Emma

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Eu sei que não sou muito participativa no grupo, mas deem uma chance a essa humilde leitora/autora.

Boa leitura.

Ela não quer estar ali naquele momento, casos envolvendo crianças sempre são mais difíceis de lidar, trazem lembranças que ela gostaria de esquecer, lembranças da infância interrompida. Mas ali está ela não teve outra escolha, todo o restante da equipe estava ocupado e ela acabou por deixar seu dia de folga, um dos poucos que ela tinha a chance de passar com o marido.

Entrou na casa e já pode perceber que houve luta corporal.

— Vartann? — ela cumprimenta o detetive com um aceno de cabeça fazendo uma varredura visual do ambiente.

— A vítima, mulher negra, trinta anos...

— Espera aí! — ela o corta — Pensei terem dito se tratar de uma criança.

— Ah sim! A criança é uma menina, oito anos, filha da vítima, encontra-se lá em cima, estamos esperando a assistência social, não consegui levá-la pra fora, está em choque. Sara olha para a mulher deitada de bruços, abaixa-se para visualizar melhor seu rosto, enquanto Vartann continua a analisar a sala.

— Ei Sara, acho que encontrei a arma do crime. — ele fala analisando mais de perto e mostrando uma garrafa de whisky quebrada e com manchas de sangue, porém não obtém resposta de Sara — Sara? — ele aproxima-se dela tocando-lhe o ombro.

— Sim? — ela o olha visivelmente abalada.

— Algum problema? — interroga franzindo o cenho, preocupado.

— Qual o nome da vítima? — ele olha na sua caderneta.

— Annelise Jhonson. — Sara arqueia a sobrancelha num gesto típico de dúvida.

— Jhonson?

Antes que Vartann responda são interrompidos por uma mulher bem vestida e com aparente mal humor.

— Sou da assistência social, vim buscar a criança. — fala com ar de desdém.

Os dois se olham e Vartann entrega a prova a Sara. Sobe para o segundo piso sendo seguido pela mulher. Sara analisa a garrafa quebrada, com o spray aerossol aplica o pó óxido de titânio para verificar se há digitais decepcionando-se ao não obter digitais, somente sangue provavelmente da vítima. No momento que está ensacando a garrafa, David chega para analisar o corpo.

— Desculpa a demora, tá sendo uma noite agitada. — explica enquanto segue até o corpo caído no chão, Sara meneia a cabeça e passa a tirar fotos do local.

— Pela temperatura do fígado ela está morta a menos de duas horas talvez uma hora e meia. Um único ferimento no abdome, pela quantidade de sangue diria que ela morreu por hemorragia externa. — ele fala olhando para vítima, Sara continua a tirar fotos no automático, a mente conturbada e distraída — Já terminou com ela? — ele pergunta agora olhando na direção de Sara que não o ouve — Sara? — chama alto conseguindo ganhar sua atenção — Tudo bem? — ele pergunta ao notar a expressão perdida.

— É claro. — força um sorriso — Hora da morte? — David estranha a sua pergunta, mas responde sem aclarar que já lhe dera a informação.

Quando ele termina ela pede que ele a deixe tirar mais algumas fotos com a vítima na posição frontal. Com seu trabalho concluído na área central do crime ela sobe para analisar o andar de cima. Ao chegar à porta do quarto da criança se depara com uma assistente nada amistosa.

— Anda garota não tenho o dia todo. — a mulher tenta fazer com que a menina, que relutantemente se mantém firme ao pé da cama, fique em pé.

— O que está havendo? — Sara pergunta bruscamente, olhando irritada para mulher.

— Eu disse, ela não quer deixar a casa. — Vartann responde.

Sara aproxima-se das duas e pede com a mão para que a assistente se afaste.

— Ei! — ela fica de joelhos ao chão, quase a altura da menina — Olha essa moça não vai te machucar tá bom. Ela está aqui pra ajudar, vai te levar pra um lugar bem legal — faz uma careta dissimulando um sorriso sabendo que está mentindo para a criança, mas não vê outra forma de fazê-la cooperar.

— Eu não quero ir, quero a minha mãe. — a menina a olha com seus lindos olhos verdes, brilhantes pelas lágrimas, Sara ofega com o contato visual. Esses olhos. Estanca no local encarando a criança, novas memórias, memórias antigas passando por sua mente fazendo-a tremer ligeiramente. Desviando o olhar momentaneamente ela retoma o controle de suas emoções.

— Eu sei querida, eu sei... — antes que ela possa dizer algo mais a menina pula em seu colo se agarrando a seu pescoço. Afagando os cabelos da menina ela olha para trás encontrando um olhar curioso do detetive e um desagradavelmente irritado da assistente.