Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados

24 Capítulo 24: Você sabe que não deve se vingar...


Notas iniciais
O desenho citado (feito pelo Bry) está aonde ?? Naquele lugarzinho mágico encontrado sempre acima do último capítulo adicionado... GALERIA o/

Boa leitura...

Escureci mais um pouco o cabelo e terminei meu desenho. Não é algo lindo, como uma pessoa que desenha bem. Também não é horrível, é... Simplesmente normal. Eu não tenho dons artísticos, mas também não possuo vergonha porque sei que há muitas pessoas que desenham pior. Mesmo assim eu não desenho por vontade própria, este que acabei de terminar é para a aula do professor gostoso que foi para a cama com o Luke... Que inveja.

Meu desenho está pronto. Quero mostrar ao meu pai. Com este objetivo em mente me levantei. Estava sentado no chão desenhando encima da mesinha de vidro temperado do centro. Esta sala é como um hall feito pra mim. Eu que decorei quando era mais novo, por isso é bem colorido. Tem vários puff’s de várias cores, a mesinha média no centro com uma maior no final, quase encostado na janela no fundo. Uma bancada alta, com talvez 3 metros e meio de altura e três bancos. A bancada foi ficando mais alta à medida que eu fui crescendo. Nas pares várias marcas de minhas mãos em tinta colorida. Mais para cima, entre as portas há desenhos meus bem mal feitos e emoldurados. As molduras são mais bonitas que os desenhos.

Fui até a baixa sacada que dá visão para a sala. Observei que todas as luzes estavam apagadas, então meu pai não estaria por ali. Sei que ele não está em seu quarto, pois a porta dá aqui para meu hall, então só poderia estar em seu escritório. Fui até o fim do hall e subi pela escada, saindo ao lado do escritório na área coberta da churrasqueira. Vi o céu da noite fria, sem sinais de chuva. Apertei meu desenho entre os dedos e fui até o escritório de meu pai, entrando sem a necessidade de bater. Ele realmente estava ali, sentado em sua mesa com dezenas de folhas espalhadas sobre esta.

Andei até ele, contornando a mesa e ficando ao seu lado. A mesa era virada de lado, com sua cadeira à esquerda. Eu fiquei ao norte e esperei alguns segundos até que ele interrompesse seu trabalho e me desse a devida atenção.

-O que aconteceu, filho?

Ele puxou a cadeira para trás e me convidou para sentar em seu colo. Eu o fiz, mesmo que ficasse estranho, pois estou velho demais para isso. Mesmo assim não custa agradá-lo. Gosto de receber seu afeto.

-Terminei meu desenho para a aula de artes.

Entreguei em suas mãos minha “arte” e ele o pegou, observando. Analisou por completo durante alguns segundos.

-Era para fazer um autorretrato – completei.

-Ficou muito bonito – ele elogiou, mas ele sempre elogiava. Às vezes dava dicas de detalhes ou algo assim, mas desta vez não o fez o que significa que realmente gostou. – Parabéns.

Sorri minimamente em forma de agradecimento. Meu pai me fitou fixo por alguns segundos até erguer sua mão e mexer na franja de meu cabelo, empurrando para o lado.

-Tens que cortar o cabelo.

-Eu sei. Vou cortar um pouco da franja.

Meu pai continuou a mexer em meus fios negros, puxando a franja para o lado o suficiente para que eu pudesse enxergar com os dois olhos.

-Tens olhos tão bonitos... Puxou tua mãe. Não deveria desperdiça-los assim – comentou de forma carinhosa, esquentando meu peito. – Aliás, teu tio Ryan e teu primo Jared virão visitar-nos no final desta semana.

Merda. Definitivamente odeio meu primo. Ele é tão idiota e ignorante. Acha que sabe de tudo e que é o melhor de todos.

-Mas meu namorado vai vir sábado – respondi tentando não demonstrar o nervosismo que sentia. Por mais que Pedro tenha concordado de bom grado eu tenho certeza que isso não vai dar boa coisa...

-Eu sei. Teu tio virá sexta-feira. Sejas gentil.

-Eu sou muito gentil – respondi irônico, rolando os olhos.

-Então além de gentil sejas bonzinho e vá dormir que amanhã tens prova.

-Certo. Boa noite. – Depositei um beijinho em sua bochecha direita e me levantei, saindo do escritório.

Desci de volta para o hall onde fizera meu desenho e fui para meu quarto, encostando a porta. Minha cama está cheia de livros, cadernos e folhas. Meu pai disse-me que se eu passar de ano com boas notas deixará que eu fique no colégio com meus amigos. Eu realmente não quero voltar ao colégio onde estudava, principalmente rever aqueles que eram para terem sido meus amigos. Eram verdadeiros De-emo-nios...

O toque de meu celular interrompeu meus pensamentos. Procurei por ele superficialmente, mas não o vi. Pelo som abafado ele deveria estar embaixo de alguma coisa, então comecei a tirar as coisas de cima da cama e o encontrei ao retirar meu caderno do Simple Plan que estava encima. A tela mostrando o nome de Pedro acelerou meu coração e tudo o que eu pude fazer foi atender.

-Alô?

-Boa noite meu menino.

Fechei os olhos, envergonhado não somente pelo seu modo de se referir a mim como também pelo fato dele ter me ligado e eu estar ouvindo sua voz novamente. Empurrei alguns de meus materiais para o lado, sentando com as costas nos travesseiros.

-Oi Pedro.

-Está ocupado?

-Não mesmo. Estava arrumando algumas coisas aqui no meu quarto. Algum... Problema?

-Não, não. Só queria conversar com você. Hoje seus amigos simplesmente te arrastaram.

Somente a ouvir a voz de Pedro, mesmo que pelo telefone é o suficiente para me deixar nervoso. Já tenho maior liberdade e paciência para falar com ele, mas ainda tem muita coisa que não estou acostumado, coisas de casais normais mesmo, como receber ligações para conversar.

-Desculpe. Eram fofocas. – Impedi a mim mesmo de contar qual era o assunto. Seria ruim sair contando isto para todo mundo, sendo que Luke, o grande fofoqueiro pediu para não contar.

-Quero passar mais tempo com você. Por que não saímos?

-Pra ser bem sincero Pedro, não acho que vou conseguir sair com você em público porque... Em público não podemos nos tocar e toda vez que... Que estou perto de você penso em sexo – fui completamente sincero e agradeci mentalmente por ele não poder ver minha drástica mudança de cor.

-Cara, você é muito melhor que uma garota!

-Obrigado... É bom saber.

-Quer vir na minha casa? Minha família ‘tá sempre saindo.

-Sem chance! Se meu pai descobrir ele nunca mais vai me deixar sair de casa. Ele vai continuar no meu pé até te conhecer.

-Pelo modo que você falava eu sempre achei que ele era mau, mas você é bem apegado a ele, ‘né?

-Foi ele quem me criou e eu sou filho único, então claro que eu me apeguei.

-Que bom. Bryan. Queria estar com você agora. Você me fez louco por ti.

-E você me deixa com muita vergonha!

Eu ainda não consigo falar mais abertamente de meus sentimentos pelo Pedro porque me sinto frágil e indefeso. Se eu lhe dissesse o quanto o amo parece que ele vai se aproveitar de mim. Saber que o amo muito e fazer-me sofrer. Não que eu desconfie do Pedro... Na verdade eu não sei...

-Eu gosto de te ver envergonhado. Eu amo seu rosto, seu corpo, sua aparência, seu jeito tímido, independente e um tanto bipolar...

-Independente?

-Sim. Você não depende de nenhum dos seus amigos. Não se importa com os outros, faz o que quer e gosta. Se te xingam você se defende.

-Essas são qualidades que eu não sabia possuir.

Pedro riu do outro lado da linha. Admito que também gostaria de poder estar com ele e não somente conversando no telefone. Gostaria de me abrir mais ou de simplesmente beijá-lo. Ele é meu namorado e eu queria poder passar muito mais tempo com ele. Mas não é assim que funciona porque eu sou um garoto e ele também. Meu pai não vai me deixar em paz e qualquer lugar com mais gente que eu tornasse extremamente errado.

-Diga alguma coisa de que você se envergonhe.

-Hum... Primeiro você.

-Eu? Ahn... Em minha primeira vez com meu primeiro namorado garoto eu-

-Ok, já sei! – interrompi-o, pois eu lembro o quanto foi vergonhoso para Pedro aquele dia. – Isso eu já sei. Não vale.

Ele riu em resposta e devo admitir que sua voz no telefone está... Extremamente sexy,

-Bem, isso é a única coisa que fiz e me envergonho.

-Pode ser uma curiosidade, então.

-Hum... Tenho me masturbado pensando em você.

-Safado!

Escondi meu rosto, mas sem motivos porque ele não podia me ver pelo telefone. Mesmo envergonhado não pude deixar de sorrir, mordendo um de meus piercings. Merda, eu quero logo fazer sexo com Pedro! Por que não dá certo? Já somos namorados e eu sei que Pedro me quer tanto quanto eu o quero e... Que vergonha!

Tentei esticar minhas pernas, mas havia vários cadernos, livros e folhas no caminho. Levantei-me e distraidamente comecei a juntar as coisas dali, arrumando meu material escolar.

-Sua vez.

-Eu...

Continuei arrumando minhas coisas, mas não prestei atenção. Eu quero conta-lo, mas eu tenho receio... Até hoje eu sempre evitei falar sobre isso com qualquer um...

-Bryan?

-Me apaixonei quanto nos beijamos pela primeira vez. – Mudei minha resposta, sem coragem de continuar no assunto.

-Já me sentia atraído por você muito antes e toda vez que vejo algum emo na rua ou em baladas me lembro de você.

-Você sai em festas noturnas?

-‘Aham. Você não?

-Nunca. Eu amo sorvete – mudei de assunto rapidamente. Isso me lembra de meu grupo anterior, no outro colégio. Eles costumavam sair, mas não me convidavam. – O freezer daqui da minha casa está sempre cheio com.

-Sorvete? Vou lembrar disso. Você gosta de flores?

-Se você levar flores pra mim no colégio eu te mato e depois morro de vergonha. Isso é coisa de menina!

-Já disse o quanto você é melhor que uma garota? Graças a Deus porque eu não consigo ser romântico.

Ri e continuei a arrumar minhas coisas, quase terminando. É realmente bom ouvi-lo dizer que não se arrepende de pedir um garoto em namoro, mesmo nunca tendo ficado com nenhum além de mim.

-Eu gosto de cachorros. Tenho três.

Eu gostaria de contar e me abrir. Queria ter coragem pra falar deste assunto com ele, mas e se algo ruim acontecer?

-Odeio o colégio e odeio esportes.

-Gosto de jogar futebol e sou muito bom, mas não penso em um futuro como profissional nisso.

-Nunca beijei uma garota.

Afinal, por que eu tenho tanto medo? Eu devo confiar no meu namorado, assim como ele confiou em mim. Ele deveria ser mais inseguro porque é a primeira vez dele com um garoto e não a minha...

-Fiquei sem dormir duas noites antes de te pedir em namoro.

-Já tentei me matar.

Eu contei e ele ficou mudo do outro lado da linha. Guardei o último caderno em minha mochila e arrumei o edredom sobre a cama. Percebi que minha mão estava tremendo. Fechei em forma de punho encima da cama e esperei uma resposta.

Eu tenho medo que não me compreendam e me deixem sozinho novamente. Tenho medo que Pedro me rejeite.

-Por quê?

-Todos me tratavam mal. Ninguém entendia, muito menos queria entender. Eu pensava que não deveria existir porque odiava a sociedade e as pessoas idiotas que se submetiam a ela e ao mesmo tempo me perguntava se a culpa não era minha, por ser diferente. Meu pai tinha raiva de mim e meus amigos não eram nada amigáveis, nem gostavam de mim.

O nervosismo aumentou e pude ouvir meus batimentos cardíacos. Eu falei muito, coisas que ninguém antes soube.

-Eu te amo e este é o seu lugar, comigo. Agora as coisas são melhores, não é? Você tem amigos e está se dando bem com seu pai... E tem a mim. Eu não quero mais que pense nisso.

-Não vou – fui rápido a responder, firme em minhas palavras. Agora eu sei a besteira que fiz, mas isso não afeta minha felicidade e satisfação perante suas palavras. Ele me apoia e talvez eu consiga contar mais coisas para ele com o tempo.

-Vou repetir só para ficar firme: você tem a mim, seus amigos e seus pais. Nunca mais pense nisso.

Batidas na porta interromperam minha conversa. Tive de afastar o celular e avisar que podia entrar, pois meu pai nunca entra no meu quarto deliberadamente. Essa regra mudou um pouco quando eu estava em crise, mas desde que eu voltei pra casa ela voltou. Meu pai não invade meu espaço.

-Bryan?

-Só um pouquinho.

Ele abriu a porta parcialmente e me mostrou a folha que mantinha em mãos. Era meu desenho para a aula de artes que provavelmente esqueci em seu escritório. Fui até ele pegar e recebi um sorriso, junto de um beijo no topo de minha cabeça.

-Vá dormir, criança.

-Já vou.

Ele mexeu em meu cabelo mais uma vez e saiu, fechando a porta. Fui guardar meu desenho em minha mochila para não me esquecer de leva-lo.

-Ouvi seu pai.

-Ele me mandou dormir. – Ri, pois ele dizia, mas nunca me obrigava. – Tenho que trocar de roupa agora, Pedro.

-Pode deixar o celular ligado. Sua operadora é a mesma que a minha, então não faz mal.

-Certo...

Deixei o celular encima da minha cama e fui pegar uma roupa de frio velha e solta. Eu ainda não tenho quase nada aqui, está tudo na casa de minha mãe, mas meu pai quer tanto que eu venha para cá que me leva e me busca do colégio na maioria das vezes. Troquei de roupa e apaguei a luz, indo cegamente para minha cama. Peguei o celular que apagara a luz do visor e puxei as cobertas, me ajeitando embaixo delas.

-Pronto.

-Cara, queria ‘taaaaanto estar aí.

-Me ver trocar de roupa?

-Na verdade só tirar mesmo.

-Também queria que você estivesse aqui, dormindo comigo.

-Quer que eu desligue para você ir dormir?

-Não mesmo – fui sincero, me ajeitando melhor embaixo das cobertas. É uma noite fria e se eu o tivesse aqui, comigo... – Depois que você conhecer meu pai ele vai nos deixar em paz. Prometo.

-Vamos poder dormir juntos?

-Mais que isso.

-Merda, falta muito para o fim de semana.

-Quer ir à minha depois de amanhã? Só não te prometo nada porque tem a Amanda e tenho quase certeza que meu pai fez algum acordo com ela.

-Tudo bem. Te ver já é muito melhor que nada. Queria que tivéssemos mais tempo no colégio. É um saco com todos encima com “gay, gay, gay”.

-Agora você sabe como é. Pedro, se eu desligar o celular sem me despedir não é por ser rude, é por sono mesmo. Quando eu estiver quase caindo no sono vou acabar desligando e dormindo direto.

-Muuuuito melhor que uma garota. Eu simplesmente não consigo ficar em “beijos”; “beijos, boa noite”; “boa noite, durma com os anjos”; “ok, você também. Tenha bons sonhos”; “vou ter, com você”. É tão desnecessário!

Eu ri de seu pequeno diálogo com vozes distorcidas. Ajeitei mais o edredom, puxando as mangas de meu moletom até o meio da palma.

-Quando você quiser é só deligar. Não precisa se despedir ou se explicar.

Ficamos conversando mais algum tempo. Pedro me disse algumas coisas bonitas, sem ser pegajoso e compartilhamos mais alguns interesses. Não temos muito em comum, mas isto não incomoda nem parece ser um obstáculo. Eu quase dormi com o celular ligado e espero um dia poder dormir conversando com ele pessoalmente, sentindo seu toque, sua respiração, seu cabelo, seu corpo...

-Te amo, meu garoto. – Foi a última coisa que lembro ter ouvido antes de desligar e dormir encima do celular, felizmente com o teclado bloqueado.

.

-Agora que a aula já está acabando vou formar as duplas para o próximo trabalho. Eu escolho, pois faz parte da experiência. Para as filas de número ímpar será a pessoa à sua esquerda, para as de número par à sua direita, começando pela fila da porta.

Aquilo não era nada bom para o loiro oxigenado. À sua frente estava Matheus e na frente do moreno de olhos verdes vinha Luke, apenas nas aulas de artes. Ficando em uma fileira de número ímpar seu parceiro seria a pessoa à esquerda e aquele era Alex.

-Se está tudo certo vocês já estão dispensados para vagabundearem até a próxima aula.

Todos começaram a juntarem seus materiais, levantarem e saírem pela porta, pois a próxima aula seria de Educação Física. Já o loiro sentiu um calafrio percorrer sua espinha quando Alex aproximou-se de si e abaixou-se para ficar mais próximo de seu rosto e poder sussurrar apenas para Lucas:

-Resolva isso, Mi comi.

Rapidamente ele afastou-se, deixando-o. Logo, o loiro percebeu que suas mãos tremiam, assim como suas pernas. Tinha medo de Alex tão próximo de si e claramente não poderiam realizar o trabalho juntos.

-Professor... – chamou o pequeno Mi comi, assim que a maioria já tinha saído de lá.

-Sim? – interessou-se o belo e jovem professor de artes, deixando seu material de lado e apoiando-se em sua classe. – Algum problema?

-Eu não posso fazer com o Alex. É impossível.

-Espero que tenha um motivo muito bom para me fazer mudar sua dupla.

-Eu tenho. Ele me fez mal... Ele...

Mas qualquer lembrança daquele dia doía, latejando forte em sua mente. Era como reviver ser machucado por aquele quem amava e por mais que o tempo passasse a memória não sumia e muito menos se enfraquecia. Lembrava exatamente o que ele lhe dissera, como lhe tocara... Da forma como se sentira sujo e sozinho...

-Lu? – chamou-lhe Matheus ao perceber que os olhos delineados de preto estavam enchendo-se d’água.

-Opa! Não é para chorar. Loirinho...

O professor assustou-se ao ver seu aluno chorando por sua causa. Apressou-se a chegar mais perto, puxando a cadeira da classe de Alex para sentar-se o mais próximo do loiro.

-Ele tentou me machucar...

Imediatamente Rafaael comoveu-se ao ver o estado de fragilidade do loiro que tremia dos pés a cabeça. Puxou a cadeira um pouco mais para frente e por um impulso abraçou o pequeno emo de forma protetora, entrelaçando uma de suas mãos nos fios claros. Talvez tivesse problemas naquele pequeno ato, mas para quem já tinha ido pra cama com um aluno...

E um dos dois alunos que assistia a cena não estava nada satisfeito com aquilo; o moreno com a franja azul e parte de baixo do cabelo descolorida. Queria poder matar a aula de educação física e ficar com seu querido e belíssimo professor á sós. Mas agora tinha Mi comi em seu lugar, agarrado naquele quem deveria ser seu. Entretanto estava tudo bem esperar um pouco, pois a recompensa logo viria...

Matheus, que estava sentado uma classe a frente de Lucas teve o olhar do professor voltado para si. Naquela chance exagerou no movimento dos lábios para fazê-lo entender uma palavra que ajudaria no entendimento da situação:

-Sexualmente.

Aquilo fora como uma facada no coração do professor que inconscientemente entreabriu a boca, surpreso. Não era apenas Lucas, mas o que ele lhe recordava...

-Tudo bem, não precisa chorar. Vocês não vão ter de fazer o trabalho juntos. Se quiser eu até mesmo o troco de lugar.

-Eu faço com ele – adiantou-se Matheus. – Com Lucas – acrescentou, – e minha dupla fica com o Alex.

-Certo. É isso que você quer, Loirinho? Pode escolher sua dupla.

Lucas afastou-se um pouco. Fungou e ergueu o olhar para o professor em uma cena de partir o coração. Ele era tão inocente... E fofo.

-Pode ser o Matt.

-Certo... Não precisa mais chorar – disse-lhe Rafael, tocado com a situação de seu aluno. Ergueu as mãos e esfregou suas bochechas, retirando as lágrimas que passavam por ali.

-Hum... Professor? – chamou o loiro falso, estranhando as atitudes do mais velho. Deixou isto transparecer em suas atitudes.

-Ah, desculpe! – pediu, mesmo assim não retirou os fios loiros do meio de seus dedos. Era estranhamente macio, contrariando o número de vezes que fora descolorido. – É que você lembra muito meu irmão mais novo...

De uma forma estranha Lucas aparentou estar verdadeiramente mais feliz e distraído, como uma criança que, na verdade ele não era.

-Ele é fofo?

-Ele era... – O pretérito perfeito não parecia ser um bom sinal... – Ele morreu em um assalto. Foi machucado... Também...

-Ah... Que triste – comentou o loirinho, realmente tocado com a situação. Entendia a dor que o irmão mais novo de seu professor passara e compadecia-se, em um fundo de tristeza ao ver que havia alguém pare sentir falta de seu reflexo. Assim, aceitou de bom grado o carinho que recebia, aceitando como para si. – Eu queria ter um irmão mais velho, mas eu só tenho uma irmã chata.

Rafael riu, achando graça e um pouco mais reconfortado com aquele sorriso fofo. Seu irmãozinho não tinha tido sorte e acabara de forma trágica, mas ter aquele pequeno adolescente em seus braços era aconchegante... Era como ter um pedacinho de seu irmão vivo novamente...

-Seja bonzinho com a sua irmã. Irmãos sempre são chatos... – Mexeu no cabelo do loiro uma última vez e apertou sua bochecha fofa, recebendo uma careta. –Você já pode ir para aula agora.

Mi comi concordou com um aceno de cabeça. Inclinou-se e resolvera se aproveitar da situação. Travesso depositou um suave beijinho na bochecha do professor sedutor. Em seguida levantou-se com um salto e, esfregando as bochechas foi até o emo moreno de olhos verdes que lhe aguardava.

-Peçam para o Alex vir aqui. Vou avisá-lo da troca de duplas.

-Tá bom – Lucas concordou rapidamente, já Matheus manteve um pé atrás. Se realmente tratava-se somente de um aviso por que não pedia para que eles o passassem?

-Certo. Vamos Lu, estamos atrasados.

Matheus pegou na mão do mais novo e saíram de lá, indo para sua aula. O professor levantou-se ainda com pedras afundando seu coração e voltou para sua mesa e seu material, passando reto pelo único aluno que restava ali.

-Você também, Luke. Tens aula assim como eles.

-Ah, mas eu não gosto de educação física... Prefiro as suas aulas particulares...

Fechou sua bolsa e empurrou para a cadeira, virando-se abruptamente na direção do aluno.

-Garoto, não me fode! Eu já lhe disse que isso jamais se repetirá e neste momento, dentro da sua própria sala de aula já vem de brincadeiras. Aceite este fato!

-É claro que não! Eu sei que você me quer e eu te quero. Faz sentido até para uma criança de cinco anos!

-Não, não é fácil assim. Isto é proibido e doentio.

O professor avançou alguns passos, aproximando-se de Luke que se encontrava sentado encima da classe mais próxima da pertencente ao professor. Sorria maliciosamente, deixando bem clara suas intenções.

-Não – sibilou Luke, sem se abalar com a expressão irritada de Rafael. – Eu lembro muito bem e você gostou tanto quanto eu – o moreno pausou, erguendo sua mão e pousando-a no rosto áspero com barba rala que tanto lhe seduzia. – Não vou desistir até que você enlouqueça e me agarre, exigindo por sexo intenso.

O mais velho deu um passo para trás, recusando o toque do aluno. Não demonstrava qualquer outra coisa que não fosse seriedade. Luke levava aquilo a sério e este era seu pesadelo. Estava simplesmente fodido ao ter de passar por aquela situação. Se descobrissem...

-Você é só um garoto. Não entende nada com nada. Encontre um namorado da sua idade e viva sua vida. Esqueça o que passou. Foi um erro.

Deu as costas para o adolescente e foi na direção de sua mesa, torcendo veementemente que Luke desistisse e fosse embora. Mas era óbvio que aquilo só lhe daria mais dor de cabeça. Entretanto, quando tudo vai mal a tendência é apenas piorar e foi isso que aconteceu... As palavras seguintes que saíram da boca de seu aluno lhe fez gelar por dentro, pasmo.

-Foi amor.

-Não. Vá embora, você tem aula.

Aquilo irritou Luke. Não desistiria, mas naquele momento, ouvi-lo rejeitar seu amor lhe irritou e doeu fundo. Levantou-se e a passos firmes, bufando fez questão de anunciar sua saída com muito barulho. Lutava contra as lágrimas de raiva que insistiam em vir borrar sua maquiagem. Então, iria atrás de seu adorável amigo emo de olhos verdes pedir por algum consolo, mesmo que não se comparasse com aquele conforto que seu professor poderia lhe dar.

Por mais incrível que pareça a saída de Luke amenizou o clima na sala de aula vazia. Rafael pode respirar aliviado, contudo a saída do aluno não o fez esquecer o risco que corria. Sabia muito bem que Luke não desistiria facilmente e seu psicológico não estava pronto para a guerra. Simplesmente não fazia parte de seus planos quando entrou naquele colégio transar com um aluno.

Acalmando-se aos poucos Rafael foi de uma janela a outra, fechando as grossas cortinas vermelhas, baixando a luminosidade da sala de aula. Voltou para sua classe e alcançou a bolsa que estava encima, pegou algo de dentro dela e pôs no bolso da calça, colocando-a na classe mais próxima. Por último vagou calmamente até próximo da porta, aguardando a chegada do aluno.

-Mandou me chamar? – perguntou Alex assim que se aproximou da porta. Rafael fez sinal de que era para ele entrar na sala. Alex assim fez, até então completamente alheio ao que acontecia ao seu redor.

Sua atenção foi captada por um “click” vindo da porta. Rafael estava trancando-a.

-Trancou por...? – desconfiou o mais novo, indo apoiar-se na parede ao lado do quadro.

-Não gosto de interrupções.

-Vão interromper o que de tão importante?

Rafael sorriu, atiçando a desconfiança do aluno. O professor desejado por toda a escola guardou a chave no bolso de trás da sua calça jeans e foi até Alex, naquele mesmo clima inquietante. Parecia uma enrascada e, na verdade era exatamente disso que se tratava.

-Você não sabe...? – implicou Rafael, invadindo a zona de conforto do aluno que não fez nada para impedi-lo. – Tudo bem, eu lhe mostro.

Começaram um beijo voraz assim, de surpresa, sem pudor algum. As línguas eram violentas e desejosas, brigando pelo domínio. Sorrateiramente as mãos do professor foram unindo-se as mãos de seu aluno ao invés de explorar o corpo contra a parede. O beijo era longo e quando se separaram minimamente Rafael usou de força para puxar os pulsos de Alex até o topo de sua cabeça. Deu um passo a frente, pressionando o corpo mais magro com força, imobilizando-o.

Alex, intrigado forçou e puxou, mas o mais velho era, infelizmente provido de maior força.

-Me solte.

-Hum... Deixem-me considerar sua proposta; não.

Tentou encostar seus lábios nos de seu aluno novamente, entretanto este se recusou, jogando o rosto para o lado como único movimento que conseguia realizar. Rafael deu de ombros, partindo para o pescoço alvo que gritava por marcas explícitas.

-O que pensa que está fazendo? Eu sou o ativo! – enraiveceu-se o mais novo, tentando livrar seus pulsos ou mover as pernas para afastar o corpo de boa musculatura para longe de si, porém não chegou nem perto de conseguir abalar o homem.

-Hoje não, querido aluno – soprou com seu hálito de menta próximo do rosto pálido carregado de maquiagem. Abaixou-se novamente para poder morder com força a pele sensível do pescoço. Alex tremeu.

-Então eu não quero.

-Mas eu não perguntei – respondera simplesmente, esfregando seus dentes bem cuidados pela parte frontal do pescoço do emo, descendo. Segurou facilmente os pulsos do jovem com apenas uma mão, locomovendo a outra até o botão e zíper da calça skinny escura. – ...Ou por acaso eu perguntei? – questionou, terminando as mordidas ao chegar até a gola da camisa e voltando a fitar o garoto furioso. – Será que eu perguntei: “Alex querido, você gostaria de ser estuprado?”.

-O quê...? – balbuciou desnorteado, tentando digerir o que lhe fora dito. – Estamos dentro do colégio. Vou gritar!

-Grite – deu de ombros, puxando a barra da camisa de banda o máximo possível, expondo todo o tórax e mamilos. – Seus colegas virão e você carregará pelo resto da vida a fama de ser o garoto estuprado pelo professor. Vai ser difícil conseguir um passivo assim...

-Eu vou contar para a diretora.

-Conte. Estou duvidando.

Desceu o rosto até emparelhar com os mamilos de Alex, chupando o direito enquanto sua mão dirigia-se a bunda do mais novo. Meteu a mão por dentro da calça junto da cueca e segurou uma das nádegas, apertando com força. Ouviu nitidamente o silvo de dor que escapou entre os dentes de seu aluno, fazendo o professor sentir-se estranhamente... Bem.

-Achei que ias gritar. Estou chateado.

Partiu para o segundo mamilo e deu-lhe o mesmo tratamento, mordiscando com os dentes e fazendo uma forte sucção. Após deixar ambos formigando desceu os lábios, deixado um rastro avermelhado por onde passava. Chegando ao limite antes do umbigo por ter de ficar com um braço esticado, segurando os pulsos do mais novo. Parou e retornou, encarando aqueles olhos furiosos que soltavam uma fumaça imaginária.

-Eu te odeio.

-Oh... Estou comovido. Acho até que agora vou lhe soltar e chorar um pouco em minha classe.

Tentou um beijo provocantemente, mas tudo o que conseguira fora uma mordida em seu lábio inferior. Riu perante a expressão irada de seu aluno que tudo o que conseguiu fazer em sua raiva espumante fora excitar o mais velho.

-Sabe, gosto de submissos, contudo estou descobrindo que também gosto de toda essa sua raiva bobinha e essa forcinha que faz para “tentar se libertar”.

-Você não vai conseguir o que quer...

-Adoro um desafio-

Alex simplesmente cuspira no rosto de seu professor; o máximo que conseguira fazer. Rafael parou por poucos segundos e retirou a mão de dentro da calça do aluno, levando-a para a camisa puxada deste e usando-a para limpar a sujeira em seu rosto. Após moveu sua mão ao rosto perante o seu, apertando com excessiva força as bochechas deste, tanto que provavelmente elas ficariam machucadas internamente e avermelhadas por fora.

-Faça isso novamente e doerá muito mais que o necessário.

Alex nada respondeu, somente continuou a encará-lo com seu olhar assassino. O maior adorava aquela expressão, sendo assim seguiu encarando-o enquanto retirava sua própria camisa de botões que vestia por cima de uma segunda. Estrategicamente usou desta para dar um nó firme e trabalhoso nos pulsos de sua vítima, unindo um ao outro de forma que não desatasse com puxões e uso de força física... Na verdade saía-se muito bem com nós nos pulsos, estranhamente...

-Se você fizer isso eu vou foder com a sua vida... – balbuciava o mais novo, sem aceitar o que estava acontecendo. -... Eu vou me vingar de todas as formas possíveis, até enquanto você dorme, em seus sonhos...

Suas ameaças e resistência transfiguravam-se em adrenalina para o professor, descendo por seu corpo e indo direto ao seu pênis. Deliciava-se com cada palavra rude que recebia. Ria-se daquela raiva tão intensa, vinda do fundo do coração e que não chegava nem perto de alcançar seu objetivo.

Queria possuí-lo logo, com força e sem pudor. Queria ouvir seus gritos entalados na garganta devidos o dilaceramento de seu corpo; fazê-lo se sentir como todo e qualquer garoto que ele já tivesse machucado física e emocionalmente.

Após tudo o que fizera com o coração do loirinho chegara a hora de seu acerto de contas. Pois não era necessário ser professor de física para saber que tudo oque se faz nessa vida, volta... Pior...

— ...Se fizeres isto foi te estuprar, humilhar, fazer rastejar implorando pelo meu perdão...

Riu, provocando a ira do emo. Era satisfatório ter noção do quanto o adolescente estavam remoendo-se internamente perante o tratamento que recebia. Sabia como a raiva poderia ser algo corrosivo, pois se recordava muito bem de seu pequeno e frágil irmãozinho... Do quanto queria vingar-se e como tudo aquilo viera à tona quando vira as lágrimas formarem-se nos olhos do loirinho falso. Certamente ele divertira-se machucando um ser indefeso e saber que ele estava passado por algo tão semelhante excitava-lhe a um ponto irreal...

Moveu sua mão livre por todo o corpo magro, apertando e arranhando com as unhas na intenção de machucar. Mordeu mais um pouco o pescoço já marcado, puxando a pele com seus dentes, sentindo o gosto das feridas. Empurrou seu joelho para cima, batendo na intimidade de Alex e qual não fora sua surpresa ao constatar que ali, entre suas pernas abitava um membro duro e pulsante?

-Ora, ora... Para alguém revoltado você está bem duro...

Ouviu o ranger firme dos dentes e quase arranhou sua própria garganta perante tamanha excitação. Não aguentava mais seu próprio órgão reclamando, necessitando de alívio imediato. Resolveu obedecê-lo antes que este tomasse o controle e puxou completamente a calça do aluno, juntamente com a cueca, deixando ambos caírem nos tornozelos. Ouviu os gritos e resmungos engasgados e deliciou-se, saboreando a ira do jovem tão submisso contra sua vontade...

Encarou-o uma última vez rapidamente, evitando um segundo cuspe em sua face. Aproveitou daqueles olhos furiosos e transbordantes uma última vez antes de puxá-lo pelos pulsos e cabelo, jogando-lhe de bruços na maior classe dali. Forçou os braços amarrados a irem para baixo, presos pelo próprio corpo magricelo. Seguiu puxando seu cabeço, empurrando seu rosto contra a mesa.

-Veja pelo lado bom: Permiti que suas mãos ficassem próximas de seu pênis pequeno para que possa brincar... – debochou debruçando-se nas costas magras, sibilando em seu ouvido em provocação.

Com a mão livre pode abrir sua própria calça jeans, livrando seu membro da apertada cueca. Mexeu em seu próprio bolso e retirou dali a camisinha que colocara mais cedo, de dentro da bolsa. Abriu o pacotinho com os dentes e conseguiu pô-la com apenas uma mão, sem grandes dificuldades. Não cometeria o mesmo erro que com Luke.

-Pronto?

-Eu vou mata-lo...

Riu e foi aproximando-se da entrada de Alex. Forçou um tanto, pois naquela parte ele era, obviamente virgem. É claro que o outro tentava, inutilmente aguentar a dor, mas não houvera um alargamento anterior. Á seco e sem preparação era muito mais doloroso...

-Lembra-se de já ter feito isso com algum garoto? Porque a partir de agora você deixará de se importar, pois saberá muito bem como é...

O que se passou pela cabeça de Alex naquele momento professor não ficou sabendo. Apenas pode perceber que ele parar de resmungar ameaças aleatórias e concentrara-se em morder sua própria camisa, resistindo a dor de ser invadido.

Foi entrando, forçando passagem por aquele canal estreito. Era tão apertado que seu membro doía com a pressão do corpo tentando expulsá-lo dali de dentro. Tão gostoso... Forçou-se a entrar por completo, toda a extensão para retirar-se, conseguindo investir com mais força. Era maravilhosa a sensação de partir aquele corpo por dentro e, ainda sim saber que estava dando prazer para o outro. Era inegável tal afirmação, pois o membro de Alex permanecia ereto, escondido pelas mãos que foram amarradas unidas.

Forçou-se uma e outra vez, até o corpo começar a ceder lentamente. Quando mais apertado melhor era e seguiu forçando-se, sacudindo o corpo com costelas à mostra ao empurrá-lo para frente. Mantinha seus dedos entrelaçados fortemente nos fios negros quimicamente tratados. Fazia força para entrar até a base, indo o mais fundo possível.

Ora ou outra ouvia resmungos e após alguns minutos pode, finalmente visualizar aquele rosto tão bonito. Seus lábios apresentavam-se avermelhados e seus dentes brancos forçavam sua camisa, contudo o principal, aquilo que mexia com seu físico e emocional eram as lágrimas que se apresentavam, rolando pela bochecha, deixando um rastro negro por onde passavam. Sentiu-se realizado e finalmente gozou, chegando ao ápice indo fundo no corpo fragilizado. Os espasmos percorreram seu corpo violentamente, fazendo-o fechar os olhos para apreciar melhor o resultado de seu árduo trabalho. Não fora fácil manter Alex imóvel por tanto tempo. Soltou os cabelos e retirou-se do dentro do corpo abaixo de si, mas não sem antes sussurrar em seu ouvido uma última vez, deixando que ele terminasse de se aliviar sozinho.

-Essa fica por aqueles que você tentou estuprar...

.

Não, a manhã não passava tranquilamente. Sabia que o olhar dele estava vidrado em si e somente isto era o suficiente para encolher-se em seu lugar. Aquilo lhe queimava de dentro para fora e muitas vezes fechara seus olhos, tentando acalmar-se, mas parecia impossível. Doía, afinal. Apenas o olhar lhe machucava profundamente porque não era o tipo de pessoa que tinha uma barreira de proteção. Atingia seu interior e lhe queimava os órgãos.

-Lu? Tudo bem?

Não, não estava tudo bem. Jamais estaria tudo bem! E por quê...? Fizera o que Alex queria, trocara de dupla no trabalho, então por que estava lhe fuzilando com o olhar?

O loiro sorriu amarelo e fez sinal positivo com a cabeça. Matt desconfiou, mas deixou passar, não queria obriga-lo a lhe contar o que estava acontecendo.

Por mais que tentasse a todo custo ignorar aquele olhar fervilhava em suas costas e seguiu-se em tamanha intensidade até o final da aula, quando o sinal tocou e todos correram ansiosos para sair daquele prédio público pouco apreciado.

-Vai voltar comigo? – perguntou o moreno, preocupado com o estado do precioso amigo.

-Ah não, meu pai e minha mãe virão me buscar hoje para irmos à casa da minha tia... Eles disseram que vão se atrasar, então vou ficar esperando quietinho – explicou-lhe em um tom um pouco mais animado, pois normalmente ele não era incluído nos passeios familiares. Matheus percebeu isso e sabia que não era uma boa ideia seu pai vê-lo com amigos emos, sendo assim apenas sorriu, com seu belo aparelho de borrachinhas verdes e depositou-lhe um beijo na bochecha.

-Mais tarde você me manda mensagem contando como foi.

Lucas concordou e permitiu que o amigo partisse para buscar outra companhia. Começou a guardar seu material e, nervoso em perceber que apenas ele estava na sala consigo acabou deixando cair seu estojo no chão, espalhando canetas, lápis, borracha, apontador... Todo seu conteúdo, obrigando-lhe a recolhê-lo. O fez apressadamente, tremendo em martírio sem saber o que seu pesadelo em carne e osso queria fazer com sua mente ou, quem sabe seu corpo...

Sorte que seus pais iriam lhe buscar, pensou em devaneia inocência, tentando sorrir ao se sentir falsamente protegido, mas não conseguiu. Terminou de fechar sua mochila repleta de pequenas caveirinhas e pendurou-a em um de seus ombros, correndo para fora da sala de aula, necessitando urgentemente de ar. Pensou que ao chegar à rua se sentiria melhor, mas tudo apenas piorou quando percebeu que estava sendo seguido.

O pátio ainda possuía alguns poucos alunos que transitavam, então temporariamente estava salvo...

Será mesmo...?

-Lucas.

Seus batimentos cardíacos aumentaram drasticamente e seu corpo tremeu, dos pés a cabeça. A firmeza escapou-lhe tão rapidamente que quase caiu no chão, contudo reuniu suas forças para manter-se de pé e engolir o bolor em sua garganta. Quando considerou virar-se para o mais velho seu braço fora puxado bruscamente, obrigando-lhe a fita-lo.

-Quem você pensa que é para se meter em minha vida? Você é só um putinho amargurado de merda!

Encolheu seus ombros, atingido com as palavras violentas. Novamente tremeu de forma violenta, segurando as lágrimas que forçavam passagem por seus olhos.

-O que eu fiz...?

-O que fez?! Gabriel terminou comigo porque você meteu o bedelho onde não foi chamado! Para completar ainda... – Alex interrompeu a si mesmo, desviando o olhar e bufando de raiva. O pequeno não aguentou toda aquela hostilidade voltada para si e pequenas lágrimas começaram a escapar de seus olhos. Alex voltou-se para o loiro novamente. – Você... Me fodeu com o professor de artes! Acha mesmo que eu vou deixar por isso mesmo?

Abaixou o olhar, sem forças para responder. Queria fugir, mas seu braço estava sendo apertado com exagerada força, machucando.

-Eu não queria... – Soluçou, sem conseguir terminar a frase. Também não teria o benefício da dúvida, pois o mais velho estava convicto da culpa do loirinho em tudo de ruim que acontecera nos últimos dias.

-Ah não? Então vamos deixar por isso mesmo, né? Porque nem faz mal que você tenha estragado tudo! Vai ver eu posso ignorar e nos tornamos grandes amiguinhos. Quem sabe você pode até se tornar minha putinha! – ironizou, e com quem Alex aprendera a falar assim Lucas não sabia dizer, apenas desconhecia aquele seu lado...

Era injusto que fosse consigo. Jamais quisera prejudica-lo... Por quê...? Oh, droga, as lágrimas escorriam aos montes, principalmente porque percebera que era o alvo dos olhares curiosos com os gritos e palavrões soltos no pátio. Era tão injusto...

Mas o pior estava por vir...

Sem aviso prévio seu queixo, molhado e gélido por conta das lágrimas fora erguido à força, obrigando-o a levantar o rosto e receber um beijo de surpresa e violento. Aquilo era mesmo verdade...? Seu castigo era um beijo...? Claro que não esperava um estupro na frente de tantos alunos, mas que ele lhe obrigasse a seguir para um lugar mais reservado ou algo assim...

A dúvida repetia-se e inundava sua mente, como um paradoxo inconclusivo. Logo um beijo... Um beijo...?

-Agora estou satisfeito – Alex comentou com um sorriso cruel e assustador, como se tivesse realizado um grande feito vingativo naquele momento. Deveria fazer algum sentido...? Isso era um amor frustrado, agressivo e contido para consigo...? – Boa sorte. Aliás, fui eu quem lhe mandou todos aqueles “presentes” idiotas. Espero que tenha se divertido em sua ilusão infantil...

E ele foi-se embora. Destruíra o pobre coraçãozinho de Lu que gritava, em um mínimo resquício de esperança que aquilo era... Paixão...?

Todos os momentos de sua vida fugiram de si e voaram para longe quando recebeu a apunhalada em seu coração. Passava muito longe do amor o que acabara de acontecer, era um sentimento muito mais profundo de um coração envolto por trevas. Desta vez seu mundo espedaçara-se e cada pedaço era um caco de vidro que lhe fincava, como se dissesse “eu avisei. O mundo não é bonito...”

Desta vez sim, fora-se ao chão após aquela voz chamar por seu nome. Perdera a vontade de viver e tudo que queria naquele momento era dormir em um caixão para toda a eternidade...

-Lucas Moura!

...Porque jamais poderia concertar de alguma forma aquilo que seu pai vira com os próprios olhos...

Notas finais
Oi gente o/ Leiam aqi, pfvr, pq odeio qando escrevo e n leem *vai cortar os pulsos*
Primeiramente desculpem pelo atraso, meu note tinha estragado e talz... O de sempre, mas eu nunca, NUNCA, N-U-N-C-A vou abandonar a fic, então pfvr, n me abandonem.... Qalqer dúvida vão no meu perfil, no meu ask (ask.fm/tassiiele) ou na pag de Emo-ções no facebook (http://www.facebook.com/emocoesb)
Falando nisso, abradeço ao Dhow, a Myh e a Thalia por cuidarem da página, são uns amores *-----*
Agradeço tbm o pessoal do meu ask, qe são mto qeridos(as) cmg e com os perso. Uma eu sei qe é a Dani, fez qatro desenhos TÃAAOOOO fofos num programa... Eu vou colocar na galeria já, já =3 Outra é a Bárbara Gomez, qe tirou do anonimo, dai eu soube...
O cap é presente para o Dhow, meu LIIIIINNNDOOO cavaleiro cor-de-rosa *-----------* Presente de aniversário para o leitor n° 1 de emo-ções.
Agradecendo tbm a MariW qe eu to qerendo devorar os órgãos internos pq sumiu junto do msn... Ao Pedro Henrique, qe tentou ler antecipadamente, sendo trollado pela minha irmã... (HSUAHSUAHSU) Aos dois amores qe fizeram eu ganhar o mês com as recomedações Lady di Ângelo e Baka Senpai... Sério, vcs n tem noção, pareço o Mi comi comemorando (saltitante =3)
O pessoal do meu facebook, qe eu n sei citar pq eu n sei qal leitoré de qal história D= Desculpem, mas tbm ao pessoal qe tá sempre passeando pela página de Emo-ções...
Acho qe é isso de agradecimento... Se eu esqeci algém ME COBREM!!
Outra coisa: Emo-ções tem 115 leitores, 66 favoritos e a página do face tem 106 curtidas. Pfvr, comentem! Eu sei qe tá difícil eu continuar, mas juro qe n atraso de propósito. Eu amo escrever essa história e amo ler os comentários...
*suspira* O qe mais falta dizer...? Ahh, n gostei mto do lemon pq tentei n apelar ao lado sentimental, mas me diverti sendo um estuprador (??) Tirando isso acho qe surpreendeu a todos e assim espero... Espero, tbm, deixá-los curiosos para o próx cap...
Um extra vem aí chamado "Qero voltar pra casa - Emo-ções" um extra emo e uma nova história do Bry, "De-emo-nios". A nova só surgirá após eu consegir n demorar em Emo-ções...
Explicaçãozinha rápida: Emo-ções tinha um cap por semana com média de mil palavras, então tecnicamente a demora do cap vai pelo número de palavras, se eu consegir regularizar...
Mais uma vez perdão, mas pfvr comentem pq eu amo interagir com vcs!!
Até os reviews...