Emília

Naquele mesmo dia eles colocam Jessica a par de toda essa nova situação.

—Mas vocês sabem que isso ainda não quer dizer nada para o caso, mas que talvez sim nos leva a outro caminho.

—Mas você acredita que eles podem estar envolvidos?– Emília pergunta ansiosa.

— E porque não, seria coincidência demais esse Marcos conhecer duas pessoas que querem ferrar você. – Jéssica recolhe toda a papelada que eles trouxeram e guarda. – Por hoje, esta hora não vamos conseguir nada, só peço que, por favor, não tente fazer nada por conta própria.

—Como assim?- Bernardo pergunta.

—Ir até a casa, saber de tudo sem uma forma legal, e fazendo assim perder talvez a única pista que possa inocentar Emília, e pior espantando a tal Lia.

— Sim pode deixar, não iremos fazer nada. –Bernardo diz, pois sabe da teimosia de Emília.

Já de volta ao apartamento, Emília aproveita para falar com os filhos, que ficam feliz com a ligação da mãe, Bernardo fala rapidamente com eles e se mantém quieto, ele vai para o escritório ela sobe, um tempo depois após pedir algo para os dois comer, ela o encontra sentado no sofá que há ali no escritório, cabeça para trás olhos fechados, ela senta e passa a mão no rosto dele.

— O que foi, achei que estaria melhor, por estarmos a um passo de resolver tudo. –ele senta melhor para poder olhar para ela.

— Fiquei pensando que durante todo esse tempo Lia esteve aqui do nosso lado, ela esteve mais perto de nós do que você esses anos todos, e que talvez se ela tivesse sido pega antes, nada disso estaria acontecendo.

— Verdade, mas não devemos pensar no que poderia ter acontecido, mas sim de que dessa ela vai ser pega, e logo esse pesadelo estará acabado. – ela levanta e dá a mão a ele, que permanece sentado. –O que foi?– Emília pergunta.

— Me perdoa. –ele pede com os olhos cheios de lágrimas ela se ajoelha na frente dele. – Eu não acreditei quando você tinha dito que Lia tinha voltado, eu nunca acreditei me perdoa.

Emília coloca as duas mãos no rosto dele, olhando nós olhos dele.

—Eu não tenho nada a perdoar, nada, eu mesmo não acreditaria em mim, estava completamente fora de mim– ela sorri para ela– confesso estava um pouco louca.

—Mas você tinha toda a razão Lia estava por perto, você...

— Vamos esquecer isso está bem, não vamos falar mais sobre o que poderia ter acontecido. – ela dá um beijo nele, levanta e novamente pega em sua mão – Agora vamos que a nossa comida já deve estar chegando.

No outro dia pela manhã, eles já estão na delegacia, Jéssica e Carol se encontram ali também, eles tentam convencer a delegada Dias do envolvimento de Lia.

— Vocês sabem que não há prova nenhuma do envolvimento desta senhora ao caso da sua cliente Dra. Jéssica.

—Sim isso nós sabemos, mas no sequestro do filho do meu cliente há cinco anos ela tem sim um grande envolvimento, temos testemunha, depoimento do caso na época, fora os relatos que ela mesmo escreveu sobre tudo o que fez a esta família, horrores ali que senhora mesmo leu. –Jéssica está de frente a Naide, enquanto fala aponta para o depoimento que tanto Beth, quanto Bernardo deram na época, aponta para os diários que eles levaram, e mais um ou outro papel que o detetive entregou.

—Sim eu li, mas não...

— Esquece essa possível ligação dela com o caso, só pedimos que faça algo pelo sequestro.

—E sobre o Marcos?– Bernardo pergunta

—O que tem ele?– a delegada rebate.

—Ele não foi chamado, ele era o segurança pessoal de Malu. – Carol responde.

—Não conseguimos encontrar ele, o endereço que consta na papelada de contratação da sua empresa senhor Bernardo, é falso. – ela lhe diz, ele sente como uma cobrança.

—Bom este aqui é o endereço verdadeiro dele, a senhora pode averiguar, esta casa pertence à família dele há anos. – ele alcança o papel a ela, que olha.

—Como o senhor sabe disso?– ela pergunta desconfiada.

— Após saber do endereço falso dele, pedi a um amigo para investigar e chegamos a este endereço. – Bernardo diz uma meia verdade, Naide olha bem uma folha, pega outra, olha depois os indaga:

—Mas o endereço de Marcos e Lia é o mesmo?

—Sim.

—Sim.

—Sim.

Responde Carol, Jéssica e Bernardo juntos, Naide olha para eles como quem diz “Vocês estão tentando me enganar”.

Emília observa de longe toda a conversa, a delegada pede um tempo a eles que saem da sala, demora cerca de meia hora até ela voltar, e dizer que estavam tentando uma intimação para pegar o depoimento de Marcos. O que de fato aconteceu um pouco depois ela conseguiu e eles iriam a casa dele.

Bernardo e Emília são proibidos de irem, Carol precisa sair um pouco, Jéssica disse que teria que ir até o laboratório, pois tinham algo contar, mas que ela voltaria em pouco tempo.

Eles ficaram ali na delegacia, os minutos passaram devagar demais, eles se revezam entre estar sentados, ou caminhar pelo corredor, pouco falavam, Carol volta e fez companhia a eles.

E então a porta da delegacia abre e sendo segurado por Naide e mais um policial aparece Marcos, de cabeça baixa ele passa por eles Emília, Bernardo e Carol abrem caminho para eles passarem, que vão direto para a sala de depoimento, quando o polical sai da sala, Bernardo o questiona:

—E a mulher?

— Que mulher? –o policial responde confuso.

—Não tinha uma mulher na casa com ele?– Bernardo insiste.

—Não, nenhuma. –e o policial sai rápido

Bernardo olha para Emília que tem o olhar mais confuso que o dele, está sem entender o que passou.

—Eu vou ligar para a Jéssica. – diz Carol, saído dali.

–Agora Bernardo? – Emília pergunta abraçando-se a ele– Lia não esta lá, de novo ela fugiu, de novo.

—Calma Emília, calma de nada sabemos. –eles ficam ali abraçados.

Um tempo depois Naide sai da sala, dessa vez é Emília quem a aborda.

— E Lia onde está.

—Ela não estava lá, não naquele momento, mas deu para perceber que ela vivia naquela casa junto a ele, Marcos diz não a conhecer, mas não tem como ele sustentar isso por muito tempo.

—E sobre Malu– é Bernardo quem pergunta dessa vez.

—Ele só disse que trabalhava para ela nada mais.

—Ele não disse mais nada?–Pergunta Carol desta vez.

—Não, pediu um advogado. –fala Naide.

—Para prestar um simples esclarecimento?– pergunta agora Emília.

—Ele pode pedir e só falar na presença dele. – esclarece Carol.

—Mas não só por isso, ele atirou em nós, quase acertou um policial.

A delegada se retira, eles ficam mais nervoso sabendo que agora Lia sumiu de novo. Logo em seguida Jéssica chega conversa um pouco com eles, mas quando a delegada aparece ela vai até lá elas conversam por um minuto, a delegada consente com algo que Jéssica fala, sai rápido indo para a sua sala.

—O quê está acontecendo?–Bernardo pergunta.

—Acabei de voltar do laboratório e Malu estava grávida– Bernardo e Emília ficam boquiabertos, Jéssica continua – E se eles mantinham mesmo um relacionamento, ele pode ser o pai.