Emilia & Bernardo.. Nova história
96 Capítulo 96
Notas iniciais
Bernardo
Ele acorda com o barulho do telefone, demora um pouco para lembrar do que aconteceu, aos pouco lembra da noite anterior e de Emília ter sumido, o telefone é insistente, olha no relógio são 6h da manhã, antes que as crianças acordem ele atende, seu corpo dói por ter dormindo na poltrona todo torto, massageia o pescoço enquanto diz.
—Alô. -ninguém responde- Alô...há alguém na linha? — como ninguém responde ele vai desligar quando ouve:
—Bernardo ...Bernardo …
— Emília. ..é você? — ele recoloca o telefone ao ouvido, ao reconhecer a voz da esposa.
— Sim sou eu…
— Onde você esta?, o que aconteceu? Malu me contou que vocês…—ele nem a deixa falar e a enche de perguntas- Onde você esta? Fiquei te procurando…
—Bernardo me escuta- é ela agora quem o interrompe- Por favor meu amor, eu ... -ele ouve um soluço e sabe que ela chora.
—Emília o que está acontecendo? — ela fica muda, ele insiste -Emília me diz onde esta, que vou te buscar. …
—Estou na delegacia...estou presa.- ela fala rápido, como que para não perder a coragem e recomeça a chorar.
Bernardo ainda esta assimilando tudo o que Emília lhe disse, sem querer acreditar, quando ouve uma voz diferente a lhe chamar.
— Sr. Boldrin aqui é a delegada Dias, sua esposa esta sob custódia, ela solícita um advogado.
— Delegacia ? Advogado? Emília presa? — ele diz mais pra si do que para a delegada, como que para entender o que se passa.
—Sim senhor, eu vou passar o endereço da delegacia — diz a delegada Dias, ele pega papel e caneta e anota, quando percebe que a delegada vai desligar ele pergunta rápido:
— Delegada sob qual acusação a minha esposa foi presa.
—Assassinato.
Bernardo fica sem chão, seu mundo neste momento desaba, seu corpo caí lentamente, ele desliga o telefone sem se despedir da delegada, por minutos fica sem reagir, sem olhar para nada em específico, as palavras volta e meia surgem sem pedir licença: Presa, delegacia, assassinato, Emília.
Esta assim quando batem a porta, sem ele permitir a entrada ela é aberta, e uma Beth atordoada quem entra.
— Bernardo. …o noticiário. ..eu não sei como...- ele percebe ela nervosa, denunciando que ela já sabe- Emília. …
— Foi presa -ele corta completando a frase de Beth, que para não cair senta na poltrona de frente a ele, que continua sentado no chão.
— O que faremos? — pergunta ela depois de segundos de silêncio, ele fecha os olhos por um instante, respira fundo e levanta de súbito.
— Preciso ligar para minha advogada- e desce as escadas correndo com o papel na mão.
Beth fica ainda no quarto, inerte, sem reação, pensado que a amiga mais uma vez passava por uma prova de fogo e que por mais quantas ela teria de passar até pode ter paz, deixa cair umas lágrimas, mas assim como Bernardo resolve reagir, ao se levantar não pode deixar de pensar que será se Bernardo sabia qur Emília estava sendo acusada de assassinar Malu, ao sair do quarto do casal, passa pelo quarto das crianças que dormem serenamente, desce as escada, Bernardo está no escritório, vai ao seu quarto se arrumar.
Bernardo está ao celular com sua advogada.
—Alô Drª Jéssica, me desculpe ligar a esta hora, mas é urgente- ele percebe que ela ainda dormia, óbvio é muito cedo em um fim de semana, mas ela trabalha para ele a anos, nunca na área criminal, mas ele sabe que ela defendeu e ganhou muitos casos desse tipo, confiava nela.
—Pois não Bernardo, diga no que posso te ajudar- ela tenta esconder um bocejo, sabe que para ele ligar algo grave aconteceu.
—Minha esposa foi presa, acusada de assassinato — diz Bernardo sem delongas.
Eles conversam, ela faz algumas perguntas a ele, que responde o pouco que sabe, ficam de se encontrar na delegacia, ele sobe rápido ao quarto, toma uma ducha, se troca e em minutos desce, no momento em que Beth aparece com um café.
—Toma Bernardo- ela alcança para ele, que quer recusar, mas ela insiste — Vai te fazer bem. — ele pega bebe alguns goles.
—Obrigado, Beth não preciso pedir que fique com as crianças e que elas não podem saber o que houve com Emília.
—Claro não precisa, saberei contornar a situação.
—Obrigado novamente- ele devolve a xícara a ela, e vai saí.
Emília
Esta sentada em uma sala, que ela jamais pensou que se sentaria um dia, tudo ao seu redor gira, ela já esta a algumas horas ali, tenta relembrar de tudo o que aconteceu, mas a noite é um borrão com alguns flesh’s, lembra de muito pouco, mas lembra de tudo ao acordar naquele estado, ver o corpo de Malu, e logo em seguida a policia aparecer, estava confusa, mas quando deu de cara com Lia ali olhando para ela com um ar de triunfo, soube que tinha caído em uma armadilha, mas como?
Era mais uma pergunta que iria acrescentar a sua lista de perguntas sem resposta.
—Dona Emília, quer um café?- a delegada Dias pergunta, alcançando um copo descartável para ela, seu estomago embrulha, lembra que bebeu um pouco a mais.
—Obrigada — ela diz ao pegar o café. —Meu marido ainda não chegou?
— Não, nem seu advogado.
— E queria dizer que eu não a matei- Emília diz
— A senhora não tem que me dizer, solicitou um advogado e só pode e deve se pronunciar na frente dele.
Elas ficam em silêncio, cada um com um pensamento, Emília tentando obter fragmentos de tudo o que passou desde que saiu de casa com um pressentimento ruim, mas não deixa de olhar para a delegada a sua frente usando roupas informais, calça jeans escura, camisa do uniforme da policia um casaco que ela tira e ela pode ver a arma no coldre, um olhar penetrante, talvez reflexo de anos de profissão, a delegada também analisa a pessoa a sua frente, uma mulher que deve ter trinta ou quase, bem vestida mesmo estando em um vestido bagunçado pela situação, podia ver que era bonito e caro, estava atordoada, compreensível por tudo, mas que em nenhum momento se alterou, se descontrolou ou chorou, buscava estar controlada, em silêncio, como se buscasse montar um quebra cabeça, a delegada Naide Dias levanta para sair.
— Delegada por favor quando meu marido chegar me deixa vê-lo, por favor- Emília pede com um olhar profundo, a beira de lagrimas, Dias a olha profundamente e não sabe decifrar se esta diante da assassina ou não.
— Sim, quando ele ou seu advogado chegar será imediatamente encaminhado para cá. — e saí.
Passa alguns minutos quando a porta novamente se abre, achando se tratar da delegada ela nem se mexe, mas sente um cheiro familiar, um perfume que jamais esqueceria, de cabeça baixa ela vê os calçados dele, levanta a cabeça devagar, mas ao bater seus olhos com os dele, se atira em seus braços, e todo o choro que segurou se rompe, ela passa os braços em volta do pescoço dele, que passo os seus em volta dela, a abraçando o mais forte que pode, não pode deixar de chorar também, fica assim sem nada dizer, quando Emília para e diz.
— Eu não a matei...eu acordei com o barulho...vi o sangue… a arma e o corpo- ela fala muito rápido- a policia chegou do nada, mas eu não a matei… eu
— Emília, se acalma — ele passa a mão no rosto dela, secando suas lágrimas — senta aqui, por favor- ele a faz sentar e pega uma cadeira e quando vai sentar a porta abre e entram duas mulheres que Emília não sabem quem são.
Bernardo levanta e as cumprimenta, ela permanece sentada, eles vem até ela.
— Emília esta é Drª Jéssica Calazans, nossa advogada- ele apresenta a morena, em uma calça social preta, com uma camisa branca de botões, cabelos soltos, maquiagem discreta, um olhar de águia, se sente como se estivesse sendo analisada, toca um aperto de mão forte e olhos nos olhos.
— Doutora. — Emília lhe diz.
— Senhora Emília, irei representá-la, estamos tentando uma liberação, mas me diga tudo o que se lembra, desde que saiu de casa até agora, serão perguntas exaustivas, quero cada detalhe, mas antes deixa lhe apresentar minha assistente Caroline Mondo,- a moça, uma loira alta, vestindo uma saia e um terninho escuro, estava ligando um gravador e distribuindo umas pastas sobre a mesa, lhe faz um gesto com a cabeça, que Emília corresponde,- a senhora pode falar comigo ou com ela- diz Jéssica chamando sua atenção- Emília senta e vamos conversar, primeiro me diga qual era seu envolvimento com a vítima senhora…-Ela olha uns papéis, a moça Caroline mostra algo a ela— Ah sim senhora Malu…
—Malu...a Malu é a vítima- pergunta Bernardo, ele olha para Emília que por um momento baixa o olhar, mas depois olha para ele.
— Sim, o corpo que estava perto de mim era de Malu- ela diz isso olhando para ele, para saber qual vai ser a reação dele, não que ela ache que ele tenha um caso com ela, mas pra ver se ainda assim terá o apoio dele.
— Mas como Emília? A Malu morta lá ao seu lado, e porquê ela?- ele pergunta confuso.
— Como assim Bernardo “Porquê ele” acha por um acaso que fui eu quem a matou?- ele fica em silêncio, desvia os olhos dos dela- Anda me diga.
—Não claro que não, sei que não foi você, só quero saber como tudo aconteceu.
— Eu também quero -Emília fala -Mas antes de tudo quero sua confiança.
— E você a têm- ele senta na cadeira próxima a ela segurando a sua mão.
— Antes de qualquer coisa quero dizer a vocês dois que preciso que Emília me diga tudo, sem que você interrompa Bernardo, precisamos correr contra o tempo, a provas contra você Emília.
— Sim -Diz os dois e Emília começa a narrar o que lembra da noite anterior.
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