Notas iniciais
PARA QE EU SEI QE VCS ME AMAM ~ ♥ SE VC N LEMBRA QEM SÃO ESSES EMOS e na sua memória eles só parecem "tudo igal e franjudo' eu fiz um negócio bem negócio e lecau tentando dar um help. Acesse: http://tassi-viebrantz.blogspot.com.br/2015/02/fichas-de-emo-coes-relembrando-os.html e veja se ajuda! Revisado por ~AndyYumi Boa leitura ~

Respirei fundo, enchendo meus pulmões com o ar puro da noite, tentando acalmar meu coração palpitante Meu pai e meu namorado vão se encontrar hoje, agora, sendo que até pouco tempo atrás ambos eram terminantemente homofóbicos. Nossa, pensando bem eu devo ter um imã para isto.

De repente ouvi um barulho de carro estacionando. Pulei na cadeira e apurei minha audição. Estar no terceiro andar é uma desvantagem, chocando com o fato de estarmos ao ar livre. Meu pai preparando churrasco. Que eu não gosto muito, mas ele gosta e Pedro também.

-Acalme-se criança.

-Eles chegaram!

Fitei-o apreensivo e meu pai apenas sorriu bem arrumado – como sempre, com seu relógio que tanto me irritou, os cabelos curtos molhados, perfume importado e o sorriso verdadeiro. Ele veio até mim e pôs a mão em meus cabelos, depositando um beijinho em minha testa.

-Então seja um bom anfitrião e vá recebê-los.

Obedeci, descendo as escadas para o meu hall cheio de puffs coloridos e desenhos meus, desci novamente para a sala de estar e fui para o hall de entrada. Peguei as chaves na mesinha e sai pela porta de madeira, indo abrir a grade de ferro para o celta prata da minha mãe. Dei o comando no controle e esperei ansioso. O carro entrou e estacionou na frente da garagem, de onde saíram minha mãe e meu namorado.

Somente então percebi que estive me mexendo o tempo todo, inquieto. Bem, acho que este nervosismo é justificável.

— Boa noite meu menino! – Pedro viera ao meu encontro de braços abertos e um belo sorriso animado... Animado demais para alguém quem está indo para conhecer os sogros hoje.

— Hey – murmurei bem menos confiante do que Pedro, retribuindo o abraço. – Você parece animado.

— Eu e Dona Deise estávamos conversando. Ela é divertida.

— E o Pedro me deu flores!

— Sério?

Minha mãe aproximou-se também, exibindo orgulhosamente um buquê de tulipas enquanto me abraçava, tomando cuidado com as flores. Fitei a Pedro por cima do ombro dela, desconfiado. Ele apenas sorriu e deu de ombros.

Maldito conquistador de mulheres.

— Ah é? E o meu pai? – provoquei, apenas para ver qual seria sua resposta.

— Uma garrafa de vinho.

Encarei-o, incrédulo com tanta cordialidade e educação, entretanto Pedro apenas dera de ombro novamente, debochado. Não que ele seja mal educado, pelo contrário, até mesmo ao conhecer Amanda, que trabalha na casa da minha mãe, ele foi exageradamente polido, é só que... Eu jamais esperaria que ele fosse assim antes de começarmos a namorar.

— Ah, Pedro! Esquecemos o presente do Bryan – minha mãe comentara, imediatamente capturando minha atenção.

— Eu pensei nisso, mas como você disse que o senhor Michael vai ficar ‘beeeem contrariado achei que deixarias para entregar só no final da noite.

Ri assim, de repente, o som da risada soando estranho, meio anasalado por eu ter sido pego desprevenido.

— Que foi? – Pedro questionara curioso.

— “Senhor Michael” – debochei, rindo em seguida.

— ‘Ué, qual o nome do seu pai?

— Pai – respondi assim, como se fosse à coisa mais óbvia do mundo. Pedro riu.

— Então você sugere que eu chegue e o chame de pai?

Ri ainda mais perante tal linha de raciocínio. Eu gostaria de ver a cara de meu pai ao ouvir o namorado do filho chamando-o de pai. De repente ouvi barulho na porta do carro. Olhei na direção, vendo minha mãe retornar para próximo de nós com uma caixa razoavelmente grande, impecavelmente embrulhada em papel de presente vermelho brilhante.

Um sorriso curvara meus lábios sem que eu pudesse evitar.

— O que é? – perguntei bobo, recebendo a grande caixa em mãos. Meus braços recuaram um pouco perante o peso repentino.

— Abra.

Sem qualquer tipo de cuidado rasguei o papel, revelando uma caixa de papelão verde e branca com-

— Ah Meu Deus! Eu queria muito um Xbox! Você sabia?

— Conversas com o Pedro...

Olhei chocado da caixa do Xbox One em meus braços para minha mãe, em seguida Pedro, sorrindo o tempo todo.

— Muito, muito obrigado – agradeci, esticando-me para alcançar a bochecha de minha mãe, beijando-a.

— De nada, filho.

— Obrigado você também – falei dirigindo-me a Pedro, pondo-me nas pontas dos pés para alcançar sua bochecha. Quando fui beijá-la fora pego de surpresa por ele se virando no exato momento, recebendo um pequeno beijo nos lábios. – Hey!

— Nossa! Que horror, me desculpe por este crime detestável de roubar um beijo – Pedro pediu em falso arrependimento, colocando a mão no próprio peito.

— Infantil – retribuí com um revirar de olhos, afastando-me dele o suficiente para conseguir rasgar mais do papel de presente e expor mais da caixa do meu novo videogame. Tão, tão lindo que eu posso sentir meu peito formigando.

De repente ouvi o aviso sonoro de um “click”. Olhei para frente, surpreso, e lá estava Pedro apontando o celular para mim com um sorriso nos lábios.

— ‘Tá brincando que você tirou uma foto?!

Pedro erguera um olhar culpado da tela do próprio celular na minha direção.

— É que meu menino ficou tão fofo abraçado nessa caixa.

Fofo?!

— Não! Pedro...

— Que tal irmos subindo, meninos? Michael já estava nos espiando lá de cima – minha mãe nos interrompera, fazendo com que todos começássemos a caminhar para dentro da casa, seguindo pelo caminho que daria até o terraço.

— Pedro, excluí – pedi, caminhando ao seu lado.

— Mas olha que coisa fofa.

Pedro esticou o braço com o celular na minha direção. Olhei, envergonhado, aquela foto idiota minha abraçando a caixa. Absurdamente fofo e detestável.

— Apaga isso. Eu pareço o Mi comi.

— Vocês chamam o menino de “Mi comi”? – minha mãe intrometera-se, chocada com o apelido “carinhoso” do emo loiro oxigenado. – Por quê?

Boa pergunta... Por que mesmo chamamos o Mi comi de Mi comi? Foi porque ele queria ser comido... Não?

— Eu o acho um caso a ser estudado.

— Isso é ofensivo – disparei imediatamente, só me dando conta do que havia dito depois de dizer.

Pedro erguera as mãos na altura dos ombros em sinal de defesa.

— Desculpe, não era para ser. Eu só realmente não consigo entendê-lo. Ele saltita por aí, puxa as sílabas, exagera. E eu nunca vi outra pessoa assim.

— É só o jeito dele. – tentei defender, muito embora eu também não consiga entender o porquê de Mi comi ser como é. Eu não quero ser fofo nem “uma gracinha”, pelo contrário, prefiro ser apenas um garoto mesmo. Mi comi tem esse jeito irritante pra caramba. Eu realmente não sei como o Matheus pode amar e estar com ele 24 horas por dia, 7 dias por semana. – Tudo bem, você está certo. Ele é um caso a ser estudado, mas não no mau sentido.

Sou orgulhoso, mas nem tanto. Pedro está certo e não dói admitir que esteja errado em algo. Mi comi é estranho, contudo... Lucas não merecia o que aconteceu. Ser expulso de casa pelo próprio pai, agredido duramente, sei que já passei por algo parecido, mas não gosto nem de recordar.

Saímos novamente para o ar frio da noite ao chegar ao terraço. Meu pai nos aguardava impaciente. O período pré-vergonha deve ter durado cerca de 2 segundos na presença de meu pai porque ele encarou Pedro literalmente dos pés à cabeça. Por que mesmo eu acreditei que ele pudesse realmente agir como um bom ser humano?

— Então tu és o Pedro.

Senti minhas mãos começarem a tremer em completo arrependimento.

— Sim senhor. Prazer — Pedro apresentara-se, tomando à dianteira e aproximando-se de meu pai para cumprimentá-lo com um aperto de mãos.

— Michael.

Desviei o olhar, nervoso demais para encará-los. Meu pai, ex-homofóbico, conhecendo o namorado do filho gay emo? Isso não vai dar certo; não tem como. Essa noite não tem como acabar bem. Por quanto tempo eles vão sobreviver antes de um deles pisar em falso? Pedro, na verdade. Provavelmente vai acabar com meu pai xingando Pedro.

Tudo bem, eu devo olhar.

Pedro entregou o presente para meu pai e tudo o que eu queria fazer era puxar cada um para o lado antes que algo desse errado.

— Obrigado. É uma boa escolha... Bebes? – meu pai perguntou assim, em uma evidente armadilha. Wow, mais de duas palavras antes dele tentar algo contra. Impressionante.

— Apenas vinho. Meus avós paternos são de origem italiana.

Então... Eu realmente não sabia que meu namorado é descendente italiano.

Boa noite, Michael— minha mãe interrompera-os, provocativa, lembrando ao meu pai que ela também estava ali e ele havia a ignorado completamente.

— Boa noite, Deise.

Fora estranho ver meus pais abraçando-se, mesmo que fosse simplesmente por educação. Eles próximos um do outro, assim, quase conversando é o mais próximo que eu já os vi em... Anos e anos. Nem ao menos me recordo de tê-los visto assim na minha vida. Sempre foi “cada um para um lado, evitando-se mutuamente, conversando somente o estritamente necessário sobre nosso filho”.

— Recebeste flores? – meu pai perguntara surpreso, fitando ao buquê que minha mãe carregava nos braços.

— Ah, sim! Temos um cavalheiro aqui. Vamos sentar?

Aproveitei pela oportunidade para pôr-me ao lado de Pedro, acompanhando-o até a mesa de madeira próximo da churrasqueira. Larguei minha caixa encima da mesa, no canto, sentando ao lado de Pedro enquanto minha mãe e meu pai sentavam-se na nossa frente.

Meu pai olhou para a caixa encima da mesa com um olha reprovador.

— Deste um novo videogame para ele? Não deveria.

— Por quê?

— Não é assim que ele ganha as coisas, precisa fazer por merecer para valorizar.

Segurei na mão de Pedro por debaixo da mesa, inquieto. Foram o quê? Dois minutos antes que começassem a discordar?

— Ah Michael, ele vive jogando videogame! E cuida bem, também. O Bryan merece – minha mãe defendera, com razão, porque cuido do meu videogame com muito esmero. E embora eu sinta certo prazer em ver meu pai desgostoso por estar sendo contrariado eu realmente preferia que eles não discutissem logo na primeira vez que conhecem meu namorado... Oficialmente. – Sem falar que jogar é realmente legal. Eu mesma ganhei do Bryan em um jogo de luta lá.

— Hey! Foi só porque você escolheu o Sub-zero e quando estava perdendo pausou o jogo e entregou o controle para o Pedro! – intrometi-me na conversa, afinal, não foi uma vitória merecida.

— É, mas-

— Espere. Tu jogaste videogame com eles? Então quer dizer que conheceste Pedro antes desta noite.

Imediatamente voltei o olhar para minha mãe, a qual apenas retribuíra, sem nada a dizer. Voltei-me novamente para meu pai, aflito, rapidamente percebendo o quanto aquilo havia o irritado.

— Isto é... Inacreditável.

Apertei a mão de Pedro entre as minhas, soltando o aperto no mesmo instante em que percebi. A última coisa que quero é machuca-lo.

— Pai... Por favor, por favor, não estrague tudo.

— Não vou. Mas ficas me devendo explicações.

— Eu acho que estamos quites por Louise e meu sorvete – rebati sem pensar duas vezes antes.

— Louise, hm? – minha mãe intrometera-se, interessada.

— Minha secretaria.

— Ah, sim... Claro.

— O que há de estranho no fato de que eu tenha uma secretária chamada Louise? – meu pai questionara naquele tom superior de “você está falando besteira. Pare” que infelizmente conheço muito bem.

— Você está saindo com ela.

— E...?

— Nada – minha mãe retrucara naquele tom de mulher único e incomparável onde um “nada” significa muito mais do que um “tudo”. – Cuide-se. Da última vez que saiu com uma secretária acabou com um filho.

— Meu Deus, será que eu já posso começar a bater com a minha cabeça na mesa até ficar inconsciente?! – estalei imediatamente, interrompendo-os, posicionando o cotovelo na mesa e a testa na palma da mão. – Vocês discordam de tudo que o outro diz ou faz!

Felizmente meus pais silenciaram-se, acabando, assim, com a discussão. Pelo menos por alguns minutos. Meu pai inclusive levantou, indo para próximo da churrasqueira verificar tudo.

— Ai Bryan...

Fitei a Pedro, em seguida baixando o olhar para nossas mãos em meu colo. Eu estive apertando-o com demasiada força. Soltei no mesmo instante.

— Desculpe...

Pedro dera de ombros, sorrindo suave enquanto virava a mão em meu colo, ficando com a palma para cima e entrelaçando seus dedos com os meus.

— Tudo bem.

— Você não me parece nervoso. – comentei, estranhando seu comportamento tão... Relaxado.

— Eu acredito que você esteja mais do que eu.

— Você nunca fica nervoso? — brinquei perante sua calmaria para com toda a situação. Se Pedro sempre me parece tão... Divertido com tudo, brincalhão, difícil vê-lo inquieto com algo.

— Fico. Fiquei quando te pedi em namoro. Passei umas três noites em claro pensando nisso e tomando coragem.

— É... Você já me contou.

— Porque foi realmente importante. E estressante.

Sorri tímido, envergonhado e feliz. Pedro sorriu também, em seguida inclinou-se para beijar meus cabelos. De repente vi que minha mãe estava nos encarando, com ambos os braços apoiados na mesa e sorrindo. Senti o sangue subindo para meu rosto e desviei o olhar, apenas para encontrar o de meu pai, igualmente nos encarando.

— Vocês são tão adoráveis juntos – minha mãe comentou com um sorriso bobo. – Você sabe Pedro, eu já fui conquistada antes mesmo das flores, já na primeira coisa que você me disse.

— Qual foi à primeira coisa que ele te disse? – perguntei curioso, sem conseguir achar em minha mente tais palavras.

— Que já podia ver de quem você tinha puxado à beleza.

Ah é, meu namorado ex-héterohomofóbico sabe muito bem como elogiar uma mulher.

— Não disse nada além da verdade. Veja só estes lindos olhos azuis – Pedro brincou, deixando-me ainda mais constrangido.

— Modéstia parte fiz o meu garoto muito bem.

— Hm, agora é teu garoto. – meu pai desdenhou em um tom baixo, ciente de que aquele comentário estúpido ia absolutamente contra o tanto que eu lhe pedira em parar de estragar tudo.

— Falta muito ainda para comermos, pai? – perguntei sem a real intenção de saber sobre a comida. Minhas intenções foram únicas e exclusivamente a troca de assunto.

— Um pouco mais. Sejas paciente, criança.

E ainda recebo um sermão e um “criança”...

— Eu sou... Fui eu quem fiz a sobremesa, sabia Pedro? – falei novamente exclusivamente no intuito de manter o assunto longe das brigas que meus pais insistem em criar.

— Ah, é? Vou ter a honra de comer algo que você fez?

— Sim. É um pavê de Bis. Leva leite, brigadeiro, beijinho...

— Em outra reencarnação você deve ter sido uma formiga.

— Não é assim que reencarnação funciona – ri, sentindo-me um pouco melhor com a falta de tensão na conversa.

— Costumava comer colheradas de achocolatado puro quando era menor. – meu pai opinou tão educadamente que não pude evitar a surpresa.

— Eu acho que toda criança faz isso. Eu fiz muito também – Pedro riu.

— Sim, mas ele era um extremismo. Pegava a lata e comia uma colher atrás da outra. Acabava com tudo se eu não visse. Tive que começar a esconder o achocolatado nos armários mais altos, atrás de outros alimentos.

Senti meu coração acelerando no peito. Puta que pariu, eles estão conversando! De verdade! E ninguém está brigando!

— Nossa. Eu com certeza não aguentava tanto.

— Michael, onde posso pegar algo para beber?

— Na geladeira da cozinha – meu pai respondeu como se fosse à coisa mais óbvia do mundo.

— Claro – minha mãe retribuíra naquele mesmo tom, embora o que ela quisesse dizer fosse “vou concordar para não discutir”. Ela se levantou, começando a afastar-se enquanto meu pai encarava á Pedro seriamente. Segurei o ímpeto de dramatizar e implorar para que ela não nos deixasse sozinhos.

— Mãe, quer que eu vá buscar? – ofereci antes que ela pudesse deixar-nos.

— Não precisa, já estou indo. Mas obrigada, Bryan.

Respirei fundo e tentei não chorar enquanto ela sumia de vista para dentro da casa e fora do terraço.

— Então Pedro... – meu pai começou o terrorismo. Minhas mãos voltaram a tremer. – Quais são mesmo tuas intenções para com meu filho?

— Pai! Sério mesmo?! – protestei. Envergonhado seria pouco para descrever como me sinto neste momento. Humilhado deve ser o termo certo.

— Não comesses criança. É uma boa pergunta – ele retribuíra com um sorriso provocativo nos lábios.

Sim, claro, porque se Pedro quisesse apenas me fazer de idiota para depois me humilhar publicamente ele realmente seria sincero e responderia algo do tipo para meu pai.

— Minhas intenções? Eu não sei. Eu realmente não esperava esta pergunta, então não tenho nada planejado – Pedro respondeu, encarando-me, quase como se... Como se procurasse um motivo. E isto não me parece bom. – Eu apenas gosto de Bryan, muito mais do que eu gostaria e muito mais do que minha família gostaria... Eu gosto de estar com ele, por mais idiota que possa parecer. Ele é uma pessoa forte, inteligente, independente, lindo. E fica mil vezes melhor sorrindo do que chorando.

Abaixei o olhar, completamente envergonhado, ainda que meu peito formigasse e os cantos de meus lábios repuxassem-se em plena felicidade. Posso sentir meu rosto fervendo pelo sangue quente em minhas bochechas. Mordi meu piercing, ignorando completamente meu pai que sempre reclama quando faço isso.

— Bom... Foi uma resposta razoável.

— Foi uma boa resposta, pai – discordei em um tom quase ameaçador.

— Razoável – ele insistiu, um pequeno sorriso nos lábios. Revirei os olhos para sua provocação. Depois eu quem sou “criança”. – E como vocês se conheceram?

Fitei a Pedro, esperando que ele respondesse. Pela primeira vez na noite ele pareceu um tanto sem graça, desviando do olhar de meu pai.

— Primeiro dia de aula do aluno novo. Bryan se destacava por todo o estilo... E usava maquiagem.

—... E mesmo assim você achou que eu fosse hétero – acrescentei, lembrando do dia em que nos conhecemos.

— Ué. Eu deveria pensar que todos os emos são gays? No início eu até achei, quando aquele ser loiro saltitante disse que emos eram gays, mas parece que a internet discorda.

— Você pesquisou? – surpreendi-me.

— Eu tenho o Google. Por que não pesquisaria?

— As perguntas que você fazia não davam a entender que você pesquisasse sobre. – cutuquei, relembrando o quanto de piadinhas homofóbicas e comentários ignorantes recebi em nossas primeiras conversas.

— Isso foi antes de entrar em um relacionamento sério com o Google.

— “Relacionamento sério com o Google”?

— “Coincidentemente” foi no mesmo dia que te pedi em namoro.

— Isso é poligamia – brinquei. Pedro riu e eu ri logo em seguida,então erguendo o olhar para frente e encontrando o olhar de meu pai, nos encarando. É extremamente estranho e intimidador estar sendo assistido o tempo todo, minuciosamente...

— Não pareces gay, Pedro – meu pai observou, um pouco atrasado, já que todo mundo no colégio já chegou à essa conclusão.

— Eu não era.

— Pedro, uma pessoa não “se torna” gay. Ela nasce assim – adverti, corrigindo em um tom ameno, afinal, minha intenção não era ofendê-lo ou envergonhá-lo na frente de seu sogro.

— Eu não sabia que era – ele se corrigiu. – Na verdade talvez eu não seja. Talvez eu só seja bryansexual.

— Bryansexual? Sério mesmo?

— Significa que eu só tenho atrações por Bryan’s – Pedro explicou como se fosse algo importantíssimo e de grande seriedade.

— Tá bom então... Acredito mais nisso de “bryansexual” do que no “heterossexual” que dizia ser.

— Tu eras heterossexual? – meu pai nos interrompeu surpreso. Será que eu não deveria ter comentado sobre?

— Sim, ou não... Não sei. Eu acho que era, mas o Bryan disse que uma pessoa não se torna gay, então eu não era. Ah, eu sou bryansexual mesmo.

Ri e esbarrei meu braço no de Pedro bem levemente, só de brincadeira por ele insistir em “bryansexual”.

Ouvi barulho de minha mãe retornando e todos olhamos na mesma direção, aguardando até que ela chegasse na mesa e se sentasse.

— E ‘aí, do que vocês estavam conversando?

— Bryansexual – Pedro respondera imediatamente. – Minha opção sexual. É bryansexual.

Minha mãe riu. Limitei-me a revirar os olhos. Espero que ele realmente desista disso e logo mais esqueça.

— Pai estava fazendo perguntas sem noção ao Pedro.

— É a especialidade dele – minha mãe “brincou”, propositalmente alfinetando enquanto sorria.

— Pelo menos eu pergunto e me importo com a vida de meu filho.

— Ah não! Não, não, não. Eu vou mostrar a casa para o Pedro, vocês vão ficar aqui, conversar e chegar á um acordo.

Pus-me em pé, um tanto chateado com a infantilidade deles e firme naquilo que estava dizendo. Eles pediram para conhecer Pedro então eu acredito que realmente me devem essa.

— Eu só preciso que sejam amigos por uma noite, então, por favor...

Meus pais nada responderam, logo não aguardei uma réplica. Fitei a Pedro e aguardei que ele se levantasse para guia-lo de volta no interior da casa, deixando meus pais sozinhos no terraço.

— Desculpe – pedi assim que estávamos longe o suficiente para que não nos vissem ou ouvissem.

— Você sempre se preocupa demais. – Pedro riu em um bom humor surpreendente.

Fitei-o, incrédulo, tentando encontrar algum sinal de nervosismo ou omissão. Como ele pode manter-se tão tranquilo em uma situação tão... Tensa? Se eu estivesse em seu lugar tenho certeza que já teria tentado fugir a algum tempo atrás.

— Não vai me apresentar a casa?

Parei de caminhar e olhei ao redor, vendo que já havia pulado um pedaço e já estávamos no hall do segundo andar. Voltei alguns passos.

— Ah... Esse é o hall, ou uma sala. Eu costumava desenhar aqui e agora faço trabalhos e coisas assim. Eu quem decorei, quando era criança, por isso é tão colorido... E os desenhos na parede são meus também.

Observei ao redor. Os puffs coloridos realmente não parecem terem sido escolha minha... E os desenhos na parede são horríveis, digno de uma criança.

— Ás vezes eu tenho vergonha disso, mas meu pai se recusa a tirar.

— Você tem vergonha? Por quê?

— Porque são horríveis – respondi com um pequeno sorriso envergonhado. Pedro não sorriu, oscilando o olhar entre eu e o desenho mais próximo.

— Você acha?

— Com certeza. – murmurei envergonhado.

Acelerei o passo e abri a porta que dava acesso ao meu quarto, no intuito de sair de lá o mais rápido possível e evitar estender uma conversa sobre aqueles desenhos horríveis.

— Esse é o meu quarto – chamei, obrigando Pedro a parar de encarar um de meus desenhos emoldurados na parede.

— É a sua cara...

Bem, eu acho que não seria para menos. Uma das paredes pintada de preto, cobertas negras, pôsteres de bandas... A diferença é que agora meu quarto parece um tanto quanto vazio. Já que as minhas coisas encontram-se divididos entre aqui e a casa de minha mãe. Sempre preferirei aqui. Esta é a minha casa. Entretanto meus amigos estão na outra e infelizmente eu não tenho como unir as duas coisas.

— Você toca?

Pedro caminhara até o meu violão, encapado e esquecido em um canto do quarto, embaixo do teclado que mais uso para decoração do que qualquer coisa. Ele o pegou, retirando da cama e caminhando até a minha cama.

— ‘Nops. Ganhei os dois em uma época que queria aprender a tocar, mas não sei nem violão nem teclado – estalei, observando enquanto Pedro posicionava o violão no colo, sentado em minha cama... Bem até demais. – Você toca?

Em resposta ouvi-o dedilhar uma melodia conhecida... Algo da Legião Urbana, acredito que seja. Em seguida ele parou, mexendo nos pinos acima.

— Um pouco. Está desafinado.

— Como assim você toca?! – surpreendi-me, indo sentar ao seu lado na cama.

— Só de hobby. E faz tempo que meus irmãos quebraram meu violão.

— Então toca alguma coisa pra mim! – exaltei-me, recebendo uma risada em resposta.

— Ok, calma ‘aí. Depois você me envia por mensagem alguma música que goste, ‘daí eu aprendo a tocar e ainda afino seu violão, pode ser? – Pedro ofereceu, já começando a guardar o violão de volta na capa. Concordei com um maneio de cabeça, ainda surpreso demais com aquela nova informação. – O que mais você tem de interessante?

— Uma câmara escura no andar de baixo.

Pedro se levantou, logo fiz o mesmo, já rumando para fora do quarto.

— É...? O que é uma câmara escura? Tipo um porão para guardar os corpos de tortura?

— Não. Eu acho que nenhum ser humano tem isso na própria casa – ri, passando pelo mesmo hall colorido, seguindo em direção a uma das escadas laterais, acompanhado por Pedro.

— Eu aposto que algum psicopata deve ter.

— Mas na própria casa? Não ficaria um cheiro ruim? E se ele morar com outras pessoas?

— Eu não sei... Quem iria querer morar com um serial killer? – Pedro incentivou. Eu ri com a nossa conversa estranha.

— Talvez mãe e pai... Ou talvez um assassino de aluguel, talvez traficante.

— Bryan, eu acho que você está lendo muita notícia de tragédias na internet.

Eu ri e ele também. Toda nossa conversa parecia apenas uma grande loucura. É uma verdade do nosso mundo que serial killers realmente existem, entretanto soava um tanto... Estranho. Estranho pensar que isto realmente estava acontecendo e que estas pessoas realmente pensam, respiram, interagem com outras.

— Então, o que é uma câmara escura? – Pedro instigou, trazendo-me de volta dos meus pensamentos.

— Ah, é um quarto sem luz que se usa para revelação de fotos.

— Isso ainda existe?!

— Fotos em papel ainda existem – eu ri, parando na frente da porta do térreo da casa.

Abri a porta e ambos entramos. Sem muito cuidado acendi a luz pelo interruptor mesmo, iluminando o quarto.

— Ela não deveria ficar... Escura?

— Não tem nada em processo de revelação aqui e os produtos estão todos guardados.

— Que da hora.

Pedro começou a observar as fotos penduradas no varal, completamente prontas. Nunca as tirei apenas por não ter onde coloca-las mesmo, se não em um álbum fechado. Na bancada há bandejas, contudo os produtos encontram-se guardados dentro do armário.

— Não é meio perigoso mexer com esses negócios?

— Na verdade é sim. Por isso meu pai só me deixava usar com supervisão. Até hoje ele é assim, na verdade – comentei, colocando-me ao lado dele, observando as fotos que eu mesmo tirei. Coisas bobas, de detalhe... Pássaros, árvores, pessoas aleatórias e distraídas. Fotos em preto e branco, fotos com detalhes de pele, fotos depressivas. Era o meu estilo favorito, afinal. – Tinha essa época que eu queria ser fotógrafo.

— Interessante... – Pedro comentou, com olhadas de canto na minha direção, incomodando-me.

— O quê? – perguntei um pouco mais ríspido do que intencionava. Pedro deu de ombros.

— Quando você disse que havia brigado com seu pai e tudo mais... Eu achei que ele te rejeitasse-

— Ele me rejeitou – retruquei imediatamente, interrompendo-o antes que dissesse algo errado.

Pedro aproximou-se, obrigando-me a descruzar os braços para que ele pudesse rodear minha cintura. Meu coração pulou no peito. Será que eu serei idiota assim para sempre?

— Sim... Mas Bryan... Você tem um hall construído todo com seus gostos e coisas que você fez. Instrumentos que nem sabe tocar, um quarto inteiro para algo que você nem usa mais, sem falar na pracinha que eu vi no pátio e que só pode ser sua. Não achas que o seu pai te ama muito mais do que pensas?

Abaixei o olhar, deixando que alguns segundos de silêncio recaíssem entre nós. Abaixei as mãos, pegando as de Pedro postas em minha cintura.

— Este é um dos motivos que eu me culpei por ele ter me odiado. Porque ele fez tudo por mim e mesmo assim eu... O que eu sou é algo que ele odeia. Ser gay e ser emo... Eu queria poder ser diferente.

Pedro mudou seus braços de posição, abraçando-me com força e beijando meus cabelos. Retribuí, de repente me sentindo muito... Indefeso e, ao mesmo tempo, protegido.

— Você não tem que se sentir assim. Ele te ama tanto que jamais mudou algo nessa casa. E ele mudou por você, tanto que eu estou aqui e ele tem sido bem legal comigo.

— Mentira. – eu ri, abafado pelo seu ombro.

— Verdade. Ele não me xingou, rejeitou, envergonhou... Só fez perguntas e tentou conversar. Você tem um pai incrível, Bryan, e se vê só pelo jeito que ele te olha. E uma mãe incrível, também.

—... E um namorado também...

Pedro riu e, novamente, beijou meu cabelo.

— Você não tem ideia do quanto eu gosto de ti, Bryan. – Pedro murmurou próximo do meu ouvido, fazendo com que calafrios descessem pela minha espinha. Em êxtase fechei os olhos, aproveitando mais daquele contato.

De repente ouvimos um barulho na madeira. Cada um de nós pulou para uma direção oposta... Não que realmente estivéssemos fazendo algo errado.

Meu pai se encontrava parado na porta aberta, batendo, com um pequeno sorrisinho idiota nos lábios.

— Comida está pronta.

— Estamos indo. – murmurei baixinho e sem graça. Fitei a Pedro rapidamente, apenas para ter certeza de que ele me seguia até a saída da câmara escura.

Sai e meu pai interceptou o caminho de Pedro, colocando o braço na frente.

Meu coração quase parou no peito. Pedro olhou para meu pai com um olhar surpreso e confuso (provavelmente com certo temor, também) e meu pai retribuiu com um sério.

O que eu vou fazer se eles começarem a brigar?! Chamar minha mãe? Tentar separar? Eles vão brigar?!

— Bela jogada.

— Não... Foi uma jogada. – Pedro respondera duvidoso, ainda surpreso com a situação.

— Eu sei – meu pai respondera com um sorriso de canto.

Relaxei. Deixando um suspiro contido escapar por meus lábios.

Meu pai destrancou o caminho, permitindo que meu namorado finalmente passasse. Antes de sair, porém, Pedro lhe retribuíra o sorriso e eu acabei por sorrir sozinho, muito mais do que gostaria.

Meu namorado e meu pai sorrindo um para o outro é algo absurdamente irreal, que até pouco tempo atrás eu somente poderia sonhar com.

Pedro veio para o meu lado e eu uni sua mão com a minha, seguindo caminho de volta para o terraço. Meu pai veio logo após, acompanhando-nos. Ainda com a mão atada a de Pedro inclinei-me e beijei a bochecha do homem incrível ao meu lado, que eu chamo de pai.

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Discou aquele número – o qual já havia decorado – pelo que parecia ser a milionésima vez. Encarou o caderno repousado em seu colo, aberto em uma página cheia de rabiscos, com o conteúdo de seu estojo espalhado por cima do edredom preto e branco o qual cobria sua cama.

O barulho de discagem, seu tão conhecido, seguira e suas esperanças esvaindo-se à medida que este perdurava. Já era o que? Sua quinquagésima tentativa que ele não atendia?

— Eu já disse para você parar de me ligar! Que merda, Alex!

Seu pulso acelerou, não acreditando que finalmente havia sido atendido.

— Espere, espere! Gabriel, não desligue.

— Por quê?

— Porque eu quero... Conversar com você.

— Só que eu não quero conversar com você.

Suspirou. Se estivesse em seu normal teria o mandado longe por aquela resposta arrogante, porém... Simplesmente não tinha vontade. Sentia-se como... Tanto faz, não é mesmo? Pelo menos ele havia atendido.

— Por favor...

— Porra Alex! Nós já terminamos você quer falar o quê? - exaltara-se a voz do outro lado da linha, fazendo com que se sentisse apenas pior.

Houve um momento de silêncio, segundos sem que nada fosse dito, com aquele clima pesado pairando ao redor.

— Alex, eu vou desligar-

— Desculpe... — murmurara tão baixinho que quase não escutara sua própria voz.

— Espera... O quê?— indagara a voz do outro lado da linha, em tom de completa surpresa. Respirou fundo, procurando por sua própria voz para que não soasse tão baixo novamente.

— Desculpe.

A próxima coisa que ouvira fora uma risada, quase uma gargalhada, alta e desdenhosa, fazendo com que Alex precisasse trancar a própria respiração, evitando lágrimas de se acumulassem.

— Booom, bom... Agora estamos chegando a uma conversa. Fale mais. Desculpa pelo quê?

— Por ter feito algo que tenha te desagradado. Por... Pelo que você quiser Gabriel.

Secou as próprias lágrimas que já escorriam pelas bochechas, ciente de que seu tom de voz lhe denunciava para aquele do outro lado da linha.

— Sobre o que estamos falando mesmo, Alex? Lembre-me o que foi mesmo que você fez — pedira Gabriel do outro lado da linha, em um tom de voz arrogante; provocativo.

Alex sentia-se pisando em ovos ao falar com o ex—namorado. Um passo em falso e ouviria a ligação emudecer, como acontecera tantas outras vezes antes.

— Eu... Fui um grande filho da puta, como você mesmo disse. – começara sua tentativa de explicar-se devagar, cauteloso. – Fui idiota, estúpido, sacana. Machuquei pessoas que não mereciam... Mas eu juro que jamais faria algo do tipo com você, Gabriel! – acelerara, erguendo o tom de voz, nervoso.

— Hey! Não aumente o tom de voz comigo! Pode ir baixando a crista, Alex ou então eu vou desligar— ameaçara a voz do outro lado da linha, firme, sem nenhum sinal de suavidade ou comoção.

— Desculpe... Gabriel desculpe.

— Tudo bem. Mas nós não vamos voltar. Terminamos, finish, it’s over.

— Gabriel... Eu estou arrependido e gosto de você de verdade. Por favor, me dê uma chance, eu faço qualquer coisa! – cuspira todo seu orgulho ali, em uma tentativa desesperada, cheia de lágrimas e arrependimento, implorando por uma última chance.

Ouve um momento de silêncio do outro lado da linha, não mais do que alguns segundos, entretanto para Alex parecera uma eternidade.

— Ah é?— brincara a voz do outro lado da linha, em um tom de desdém, acompanhado do murmúrio de uma risadinha. – Bem, eu tenho algo em mente...

Notas finais
ME DEU A LOKA MÊS PASSADO e escrevi uns três caps na colada, mas agr to "zzzzzzz" ao lembrar qe tem umas cenas importantes pra se fazer e eu n qero, e tem qe REFAZER toda sapoha pq é velha pra crlh e tá cheia de erro e cenas toscas. ANYWAY CAPÍTULOS FINAIS LITERALMENTE CONTADOS, então, vcs decidem, my lovers: Fecho Emo-ções com 38 caps COM FINAL DEFINITIVO OU Faço outro final e termino com 37 caps e UMA NOVA TEMPORADA? Aliás, vcs sabiam qe o arqivo tá com 660 páginas? kkkk OUTRA COISA IMPORTANTE VOCÊ SABIA QE EU JÁ PUBLIQEI UM LIVRO TIPO, DOIS ANOS ATRÁS? Isso me causou tretas no SS, se qiser conhecer acesse: http://tassi-viebrantz.blogspot.com.br/2016/01/extra-para-leitores-de-emo-coes-sobre-o.html E PFVR, N PERGUNTE PQ EU N DISSE ISSO ANTES PQ EU N SEI RESPONDER PRÓX CAP EM FEVEREIRO, VOU ESCOLHER UM DIA ALEATÓRIO E COLOCAR NO MEU PERFIL LOVE YOU ALL ENTÃO ME LOVEM DE BACK ~Tassi (crescer só me deixa mais retardada. Se vc ver as notas dos primeiros caps de Emo-ções até pareço normal ~)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.