então quando eu abria o arquivo eu pensava "Oh, tenho que escrever o lemon, que saco"... E perdi noção do tempo. Mas agora está feito e ta dãa, posso seguir em frente após tirar esse peso/lemon das costas. Então, está ruim? Está, paciência, se eu parar para reescrever vocês nunca mais lerão Emo-ções. Quarto: Black Veil Brides é minha banda preferifavorita ♥ O Andy Biersack é o maior cantor de todos e meu, vlw ?? Flw. Quinto: Atualizei sem demora então agora tenho o direito de pedir reviews porque foi sacanagem o número de acesso x número de reviews do capítulo passado. Estou de olho em vocês, fantasmas nada camaradas u.ú Sexto/último/curiosidade: Aqui só para o pessoal que gosta de uma curiosidade básica: eu não escrevi o capítulo ouvindo Savior (porque eu já ouvi a música trinta mil vezes) eu estava escutando White Devil's Night - Motionless In White e se querem saber de onde veio o ódio do Matt, vejam a tradução. Para vocês verem a influência da autora e eu só me dei conta depois que escrevi. Sétimo (achei agora e adicionei mais um): Nyah tá me depreciando com essas "dicas" aqui do meu lado direito. "Não poste capítulos mto grandes" R: 9 mil palavras, "revise o texto" R: não fiz, "não deprecie seu próprio trabalho" R:depreciei. Fiz tudo qe n era pra fazer, sou rebelde. Ok, agora usando estes dedos para comentar porque eu não demorei para postar este capítulo ENORME (só não parti por causa da música), então, por favor, motivem-me para ter vontade de escrever mais para vocês ♥