Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados
11 Capítulo 11: Automático.
Notas iniciais
Afinal, essa não seria uma história de emos que se prese sem TOKIO HOTEL o/
A música usada neste capítulo é daqueles lindos garotos viados: Automatic - Tokio Hotel. A parte sublinhada é de Automatisch, também deles. É a mesma merda, só que Automatisch em alemão e Automatic em inglês.
Erros na tradução: culpem o Vaga-lume. Eu somente passei a música para o masculino, mas notem que a palavra "automatic' em inglês não define sexo, como no português que pode ser "automatico ou automática".
Eu até diria que eles (Tokio Hotel) não são muito bons músicos (se não fosse eles não seriam famosos) e que a música que eu escolhi só combina a letra, não passa em nada sentimentos, mas daí alguém pode se sentir ofendido. Não se sintam, eu os amo, tanto que tenho uma camiseta deles (e passo vergonha quando vou pra aula com ela xD Sério mesmo u.u). Aliás, Bill Kaulitz é meu noivo, então... (se ele não se comer com o Tom, né).
Aviso legal: Este capítulo não é aconselhável para pessoas com, pelo menos pequeninas tendências depressivas. Por quê? Porque "dá ideias". Se você é, não gostará de ler. Mas, se você é e quer ler, fique a vontade. É o mesmo lance com "inapropriada para menores de 18 anos". PQP, minha própria história é inapropriada para mim mesma! OMG, depois dessa vou até sair daqui!
Não, espere, tem mais! (leitores querendo me dar uma voadora para poderem ler logo).
Aviso legal com spoilers: Há estupro.
Agora deu, podem ler xD
Quando vi Bryan passando na frente da minha sala petrifiquei no lugar. Demorou um pouco até que eu entendesse aquilo, na verdade demorou muito, para ser sincero demoraram horas.
–Bryan?
Chamei para ter certeza. Ao vê-lo responder ao meu chamado tive vontade de chorar. Aquele era mesmo Bryan e ele estava lindo como nunca antes. Aproximei-me dele sem perceber, somente para conseguir vê-lo melhor.
Se fosse só pelo “lindo” estaria tudo bem e eu não me sentiria... Mas ele estava incrivelmente fofo. Muito mais que eu. Seus olhos azuizinhos e lindos, de um jeito bobo. O nariz fofo, sem nenhuma espinha nem sinal. A boca avermelhada com os lábios entreabertos e aquelas argolas pratas contrastando... Eu sempre quis colocar piercing, principalmente prateado, mas meu pai não deixa.
Bryan estava todo lindo e fofo! Mas ele nem ao menos quer ser fofo e nem age fofo. Mesmo assim ele ainda é mais que eu, que vivo tentando ser.
–Você está lindo – não menti, mas não fui totalmente sincero. Ele realmente estava lindo, mas ouvir as palavras saindo de minha boca doeu em meu coração. Eu gostaria de ser lindo como ele. Bryan estava fofo sem nem ao menos tentar, nem querer!
Forcei um sorriso e o abracei bem forte. Sou um péssimo garoto. Bryan é meu amigo, eu não deveria estar o invejando, deveria estar feliz por ele. Eu me sinto bem e feliz que ele seja lindo e que tenha vários garotos atrás dele, mas... Eu queria ser fofo e eu tento tanto... Bryan é naturalmente. Ele é mais fofo que eu.
–Bryan, você assina meu caderno? – eu já queria lhe pedir isso há um tempo, mas nesse momento foi mais para desviar o assunto.
–Eu tenho coisas mais importantes para fazer. Agora me solta Lucas, tenho que ir para a aula.
Apertei-o com mais força, pois precisava de um abraço. Eu amo Bryan, muito, muito. Ele seja, talvez, meu melhor amigo, ou pelo menos um dos, com Luke, Matheus e Alex. Eu não quero que nada de ruim o aconteça, só...
–Tá! Mas depois passe aqui! Vamos ficar o intervalo juntos!
Eu amo meu amigo Bryan e é isso. Não posso ter inveja dele! E mesmo que eu esteja triste por Bryan ficar na minha frente em tudo, ele é um de meus melhores amigos e quero passar meu tempo com ele.
–Claro, claro.
Soltei do abraço e sorri, fitando-o de um jeito feliz. Fazia tempo que Bryan não aceitava passar o recreio comigo. Estou feliz! Vou poder falar com Bryan! Mas também estou triste, por causa da aparência dele... Bryan gostou desta sua própria mudança? Porque ele não quer ser fofo.
–Tá bom, vou esperar!
Na hora do intervalo poderei convencer ele a assinar meu caderno. Uma assinatura bem grande, porque Bryan é importante! Que fofo, até rimou.
Quando ele se afastou fui para minha cadeira e esperei pela aula. Por um lado estava feliz, pois Bryan aceitou passar o intervalo comigo. Por outro... Me odeio por invejá-lo. Sendo sincero, eu não quero que Bryan seja fofo. Quero ser o único fofo. Por outro lado não quero desejar que Bryan não seja fofo, me sinto uma pessoa ruim. Ai, fiquei confuso. Isso faz algum sentido?
Em certo momento, nossa aula foi interrompida por gritos vindos da sala ao lado. Eu entendi a palavra “gay” e outras feias que não quero repetir. Nossa professora – e a turma toda – foi ver. Era Bryan discutindo com outros garotos. Isso quer dizer que... Que os garotos também acharam o Bryan fofo. É isso?
O recreio foi vazio. Só conversei com Luke, pois Matheus anda meio sumido e Alex estranho. Bryan não apareceu, mas eu não insisti, vai que eu acabasse dizendo coisas ruins para ele. Quando pude ir para casa foi um alívio, mas, como sempre eu não queria ir para casa. Fiz questão de caminhar bem devagarzinho para evitar chegar.
–Bom dia pai – cumprimentei sem vontade assim que entrei em casa.
–Dê bom dia para sua irmã também – meu pai mandou, sem me fitar.
Minha irmã e meu pai estavam sentados no sofá, assistindo TV. Nenhum dos dois me olhou. Larguei minha mochila do lado do sofá, pois estava machucando meus ombros.
–Eu não vou dar, ela nunca me dá.
Meu pai me olhou daquele jeito ríspido de sempre. Tive vontade de chorar. Quem vê de fora acha que sou um chorão, mas meu dia está péssimo.
–Lucas Moura, deseje bom dia para sua irmã e junte sua mochila do chão. A sala não é lugar.
–Bom dia – resmunguei revirando os olhos. Peguei minha mochila de volta, mas só a segurei.
Minha mãe apareceu na porta da cozinha. Diferente dos outros dias eu não me senti mais animado. Escondi minha mochila atrás do sofá e andei devagar até ela, abraçando-a.
–Bom dia filho. Seu pai estava dizendo que hoje a tarde quer ir ao McDonald’s com sua irmã. Por que você não vai junto? – mamãe disse com sua voz calma e quase inexistente de tão fraca. Este é seu normal.
–‘Manhêee! Papai quer ir comigo, não com esse lixo aí. Vamos passar vergonha se irmos com ele.
–Não seja tão má, Carolina. Não custa nada levar seu irmãozinho junto – minha mãe tentou, mas meu pai se meteu.
–Não irei levá-lo junto. Carol está certa, Lucas nos fará passar vergonha com essas roupas e atitudes. Parece mais um ser de algum terceiro sexo. Quando se tornar garoto de verdade o levarei nos lugares conosco, até lá ele ficará em casa. – E a palavra de meu pai é sempre a última.
Do que adianta ser como sou, se Bryan me supera tão facilmente? E mesmo que ele brigue com o pai não tem que passar pelo que eu passo, pois agora mora só com a mãe e ela aceita. Eu tenho que me meter em brigas e sempre deixo minha mãe triste por estar separando a família...
Tentei secar meu rosto, mas de nada adiantava. Funguei enquanto sentia meus olhos, minha garganta e meu peito arderem. É sempre minha culpa os problemas e as brigas, mas eu não quero. Eu não gosto disso, mas eu não quero ter de me vestir e agir do modo que os outros acham “certo”. Eu odeio isso...
–‘Ahh, a bichinha vai chorar! Nunca vai conseguir ser homem, qualquer coisinha já abre o berreiro. É um caso perdido; uma bicha. Desiste, pai.
–Fica quieta, desgraçada! O que você entende de mim? Fica me julgando e dizendo o que bem entende, mas eu não faço isso contigo! Não jogo na cara que você é puta!
Quando meu pai se levantou do sofá me encolhi. Não me agarrei em minha mãe porque sabia que ela não poderia fazer nada. Meu coração acelerou dez vezes mais por conta do nervosismo e eu fechei os olhos com força.
Meu cabelo foi puxado.
–Respeite a tua irmã! Ela está certa e você errado!
Ele ia me bater.
–Roger! – minha mãe o chamou, interrompendo. Eu manti meus olhos fechados com força, sem querer olhar para ele.
–Ele tem que aprender a ter respeito pela irmã! Se fica ofendido, então que mude o estilo!
Ele soltou meu cabelo com força. Aproveitei o começo da discussão para correr até as escadas, fugindo. Minha irmã me esperava no pé da escada, somente para me depreciar quando passasse.
–A culpa é sua! Você sempre ‘merdeia tudo!
Eu subi até meu quarto. Fechei a veneziana de madeira da janela, deixando o lugar mais escuro. Me joguei na cama e me tapei até a cabeça com o cobertor, ouvindo meu choro e o barulho da briga.
É minha culpa, sempre é. Porque eu sou o errado e eu deveria mudar. Eu só quero ser fofo, mas eu sei que estou chegando à puberdade e, depois disso “ser fofo” será “ser gay” e se eu for gay meu pai me mata. Ele já não gosta de mim, se eu for gay vai me odiar.
Minha mãe só permite que eu seja como sou porque ela acha isso normal. Acha que ainda sou criança, então tudo bem ser fofo. Não importa o que eu seja, Bryan é mil vezes melhor. Eu crio brigas e desentendimentos por causa do meu jeito estranho, mas eu me consolava pensando que estou feliz assim, que sou único e que os garotos que gostam de outros garotos fofos gostariam de mim, mas agora há Bryan que é fofo sem nem tentar. Bryan atrai os garotos que gostam de garotos fofos e os que gostam de garotos normais. Ele é tudo! E tem a atenção do Matheus, Alex, Luke, Pedro, Erick...
“Se acalme Lucas, tudo vai ficar bem”.
Me encolhi mais, apertando os olhos com força. Mas está tudo bem abrir porque não há nada, somente uma leve claridade permitindo ver o edredom amarelo, mas nada fora dele.
“Estou aqui com você”.
Me recuso a pensar nessas coisas! Eu não posso mais ficar inventando pessoas para me consolar. Eu odeio isso!
“Vamos, não chore.”
Mas não consigo aguentar o fato de que estou sozinho. Eu... Eu não sei...
“Você não está sozinho. Nunca!”.
E sempre que me concentro muito, muito eu consigo sentir um suave toque em meus cabelos...
Eu só quero fugir. Quero dormir para sempre e poder viver em meus sonhos...
♦
Você é automático
E o seu coração é como um motor
Eu morro a cada batida
Você é automático
E a sua voz é elétrica
Por que eu ainda acredito?
–Daí eu disse que não tinha namorado e ele perguntou onde eu estudava.
–O garoto da praia, ‘né?
–Esse mesmo. O bonitão dos músculos.
Sorri meigamente, estimulando-o a continuar. Não era ruim ouvir os assuntos de Luke.
–E então...?
–Daí ele me levou em casa, me deu um baita beijo e só! Minha mãe estava lá, não dava para fazer mais nada.
–E ele não pediu nada nem forçou?
Luke movimentou a cabeça de um lado para o outro, negando.
–Decepcionante. Nem tentou me agarrar.
Ah, tudo tão romântico... Luke tem tanta sorte! Mas ainda reclama. Se ele não tentou agarrar é porque gostou dele e não é só sexo, mas Luke mal o conheceu e ainda queria mais...
–E você, Lu?
–Hum? O que tenho eu?
–Como vão os seus amores? Principalmente aquele seu meio-primo que é louco por você...
Ah, sim. Entendi. “Meu meio-primo”. Eu até ficaria vermelho, como no início, mas infelizmente já me acostumei com a mentira. Acontece que sempre ouvir Luke contando sobre garotos lindos e sobre seus amigos fora do colégio acaba me deixando com ciúmes. Minha vida é o colégio e minha casa. Meus amigos são os que eu tenho aqui e, além daqui só tenho minha família, mas nem sei mais o que sou para eles.
–O de sempre. Você sabe... Ele vai lá em casa de vez enquanto, mas fica chato quando ele dá encima de mim correndo o risco de meus pais verem, daí não gosto.
–Mas e aí? Não fizeram nada?
Sorri, pensando em minha paixão... Alex, claro. Não esse meio-primo imaginário. Eu o amo e... Ai, ai, é só falar de algo haver com amor que fico bobo.
–Prefiro Alex...
–Ah não, Lu! Com um primo desse jeito que você tem... Se fosse eu já teria desistido de Alex há muito tempo!
Não é que eu queira mentir, mas... Como posso tentar dizer de um jeito compreensível? Fico sem jeito quando Luke conta de seus amigos, seus fins de semana agitados, seus encontros... Eu não tenho vida além do colégio, não tenho o que contar. Luke não precisa de nós, ele tem seus amigos, já eu, sem o colégio não tenho nada. Fico com vergonha de ter que admitir isso, então é melhor fingir.
–Eu amo Alex, como ele é. Só queria ter um pouco mais de sua atenção...
Joguei minhas costas no cimento atrás de mim. Estávamos sentados na beirada do prédio do laboratório. Luke ao meu lado, contando tudo.
–Aí Lu, você é mesmo um idiota! Mas e aí, conseguiu fazer com que os outros assinassem seu caderno?
Ah é, meu caderno! Tenho que pedir para Bryan novamente! Espero que ele queira assiná-lo.
–‘Iiiinfelizmente só você. Matheus tem andado ocupado; Bryan também. Alex ri e Thiago é “turista” na aula.
Sem me levantar estiquei meu braço, abri minha mochila e peguei meu caderno com caveiras e um fundo rosa com preto e cinza na capa. Meu pai vive dizendo que é caderno de gay, mas não é, mesmo tendo rosa. Quero dizer... Bem, deu para entender. Abri a capa e vi a caneta gel azul com a letra de Luke. Era uma frase de amizade, do jeitinho que eu gosto.
–Vai pedir para as meninas assinarem?
–Ah não, elas são só minhas colegas. Vocês são quem eu considero meus amigos.
–‘Owwwnn, que fofinho, Lu!
Sorri de forma meiga, pois amo quando dizem que sou fofo por que... Porque é esse meu objetivo.
–Hey Lucas!
Automaticamente meu coração acelerou, produzindo um “bum, bum” muito rápido. Me senti envergonhado sem motivo, acho... E sentei no degrau. Alex estava ali, na minha frente. Alto, charmoso, mexendo naquele piercing tão tentador... Ai, nossa! Nossa, nossa, nossa!
–Que foi? – perguntei, olhando nervosamente de Alex para Luke, depois de volta para Alex e seguia o olhar para qualquer coisa no pátio. Eu fico muito nervoso quando Alex está próximo! Não consigo pensar direito.
Oh Meu Deus, ele sentou do meu lado! Tenho que tentar me acalmar... Ai, mas eu o amo tanto! É automático sorrir!
–O que você acha de sairmos juntos hoje depois do almoço? Se quiser podemos nos encontrar aqui na frente do colégio mesmo, às 14h – ele disse daquele jeito, sabe... Daquele jeito que ele fala... Daquele jeito sedutor que o garoto que você gosta fala, sorrindo... Sorrindo de um jeito tão encantador que você deseja pular no colo dele e dar um ‘beijãozão!
Ai Deus, espera! Ele está mesmo dizendo isso? É óbvio que ele não quer só sair, ele quer ficar comigo! Nossa, mas nunca é Alex a pedir para ficar comigo, sou sempre eu quem peço. E... Não é no colégio, entãooo... Sério mesmo? Ele quer dizer isso mesmo?
–Claro! – eu quase gritei, mais que animado. Abri um sorriso enorme, mostrando todos meus dentes, todos, todos, todos!
–Ótimo.
Ele moveu o piercing, empurrando-o para fora e puxando-o para dentro. Fiquei perdido obervando seus olhos castanhos escuros, tentando descobrir o que ele estava pensando. Alex sorriu simples uma última vez e se levantou, partindo.
–Luuuu, fecha a boca!
Fechei, envergonhado. Virei na direção de Luke e uma alegria histérica me impossibilitou de ficar quieto. Gritei e me pendurei no pescoço de Luke, apertando-o com força.
–Alex me ama! Alex me ama!
A cada palavra eu ficava mais eu eufórico e apertava Luke mais, a ponto de sufocá-lo. Como explicar? Eu o amo e ele me quer! É assim!
É automático
Por toda parte na sua carta
Uma mentira que me faz sangrar
É automático
Quando você diz que as coisas vão melhorar
Mas elas nunca...
Passei a manhã inteira nervoso, sem saber o que fazer e como agir. Pensei em todas as possibilidades possíveis, de tudo que poderia acontecer. Encontros, sorvetes, cenas românticas... Ai, ai! Mas não importa o que seja, porque será com o Alex, então é óbvio que será especial!
Bateu para o intervalo e quem aparece na sala? O turista!
–Olha quem chegou! Oi Thi! – Luke o cumprimentou todo sorridente.
–Quanto tempo! ‘Tá parecendo Bill Kaulitz – comentei feliz ao ver seu novo penteado. Ele vestia uma camiseta de banda, jaqueta perfecto curta e aberta, com o cabelo bem parecido com o do vocalista da banda alemã Tokio Hotel.
–Era a intenção – ele respondeu sorridente. –Oi Luke, oi Mi comi. – e meu cabelo foi bagunçado.
–Não, não, não! Nada de “Mi comi” Thi!
Balancei a cabeça de um lado para o outro, recusando-me a aceitar ser chamado de modo tão vulgar. Parece que sou um puto oferecido! Que horror!
–Ah, mas combina com você. É fofo.
Thiago sentou encima da classe de Luke, que ficava atrás da minha. Ele sentou no lado esquerdo da mesa enquanto Luke estava no direito.
–Essa coisa de “é fofo” não cola! Não é fofo, é vulgar!
–É, como se você nem fosse um loiro oxigenado escandaloso que vive gritando e saltitando pelo colégio.
Ai, ai, ai! Eu não sou assim! Talvez só um pouquinho...
–Thiiiii!
Ele somente riu. Abraçou-me com um abraço (não, com um chute! ‘Dãaa Lucas!), contornando meu pescoço e beijou o topo de minha cabeça. Já o perdoei, mas não admito.
–Não fique brabo, Lu. Não falei como algo ruim.
–Sei...
Quando ele me soltou arrumei meu cabelo com os dedos para não ficar escabelado. Sentei-me de lado e observei enquanto Thiago apoiava o antebraço no ombro de Luke e o encarava nos olhos, estranhamente.
–Que veio fazer na aula, logo agora? – Luke perguntou simpaticamente.
–Vim ter aula, ué.
–‘Né?
–“Né?” – Thiago repetiu. Ambos riram.
–Você vai repetir de novo – eu falei de um jeito infantil, enchendo as bochechas de ar e fazendo bico.
–Fazer o quê? São coisas da vida.
–Coisas da vida porque você quer – Luke retrucou, empurrando Thiago com seu corpo.
–Sim, sim... – Thiago deu de ombros, não se importando muito. –E as novidades?
Luke riu e apontou para mim. Abri um sorriso enorme. Contei tudo para Thiago, nos mínimos detalhes, inclusive durante a aula.
Não há amor verdadeiro em você
Não há amor verdadeiro em você
Não há amor verdadeiro em você
Por que eu continuo te amando?
Quando o sinal da saída bateu, eu literalmente corri para fora do colégio. Normalmente procuro todos para me despedir, mas eu estava mais do que apressado.
Corri para casa. Nem sei como consegui correr o caminho inteiro! Abri a grade e o portão de minha casa com a chave e corri para dentro. Meu pai e minha irmã estavam na volta da mesinha da sala, montando um quebra-cabeça.
–Bom dia pai, bom dia Carol.
–Não me chame assim!
Revirei os olhos, mas não deixei de sorrir.
–Tá, tá. Bom dia “Carolina”.
Mamãe apareceu na porta da cozinha, vindo em nossa direção. Abracei-a com muuuuuita força.
–Bom dia, mamãe!
Ela retribuiu meu abraço, mas fracamente. Respondeu um “bom dia” com sua habitual voz fraca e calma, de timbre baixo.
–Está feliz hoje, filho.
–Sim! Hoje vou me encontrar com uns amigos! – respondi alegre, com vontade de saltitar na sua volta, mas me contive.
–Que amigos? – meu pai perguntou rígido. Droga, esqueci que ele estava aqui.
–Do colégio. Iremos só dar uma volta.
Fitei-o. Meu pai estava sentado no sofá e me encarava de modo sério, quase hostil, mas já me acostumei. Aproximei-me mais de mamãe, abraçando-a pela cintura.
–E quando irá ter encontro com garotas? Até agora você só tem andado com esses garotos ridículos, como você.
Mamãe passou um braço por meus ombros, fracamente, porém de um jeito protetor.
–Esquece isso pai, tá na cara que a imitação de Avril Lavigne aí é um bicha ridículo. Deve estar indo se agarrar com os amiguinhos.
–Lucas Moura, se eu souber que você anda mesmo se agarrando com outros garotos você não entra mais nessa casa.
–Ai pai, óbvio que não sou gay!
Apertei mais a cintura de mamãe e encostei o rosto nela. Ninguém de minha família sabe que sou gay.
–O almoço está pronto. Podem ir comer – minha mãe interrompeu com aquela sua voz quase inexistente, prevendo a discussão iminente. Ás vezes sinto falta de emoção na voz dela, mas...
–‘Jáaaaaaa? – perguntei incrédulo. –Mas ainda é tão cedo!
Minha mãe sorriu de um forma opaca.
–Sim. Como você disse que ia chegar cedo achei melhor adiantar o almoço. Mas isso é bom, assim você pode ir se encontrar com seu amigo sem preocupações.
Almoçamos sem nada a falar, somente meu pai e Carolina conversavam. Depois ajudei minha mãe a tirar a mesa e subi correndo para meu quarto. Parei na frente do espelho e sorri, começando a me arrumar. Virei todo meu guarda-roupa no chão, em busca da roupa que me deixasse mais bonito e fofo. Óbvio que minha mãe irá arrumá-lo. Me vesti com um all-star de cano longo vermelho vinho e um cadarço quadriculado preto e branco. Uma meia comprida xadrez preta e vermelha que aparecia só um pouco. Coloquei uma bermuda jeans escura, uma camiseta justa preta com as mangas listradas com branco e um lenço xadrez também preto e vermelho. Para combinar adicionei um cinto quadriculado preto e branco e várias pulseiras fininhas pretas, brancas e vermelhas. Na hora da maquiagem dei falta de meu Kajal. A resposta de onde ele estava era óbvio e isso me indignou.
–MÃE!
Desci as escadas batendo os pés. Na sala meu pai me olhou com cara feia, pronto para me xingar. Mamãe apareceu na porta da cozinha secando as mãos em um pano de louça.
–Que foi filho?
–Carolina roubou meu kajal! Mãe, meu kajal novo!
Bati o pé e cruzei os braços. Fuzilei minha irmã com o olhar, mas ela riu!
–Peguei mesmo. Para que você quer? É maquiagem e maquiagem é coisa de mulherzinha!
–É meu! – discordei, me preparando para pular encima dela e arrancar aqueles fios castanhos claros cheios de chapinha. –Vou arrancar todo esse seu cabelo falso!
–O seu é mil vezes pior! É um garoto e, ainda sim descoloriu!
–Não muda d-
–Lucas Moura, cale a boca! Se continuar discutindo vai passar a tarde toda no quarto. Sua irmã está certa, você nem ao menos deveria ter maquiagem.
Apertei mais os braços já cruzados e revirei os olhos, indignado. Primeiro que era meu Kajal novo. Segundo que ela é uma grande ladra! Terceiro que ele sempre está do lado dela, não importa o que seja. Quarto que odeio quando ele me chama de “Lucas Moura” (o que acontece sempre), acho que se arrependeu de ter me registrado com o sobrenome dele, daí fica repetindo para me fazer sofrer. Quinto que só não respondo nada para que meu pai não me impeça de sair, pois sei que ele faz.
–Mamãe... – resmunguei e fiz bico. Ela fez uma cara de compadecida e triste.
–Desculpe amor. Eu te dou outro.
–Mas eu preciso agora!
–Pegue o meu. Está na bolsa laranja na primeira gaveta da penteadeira.
–Ah, é assim mãe? Para mim você não empresta! – interrompeu a ‘monstra da minha irmã, somente para voltar a brigar.
–Não é isso Carolina. Acontece que você não me pede, pois tem muitos. Quando quiser também te emprestarei – minha mãe disse daquele seu jeito calmo e compreensivo, um tanto triste.
–Não deverias estimular estas ‘viadagens dele. Ele é um garoto, não tem que usar maquiagem.
–Bill Kaulitz usa maquiagem – resmunguei baixinho para ele não ouvir e me proibir de ir.
–Bill Kaulitz é um baita viado! – minha irmã fez questão de dizer bem alto para estimular os desentendimentos.
–Lucas Moura, você continua discutindo?
–Não pai – respondi de imediato, erguendo as mãos. – Juro que não. Me desculpe. Mamãe, vou lá pegar.
É automático
Contar carros passando no cruzamento
Eles vão e vêm como você
É automático
Observar rostos que não conheço
Apagaram o seu rosto
Corri de volta para cima, fugindo da briga. Fui ao quarto de mamãe e peguei o kajal. Terminei de me arrumar e passar maquiagem. Penteei meu cabelo e passei um creme com um cheirinho muito bom. Não costumo usar perfume, pois sou ruim para sentir o cheiro das coisas.
Sentei na cama. Meu pai e minha irmã não vão estragar meu dia. Ai, nossa... Isso ainda parece tão irreal! Eu e Alex... Estou tão feliz, tão ‘felizzzzz...! Me joguei na cama de costas e braços abertos, sorrindo constantemente. Cantarolei algumas músicas de bandas que gosto fitando o relógio a todo instante, cuidando os minutos. Quando finalmente deu duas horas corri para dar um beijo de despedida a minha mãe, um “até mais” rápido a meu pai e Carolina e voltei para o colégio.
Cheguei antes de Alex e fiquei inquieto, me sacudindo para cima e para baixo. Nossa, nossa! Ainda não acredito que isso realmente está acontecendo!
E ele está se aproximando pela rua... O que devo fazer? Acho que vou acabar falando tudo que sinto em todos os detalhes! Ai meu coraçãozinho... Como vou aguentar todo esse nervosismo? Como vou pensar direito? Ele está bem próximo...
–Vamos? – ele perguntou com aquele sorriso lindo que tanto me encanta. Eu ainda não acredito que isso está acontecendo!
Daí, andamos lado a lado na rua. Eu fiquei olhando para o chão, nervoso. Ás vezes até conseguia me acalmar, mas daí lembrava da situação em que estávamos e meu rosto ficava quente.
As ruas foram se tornando calmas, pois são 14h e o comércio só abre 14:30 por aqui. Mas então... Alex quer me levar para a casa dele? Será que os pais dele estão? Será que ele realmente quer aquilo...?
É automático, sistemático
Tão traumático, você é automático
Não há amor verdadeiro em você
Não há amor verdadeiro em você
Não há amor verdadeiro em você
Por que eu continuo te amando?
Automático, automático
Automático, automático
–Você está quieto. Algum problema?
Fitei-o e sorri, feliz e envergonhado.
–Não. Somente estou feliz.
–Mesmo?
Fitei o chão novamente, posicionando ambas as mãos juntas atrás de meu corpo e empurrando o tronco para frente.
–Sim. Eu... Gosto muito de você, Alex. – tentei dizer “te amo”, mas foi muito difícil. Eu queria que ele dissesse algo antes, ou que houvesse um clima mais romântico.
Ele riu, fazendo-me rir junto, mesmo sem saber o motivo.
–Isso me lembra “Mi comi”.
Ah, não! Tudo menos isso! Esse apelido monstruoso não! Por favor Deus, não agora!
–‘Aiin Aleeeeeex, esquece isso, por favor! Foi uma brincadeira de mal gosto do Bryan. Esqueeeeeeeece! – puxei a última letra de costume. Sempre puxo as palavras, acho mais fofo.
–Que pena, pois gostaria que fosse sério.
Sem me dar conta eu parei de andar. Quando percebi fiquei envergonhado e segui para o lado de Alex, sorrindo como bobo. Isso está mesmo acontecendo? Não foi um “eu te amo”, mas um “quero fazer amor com você”.
–Verdade?
Virei a cabeça para o lado, como fazia várias vezes. Alex não olhava para mim, então era mais fácil observá-lo. Em um dia Alex me parecia inalcançável, no outro tão próximo...
–Sim, sim. Venha cá.
E em poucos segundos sua mão estava na minha, me puxando. Encolhi os ombros e aproximei meu corpo do seu, rindo sem motivo aparente. Entramos em um beco escuro e úmido. Não pude ver muita coisa, somente estranhei e no segundo seguinte senti meu corpo contra a parede gelada.
–Alex? – chamei-o confuso, mas antes que pudesse dizer qualquer outra coisa sua boca já estava na minha, com a língua forçando meus lábios.
Era um beijo; ele queria me beijar e talvez não aguentasse, assim como eu não aguentava. Meio atordoado eu tentei corresponder à altura, mas minha mente estava desligada. Meu coração tapava minha cabeça. A parede gelada atrás de mim contrastava com o corpo grande e quente de Alex a minha frente. Fiquei na ponta dos pés e enlacei seu pescoço com ambos meus braços, apertando. Quero que ele goste de mim e me ame. Quais são os sentimentos de Alex por mim... Amor...?
Cada passo que você dá
Cada suspiro seu
O seu coração, a sua alma
Controlados por controle remoto
Essa vida é tão doentia
Você é automático para mim...
Surpreendi-me quando suas mãos levantaram minha camiseta. Tentei separar nossos lábios para perguntar qualquer coisa que acabasse com minha confusão, mas não consegui. Suas mãos estavam geladas, provocando-me arrepios. Sem aviso prévio, Alex foi direto para meus mamilos, apertando-os com força.
–Alex... – eu sussurrei quando seus lábios escorregaram para meu pescoço.
Estava tudo muito rápido e confuso. Eu sentia seus lábios no meu pescoço, mas meus pensamentos não me permitiam entender. Parecia vago e eu não consegui me concentrar.
–Alex, espera...
Sua língua percorreu todo meu pescoço, de cima a baixo. Tremi, sentindo o ar gélido bater naquela parte mais sensível. Virei o rosto para o lado de fora do beco, vendo uma pessoa distraída passar. Seguida dela veio uma garota que olhou na minha direção e fez cara de nojo.
Que vergonha!
–Espera. Para!
Empurrei-o, mas nada aconteceu. Minhas mãos estavam tremendo, aliás, minhas pernas também. Enchi-me de medo. O que estava acontecendo? Ele queria só ficar comigo? Por que estava me tocando daquele jeito...?
Sua mão apertou meus mamilos novamente, mas aquilo não me excitou. Ele baixou uma das mãos e foi abrindo o zíper da minha calça. Me apavorei.
Eu não sou idiota, somente apaixonado. Ele quer transar comigo; ele quer literalmente me ‘fuder. Mas eu não quero ter minha primeira vez dentro de um beco escuro e sujo, na rua e com gente olhando!
–Alex, para com isso. Me solta!
Mas foi como se eu nem tivesse dito algo. Suas mãos continuavam, mas eu só sentia algo gelado. Meu coração e minha mente gritavam desesperados e meu corpo tremia compulsivamente. Quando Alex desceu sua boca para um de meus mamilos eu coloquei minhas mãos em seus ombros e o empurrei, sem conseguir usar de força. Minhas mãos já estavam trêmulas. Sua língua lambia meu mamilo sensível, deixando-me com mais medo ainda.
Senti medo de ter minha primeira vez ali, naquele beco nojento. Eu não quero que ele enfie dentro de mim, faça alguns movimentos e pronto, acabou, foi-se. Eu não quero assim! Eu não quero isso!
–Alex, por favor, para...
Minha garganta ardeu e eu nunca fui bom em segurar choro. Solucei e gelei meu rosto. Ele continuava me lambendo, sem se importar.
–Para, para, para! Alex!
Ele não tinha razão? Por que estava fazendo aquilo...?
–Do que está reclamando Mi comi?
Fitei-o com os olhos marejados. Ele estava com o rosto acima do meu. Apertou meu queixo com força e fitou-me possesso.
–Não era isso que queria? Não estava praticamente implorando para que eu te comesse? Agora cale a boca!
Eu chorei e era só nisso que conseguia pensar. Alex meteu a mão atrás de meu corpo, adentrando por minha cueca. Apertou minha bunda com tanta força que doeu, me machucando e envergonhando.
–Me solta! Eu não quero assim! Está doendo...
Fui beijado para que me calasse. Não tive reação no beijo. Tentei empurrá-lo com toda minha força, mas não era muita. Meu corpo tremia tanto... Eu tinha que me soltar! Eu não posso ficar sem reação! Imediatamente comecei a me debater, mas seu corpo forçava o meu contra a parede.
Tão automático
Tocam-me as tuas mãos
Sinto tudo, apenas não sinto a ti
Tão automático
A tua voz elétrica
Onde você está, quando ela fala?
–PARA!
Ele apertou meus pulsos no topo de minha cabeça, batendo com força contra a parede. Minha cabeça bateu junto. Olhei para baixo, meu all-star longo vermelho e o curto preto de Alex. O chão era cinza escuro, quase preto e bem sujo. Fiquei com nojo do lugar. O cheiro também não era agradável e eu não sou de perceber cheiro das coisas.
Seus dedos gelados forçaram minha entrada de trás e doeu. Meu choro se intensificou, com um som alto. Ele saia de minha garganta de forma atropelada, pois era muito.
–Por favor, por favor, me solta... Eu não quero... – pedi forçando minha voz a sair. Ficou aguda no final, pois já estava se tornando difícil falar.
Como isso pode estar acontecendo...? É tão nojento...
Mas funcionou. Alex bufou e se afastou de mim, soltando meu corpo. De imediato fui ao chão, pois minhas pernas estavam bambas. Caí com força, mas não senti. Encolhi-me instintivamente e apertei os olhos com força, querendo esquecer. Se eu esquecesse, tudo voltaria ao normal. Se eu esquecesse, seria como se nada tivesse acontecido. Nada...
–‘Merdinha incoerente. Enche a boca para contar aos outros que quer ser comido, mas na hora fica chorando aí, todo medroso e encolhido. Nojento. Vou ir ‘fuder outro garoto, um menos inocente e que me dê menos trabalho. Há vários como você, porém mais putos e melhores. Matheus estava certo: não vale a pena ficar com você.
Escondi o rosto com as mãos, soluçando compulsivamente. Só entendi metade da frase. Minha mente não racionava o resto. Era tanto ódio e nojo que atingia meu coração...
A sombra que me escondia saiu, mas continuava escuro. Ouvi os passos dele se afastando, mas não olhei. Cai para o lado, com o baço encostado no chão. Não abri os olhos nem por um segundo. Me encolhi tanto que mais seria humanamente impossível.
Para onde eu poderia ir ou com quem falar? Eu só quero que alguém me abrace e diga que está tudo bem, nada aconteceu. Mas eu perdi o amor da minha vida, eu... Não quero ir pra casa. Para onde vou...?
Bryan não quer falar comigo. Matheus tem me ignorado. Tenho vergonha de ir para Luke, quando ele tem muito mais que eu. Meu pai ficaria furioso comigo, por descobrir que sou gay; minha mãe decepcionada. Alex é o culpado e Thiago um turista que nem sei onde está!
Alex me enganou... Por quê...? Ele sabe que o amo. Ele sabe que durante tanto tempo eu só queria alguns beijos carinhosos dele... Se ele queria mesmo só me comer era só fingir que gostava de mim e me tratar bem que eu deixaria, mas ele fez questão de me fazer chorar e que tudo fosse péssimo!
Não entendo... Juro que daria para ele se Alex dissesse que me ama... Eu acreditaria... Se ele tentasse na casa dele, com outro clima... Mesmo que doesse e eu ficasse super nervoso deixaria, pois gostaria de satisfazer o garoto que amo. Era só ele mentir...
Mas quando fecho os olhos minha mente me prega peças. No escuro, posso estar em qualquer outro lugar, com qualquer outra pessoa. Eu gostaria que aquele meio primo idiota que inventei para Luke existisse, pois ele seria o único a me consolar.
Quase consigo sentir um garoto tocando em meus cabelos, sussurrando “está tudo bem Lucas, eu estou aqui e te amo”. Qualquer um, mas no caso meu meio primo (inexistente).
“Está tudo bem, Lu. Você nunca estará sozinho, pois estou aqui e te amo. Eu vou estar aqui sempre...”.
E ele acaricia meus cabelos e diz o quanto eles são macios, mesmo sendo oxigenados. Que me ama... Eu sei que não é real, mas consigo escutar sua voz tão meiga...
“Não se preocupe. Você é lindo e pode ter qualquer garoto que quiser. Se ao menos me desse uma chance... Porque você foi s apaixonar logo por aquele idiota? Eu te amo, Lu. Te amo mais que qualquer outro te amará”.
E o suave carinho vai acalmando meu choro. Seu suave toque é quente e carinhoso. Vai de meu pescoço a meu ombro, até o braço de cima a baixo...
“Eu te amo e sempre estarei aqui”.
Mas eu sei que se abrir os olhos não haverá nada a minha frente. Ninguém. Eu estou sozinho, mas prefiro acreditar que não. Prefiro viver em minha mente... Por que não posso dormir e nunca mais acordar? Viver para sempre em meus sonhos, onde me amam...
“Renata está nos esperando em casa. Ela está preocupada com você. Te amamos Lu e você nunca estará sozinho”...
Mas quando penso que vou me acalmar tudo só piora e meu choro recomeça. Alex poderia ter conseguido qualquer coisa de mim... Qualquer coisa! Eu faria! Era só ele ter dito que me amava... Só ele ter mentido estas três palavrinhas: eu te amo. Eu teria dado pra ele de qualquer jeito. Se ele ao menos tivesse me levado para a cama e fingisse se importar...
Eu sempre quis que minha vida fosse uma grande história de romance. Eu queria poder contar uma história feliz de meu primeiro amor para meus filhos ou sobrinhos ou netos...
Mas sabe que música combina comigo agora? Além de qualquer uma que diga que sou mentiroso, um lixo ou os restos de um garoto que não me ama...
Tokio Hotel, Automatic ou Automatisch. As duas são válidas e eu sou um lixo...
(Amor em você, amor em você)
Não há amor verdadeiro em você
Não há amor verdadeiro em você
Não há amor verdadeiro em você
Não há amor verdadeiro em você
Não há amor verdadeiro em você
Por que eu continuo te amando?
Automático
(não há verdadeiro)
Automático
(amor em você)
Automático
(Por que eu)
Automático
(Continuo te amando?)
Automático
Notas finais
Eu, na minha horrível depressão em ter perdido os dois capítulos prontos joguei tudo para o alto e pensei "quer saber? Vou começar uma nova história". Ela tem uma média de review maior que Emo-ções, então, caros leitores, se quiserem me abandonar porque demorei beleza, mas a história é abandonada também. Principalmente agora que tenho outra com montes de reviews.
Mas eu amo vocês, então por favorzinho, não me abandonem ^^ Principalmente agora que eu REFIZ OS DOIS CAPÍTULOS ENORMES! Ok?
EDITADO:
Já ia me esquecendo de uma coisa SUPER-HIPER-MEGA IMPORTANTE! o LINDO desenho com o Bryan e o Pedro que a mCherry (https://www.fanfiction.com.br/u/45235/) fez não somente para mim, mas para os amados leitores de Emo-ções!
http://mcherrylovely.tumblr.com/post/17154670276/by-mari-clara-garcia-muniz-leao-mcherry
Quem não elogiar leva apedrejamento com limão u.u PORQUE É IMPOSSÍVEL NÃO ELOGIAR!
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