Emma
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Apesar da ironia, Emma foi com Sara na roda-gigante. O silencio entre ambas estava tornando-se desagradável e Sara pensava em algo para falar e quebrar o silêncio.
— É bom te ver novamente. – Sara a olhou profundamente fazendo a garota ficar constrangida – O que foi?
— Nada! – Emma não quer admitir, mas suas barreiras estão começando a ruim e o silêncio é a forma que encontrou para não dar o braço a torcer. Contudo as palavras de Samantha ainda ecoam em sua mente. Eu ainda queria ter uma mãe. Ela também não para de pensar em Sara e de repente se sente estranha por isso.
Sara estranha o modo como Emma falou com ela, pela primeira vez ela havia falado sem aquele tom debochado. No entanto, não diz nada, para não estragar tudo.
— Como está sendo a convivência com Thomas? – ela pergunta cautelosa, querendo saber um pouco mais sobre a filha.
— Normal, não é mesma coisa que quando era com meus pais, a verdade é que eu ainda sinto fal... – ela para quando percebe que estava se abrindo de mais com Sara.
— Não precisa ter vergonha de se abrir comigo, antes de ser sua mãe eu quero ser sua amiga. – Emma dá de ombros e vira pro outro lado, Sara percebendo que não conseguiria mais nada, suspira e resolva dar um tempo à garota.
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Após a pouca conversa que teve com Emma, Sara percebe certo distanciamento da garota, sempre que fala com ela obtém respostas curtas. Emma por sua vez ficou constrangida e triste por ter demonstrado fraqueza para com Sara e sempre nas tentativas de conversa por Sara, ela mantem o olhar distante, não querendo que Sara veja sua tristeza.
Agora na barraca de tiro ao alvo chega a vez de Emma, toda desajeita pega a pistola e atira, o projétil passa longe do alvo, Sara não se contem e começa a rir da garota, sendo seguida por Grissom e Sam.
— Que é? – Emma olha de cara feia para Sara.
— Deixa eu te ensinar como é que se faz. – Sara aproxima-se por trás de Emma, pega em ambos os braços da garota e começa a falar calmamente – Olha, seu braço e antebraço devem estar alinhados paralelamente um ao outro e a pistola deve estar a altura de seu olhar. – fala e demonstra como deve ser – Pronto agora pode atirar, mas lembre-se, tenha calma.
E assim Emma faz conseguindo acertar seu alvo, e finalmente ela sorri algo que Sara já estava sentindo falta.
— Ah! Eu consegui, eu consegui. – ri e pula animada, não se contendo fica de frente a Sara e a abraçando pegando Sara desprevenida, porém ao perceber a repentina aproximação, cora e solta Sara rapidamente que também está a rir.
— Parabéns você foi muito bem.
— Obrigada, e além do mais eu não teria conseguido sem você. – diz ainda envergonhada pelo comportamento anterior, Sara sorri ainda mais.
— Sua mãe é uma ótima atiradora, acho que é melhor até do que eu. – Grissom afirma tentando fazer com que Sara ganhe mais uns pontos Emma.
— Pois eu não acho, tenho certeza. – Sara fala sorridente. Grissom dá a típica levantada de sobrancelha, fazendo as três rir.
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Depois do ótimo dia que teve com Grissom e as garotas, Sara entra no laboratório tão feliz que todos percebe sua felicidade, com aquele brilho no olhar, o mesmo de quando apareceu no laboratório depois que se casou com Grissom e resolvera voltar para o laboratório.
Chega repentinamente no lock sem ser percebida por quem está lá e tem uma surpresa. Vartann e Catherine aos beijos. Ela não sabe se sai ou se se faz notar a presença, pois tem certeza que se fossem pegos por Ecklie, Catherine poderia levar suspensão, então opta pela segunda opção.
SS: Hãham. – Catherine com o susto de ser pega em flagrante empurra Vartann que cai por cima do banco.
DV: Awn. – ele põe a mão na cintura massageando o local de batida, Sara pôs-se a rir o efeito da pequena quebra de resistência de Emma, ela para ao notar que apenas ela recompondo-se ela desculpa-se.
— Desculpa, mas foi engraçado. Coitado Cath desse jeito até o fim do turno ele não sai inteiro. – ela vai até Vartann que continua no chão as penas em cima do banco. Estende-lhe a mão para que ele levante já que Catherine parece estática na mesma posição.
— Valeu. – ele, como Catherine sente-se envergonhado.
— Não fiquem assim, só devem tomar mais cuidado e não se preocupem que isso não sairá daqui.
— Obrigada Sara. – Catherine diz sentando-se ao lado de Vartann.
— Mas então, quer dizer que estão namorando e você nem me disse nada não é Catherine? – Sara põe as mãos na cintura simulando indignação.
— Por favor, não fique chateada, é que, você sabe... – Catherine começa a explicar, mas Sara a corta.
— Tudo bem, eu sei, só estava brincando, aliás agora entendo o porquê daquela cena de ciúmes. – fala lembrando-se de quando Catherine a flagrou conversando bem próxima de Vartann.
— Bem, tenho que cuidar do que é meu. – Catherine diz maliciosa, Vartann a olha e franze a testa, desconfiado.
Mudando o foco da conversa ele indaga Sara sobre sua felicidade repentina.
— Sim, estou muito feliz. – explica sorridente – Ontem fui ao parque com a Emma e adivinhem ela está bem mais receptiva.
— Ai Sara sério? Fico tão feliz que estejam se dando bem. – Catherine animada abraça Sara.
— Bom, não posso dizer que já sejamos amigas, na verdade ainda não consegui ganhar a confiança dela, mas eu sei que vou conseguir é só questão de tempo.
— Acho que Emma é uma ótima garota, está precisando de um pouco de direção, mas ela passou por muitas coisas, você está fazendo bem, aproximando-se aos poucos, logo ela quebra essa barreira imposta. – Vartann pronuncia levantando-se e apertando levemente o ombro de Sara.
— Assim eu espero. – ela responde num suspiro.
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Após o passeio no parque Sara não viu mais Emma, estava ansiosa para rever a filha, porém não sabia se a procurava ou esperava que a menina a procurasse.
— Algum problema querida. – Grissom pergunta sentando-se junto a Sara, ESTA ao lado do telefone na indecisão se ligar ou não para Emma.
— Eu quero ligar, mas não sei qual vai ser a reação dela, e se eu ligar e ela não gostar?
— Se você não ligar não saberá, quem sabe ela está mais acessível. – Sara dá um sorriso em concordância.
— Tem razão, eu vou ligar.
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Em frente à escola de Emma, no mesmo local em que estivera quando fora falar a primeira vez com a menina ela admira-se quando a vê sair com um novo visual, a garotinha de rosto angelical havia voltado, completamente mudada, igualmente a quando Sara a viu pela primeira vez.
Emma surpreende-se ao ver Sara, ela jamais admitiria para Sara, mas não via a hora de reencontrá-la, o pouco tempo que passaram juntas foi o suficiente para ela começar a ter uma nova visão sobre a CSI, porém seu orgulho é demais para admitir. Aproxima-se com o semblante sério, mas em seu intimo com vontade era de sorrir.
— Você? – fala com indiferença.
— Oi – Sara cumprimenta receosa – liguei na sua casa e avisaram que ainda estaria na escola, então pensei em dar uma passada para quem sabe fazermos um passeio. – Emma dá de ombros.
— Pode ser não tenho nada mais importante mesmo. – Sara sorri percebendo o desejo no olhar da filha.
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Sentadas lado a lado na grama verde do parque, elas relaxam aproveitando da temperatura amena de fim de outono. Pela primeira vez o silêncio entre ambas é confortável.
— Gostei daqui, é calmo, tem ar puro, diferente do centro da cidade. – Emma quebra o silêncio, sem abrir os olhos – Me lembra de quando eu morava em Washington, mamãe sempre me levava em um parque próximo a nossa casa e ficávamos a tarde toda só observando a movimentação.
— Então você morava em Washington? – Sara a olha. Ela abre os olhos, olhando para o céu, ela continua.
— Sim, nos mudamos para lá quando eu tinha três anos, é uma cidade maravilhosa, mamãe e papai sempre me levavam para passear, conheço cada canto daquela cidade.
— Eles deveriam ser ótimos pais. – Sara murmura, não gostando das próprias palavras, afinal, eles a tiraram dela, roubaram seu direito de ser mãe, porém por Emma e o amor que ela sente pelos pais, ela mantém o rancor para si.
— Sim, e sempre íamos ao teatro, museu... eu estudava numa das escolas mais tradicionais e conceituadas de Washington, fazia aulas de línguas estrangeiras, natação e piano.
— Piano? Muito bom, e você ainda toca piano? – Sara pergunta interessada, cada nova informação uma vitória para ela. Emma dá um sorriso tímido em confirmação – E você não se cansava com tantas atividades extracurriculares?
— Não, eu já estava acostumada, e eles sempre me incentivavam a não desistir, também eu gostava do que fazia.
— Se você gostava por que não continua, quero dizer, eles te deixaram um ótimo patrimônio, você tem todas as condições de continuar. – Emma a encara.
— Financeiras sim, mas não psicológicas, eu tentei, mas sempre que chego perto de uma piscina, ou do piano, qualquer outra coisa que faça lembrar-me deles, é como se minha mente bloqueasse, lembrar deles me deixa triste. – ela desvia o olhar para frente, Sara nota as lágrimas que ameaçam que cair – Ainda sinto muita falta deles. – ela começa a chorar silenciosamente.
Sara enxuga suas lágrimas com a ponta do dedo, e a puxa para um abraço. Meio sem jeito Emma deita a cabeça no ombro de Sara e deixa-se levar pela emoção.
— Tudo bem querida, eu sei que você sente falta deles, e não vou mentir pra você dizendo que um dia isso irá passar, mas com certeza a dor irá amenizar. – Emma balança a cabeça em consentimento, e Sara a aperta em seus braços confortando-a.
Recompondo-se Emma levanta-se abruptamente — É melhor irmos, está ficando tarde. – Sara assente e levante-se seguindo Emma. A viagem de volta sendo silenciosa com Emma mais uma vez distante.
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