Emma
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Caminhava a passos lentos pelo estacionamento de seu prédio. Catherine finalmente o convencera a ir pra casa e conversar com Sara. Estava mais calmo, porém ainda não aceitava o fato d’ela ter omitido algo tão importante. Será que ela não confiava nele? Ou não o amava o suficiente para compartilhar sua vida? Agora já não importava, ela o enganara e ele estava completamente decepcionado.
Ao adentrar no quarto deparou-se com uma mala. Ouviu o chuveiro ligado, sentou-se na cama a esperar.
Ela entrou no quarto, ele nem percebeu de tão imerso em seus pensamentos que estava.
— Grissom! — ele a fitou. Um podia ver a tristeza do outro.
Ela estava tão frágil. Com olhos vermelhos de tanto chorar. Via-se ao longe seu abatimento. Notou-a até mais magra.
— Será que agora podemos conversar calmamente. — ela pergunta com confiança, que não passa despercebido por ele.
— É pra isso que estou aqui. — Sara fica tensa ao ouvir seu tom de voz frio, mas não deixa transparecer.
Calmamente pega uma regata branca e uma bermuda jeans escuro. Joga-as na cama e retira a toalha, a qual cobria sua semi nudez, já que estava somente com a peça íntima de baixo.
Grissom engole a seco. Não importa que esteja decepcionado, ele a ama, a ama como nunca amou mulher alguma, e lado a lado com o amor está a paixão, a paixão pela mulher incrível que ele aprendeu a respeitar, a mulher que ele adora, a mulher que ele não consegue mais viver sem, e faz seu coração disparar mesmo depois de tanto tempo, que o faz suspirar e desejar a cada minuto mais. E no momento que a vê, seminua, ele esquece as palavras, ele apenas aprecia a bela mulher a sua frente.
Ela curva-se para pegar a regata e ao voltar a posição anterior sente dois braços firmes a envolvê-la. Olha para onde instantes Grissom estava para ter certeza que não estava delirando. Nem havia percebido ele aproximar-se.
— Perdoa-me. — falava baixinho ao ouvido dela fazendo-a arrepiar-se — Fui um estúpido ao agir tão irracional. — admite beijando e mordiscando seu pescoço e ombro — Diz que me perdoa. — suplica esquecendo-se de tudo e todos. Sara vira-se ainda envolta de seus braços. Toca seu rosto com ambas as mãos.
— Não, eu não preciso perdoá-lo de nada. Você não tem culpa de nada. — toca-lhe os lábios levemente com os seus — Eu te amo tanto. Eu nuca tive intenção de esconder qualquer coisa de você, eu apenas — ela para respirando fundo — tive medo do passado.
Ele a beija lentamente. Ela sente tanta ternura no beijo. O beijo torna-se urgente e eles caem na cama, ainda unidos. Grissom cessa o beijo e olha-a profundamente. Compreensão e carinho em seu olhar.
— Eu não sei mais viver sem você, sem sentir seus beijos, seus carinhos, sem sentir teu cheiro ou ouvir tua doce voz. — ao ouvi-lo Sara começa a chorar, mas não de tristeza e sim de felicidade. Grissom enxuga suas lágrimas e passou a beijar-lhe os olhos para que não chorasse mais. Ao perceber que ela havia acalmado-se, segue com beijos para a boca, enquanto acaricia seu corpo, dando inicio ao ritual do mais puro amor ao qual ele já pode provar.
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Ela chega ao laboratório mais leve e com um pequeno sorriso no rosto. Nunca teve dúvidas do amor de Grissom por ela, mas não imaginava que fosse tão forte ao ponto d’ele perdoá-la por uma falta tão grave, sim, ela sabia que o tinha magoado e decepcionado e não tirava sua razão.
Seu sorriso se desfez ao ouvir seu nome ser pronunciado por uma voz grave. Era Thomas a última pessoa a quem ela desejava ver, pelo menos não naquele momento. Ela o olha com desprezo.
— Thomas! — pronuncia entredentes.
— Precisamos conversar.
— Não me lembro de nada tão importante que tenhamos que conversar a ponto de vir me importunar no trabalho. — fala ríspida, Thomas assustou-se com as palavras e o tom de Sara, mas decide ignorar.
— É sobre a Emma. Ela tem que saber Sara, o quanto antes melhor. — responde um tanto nervoso.
— Tem razão, eu preciso conversar, mas com ela, com você não tenho nada o que falar. Eu a procurarei. — mal termina de falar, ela sai não dando chance a ele de refutar suas palavras.
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Estava com a cabeça recostada em seu armário. O encontro com Thomas tendo arruinado seu bom humor. Não que ela tivesse esquecido de Emma e das dificuldades que enfrentará para aproximar-se da menina, mas ela queria aproveitar apenas mais um pouco a sensação de paz e alívio após a reconciliação com o marido, se é que ela pode dizer que houve desentendimento. Mas eles haviam conversado, Grissom a compreende, ela não deveria estar surpresa, afinal é Grissom e seu descontrole momentâneo foi por ter sido pego de surpresa, mas ei, ela também foi pega de surpresa e ainda está tentando conciliar tudo. Questões ainda precisam ser resolvidas, não só entre ela e Emma, mas ela precisa saber o que exatamente aconteceu há dezoito anos. Quem fez isso com ela e a filha não pode continuar impune.
Ela senta-se no chão rememorando o passado. Lembrar-se da dor da perda de seu bebê, lembrar-se das brigas constantes com Thomas que se sucederam a perda. Tudo por um capricho dele e por fim lembrar-se da dor do abandono. Thomas simplesmente sumiu sem ao menos um adeus. E agora ele está de volta a sua vida, casado com aquela a qual ela compartilhou suas tristezas, juntos tiveram uma filha e ele teve a audácia de colocar-lhe o nome da filha dela, o nome que ela escolheu e ver ele, conversar com ele é apenas insuportável para ela, no entanto, ela querendo ou não terá que conviver com ele a partir de agora, eles tem um vínculo permanente. Emma. Portanto, ela precisa fechar esse ciclo de sua vida, deixar a mágoa e o rancor para trás para poder viver o presente, para ser a mãe que sua filha precisa.
~.~
— Oi. Já fiquei sabendo que você e o Grissom fizeram as pazes. — Vartann compartilha sentando-se ao lado de Sara. Ela solta um riso irônico.
— Como as notícias correm rápidas por aqui não?- ela responde olhando-o de lado, intrigada. Ele cora envergonhado.
— Bom... — ele pigarreia — E-eu — ele não sabe o que responder, Catherine o tinha deixado a par de tudo, quando ele fora visitá-la mais cedo, mas como explicar a ela sem deixar as vistas sua relação? — Só quero que saiba que estou feliz que tenham se entendido, você sabe, Grissom e eu nunca fomos melhores amigos, porém o admiro muito, assim como a você.
— Obrigada. — ela sorrir sincera — Nos também o admiramos. — ele meneia a cabeça assentindo. O silêncio recai no ambiente, ele a olha de canto de olho decidindo sobre sua nova pergunta.
— Hum — ele pigarreia chamando a atenção — e agora o que você vai fazer? — ele gesticula nervosamente por ter que entrar no tema da filha dela, contudo a curiosidade é maior — Você sabe, a garota. — explica e Sara abaixa a cabeça pensativa.
— Agora, vou enfrentar a fera. Tenho quase certeza que ela não irá aceitar o fato assim tão facilmente. — Vartann toca-lhe a mão amigavelmente, gesto comum que ele encontrou para dar conforto a qualquer um que ele ache que necessita.
— Vai dar tudo certo. Você é uma excelente CSI, uma pessoa maravilhosa e tenho certeza que será uma ótima mãe e se ela não a aceitar agora, uma hora ela irá se render aos seus encantos. — Sara gargalha com as últimas palavras do colega fazendo-o rir também, seu tom de brincadeira não deixando dúvida que era uma tentativa de piada.
De repente eles ouvem o som de pés batendo firme no concreto, assustados eles olham na direção que este veio e deparam-se com Catherine, que ao ver a cena não pode conter o ciúme.
— Uau, qual é a piada, me contem que eu quero rir também. — olha de Sara para Vartann e por fim para as mãos dos dois que ainda estavam unidas.
Sara ao perceber o olhar duro da loira se solta imediatamente e trata de explicar-se.
— O Vartann só estava me dizen... — mas ela não consegue terminar, pois é foi cortada por um Vartann nervoso tentando explicar-se.
— Não é nada disso que você está pensando Cath. — ele levanta-se mantendo distância de ambas as mulheres.
— E quem disse que eu estou pensando algo. — Sara estreita os olhos e aperta os lábios tentando esconder o sorriso que se formava ao dar-se contar da tensão que estava rolando entre os dois. Agora ela sacou tudo.
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Ela estaciona em frente a escola que Emma estuda, desce do carro e encosta-se no capô, as mãos no bolso tentando acalmar-se. Mais cedo decidira não adiar mais aquela conversa e ligara para Thomas pedindo o endereço da escola. Ela espera por quinze minutos que mais parecem horas, de repente avista-a com um grupo de adolescentes estranhos. Uns rapazes com calças frouxas e bonés virados para trás, garotas com os cabelos pintados com umas cores que não dava para definir qual chamava mais a atenção.
Aproxima-se lentamente quando vê um dos rapazes agarrar Emma e beijar-lhe tão depravadamente que ela chega a ter ânsia ao presenciar a cena. O garoto parece querer engolir Emma e ela aperta os punhos querendo pegá-lo e dar-lhe uma boa surra por agarrar assim sua menininha, mas contem-se.
— Emma. — A garota vira-se e ela quase caiu pra trás ao ver a maquilagem forte da garota, bem como o piercing no nariz e os vários ao redor da orelha. Mas no que aquela garota de rosto angelical e expressão doce havia se tornado? Como Thomas pode deixar isso acontecer? Ela pergunta-se horrorizada.
— CSI Sidle, a que devo a honra, não me diga que estou sendo acusada de um novo crime. — a garota fala sarcasticamente dando um sorriso malicioso.
— Não seja tão convencida menina, você não é tudo isso que quer aparentar ser.- responde sagaz e Emma desfaz o sorriso — Estou aqui por outro motivo, preciso falar com você.
— Mas eu não quero conversar com você. — responde petulante e dá as costas a Sara deixando-a irritada.
Com pouca paciência, Sara puxa-lhe pelo braço fazendo-a ficar de frente para ela.
— Olha aqui eu não estou brincando, ou nós saímos daqui e temos uma conversa civilizada, ou iniciamos a conversa agora na frente de todos os seus amiguinhos. — ordena e olha os adolescentes que observam a cena em silencio, alguns com o olhar de medo. Ela volta a fitar Emma e as duas encaram-se por alguns segundos até Emma quebrar o contato e soltar-se bruscamente.
— Já chega! Eu não tenho nada a falar com você, não me interessa nada que venha de você. Eu detesto você. — grita com raiva e tenta dar as costas a Sara novamente, que não se contém e a segura pelo braço novamente dessa vez o apertando fortemente, era incrível como aquela garota a irritava só com o olhar. Ela sai puxando-a para o carro sob os protestos da garota.
— Me solta, está me machucando.
— Só depois que você me ouvir. — abre a porta do passageiro e a joga a garota no banco do passageiro e tranca a porta imediatamente — E nem pense em fugir. — avisa e dá a volta no carro e entra.
— Você não tem o direito de...
— Tsc tsc tsc, calada, não quero ouvir um a seu.
— Quando eu sair daqui vou te denunciar por sequestro. — a menina profere ofendida e Sara gargalha, fazendo a garota assustar-se.
— Ah me poupe garota, se olha no espelho e olha pra mim, você acha mesmo que eles iriam acreditar. Você acha que iriam acreditar que eu uma CSI competente iria sequestrar a própria filha. — ela diz sem pensar.
De repente o carro fica silencioso, ela arrependida por ter deixado a verdade escapar num momento de raiva. Olhando para a menina de olhos arregalados ela começa a perceber que tudo foi um erro, sua abordagem foi um erro e agora mais que nuca a menina irá odiá-la.
— Não, é mentira, você não é minha mãe, SUA MENTIROSA. — Emma grita as últimas palavras e começa a puxar o trinco do carro querendo sair. Sara ainda em choque com as próprias palavras destrava o carro e a garota sai correndo sem direção. Ela apenas encara o banco.
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