Emoção - o Caminho para a Jaula
4 Corre, corre!
3. CORRE, CORRE!
Quando abri meus olhos, eu estava dentro dum carrinho de supermercado. Estava sendo empurrado por uma mulher, que usava dois chifres de mentira na cabeça. Ela disse que eu estava muito doente e que agora eu iria pro meu quarto no hospital repousar. Então ela me atirou por um buraco na parede, onde eu desci e caí numa cama. De repente dois médicos do local apareceram e viraram seus olhos pra minha direção. Um deles segurava uma seringa e o outro um serrote. O da seringa espetou-a num cavalo, colhendo seu sangue enquanto o outro começou a rachar uma mesa com o serrote. Então ele pegou o pedaço de madeira e a quebrou na cabeça de um enfermo, dizendo: “Tá anestesiado!”. Então o outro médico enfiou a agulha da seringa na testa do moribundo e despejou dentro de seu cérebro todo o sangue de cavalo. O do serrote virou pra mim e disse: “Sua vez!” e começou cortar um pedaço do chão. Então eu peguei o vaso de planta carnívora ao meu lado e taquei em sua cabeça. O outro médico rapidamente reagiu, pegando uma máquina de oxigênio que estava sendo usada em outro enfermo e jogou-a em mim. Felizmente, o impacto foi pequeno. Então peguei uma estatueta de galinha que estava em cima do estalagmite e quebrei em sua cabeça. Ele desmaiou. Era minha chance de fugir daquele lugar. Corri pelos corredores e uma enfermeira me perguntou se eu tinha me perdido. Peguei o copo de veneno que estava em sua mão e fiz ela tomar. Assim, roubei as roupas dela. Eu não estava acostumado com saias, blusas decotadas ou salto alto, mas toda aquela roupa estranha ressaltava a minha barba. Mesmo com meu disfarce, as pessoas me olhavam sem parar e comentavam. Então achei melhor sair dali o mais rápido possível. Vi um homem sendo trazido numa maca e o derrubei dela, sentei-me em seu lugar e dei impulso na parede, atropelando o médico que trazia o doente. Eu ia andando de maca pelos corredores, como um patinete. O problema foi quando chegou a escada. Eu dei um salto mortal pra trás e a maca saiu voando pelo vão entre o chão e o teto. Enquanto tudo isso acontecia em câmara lenta, pude observar enquanto eu rodava no ar, a maca batendo na parede causando uma grande explosão e abrindo mais caminhos para eu seguir, e encontrar a saída que pelo jeito não existia. Continuei a pé pelo buraco formado na parede, enquanto uma pessoa epiléptica tinha um ataque no chão. Eu tinha que acalmá-la: o meu instinto heróico não me deixava vê-lo morrer como uma barata de casco pra cima. Cavei rapidamente uma cova no chão e coloquei o epiléptico lá dentro, enterrando-o. Pronto, agora ele não se moveria mais e ficaria mais tranquilo. Continuei correndo com o salto alto me incomodando... Resolvi que seria melhor me livrar deles. Joguei-os para trás sem pensar aonde eles parariam. O problema é que um deles acertaram um lança-chamas preso a parede e o outro um tanque de nitrogênio, furando-o. Tudo começou a pegar fogo e eu tive que correr. As explosões se aproximavam quando eu pulei pela janela, agarrando-me a um helicóptero que passava. Era minha avó, que eu pensei que estivesse morta, quem pilotava. Ela estava com uma frigideira presa na cara, com alguns buracos no fundo dela, pra que vovó respirasse, falasse, visse, cuspisse, vomitasse, lacrimejasse, assoasse, etc. Entrei na cabine do helicóptero e de lá vi o médico que eu tinha abatido com a estatueta de galinha, próximo à entrada dohospital. Ele trazia um canhão e mirou no helicóptero. Eu disse pra vovó pra ela tomar cuidado, ela virou o helicóptero rapidamente e apertou um botão. Com isso, metralhadoras se mostraram embutidas na parte inferior do helicóptero e começaram a atirar contra o médico. Ele levava vários tiros, mas não caía nunca! Foi aí que ele deu um tiro certeiro com seu canhão. O helicóptero começou a cair...
Agora eu e vovó estávamos numa ilha em algum lugar do planeta. À nossa frente estendia uma floresta com árvores gêmeas de folhas perenes e latifoliadas. Perguntei a vovó se ela não tinha morrido e ela me respondeu que sim, mas foi ressuscitada num ritual satânico. Eu imaginei porque ressuscitariam vovó, mas não falei nada. Só dela ter um helicóptero equipado com metralhadoras já dava pra ver que ela era bastante importante pra sobrevivência das baleias marinhas. Ela disse que infelizmente ela não pôde vir me socorrer mais cedo porque durante o ritual de ressurreição ocorreu alguns problemas, onde o mamute que seria usado como sacrifício tinha morrido, assim como seu algoz. “AH!” Então expliquei pra vovó que fui eu quem interrompeu seu ritual e ela me olhou com olhos flamejantes. Ela pegou então uma escopeta em suas costas e disse que era pra eu correr antes que eu virasse comida de pinguim. Eu não pensei duas vezes e corri pra dentro da floresta enquanto vovó tentava loucamente me matar. Meu coração batia num ritmo de funk enquanto eu parava pra respirar, encostado num tronco de uma árvore de folhas perenes e latifoliadas. Vovó caiu de repente do topo de uma árvore de folhas perenes e latifoliadas e eu tive que recomeçar a correr. Dessa vez ela estava vestida como o Rambo, cheia de mato na boca, a frigideira pintada como a de um índio e munição de metralhadora pelo corpo todo. Ah, apenas um comentário. Eu repeti várias vezes “árvores de folhas perenes e latifoliadas” para fazer valer o tempo que eu fiquei estudando isso em geografia nas aulas do ensino médio. Para quê eu ia aprender que existia “ árvores de folhas perenes e latifoliadas” se eu nunca fosse usar esse conhecimento pra nada? Já que eu aprendi isso, deixe-me abusar de meu inteligência superior. Então olhei para os lados para ver se vinha alguém. Do lado direito, vovó corria em minha direção, dessa vez vestida como o Batman, segurando um revólver. Do lado esquerdo, o médico do hospital corria em minha direção também, com marcas de bala por todo o corpo, segurando uma seringa. Vovó atirou e o médico jogou a seringa em minha direção. Eu joguei meu corpo pra trás e ambos os objetos que adejavam contra minha pessoa passaram direto, atingindo o médico e vovó. Os dois ficaram caídos no chão e eu corri para confortar vovó. Ela me disse, morrendo, que o destino do mundo agora estava em minhas mãos e eu precisava encontrar a “Pedra Verde” e ir até a Caverna Maldita, que ficava em frente à sua casa, próxima ao shopping center da cidade e salvar a humanidade de um futuro de horror. Era seu ultimo pedido e eu não podia recusar. Eu deveria salvar o mundo pela vida de vovó, que dessa vez estava nua. Enterrei-a ali mesmo, junto com o corpo do médico e me virei para encarar o horizonte, certo de que meu destino já estava traçado. Eu deveria salvar a humanidade ou morrer tentando. Talvez eu não fosse voltar nunca mais para casa. Nunca mais veria Dani e nunca mais comeria essência de porco congelada...
Tá. Mas agora eu tinha que concentrar em minha nova primeira missão: encontrar a tal “Pedra Verde”.Vovó não tinha me dado nenhuma pista aonde eu encontraria esse estranho objeto. Mas então o pensamento veio à minha mente! Era óbvio, não era? Então corri até a praia e vi um cara seminu desmaiado numa jangada que boiava num ritmo doentio. Eu nadei até a jangada e joguei o náufrago na água. Salvar o mundo era mais importante do que mantê-lo numa jangada e ele provavelmente sabia nadar. Percebi que havia uma bola amarrada na jangada. A furei para usá-la como lenço e assoar meu nariz, enquanto o homem chorava e reclamava numa língua estranha. Eu seguia para a cidade, onde com certeza estava o objeto que eu caçava.
Era mais que óbvio o local onde eu encontraria a Pedra Verde. Deixei a jangada num pier e corri em direção ao supermercado. Achei o que estava procurando numa prateleira e saí correndo do supermercado, afinal eu estava sem dinheiro e a Pedra Verde custava caro. Vários chimpanzés começaram a me perseguir pelas ruas da cidade. Eu passava na frente dos carros, enquanto os chimpanzés vestidos de policias corriam atrás de mim. Os carros começaram a bater e os prédios a desmoronarem. Então eu vi a Caverna Maldita, ao lado do shopping center, como vovó me disse! Eu entrei pela caverna me dirigindo para os andares subterrâneos. Os policiais pararam a perseguição, dizendo que quem entrou na Caverna Maldita, jamais voltou vivo.
Agora eu devia concentrar alguma coisa que comprometesse o futuro da humanidade, naquela caverna obscura que cheirava azeite queimado.
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