Emma Mills?
12 Ainda assim te amaria
Notas iniciais
Ainda assim te amaria
A chuva caia forte sobre o carro, os trovões pareciam fazer estremecer o chão, mas naquele momento, nada parecia importar para Regina, tantas informações para assimilar. E cada vez que tentava, sentia uma dor tão grande no coração que a fazia arfar, como desejara não ter saído de perto de seu bebê naquela manhã. Quem dera existisse um meio termo e ela não precisasse abrir mão de algo importante em sua vida quando escolhesse, principalmente se esse algo fosse o amor de certa loirinha. Mas, nesse caso, não havia, era como uma espada de dois gumes, em qualquer escolha ela sairia ferida demais.
Tentou clarear a cabeça, e pensar direito, tanto em jogo. Sua felicidade, o que sempre desejou e jamais poderia acontecer no lugar de onde veio que parece ter em cada pedaço de terra, marcas de suas lágrimas, não podia sequer pensar em voltar, além de ter pagado um preço muito alto para que Storybrooke pudesse ser criada, a cidade também carregava as lágrimas da Rainha em cada partícula criada, nada mudaria isso, nem o quanto essa escolha seria carregada em seu peito.
Abrir mão de seu pai, o único que ainda lhe amava, apesar de tudo, do mal que fazia, de como a chamavam, ou do que ela fizesse, ele ainda lhe via como sua filha, apenas Regina, o único em quem se alegrava, seu porto seguro, mas precisava disso e ele sabia, até mesmo quando ela lhe arrancou o coração ele ainda assim a amou e entendeu, foi seu maior sacrifício, teria sido ele em vão? Poderia ela tomar uma decisão que invalidasse a morte do único que a amou sobre tudo?
A terra sem magia, sem memórias, onde seria apenas Regina novamente, sem o ódio, sem Evil Queen, ou os olhares sempre lhe acusando de algo. Uma nova chance para a felicidade que sempre desejou quando ainda possuía um coração limpo ao lado de Daniel, as circunstancias são completamente distintas é claro.
Mas se fizesse essa escolha, trairia tudo o que sempre almejou ao criar Storybrooke, os planos. E ela ainda poderia chegar a lhe odiar quando descobrisse seu passado, quem foi, o que fez. Sim ela iria me odiar que criança em seu lugar não odiaria? Porem, mandar ela para longe, quebrar todas as promessas que lhe fiz também a faria me odiar. Só que eu preferia que ela me odiasse por isso, a ver temor em seus olhos pelo que me tornei. Isso jamais suportaria. Pensava a Rainha, com a decisão tomada.
Assim tornou a mirar a chuva pelo pára-brisa de seu carro, não tinha como definir que horas seriam agora, não com um céu tão escuro, então olhou em seu relógio, já passavam das dezenove horas, teria ela se envolvido tanto em seus pensamentos a ponto de passar todo esse tempo como se fossem meros minutos? Aparentemente sim, pensou em certa loirinha que estaria preocupada com sua ausência tão prolongada. Seu coração estava em pedaços.
Ela girou a chave e se dirigiu até a mansão 108, o coração sangrando desde que a decisão foi tomada, impossível não pensar nos momentos com a loirinha, seus sorrisos dados a ela, os carinhos que sempre recebia dela, sua voz e em como doía pensar que ficaria longe disso tudo.
A chuva tinha diminuído a uma leve garoa, mas as nuvens mostravam o quanto que era temporário. Entrou rapidamente na mansão, encontrando Mary e Emma assistindo algo na TV, parecia um desenho qualquer. Retirou seu casaco o pendurando no lugar, aproveitando para ver que eram pouco mais de vinte horas.
– Desculpe o atraso, pode ir agora senhorita Blanchard. – sua voz reverberou pelo ambiente, enquanto via Mary abraçada a loirinha, eram mãe e filha, essa realidade aumentou ainda mais o temor que tinha antes, mesmo que agora já não fizesse muito sentido.
– Tudo bem, até mais meu amor. – ela beijou a testa de Emma e saiu da mansão, deixando a mesmo num clima estranho.
Emma olhou nos olhos de Regina e através deles recebeu uma resposta aos medos que lhe perseguiram durante a parte da tarde, junto à saudade que sentia, mas agora seu pesadelo era real. A morena desviou o olhar e a loirinha suspirou abaixando os olhos.
– Mary cozinhou para nós, e já me alimentou, tem para você também, e a comida está boa. – tentou com o pingo de esperança que ainda lhe restavam, mas a morena não reagiu, nem falou nada, apenas lhe encarou por alguns instantes e novamente desviou o olhar.
Regina tentava não demonstrar emoções pensando que assim seria mais fácil, sem notar que Emma já havia notado e sabia o que aconteceria. Também não viu a loirinha descer do sofá, andando devagar até a escada, com dificuldade por conta do joelho. Mas a viu subindo o primeiro degrau e seu coração apertou vendo que ela estava triste.
– Emma, o que está fazendo? – ela foi ao auxilio dela, mas parou ao ouvir a voz da loirinha.
– Não precisa. – disse suavemente ao ver que a morena iria ajudar ela, não queria piedade, queria apenas que tudo voltasse a ser como antes, seria pedir muito? Acreditava que sim, mas não deixou de fazê-lo. – vou para o quarto.
– Como quiser, mas precisamos conversar. – disse antes que perdesse a coragem. Mas não esperava a resposta dada por Emma.
– Não precisamos não! Não se for me dizer que você quebrou a promessa que me fez, porque isso eu já sei. – e como doía nela dizer aquilo, jamais pensou que aquela a quem dedicara tanto amor lhe abandonaria, que quebraria as promessas feitas. Não era para ser assim, devia ser para sempre.
– Emma. – a pequena continuou subindo alguns degraus e parou.
– Você vai me mandar para longe, vai me abandonar como todos os outros e eu realmente acreditei que com você seria diferente. – a loirinha então se virou e ficou de frente para a Rainha.
– Me desculpe por isso, mas eu só... – a morena não conseguia completar a frase. – sei que não poderia lhe pedir isso, mas tente não me odiar.
– Te odiar? Como eu poderia odiar a pessoa que me deu os momentos mais felizes que já tive? Que cuidou de mim como jamais fui cuidada? Que mesmo por pouco tempo, me deu mais amor do que já recebi em toda minha vida? E quem eu mais amei em toda ela? – Emma suspirou seu coração doía tanto. – não Gina. Não te odeio nem jamais vou conseguir fazer isso, porque mesmo que você quebrasse todas as promessas que me fez, ainda assim te amaria. – a loirinha falou olhando nos olhos da Rainha, e segurando as lágrimas virou e subiu o que faltava dos degraus, com cuidado até chegar ao quarto.
Quando lá estava não pode mais segurar e chorou abraçando o travesseiro que continha o cheiro da Rainha, desejando acordar desse pesadelo, apesar de tudo o que disse ser a mais pura verdade, ainda assim amaria Regina, mesmo que seu amor não fosse mais correspondido. Mas ele era, a loirinha via como era difícil para ela fazer isso, talvez por isso jamais conseguisse odiar a morena, não importava se ela fosse a razão de suas lágrimas a cada noite.
A Rainha não escondia mais seu choro, as palavras de Emma reverberando em sua mente. “mesmo que você quebrasse todas as promessas que me fez, ainda assim te amaria.” Enquanto sentava abraçando suas pernas. Doía tanto, cada palavrinha sendo marcada a em seu coração.
Não pode evitar se lembrar de seu pai, do que fez a ele, que mesmo três anos tendo se passado desde a maldição, ainda sofria e sempre sofreria por ele, sempre sentiria sua falta, e o fato de não ter ele por perto também não lhe deixava ser feliz. Ela cometeria o mesmo erro de outrora? Conseguiria viver consigo após dar adeus à única que realmente lhe amava? Que lhe faria mais feliz que qualquer outro?
Correria o risco de perder tudo o que conquistou, e invalidar a morte de seu pai? Única razão pela qual abandonaria seu maior tesouro? Mas seu pai a amava e tudo o que ele queria era que fosse feliz, pelo tempo que durasse, se ela conseguisse isso, teria valido a pena sim, de qualquer modo, não se via sendo feliz sem Emma, nem ao menos conseguindo sorrir sem estar com a loirinha por perto.
Sendo assim, levantou, enxugou as lágrimas e andou até o quarto da loirinha, esperando que ela lhe perdoasse pela dor que causou, mas acreditava que apenas isso lhe abriria os olhos. Abriu a porta devagar e viu a loirinha de costas para a porta, agarrada ao seu travesseiro, deu a volta na cama e viu as lagrimas caindo de seu rostinho de anjo, se chutando mentalmente por ser a responsável pelo sofrimento de Emma.
Abaixou-se diante dela e enxugou as lagrimas olhando-a nos olhos, acariciando seu rosto como sempre fazia.
– Me perdoa meu amor? – ela perguntou suavemente, com medo da resposta, e se ela não quisesse mais ficar com a morena? Não poderia culpar ninguém além dela mesma.
– Pelo que? – sua voz era fraca, quase quebrada.
– Por ser idiota o bastante de pensar em te deixar, por pensar que poderia viver sem a luz dos meus dias. – seus olhos imploravam que a resposta fosse sim.
– E não pode?
– Não mesmo. – falou convicta.
– Foi mesmo muito idiota da sua parte, mas para sua sorte eu te amo muito. Só não faz mais isso tudo bem? – a loirinha disse sentindo a dor de antes desaparecer, não ficaria mais longe da morena, ela perdoaria qualquer coisa que Regina fizesse porque seu amor por ela era muito maior que qualquer dessas coisas.
– Nunca mais meu amor. – e assim Emma a abraçou forte, se sentindo inteira novamente, com a Rainha não era diferente, amava demais essa loirinha, mesmo que perdesse essa terra sem magia, e voltasse de onde veio, ainda assim, daria um jeito, pois de Emma não iria abrir mão nunca mais.
– Eu te amo. – disse olhando aquelas orbes verdes recebendo o sorriso mais lindo em resposta a suas palavras.
– Eu também te amo Gina! Até depois do para sempre. – Emma lhe lembrou as palavras que outrora lhe disse arrancando o sorriso mais lindo de Regina que a abraçou forte, levando a loirinha para seu quarto. Onde ambas dormiram tranquilamente, uma nos braços da outra. Juntas, como seria de agora em diante. Jamais se separariam, pois precisavam uma da outra para estarem completas.

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