Emilia & Bernardo.. Nova história
100 Capítulo 100
Emília
Logo após Bernardo sair a delegada vem conversar com ela dizendo que irá passar a noite em umas das celas com duas moças, e ela é levada a um banheiro para trocar de roupa, enfim tirar aquele vestido que uma policial recolhe e coloca em um saco, e Emília acha que o vestido pode ser usado no processo, sente repulsa por ter de ficar de roupas íntimas em frente de outra pessoa, trata de vestir logo suas roupas.
Logo após ela é levada para uma área protegida por muitos policiais, ali já não é tão claro, ou fresco, há muitas moças ali, quando ela passa ouve uma ou outra palavra, gritinhos, risadas, ela anda de cabeça baixa e séria, então param em uma cela nos fundos, abrem ela demora a entender que deve entrar, uma das policiais lhe dá um leve empurrão para frente, fazendo assim ela entrar, o barulho da grade sendo fechada, faz seu coração acelerar, Emília faz menção de ir para a frente quando ouve:
—Melhor não fazer isso, elas adoram quando fazemos cena — uma moça que esta sentada sobre algo feito de concreto com alguns panos, deve ser a cama Emília pensa.- Qual o seu nome? — a mulher pergunta.
Emília fica quieta, não sabe como agir, inutilmente vem em sua cabeça os inúmeros filmes, séries ou livros que viu ou leu e pensa que nada se compara a isso, olha em volta lhe faltam palavras para descrever o local, ele não é tão sujo como aparenta, mas é mais escuro que o normal, fora o local onde há uma mulher sentada, não tem mais onde sentar tem uns papelões em um canto, decide ir sentar lá, mas um braço a impede.
—Você não ouvi, ela perguntou seu nome. — Emília olha de uma a outra,tentar falar mas nada sai — O quê o gato comeu sua língua- a mulher fala e solta uma gargalhada .
— Emília. ..esse é meu nome- ela consegue dizer.
—Hum ...Emília- ela rodeia o corpo de Emília- Bonitinha...pele bem tratada- rápido pega na mão dela e analisa suas unhas- unhas bem feitas, com certeza é dondoca, metida a rica, olha esse nariz empinado — toca na ponta do nariz dela- O que acha Tere.
— Deixa a moça em paz Pri- a moça chamada Tereza , que até em tão se mantinha calada, lhe diz dando um tímido sorriso- Essa ai só assusta, mas não precisa ter medo.
Emília força um sorriso, e senta em um canto, escondendo o rosto entre os joelhos. Como ela pode ter caído em uma trama como essa, por mais que tente lembrar de tudo o que se passou na noite da festa, algumas coisas são um borrão. Por mais que não queira dormir, seus olhos mal se mantêm abertos, acaba por cochilar, sendo acordada por alguém mexendo nela, ela leva um susto ficando bem mais próxima a parede, abraçando mais o corpo, quando consegue raciocinar, vê a mulher chamada Pri, tem uns panos enrolado nas mãos.
— Você esta dormindo toda torta, vai ficar muito dolorida amanhã, pega isso- lhe estende os panos- Usa como apoio para a cabeça.
Então Emília entende que ela iria lhe deitar no chão e por os panos como travesseiro, se comove por um gesto tão gentil, ela pega aquele monte de panos.
—Obrigada.- ela coloca no chão e se deita, com a cabeça apoiada neles, a visão das grades a sua frente lhe dói, ela vira para a parede, ela pensa nos filhos no rostinho deles, em momentos alegres ao lado deles, pensa em Bernardo, em como foi difícil terminar aquele beijo, para facilitar para ele virou de costa e mandou ele partir. Ela chora, um choro silencioso, se eles não tivessem ido na festa,ou se ela tivesse permanecido ao lado de Bernardo, será se tudo isso teria acontecido?, ela nunca vai saber.
Bernardo
A casa esta em um silêncio total, algumas luzes apagadas, ele sentam e fecha os olhos, logo ouve passos.
— Pai- Miguel quem o chama, ele abre os olhos e sorri, o menino senta em seu colo, apesar de grandão e quase não se encaixa mais em seu colo.
— Oi meu filho- ele abraça o menino.
— Pai e a Emília? Ela vai voltar?
— Sim claro que vai.- ele faz um carinho na cabeça do filho.- Ela volta, não se preocupe.
Beth entra na sala.
— Meu filho preciso falar com Beth me dá licença?
— Sim- ele abraça o pai.
— Sabe Emília ficou muito feliz quando você a chamou de mãe.- Bernardo diz.
— Mas é isso que ela é, minha mãe também, boa noite pai.
Ele sobe as escadas, Bernardo espera um pouco para falar.
—Beth a Emília me falou sobre os diários.
— Que bom, mas até agora nós não encontramos nenhuma pista.
— Eu quero dar uma olhada.
— Sim eu irei buscar. Ela sai voltando alguns minutos depois, ela entrega a ele- Vou ver as crianças .
Beth se retira, Bernardo fica um tempo com os diários sem abrir, impossível para ele não pensar na noite de cinco anos atrás quando ele teve as cópias em mãos, resolve não mexer nisso agora, sobe dá uma passada no quarto das crianças que assistem um filme, dá um beijo em cada um, Lívia esta agarrada a boneca, ele entra em seu quarto, deixa os diários em cima da mesinha, vai direto para o banho, e ali debaixo do chuveiro, os pensamentos que não queria ter, invade a sua cabeça com tudo, a despedida da Emília na delegacia, deixar ela lá foi tão difícil, doloroso, seu banho é mais demorado que o normal, logo após se vestir, ele se põe de a ler os diários, com pesar ele pega o primeiro e abre, e lê, tristeza, repulsa, irritação, se misturam, ele passa horas e mais horas lendo, de um pula para outro, ele faz algumas anotações que julga ser importante, mas nada de concreto, e assim ele entra madrugada a dentro, acordando com os raios de sol que invade o quarto, ele nem se lembra de ter dormindo, seu corpo todo dói, pela posição em que ficou. Toma outro banho e desce, Beth já esta de pé.
— Bom dia, não esta com uma cara boa.
— Passei a noite toda lendo os diários.
— Café?- ela pergunta, ele faz que não- Você precisa se alimentar Bernardo.- a custo ele senta na mesa e come um pouco.- Como faremos com as crianças- Beth diz servindo algo para ele comer- Digo não vamos leva-las para a escola?
— Acho melhor não, não quero que eles fiquem sabendo onde Emília esta.
— Então...
— Pensei em você e elas ficarem na fazenda.
— Pode ser, queira pedir algo- ela pensa um pouco- Eu queria ver a Emília, será se tem como.
— Eu não sei, posso ver com a Jéssica, mas não sei mesmo.
— Bom se não for possível tudo bem, sei que logo ela voltará para a casa, levarei as crianças no começo da tarde mesmo.
— Obrigado, obrigado mesmo por tudo.
Ela se retira, ele termina seu café, pega os diários e sai.
Emília
Ela acorda com dois pares de olhos sobre ela.
— Bom Dia flor do dia- diz Pri em tom de deboche.
—A deixa em paz- fala Tereza
— Claro que deixo, depois de acordar várias vezes com ela chorando e mal dormir.
— Desculpas- pede Emília se sentando
— Acordar sei... vi você muitas vezes é roncando isso sim -ela dá um sorriso a Emília.
Pri senta ao lado dela.
—Você não é de falar muito- ela olha se vira para olhar para Emília- Olha uma hora você tem que falar, sabe somos colegas e é bom nós conhecermos.
Neste momento elas ouvem uma enorme gargalhada
— Onde você acha que esta Pri? Na escola “somo colegas” -diz Tereza.
—Nós somos legais pode se abrir, olha começo eu então- diz Pri sem dar atenção ao que Tereza diz, levanta e começa a falar como se estivessem no primeiro dia de aula. – Meu nome é Priscila, estou aqui por causa de uma coisa boba, peguei meu ex com uma moça, bati demais nela, foi parar no hospital, quase morreu agora, esta me processando, viu simples quem é a próxima?- ela olha de uma para a outra- Ninguém? Bom da Tereza eu sei, eu conto, bom ela se chama Tereza – ela da uma risadinha, parece estar achando graça de tudo, como se estivessem em outro lugar não presas- Ela esta aqui só porque cometeu um furto...ops...alguns furtos...mas tudo coisa pequena , pronto agora você- Emília fica muda, não queria conversar, não esse tipo de assunto, mas Pri não se dá por vencida, e volta a sentar ao seu lado — Vamos diga, deve ter sido alo bobo, mas pode falar.
Emília levanta, anda de um lado a outro.
—Vamos diga porque você esta aqui, não vamos zombar- Pri anda ao lado dela, Emília vira para ela e diz.
—Matei uma pessoa.- as duas moças olham para ela sem acreditar.
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