Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados

13 Capítulo 13: Vamos nos divertir? Sinto um clima...


Notas iniciais
Mil perdões pelos erros de português. Meu pc estragou e o word do de meu irmão não sublinha mais as palavras em vermelho. Eu poderia revisar, mas dá muita preguiça .-.
Obrigada a todos vocês que leem e acompanham a história, mesmo com minhas demoras o/

Droga, acho que a professora já entrou na sala. Espero que ela não brigue comigo!


–Com licença professora.


Bati duas vezes na porta aberta de minha própria sala. A professora maneou a cabeça em sinal afirmativo e eu entrei, suspirando aliviado.


–Eu estava contando à turma que a professora de português faltou e a 102 está sem professor no terceiro período. Então agora, no segundo serão somente vocês e no terceiro haverá aula na rua em paralelo com a turma 102. No quarto seria a vez de vocês terem aula de português, então terão aula de química em paralelo também, daí soltam mais cedo.


A aula se tornou uma verdadeira confusão. Outra turma do primeiro ano? Mi comi e Luke! Terei aula com eles! Que... Estranho.


–Muito bem, agora prestem atenção aqui! Vou passar a matéria e no segundo período vamos para a rua desenhar.


Jura que vou prestar atenção! Depois pergunto ao Erick, ele explica de forma rápida e mais inteligível.


Apoiei os braços na classe e a cabeça nos mesmos. Suspirei. Pedro não está em aula, pois se não me engano é hoje aquele maldito jogo. Impressionante como ele se recupera rápido. Se houvesse sido comigo eu ficaria na cama por um bom tempo e diria que não consigo mexer o pé, somente para... Droga!


Pedro provocou-me uma terrível dor de cabeça ontem...

“Você tem olhado de cima para teus amigos”. Que amigos? Os falsos com o qual tenho que conviver? Claro, é fácil criticar quando se vê pelo lado de fora. Todos me humilhando e debochando e ele ainda vem me dizer que eu sou quem está errado em mudar.


Ontem à noite ouvi minha mãe conversando com meu pai pelo telefone. Ela parecia feliz. Se eu não conhecesse meu pai diria que eles estão prestes a voltar, mas eu o conheço. Até porque, meu pai não irá querer permanecer perto de mim. Acho que ele nunca mais irá querer olhar em minha face. Também, como poderia, sendo ele quem me criou minha vida inteira e, depois de ter criado o filho por quinze anos e aceitado que tivesse um estilo diferente descobre que, além de todos os defeitos ainda é homossexual. Acredito que não há decepção maior para um pai.


Ok, melhor mudar o rumo de meus pensamentos. O que será que aconteceu com Mi comi? Não o vi ontem. Deve estar saltitando entre o colo das pessoas.


Ah, hoje descobri que realmente há mais um emo no grupo que ando o qual ainda não conheço. Ele tem o penteado parecido com o de Bill Kaulitz do Tokio Hotel, quando o cantor era mais novo. Chama a atenção. Qual será seu nome?


Ah, o tempo irá demorar para passar...


Bom, depois de uma meia hora de aula chata e maçante sobre uma besteira qualquer finalmente o sinal anunciou o início do terceiro período. A professora mandou-nos pegar uma folha A4, o estojo, material para pintura e irmos para a rua. Assim fiz e saímos enquanto ela ia ver a outra turma. Sentamos todos em um círculo na grama, embaixo de uma árvore.


–Erick, o que é para desenhar?


–Ela ainda não disse.


–Ok.


Bocejei e observei o pessoal no círculo. Todos meus colegas me olhavam com cara feia, como se eu fosse uma aberração. Desviavam o olhar quando percebiam que eu via, pois encarei decididamente todos que me fitavam e cochichavam algo.


–Garotos, que decadência! Fazendo fofoca e se importando com a vida dos outros? Preciso rever urgentemente meus conceitos, pois eu estava certo que este era o meu +conceito de “garota”.


Esfreguei os olhos, tentando me manter acordado. Estou com sono, pois dormi muito pouco esta noite, fiquei pensando em... Meu pai. Pendi a cabeça para o lado, recostando-a no ombro de Erick... Opa!


–Desculpe – pedi erguendo a cabeça rapidamente.


–Tudo bem, pode deitar.


Sorri. Ele estava com as bochechas vermelhas. Repousei novamente minha cabeça em seu ombro, descansando. Obviamente que os garotos ficaram ainda mais inquietos.


Permaneci em silêncio enquanto a professora se aproximava com a outra turma. Estranhamente Mi comi estava quieto e andava normal, com o caderno próximo do peito, na frente do corpo.


–Oi Bryan! – Luke me cumprimentou alegre e se sentou ao meu lado.


–Oi – Mi comi disse quietinho, sentando ao lado de Luke. Ele olhou para cima, na direção de Matheus. –Senta do meu lado, por favor – ele pediu normalmente, sem nenhuma palavra ou gesto estranho.


Matheus obedeceu e sentou do lado dele. O emo que parece Bill Kaulitz também estava junto. Ele sentou ao lado de Erick e sorriu para nós.


–Que Love! – comentou rindo.


–Erick não é gay.


Ele fez uma expressão simples de confuso, olhou para cima e sorriu novamente. Até a maquiagem dos olhos deste garoto se assemelha a de Bill Kaulitz.


–Sei, sei... Mas ainda sim estão muito fofos juntos. Oi Bryan, lembra de mim?


–Mais ou menos – fui sincero como sempre. Se eu mentisse ele perceberia.


–Sou Thiago.


–Oi – sorri. Pisquei e fiquei tentado a não abrir os olhos, mas abri.


–E você? – Thiago perguntou a Erick. Ele ficou surpreso, arregalou os olhos e corou.


–Eu?


–Não, não. O garoto ao seu lado. Ah, mas já sei que o garoto ao seu lado é o Bryan, então pode ser você mesmo – Thiago brincou, sorrindo simpaticamente. Não foi uma grosseria, só uma brincadeira.


–Erick.


–Prazer Erick. Aposto meu caderno sem matéria que você é o nerd da tua turma.


Erick revirou os olhos, visivelmente chateado.


–Sou – respondeu de má vontade.


–Legal.


A palavra surpreendeu até a mim, que estou quase dormindo. Sorri de leve. Ouvi um dos garotos do outro lado da roda sussurrar algumas coisas, mas só entendi as palavras: Erick, nerd, nojento. Me preparei para responder, mas fui interrompido por Thiago.


–Ahh, ‘qualé Jonatas! Achei que não era para contar sobre aquela vez que te agarrasse com o meu amigo!


Não somente eu, mas todos os garotos das duas turmas se assustaram. O tal de Jonatas ficou constrangido e tentou argumentar, mas estava nervoso e isso só piorou. O pessoal caiu na gargalhada e debochou dele.


–O...Obrigado – Erick pediu baixinho. Mais uma vez Thiago sorriu simpaticamente.


–Nada. Não é bom debochar dos nerds, um dias eles serão nossos chefes, então seja um bom chefe para mim.


–Você parece o Matheus – constatei em voz alta e me arrependi. Era para ser somente um pensamento.


–Eu sou como a mamãe? ‘Putz, estou mal então.


Mamãe? Ri, virando a cabeça ainda no ombro de Erick para ver a reação de Matheus. Ele fez cara feia e revirou os olhos.


–Tão engraçadinho, Thiago.


–Olha os ciúmes, mamãe. Já te disse para cuidar os ciúmes.


Nós rimos, achando divertida aquela conversa dos meninos. Meu olhar pousou em Mi comi, ao lado de Matheus. Ele ria fracamente e mantinha o olhar baixo. Acho que vou pergunta-


–Pessoal, todos prestando atenção aqui para ouvir sobre o trabalho!


Claro, claro. Jura que a senhora terá minha atenção!



–Como sabe que o céu não é azul?


–Física. Ela diz que o céu é um arco-íris, mas o azul ofusca as outras cores. Por isso que no pôr do sol vemos o céu alaranjado, às vezes avermelhado. São as cores do outro extremo do arco-íris.


–Então por que o arco-íris é um arco, mas no céu não vemos um arco?


–Porque a terra é redonda e o arco-íris é um raio de luz branca que sofre uma refração, daí esse raio faz a volta na terra. No céu são vários raios de todo o sol que predominam em todo o céu.


–Nossa! Você é muito inteligente!


–Obrigado. Você é o único que fala de um jeito bom.


Hum... Ok, estou entendendo. São as vozes de Erick e Thiago conversando. Acho que dormi um pouco. Ah, mas não vou interrompê-los agora. Parece estar somente os dois conversando.


–E onde isso é ruim? Ser inteligente é maravilhoso!


–Mas estão sempre mexendo comigo e me chamando de nerd.


–Pra mim nerd é um elogio. Eles debocham porque são burros e sentem inveja.


Ohhh, que gracinha! O Erick deve estar envergonhado. Gostaria muito de poder vê-los, mas se eu me mostrar presente posso “estragar o clima”. Sei que Erick não é homo, mas mesmo assim está um clima bem legal entre eles.


–Você também é nerd?


–Não. Pelo contrário, tenho dislexia e dificuldade de aprendizagem.


Dislexia? Que doença é essa, mesmo? Eu conheço, só esqueci. Droga... Ah, sim, dificuldade de aprendizagem, ele disse. Que eu saiba é a mesma coisa. Nossa, eu não sabia que ele tem isso. Deixe-me adivinhar, Erick deve estar fitando-o surpreso.


–Não me olhe assim. Estou bem com isso. Não gosto que me olhem assim.


–Por isso você vem raramente à aula...


Ouvi uma risada, provavelmente vinda de Thiago.


–Sim. A matéria é muito difícil, já desisti.


–Eu te ajudo! – a voz de Erick veio tão cheia de energia que me surpreendi. Remexi meu corpo, fingindo estar dormindo. Eles se silenciaram por alguns segundos, somente para ter certeza que eu não acordei.


–Realmente não precisa. Além de dar muito trabalho será inútil. Eu já desisti.


–Mas eu realmente quero ajudar. Antes eu queria ser professor, pois gosto de ajudar os outros. Por favor, quero ajudar porque quero e gosto!


Nunca vi Erick tão decidido! Mas isso é realmente fofo. Será possível que eles se tornem um casal? Acontece que eu realmente não entendo o que se passa pela cabeça de Erick, porque ele é hétero e completamente apaixonado pela Alice.


–Se você quer... Mas quando quiser desistir fique a vontade. Não quero te prender.


Surpreendentemente um barulho enorme interrompeu a conversa dos garotos. Eram muitos gritos e umas frases que não consegui entender. Era uma comemoração.


–Parece que nosso time venceu – disse Thiago, prestando atenção ao barulho.


–Sim...


Com o barulho fingi acordar. Levantei a cabeça do ombro de Erick e estalei o pescoço. Espreguicei-me e pisquei repetidamente.


–Bom dia Bela Adormecida – Thiago brincou, rindo.


–Oi meninos. O que eu perdi? – perguntei fazendo-me de bobo.


–O trabalho sobre Impressionismo – Erick me respondeu sorrindo. Sorri de volta.


–E toda essa gritaria?


Desta vez não houve resposta. Erick apontou para trás de mim. Virei-me e vi o time de futebol todo gritando e comemorando. Todos os garotos com o uniforme de bermuda preta e camiseta branca, com algumas coisas em preto e medalhas grandes de fita azul no pescoço. Pedro vinha na frente, fazendo a maior bagunça.


–Não disse que eu ganhava mesmo sem o Gustavo e o André? Vão se fuder, porque nós ganhamos! Pode ir me pagando, Antônio!


Por pior que isso possa parecer, eu estava torcendo para que perdessem, pois assim as chances de pararem de debochar de mim seriam maiores, tanto pelo fato de que não debochariam, pois pagariam não podendo jogar e perdendo quando pelo fato de que eu poderia jogar na cara. Infelizmente, Pedro realmente sabe jogar e ganhou.


–Ganharam de quanto? – perguntou um dos garotos de minha turma.


–O último jogo foi de 3 a 1. Euzinho marquei dois gols! – vangloriou-se Pedro, batendo no peito e beijando a medalha.


Pedro e os garotos continuaram conversando, mas eu ignorei. Joguei-me de costas no gramado e fiquei a observar as nuvens. Continuo com sono...


Passei algum tempo quieto, apenas observando o céu azul. Percebi que, se você ficar deitado, encarando o céu por algum tempo e mentalizar parece que nós somos quem estão se mexendo, rapidamente. Ou talvez seja somente eu quem vejo isso.


–Acordou, Bryan?


–Sim – respondi para Luke que sentou ao meu lado. Junto dele estava Mi comi, carregando uma latinha de coca-cola.


–Que, ‘cês já se trocaram? Caralho, tenho que me trocar também! ‘Putz, fiquei contando do jogo e me distraí – ouvi Pedro dizer e, logo em seguida se afastar.


Algumas peças foram se encaixando em minha cabeça e, em um flash visualizei todo um plano que poderia sair muito bem... E se não saísse talvez não fosse tão horrível assim...


Me sentei na grama e dobrei as pernas, aproximando os pés da barriga.


–Lucas, você vai tomar todo o refrigerante?


Ele olhou da latinha para mim e maneou a cabeça em sinal negativo.


–Não. Já matei minha sede. Você quer?


Ele estendeu a latinha para mim e continuou inexpressivo.


–Posso jogar fora?


–Se ninguém quiser... – ele respondeu confuso, ainda com o braço estendido.


–Ótimo!


Peguei a lata de suas mãos, tirei os dois canudos verdes e olhei fixamente aquela latinha vermelha. Faço ou não faço...? Ah, foda-se essa merda! Joguei o líquido de dentro em meu ombro e tremi ao senti-lo escorrer. Gelado...


–Bryan, por que você fez isso? – Erick perguntou assustado, assim como todos os outros garotos.


–Depois conto. Onde está a professora?


Luke apontou para trás de mim. Virei-me e a encontrei ela felizmente de costas para nós conversando com uma aluna, pois na euforia esqueci de ver se ela estava nos observando. Levantei-me meio sem jeito. Que nojo esse líquido gelado e meloso grudando minha camisa ao meu corpo!


–Professora! – chamei-a. Quando ela viu meu estado surpreendeu-se. –Acidentalmente Lucas derrubou coca-cola em mim. Vou ir ao banheiro tirar a camisa e colocar meu casaco.


–Por que não tira aqui?


Fiz uma expressão de inocência e timidez. Tentei fitá-la com um olhar infantil, mas não sei se deu certo.


–Os garotos ficam me olhando maliciosamente porque sabem que sou gay.


Ela nem precisou pensar muito. Nossa professora de artes é bem compreensiva nesse aspecto.


–Tudo bem, pode ir.


Assim que virei de costas para ela abri um grande sorriso. Tudo parecia estar dando certo, afinal. Entrei no prédio e procurei pelo banheiro mais próximo que ficava ao lado da sala 11. Os corredores estavam vazios e a porta do banheiro masculino fechada. Bati e, sem esperar resposta abri a porta, entrando. Qual foi minha surpresa ao encontrar Pedro ali, erguendo a camisa, pronto para tirá-la?


Meu coração acelerou cinco vezes mais e eu soube na hora que estava corando. Pedro tem um tanquinho tão perfeito... Deve ser tão durinho aqueles ‘gominhos bronzeados... Nossa, é impossível eu ser hétero.


–‘E aí, Bryan? ‘Firmeza?


E ele nem se importou com o fato de um gay ter entrado no banheiro enquanto ele trocava de roupa. Continuou e terminou de tirar a camisa do time, jogando-a no chão.


Parei na frente do espelho da pia e fiquei a fitá-lo por ali. Pedro tem um corpo tão lindo... E, mesmo não querendo acabei por pensar em como seria ter uma noite com aquele corpo tocando o meu, pressionando... Tão quente... Mas, para minha infelicidade ele tinha que colocar uma camiseta novamente, desta vez uma preta com a imagem de um dragão em branco e vermelho, com o rabo passando para trás.


Quando ele me olhou mais que depressa puxei um pouco da gola de minha camiseta e sequei meu pescoço gosmento, disfarçando. Pedro sorriu.


–O que houve? Os garotos implicando?


Como ele pode conversar comigo tão normalmente depois do que aconteceu? Depois daquela terrível discussão. E, apesar de tudo, Pedro me trata normalmente, sendo que no início me tratava como uma garotinha. Se fosse outro – ou antes – nunca me deixaria entrar no banheiro enquanto estivesse trocando de roupa.


–Foi Mi comi.


Pelo reflexo vi-o rir, ajeitando os ombros da camiseta. Mais do que nervoso, eu desamarrei meu casaco da cintura e coloquei-o próximo da pia. Segurei na barra de minha camiseta e ergui-a, retirando logo em seguida.


Observei o reflexo de meu corpo. Pálido demais e magro. Magro com uma cintura fina. Do que me orgulho é de não possuir uma única marca no tórax. Depois de minha noite com Matheus fiquei com algumas marcas sim, mas agora já saíram.


–Bryan, posso te fazer uma pergunta de coisa gay?


Virei minha cabeça em sua direção, confuso. Não fazia parte de meus planos perguntas serem feitas. Assenti com a cabeça, vendo-o secar meu corpo descaradamente.


–Você se excita quando tocam nos teus mamilos? Porque é assim com ‘mina, ‘né. Daí queria saber se com gay também.


Abaixei a cabeça, fitando meus mamilos vermelhos. Eu acho lindo e perfeito o corpo de um garoto, mas Pedro não pensa assim. Ele deve gostar daquelas garotas com peitos exageradamente grande, pois a maioria dos garotos tem tara por isso.


–Sim, gosto que me toquem... Aqui. Eu... Sempre gostei de ver corpos de garotos e nunca me interessei muito por peitos e bunda grandes, cintura fina com quadril largo... Essas coisas me parecem completamente sem graça.


–Uma vagina também? Ou você gostaria de ter uma?


Ai porra, ele tinha que ser tão vulgar? Aliás, acho que na maioria das vezes que conversei com Pedro nossas conversas seguiram o rumo do homossexualismo.


–Eu gosto de ser um garoto. Só... Acho que o quanto um homem gosta do corpo de uma mulher eu gosto do corpo de garotos.


Abaixei o olhar, completamente envergonhado e vermelho. Passei minha unha azul marinho em minha barriga, do umbigo até o meio dos mamilos, descendo novamente. Por que logo eu tenho de ser diferente?


–Estranho... Ah é Bryan, ‘desculpaê por ontem. Sei que você é meio sensível com essas coisas porque gays passam por dificuldades e ‘talz, foi errado de minha parte te julgar. É que nunca saberei como é ser gay e sentir atração por outros garotos.


Nunca? Vamos ver, então.


Ergui a cabeça e fitei-o de um jeito mais intenso. Pedro ficou confuso. Caminhei até ele, fazendo questão de manter a postura ereta. Fechei a mão esquerda, única com luva sem dedo e coloquei-a em minha cintura.


–Nunca, é?


Aproximei mais meu corpo, encostando-o no seu. Olhei decidido para cima, pois ele é mais alto que eu. Pedro ficou boquiaberto e sem reação. Como eu gostaria que ele estivesse sem camisa agora...


Segurei suas mãos e levei-as até minha cintura nua e quente, colando meu corpo no seu. Pedro continuou a me fitar incrédulo e juro que vi suas bochechas ganharem uma coloração mais avermelhada...


Bom, é agora ou nunca. Se Pedro realmente não sentir nada por garotos, mais especificamente por mim saberei agora e passarei uma vergonha tremenda. Mas, se eu não fizer nunca vou saber.


Coloquei as mãos em seus ombros e fui empurrando-o para trás. O que me surpreendeu foi o fato de Pedro não retirar suas mãos quentes de mim nem me impedir de empurrá-lo. Fui guiando seu corpo até dentro de uma cabine. Sentei-o no vaso sanitário – com a tampa abaixada, obviamente. Coloquei uma perna de cada lado do seu corpo e sentei em seu colo, rosto a rosto. Tão próximo...


–Nada ainda, Pedro?


Enlacei seu pescoço com ambos meus braços e aproximei mais meu quadril de seu tanquinho, basicamente sentando encima de seu pau. Encostei nossas testas e observei seu lindo rosto de garoto másculo. Aqueles lábios tão tentadores e o olhar voraz dele, exatamente do jeito que me seduz. Minha respiração começou a pesar. Deus, é capaz de eu gozar e ele continuar sem reação, pois duro já estou. Infelizmente minha ereção acabava por encostar em sua barriga. Eu não queria, pois já será difícil excitá-lo sem seios enormes, uma grande bunda e um buraco no meio das pernas, ainda pior será se ele sentir um pênis!


Engolindo meu coração eu tremi e comecei a me mexer, encima de seu membro. Rebolei e simulei uma penetração, subindo e descendo devagar, esfregando-me em seu peitoral.


Vibrei, dei mentais pulos de alegria e sorri majestosamente ao sentir um enorme volume roçando em minha bunda. Fechei os olhos e joguei minha cabeça para trás, arfando. Não consigo acreditar que estou mesmo no colo de Pedro, excitando-o dentro do banheiro da escola.


Suas mãos começaram a se mexer em meu corpo. Uma desceu, indo apertar minha bunda por cima da calça. A outra subiu e desceu em minha cintura por um tempo até decidir-se por tocar em meu mamilo...


Filho da puta! Foi por isso que perguntou? Puta que pariu, vou acabar gozando! Ainda mais sentindo essa coisa enorme e dura dele embaixo de mim, faltando tão pouco para estar dentro de meu corpo...


–Hum... Pedro... – arrisquei-me novamente, chamando por seu nome. Se eu não tivesse dormido com Matheus, nunca teria coragem de chamá-lo assim, quase gemendo. O fato é que, entre um garoto e uma garota há mais diferenças do que eu relevei, pois minha voz também não é afeminada.


Sua mão esquerda continuou em minha bunda enquanto a direita acariciava minha barriga, subiu até meu ombro e, de lá a meu pescoço, arrepiando meus pelinhos da nuca. Subiu mais, indo para a parte de trás da minha cabeça, enlaçando seus dedos nos meus fios de cabelo. Sua mão empurrou minha cabeça e eu abri os olhos, fitando-o de perto.


Seria extremamente fácil beijá-lo. É tentador, tão, tão tentador... Tão próximo, tão fácil, tão delicioso... Mas eu sei que se beijá-lo acabarei perdido em minhas próprias ações, porque vou...


Facilita minha vida, Pedro! Vou acabar chegando lá antes de você! Droga... Essa foi uma parte que não pensei...


–Bryan...?


Sua mão deslizou de meus cabeços para meu rosto, segurando boa parte deste. Ele está me olhando... O que será que se passa pela cabeça dele...? Bem, no momento eu sei: ele quer me beijar. Está tão óbvio! Mas eu não vou.


Continuei a me movimentar mais devagar, fazendo maior pressão. Minhas mãos e, infelizmente meu queixo começaram a tremer, tamanho o nível de excitação. Droga, meu rosto está queimando, principalmente onde está a mão de Pedro. O pior é que ele pode ver essas reações.


Filho da p... Ele não para de apertar minha bunda! Já deve estar vermelha!


Pedro suspirou e deslizou sua mão de volta para meu cabelo, fechando-a ali e apertando com força. O observei enquanto ele fechava os olhos, concentrado em sua ejaculação. Aceitei que ele aproximasse meu rosto do seu por causa da força em meus cabelos. Quando faltava somente um pouco para que nossos lábios se tocassem eu travei, mesmo que aquela força estivesse começando a doer. Pedro abriu os olhos no mesmo momento que afrouxou a mão em meus cabelos. Segurei seu pulso e tirei sua mão de meus cabelos. Me levantei rapidamente e sai dali, peguei meu casaco e minha camiseta encima da pia e me meti na cabine ao lado da de Pedro. Tranquei.


Droga...


Sentei-me no vaso, juntei as mãos ao peito e curvei meu corpo, encostando no joelho. Observei meus fios de cabelo negros pendendo com a gravidade.


–Bryan?


Porra Pedro, não entende quando acabou? Que... Droga... Não aguento mais. Minha ereção está incomodando muito!


–Bryan.


Ele bateu na porta, tentando abri-la. Ele se recupera rápido!


–Me esquece, Pedro. Deu. Agora vá contar para seus amiguinhos que gozou com um garoto e que nem ao menos foi necessário tirar a roupa. Ou vai mentir como sempre?


Eu tenho que me acalmar. O que aconteceu foi bom, não é? E eu gostei, mas o que me irrita é que Pedro não vai admitir ter gostado. Ele não vai sair daqui contando a todo mundo que gosta de mim e quer que fiquemos juntos.


Bom, é nisso que dá se meter em um plano que você bolou minutos antes de colocar em prática! Quem mandou eu não pensar antes?


–Bryan, por que você faz as coisas e depois foge? Quero conversar com você.


Por quê...? Porque tenho medo de conversar. Tenho medo do que irá dizer. Devo admitir-lhe isto?


Um barulho interrompeu meus pensamentos e capturou minha atenção.


–Merda! – Pedro resmungou antes de sair de perto da porta.


Levantei a cabeça e fitei a porta rabiscada a minha frente. Alguém havia entrado no banheiro.


–Ainda tá aqui, Pedro?


–‘Tô! ‘Calmaê que ‘to terminando de tirar o uniforme.


–Ainda cara? Que lerdeza!


Droga, ainda estou ereto. E eu realmente não aguento. É impossível esperar uma ereção parar! É torturante demais...


–‘Bora lá contar daquele primeiro gol. Os ‘caras não ‘tão acreditando!


–‘Putz, tem que ser agora?


–Claro! Para de se ‘fresquear e ‘vamo logo!


–‘Tá, tá! Se acalma, seu merda! E tem que ser rápido!


Envergonho-me só de pensar que vou mesmo fazer isso no colégio... Droga...


Desabotoei minha calça e desci o zíper. Peguei minha camiseta azul marinho mesmo, pois já está suja. Não posso sujar minha calça. Devagar fechei os olhos e tirei meu pênis de dentro da calça. Segurei-o com a blusa e comecei movimentos devagar.


Abri bem a boca para que o suspiro aliviado que saiu de meus lábios não se tornasse evidente. Era um alívio poder me tocar finalmente.


Ouvi o barulho dos garotos se afastando. Finalmente sozinho no banheiro. Isso não acaba completamente com minha vergonha, mas a diminuí drasticamente. Ainda sim fazer isso no colégio... Ainda mais no banheiro daqui que não é muito limpo. Nem um pouco limpo.


Segurei na base e movimentei para cima e para baixo, escorregando a mão pela extensão. Passei o polegar na glande, espalhando o pré-gozo já presente.


Eu queria Pedro me tocando e se importando. Gostaria de poder passar uma noite de amor com ele, sem ter que pensar o quanto ele gostaria que fosse uma garota em meu lugar. Queria ouvi-lo dizer que gosta de mim, de meu corpo, do fato de que sou um garoto... Porque eu sempre vou preferir um garoto a uma garota, mas ele não.


Acima disso, gostaria de sentir seu toque deslizando em minha cintura novamente. Sentir seus lábios úmidos em meu corpo, meus mamilos... Eu deixaria que ele apertasse minha bunda sem a calça e ele diria: “Bryan, isso é muito melhor do que com qualquer garota do mundo”. Seria incrível, não?


Aquelas mãos maiores que as minhas... Seu toque, seu corpo... Ah, tocá-lo então! Contornar todos aqueles ‘gominhos gostosos... Poder lambê-los... Sentir seu membro grande dentro de mim, apertado deixando-me com a certeza de que ele estava ali, me possuindo... Tão gostoso...


Não foi preciso muito e espasmos tomaram conta de meu corpo. Eu tremi sentindo aquele arrepio tão gostoso e indescritível extasiando meu corpo. Tremi da cabeça aos pés e gozei, sentindo o líquido quente sujar minha camiseta.


Recostei a cabeça na madeira que separava as cabines ao meu lado. Abri os olhos e encarei a porta com algumas coisas escritas. Meu coração estava na garganta. Ainda esfreguei meu pênis devagar algumas vezes para ter certeza que dura saíra e que não sujaria minha cueca. Ainda bem que ninguém precisa saber o que eu fiz...


Depois de algum tempo para me acalmar e me limpar eu me vesti e arrumei minha calça e cueca. Meu casaco, agora em meu corpo é preto com dizeres em azul e cinza. “Choose your way”, Foi uma das poucas roupas que meu pai escolhera para mim e uma das menos emo que tenho. Ainda me pergunto se ele escolheu a frase propositalmente, pois tal atitude não segue em concordância com seu jeito. Ah, no dia ele também me deu uma calça jeans larga, mandando-me usá-las, pois teríamos visitas. Eu rasguei no joelho e nos bolsos. Ele ficou furioso.


Sentei-me no chão com as costas na divisória da cabine atrás de mim e os pés quase passando para a cabine a esquerda. Flexionei meus joelhos, pois se não eu não conseguiria manter-me ali. Puxei as mangas até meus dedos e cruzei os braços na frente do corpo, com a cabeça descansando na porta.


Sou um homossexual de merda que não pode fazer amizade com um hétero. Sou o motivo de alguns héteros terem nojo de pessoas como eu.


Eu fiz algo muito errado. Pedro gozou comigo e isso ainda me parece muito irreal, mas talvez ele pensasse em outra pessoa ou esteja gostando de outro garoto, não necessariamente eu. Pode ser Mi comi, pois ele sempre fala dele.


Droga, o garoto gozou comigo! Eu deveria estar feliz! Por que não estou? Acho que é porque não posso tê-lo como meu namorado... Mesmo que ele sinta atração não irá querer ficar comigo, pois já disse que não assumiria ter ficado com um garoto. Aliás, ele me deixou sozinho aqui.


Levantei-me e abri a porta, decidido a voltar para a aula. Fechei meu casaco até o pescoço e saí do banheiro. Andei pelo corredor e ouvi um barulho baixo, vindo de uma das salas de aula. Acho que a do outro primeiro ano. Aproximei-me da porta e pude ouvir um choro. Eu... Infelizmente reconheci o choro; era de Mi comi. Droga, eu não quero ter de aturá-lo chorando. É mais fácil fingir que não ouvi nada.



Notas finais
Mil vezes obrigada a Momo-chan e a Annie-chan por terem recomendado! Valeu mais que meus amados chocolates de páscoa (aliás, comi um monte e agora mal posso ver chocolate, mas ainda posso reler minhas amadas recomendações). Nem sei como lhes agradecer meninas, serei eternamente grata pelo fato de simplesmente se darem ao trabalho de ler e deixar um review!
Aliás, Anniie, você é a melhor! Quem mais me aguentaria o dia INTEIRO (contando a madrugada) me ouvindo falar de Emo-ções? Só você mesmo! Tenho tanto a agradecer... Obrigada por me ajudar a escolher as imagens, obrigada pela recomendação, obrigada por me aturar... Por tudo!
Ahh é, e o que houve com meus reviews grandes?? AMO reviews ENORMES! Deixem o maior possível e me façam feliz, okks ??