Bernardo

Os dias seguintes é de adaptação para todos, Lívia e Miguel não se desgrudam, quando ele vai ao colégio, ela fica meio perdida, Emília se divide entre a reforma do quarto da filha, a livraria, ainda tem que arrumar suas coisas na antiga casa, e ele sente que sua vida não podia estar melhor, cada vez que acorda e vê Emília ao seu lado, ele esquece um pouco os poucos anos de solidão, ele sempre acorda primeiro que ela só para ter o privilegio de vê-la dormir, ele ama vê-la dormindo, e quando não dorme com ela, sim porque ele foi despachado para o quarto de hóspede dia seguinte, ele acorda e vai para o quarto dela, e fica observando elas dormirem, sabe que tem de respeitar o momento dela, certa vez ela disse que não conseguia dormir longe de Lívia, que já tinha tentado várias vezes mas não tinha conseguido, ele entendia, agradecia só de ter elas ali, as vezes nem acreditava, tentava ficar o máximo possível em casa, adorava ficar com a filha, adorava ler e brincar com ela, não conseguiu fazer isso muito com Miguel, pois ele estava muito culpado pela morte de Marina, mas sempre que estava com o menino ele compensava esses momentos de ausência, ficando junto a ele fazendo tudo o possível para o menino se sentir amado e querido, ele e Miguel tinham uma ótima relação, mas sempre ouviu dizer que a relação de pai e filha era diferente, agora ele entendia porque, ao olhar a filha sente querer protegê-la o tempo todo, até a sufocava de tantos beijos e abraços que lhe dava, Emília o observava e ria dele o chamando de papai babão.

Em uma tarde ela vai visitar o pai, deixa Lívia com Beth, será a primeira visita dela sem disfarces sem máscaras, mesmo não fazendo muita diferença, pois ele talvez nem a reconheça, ela esta nervosa, mas não aceita que ele vá, ele só deixa ela ir sozinha, porque mesmo com a aparente tranquilidade, ele matem seguranças vigiando eles, claro que ela não sabe.

Mas ela demora a chegar, ele começa a se preocupar, liga para o celular dela que esta desligado, já esta anoitecendo, decide ligar para os seguranças, que avisam que ela esta na antiga casa dela.

Ele pede a Beth para ficar com as crianças e vai até lá.

Chegando ele verifica o segurança a uma certa distância, faz um pequeno gesto, vai até a porta da casa e nem bate, já vai entrando chamando por ela, a sala é um caos de caixas, ele a chama de novo, vai na cozinha ela não esta, sobe as escadas, á mais caixas espalhadas, mas por fim a encontra no quarto, ela esta com outra roupa, esta usando um vestido que seria longo, mas ela fez um nó na ponta, talvez para ter mais mobilidade, o cabelo preso em um coque meio bagunçado, com alguns fios solto, ela caminha de um lado a outro sem o vê, poderia ser algo normal, mas ele a conhece sabe que tem algo errado, mesmo assim preocupado com o que deve ter acontecido pra ela ter sumido, ele não pode deixar de achar ela linda, mesmo assim simples, sem nenhuma maquiagem, nenhum enfeite, ela esta linda, ele a chama.

— Emília.- ela para olha para ele, vai ate ele com uma caixa e lhe entrega .

— Desce pra mim essa caixa,- ele pega desce e sobe ela lhe entrega outra, faz isso mais uma vez, na quarta caixa que ela entrega sem dizer nada, ele pega e solta em um canto qualquer e segura na mão dela, que puxa o braço e tenta voltar ao as caixas, mas ele não deixa segurando em seus ombros fazendo ela encarar ele.

— O que aconteceu Emília.

— Nada — e tenta se soltar dele, mas não consegue.- Bernardo me deixa .

— Não, da ultima vez que deixei você sumiu por cinco anos.

— Vai ficar jogando na minha cara.- ele a solta, e ela vai até a janela, só confirmando a sua suspeita de ter algo errado, pois ela sempre ia para a janela quando queria pensar, ele senta na cama e espera, mas quando ouve um soluço do choro dela, ele corre até lá e mesmo sobre seus protestos ele a abraça, não demora muito para ela também estar abraçando ele, então sua boca encontrou a dela, sabia que este era um beijo diferente dos outros, era um beijo de desejo, de posse, de querer mais do outro, ele não podia deixar de ir mais fundo, de mover-se do lábio inferior, para o superior, de puxá-la tão perto que podia sentir-lhe os seios, mesmo através das roupas, a mão dela já invadia por debaixo da camisa, arrancando tão rápido que ele só percebeu quando sentiu as unhas dela arranhar suas costas, ele puxou as alças do vestido dela deslisando pelo seu corpo lentamente ao chegar no quadril puxa o vestido levando a calcinha dela junto.

— Linda, sempre linda- sussurra ele, ela sente aquela palavras se manifestar em seu corpo acariciando as terminações nervosas no pico de seus seios, o calor latejante entre suas pernas despertar, ela espera ofegante para ter as mãos dele em seu corpo, ele se ergue e ela se aproxima dele, encostando o corpo bem junto ao dele.

— Toque- me — ela implora, ele sabe que ela precisa ser levada para longe da realidade- Preciso que me toque.