Emilia & Bernardo.. Nova história
104 Capítulo 104
Emília
Ela acorda um pouco assustada, abri os olhos e por um momento não sabe onde se encontra, então sente a respiração de Bernardo, está deitada sobre ele, com cuidado para não acordá-lo, apoia-se em um de seus braços para olhá-lo melhor, ele serenamente dormiu, olhos fechados, respiração calma, rosto tranquilo, alisa a sua face delicadamente, ele esboça um pequenino sorriso nos lábios, ela passa os dedos por ali também, pousou um beijo de leve em seu rosto e levanta com todo o cuidado, quer deixar ele dormir o máximo que puder, ela sabe o quanto ele precisa, Emília o cobre melhor e vai fechar a cortina que ficou um pouco aberta, sente ser observada, olha bem mas do outro lado da rua não há ninguém, termina de fechar olha mais uma vez para Bernardo sorri, toma um rápido banho, e decide preparar um café para os dois.
Não muito tempo depois ele aparece já de banho tomando a abraça fortemente.
—Achei que foi um sonho. – diz ele ao seu ouvido.
— Não eu estou aqui em carne e osso. – Emília responde sorrindo.
— Carne, osso, cheiro. – ele cheira seu pescoço a deixando toda arrepiada – Pele – faz um carinho no rosto dela com o seu– Gosto –enfim beija a boca dela, alguns segundos depois ele parou o beijo– Nós temos que ir até a advogada.
— Aconteceu algo?– Emília pergunta um pouco assustada.
— Não nada, acho que ela quer ver como vai ser daqui pra frente, o que temos que fazer, não sei. – Bernardo diz isso de uma forma que Emília acha estranho.
— Está me escondendo algo Bernardo? –ela pergunta firme olhando para ele.
—Porque diz isso– ele rebate a pergunta e senta a mesa, assim também ela faz.
—Não está me olhando direito.
—Emília eu não sei o real motivo de ela ter nos chamado, acho que é o que já lhe falei, ontem ela me disse que teríamos que conversar, então acho normal irmos até lá. –ela abaixa a cabeça sabe que ele tem razão, a própria Jéssica tinha dito a ela a mesma coisa, estava se assustando por nada, Bernardo segura em sua mão. –Não precisa ficar assim, pode não ser nada demais.
—Mas pode não ser também– ela solta da mão dele e levanta, vai até a janela e fica olhando para nada de importante, ele vai até ela e abraça, ela está de costas para ele, Bernardo apoia sua cabeça no ombro dela, falando ao seu ouvido.
—Não importa o que acontecer sempre estarei ao seu lado, sempre Emília – ela fecha os olhos e solta o ar que nem percebeu ter preso quando ele lhe disse aquelas palavras.– Vem comigo.– ele de mansinho ainda abraçado a ela, senta em um cadeira sentando ela em seu colo, ela ajeita as pernas para fora, e coloca os braços em volta do pescoço dele, os dois nem perceberam um flash sobre eles, enquanto estavam na janela.
—Ainda bem que tenho você– encosta a cabeça na dele, que alisa suas costas– Nem sei o que seria de mim...
—Verdade?– ele pergunta, com um sorrisinho bobo.
—Sim.
—Então porque senhora Emília Boldrin me proibiu de ir vê-la?
Novamente ela prende o ar, o toque que ela fazia em seu rosto parou, assim como o dele nas costas dela, Bernardo a ajeita para que ela o olhasse.
—Bernardo... eu...eu só –ela gagueja, as palavras lhe fogem, faz uma pausa, sem desviar do olhar dele, mas como ela vai falar as coisas que passaram em sua cabeça, como dizer que ela não queria que ele ficasse com aquela lembrança dela ou preso a ela daquela forma, pode parecer bobo, mas ela não o queria ele desperdiçasse seu tempo assim, que vê-lo partir era tão doloroso quanto estar presa, mas ele a olhava tão intensamente que parece ler o que passa em sua cabeça.– Eu simplesmente não podia vê-lo daquela forma, não poderia, por favor diz que peço desculpa, sei que foi tolo de minha parte, egoísta até, reconheço, mas...– Emília desata a falar sendo cortada por um soluço, anunciando uma crise de choro, Bernardo a abraça novamente.
—Eu entendo, não tenho nada a desculpar– cada um volta a fazer carinho no outro, logo ele pergunta ao ver ela mais calma– Mas confessa.
— O que?
— Vai confessa Emília– ele repete, mexendo o ombro.
— Confessar o que Bernardo– ela se senta melhor para olhar para ele, que sorri para ela.
— Que você sentiu minha falta– ele abre um enorme sorriso para ela, que não pode deixar de retribuir, encosta testa na dele, olhando bem dentro do olho ele responde:
—Senti muito, mas muito a sua falta. – ele vai beijá-la, mas ela joga o rosto para um lado, ele vai atrás, mas ela joga para o outro sorrindo, quando ele vai até ali, Emília se joga para trás, mas ele a segura com uma mão em sua nuca a trazendo de encontro à boca dele a beijando.
Quase três horas depois eles estão ainda no escritório da advogada.
—Mas isso a inocenta?
— Isso é uma grande prova a nosso favor, não ter vestígios de pólvora nas mãos de Emília é uma grande ajuda para a defesa dela.
—Como assim? – Emília pergunta um tanto confusa– Sem os vestígios na minha mão, quer dizer que eu não atirei.
—Bom... – Jéssica levanta e caminha, os dois a acompanham com o olhar– Você pode não ter atirado, mas podem acusá-la de mandante, de cúmplice.
— O que mais Jéssica?– Bernardo pergunta.
— Nós conseguimos as imagens das câmeras da festa, mostram a parte da discussão e agressão de Emília, depois que a briga é contida, Emília segue até um ponto onde não há câmeras e desaparece, então para a acusação ela saiu sozinha.
—Mas onde ela foi encontrada, não há nenhuma filmagem– Bernardo pergunta pensativo.
— Até o momento não, Carol foi pessoalmente até o local e nada encontrou, é uma área mais deserta que o ponto da festa, foi proposital o local escolhido- Jéssica senta na ponta da mesa e olha para Emília– Lembra quando contou que encontrou com Malu na varanda depois de conversarem, por um momento deixou sua taça e ela chamou você lhe entregou sua bebida?
— Sim lembro– Emília responde rápido.
—Pois então, eu fiquei com isso na cabeça e claro que pedi um exame toxicológico para as principais substâncias que podem dopar você.
— Então?–Pergunta Bernardo e Emília juntos.
—Para as principais substâncias nada foi encontrado, mas quando Bernardo me contou de Lia e da suspeita dos dois, eu já sabia por cima da história da babá o que ela fez a Miguel há anos atrás, mas ao ler o que estava escrito ali, fiquei em alerta – ela senta na cadeira de frente para os dois – Você lembra Bernardo que elas o doparam e armaram para Marina encontrar você na cama?– ele confirma– Pensei que talvez elas possam ter usado a mesma coisa em você Emília, por sorte elas escreveram o que foi usado, mandei a outro laboratório para ser analisado, vai demorar dez dias...
— E se esse exame comprovar que fui dopada serei considerada inocente?
—Não é só isso...
—E quando?– ela interrompe a advogada solta da mão de Bernardo, que vinha segurando desde que entraram ali se aproxima da janela mas não olha para fora, olha para Jéssica – Como poderei ser considerada inocente?
— Você pergunta como, com provas e testemunhas a seu favor, sei que é difícil de compreender, mas quanto mais coisas do nosso lado melhor, mais fraca estará a acusação– Emília senta novamente ao lado de Bernardo e segura a mão dele, Jéssica continua– Você perguntou quando, uma das formas é provando que você estava drogada, e que foi outra pessoa, por exemplo ela ... –Jéssica pega na gaveta um diário que Bernardo nem se lembrou de ter deixado ali e aponta. – Se foi ela, precisamos provar essa ligação, e ela não pode ter agido sozinha, há mais pessoas envolvidas e aí que temos que nos concentrar.
Bernardo
Ao sair do escritório da advogada, Bernardo recebe a ligação do detetive, discretamente sem Emília perceber ele fala que após o almoço eles irão se encontrar.
Ele e Emília almoçam, ou tentam, em um restaurante discreto, pois a história ainda repercute, sempre tem olhos curiosos, e quando são reconhecidos, sempre tem um burburinho. Eles não conversam muito, cada um mergulhado nos próprios pensamentos, Bernardo preocupado com o que o detetive tem a lhe dizer, há muitas possibilidades nessa busca, que podem mudar o caso, se de fato há um caminho que ligue Lia ao que aconteceu a Malu, facilita e muito a defesa de Emília, se não houver ligação nenhuma, voltam a “andar”no escuro.
— O que você tem Bernardo?– ela o chama, ele parece avoado.
—Nada demais, está tudo bem — ele olha para ela sabendo que ela não acreditou nem um pouco no que ele diz, tenta mudar o assunto– Não vamos poder ir pra fazenda...
—Mudar de assunto, um claro sinal de que me esconde algo e não quer me contar. –ela cruza os braços e o olha.
—Emília..– Bernardo sabe que não tem como fugir, não saber ser o melhor para ela falar da foto, queria ter certeza de algo, mas ela o conhece quando sabe que ele esconde algo, assim como ele a conhece, sabe que ela não vai desistir, por fim ele diz.– Podemos conversar em casa.
— Assim está melhor– Emília esboça um sorriso, descruza os braços e volta a comer, não muito, as pessoas começam a olhar mais e mais para ela. – Podemos ir para a casa agora. – a princípio ele não entende, mas acompanha o olhar dela, que abaixa a cabeça.
—Sim vamos.
Já de volta ao apartamento, ele estranha ela ter vindo o caminho todo calada. Emília tira os calçados e vai direto para o quarto em silêncio, ele vai atrás dela, entra no quarto solta os sapatos e a bolsa em um canto e senta na cama, Bernardo senta de frente a ela na poltrona que há ali, mas não diz nada, espera ela falar.
— Viu como aquelas pessoas me olharam no restaurante, como se eu de fato fosse a assassina, até as crianças ali presente pareciam me acusar.
— Mas você sabe que a verdade não é essa, você é inocente.
— Eu sei disso, mas dói à forma como me olharam.
—Mas não pode ficar abalada com isso...
—Fácil pra você falar, não é com você...–ele decepcionado, ela percebe a burrada que falou.– Me desculpa, me desculpa...
— Sei que você está nervosa com tudo isso, sei que falou da boca pra fora, mas nem por um segundo pense que o que acontece com você não me atinge, não me incomoda ou não me dói ...
—Eu sei Bernardo,me desculpa, por favor– ela senta no braço da poltrona, faz ele olhar para ela– Por favor..por favor ...por favor– ela vai pedindo baixinho, encostando o rosto do dele, o olhando o tempo todo, ele a puxa para o seu colo ao mesmo tempo que beija, instantes depois ela pergunta – Agora me fala o que esconde.
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