Bernardo

—Bom – ela se encaixa melhor sobre ele — Eu andei lendo os diários, como prometi a você, não foi fácil reler, lembrar de tudo aquilo...

—Eu sei, pra mim também foi difícil acreditar do que Lia foi capaz.

—Eu que o diga, estive durante anos sob o mesmo teto que ela e nunca iria supor que ela fez ou pensava tudo aquilo.

—Mas você encontrou alguma pista?– Emília pergunta, ele delicadamente levanta com ela ainda em seu colo e a coloca na cama. – O que foi?– perguntou confusa.

—Só um instante– Bernardo pede, desce as escadas e vai ao escritório e pega o diário onde ele achou a foto e sobe novamente, ela continua sentadinha da forma como ele deixou, senta ao seu lado, ele fica olhando para o diário, não só lembrando-se das coisas que leu, mas da forma como achou a foto, Emília senta atrás dele e o abraça.

—Podemos falar disso outra hora se quiser–ela diz perto de seu ouvido dando um beijo em seu ombro, faz um carinho em seus cabelos rebeldes, um pouco grande ela pensa.

—Não tudo bem– ele faz uma pausa– Eu os li como disse e como viu passei a Jéssica para ler também, mas ela me disse que para o seu caso não há nada que possa te ajudar.

—Foi o que pensei também– Emília senta ao lado dele, que vira-se para olhá-la.

—E como ela mesma disse precisaríamos de um ponto de ligação entre Lia e o assassinato, no dia em que você decidiu proibir minhas visitas, estava mergulhado de cabeça nos diários, e já tinha falado com Jéssica sobre eles, estava bravo, após a ligação dela falando de seu pedido– ele olha para ela, que não desvia de seu olhar– Eu fiquei muito bravo mesmo, joguei tudo que tinha sobre a mesa para o alto, foto, diários, papéis, tudo o que tinha ali, saí de casa e dirigi por um bom tempo, voltei dormir, e só no outro dia olhei o estrago que tinha feito, arrumei a bagunça, peguei um dos diários, um caco de vidro de um dos porta-retratos perfurou a capa dele, terminei de tirar essa primeira capa e por baixo tinha uma foto, de quatro pessoas que eu não conhecia só a Lia que identifiquei...

—Onde está a foto me deixa ver...–Emília pergunta ansiosa, erguendo-se da cama um pouco.

—Ela não está comigo — ela faz um cara de confusa –tem mais coisas sobre a foto, me deixa terminar– ele faz um carinho no rosto dela que volta a se sentar de novo. – Tinha um endereço atrás, é aqui perto, fui até lá, fiquei um tempo, mas estava chamando muito a atenção, sai e fui procurar um detetive conhecido, ele me ligou a pouco dizendo ter informações, pediu para encontrá-lo...

Emília não espera ele terminar de falar, levanta da cama e vai até onde deixou seus sapatos e começa a calça-los, Bernardo aproxima-se dela, que usa ele como apoio para poder calçar o pé que falta.

—Aonde você vai? –ele pergunta com ela ainda apoiando-se nele.

—Vamos até o detetive, ver o que ele descobriu, ou pensa que não vou com você?

— Vou irá comigo, teimosa sei que vai querer ir junto, mas não é agora o encontro, é mais tarde e tem outra coisa...

— O quê?

— Olhares curiosos, como o que tivemos hoje no restaurante. Acho melhor eu ligar para ele e marcamos o encontro aqui.

—É melhor mesmo – Emília senta na cama e tira os sapatos.

Bernardo desce, não sabe se foi uma boa ideia contar, ele queria ter certeza de algo, mas sabe que não conseguiria esconder por muito tempo, ele liga para o detetive, pede para ele ir até sua casa, marcaram para dali a duas horas.

Ao voltar ao quarto Emília está sentada com a cabeça entre os joelhos, Bernardo senta de frente para ela tocando em seu ombro, a fazendo olhar para ele, ela levanta a cabeça mas com o queixo apoia a cabeça sobre os joelhos e o olha.

—Ele virá daqui a duas horas, mas Emília temos que estar preparados para que a foto não nos leve a lugar nenhum.

—Eu sei, eu sei é só nisso que eu penso que podemos estar indo para lugar nenhum e eu ter que voltar para a delegacia ou pior para um presídio.

— Não vou deixar isso acontecer, não vou – Bernardo sobe na cama, senta ao lado dela e a puxa para ficarem abraçados, ela apoia o seu corpo ao dele, e o agarra o máximo que pode.

Cada um fica quietinho, o tempo parece passar devagar, mesmo sem olhar Bernardo sabe que só pela a respiração de Emília ela dormiu, fica mais um tempo deitado com ela, quando vê pelo relógio, que está na mesinha de cabeceira, estar próximo do horário de o detetive chegar, ele com todo o cuidado a tira de seus braços, deposita um beijo em sua testa, encostou a porta do quarto e desce.

Não demora muito o interfone toca avisando da chegada do detetive, Bernardo autoriza ele a subir, pouco depois a campainha toca.

—Boa tarde, senhor Bernardo. – o homem estende a mão para ele, que retribui o gesto.

— Senhor Fontes entre, por favor. – Bernardo faz um gesto para o senhor entrar e – Aceita beber algo.

—Não obrigado, aqui esta as suas informações. – Ele mostra uma pasta preta.

—Vamos ao meu escritório, por favor. –eles percorrem o curto caminho até o escritório de Bernardo, chegando lá ele indica uma cadeira para Fontes se sentar e senta-se de frente e pega a pasta que prontamente lhe é entregue.

— Como eu tinha avisado ao senhor, com as informações que me deu através da foto não foi difícil de encontrar as pistas.

Bernardo abre a pasta, há uns papéis, a foto que ele já conhece e outras.

— Se o senhor permitir– o senhor estende a mão e Bernardo lhe entrega a foto – Esse quarteto eram grandes amigos, colocavam o terror naquela mesma rua onde o senhor foi. Esses dois – ele aponta para os dois que estão em cima do muro – Um está morto, o outro logo após esta mesma foto foi morar fora do Brasil e nunca mais voltou, esses dois — aponta para Lia e o outro rapaz. –Essa você conhece, esse aqui você também conhece. –Bernardo faz um ar estranho como quem está confuso, Fontes pega uma outra foto aparentemente mais nova e mostra a Bernardo que olha sem reconhecer fica com a foto analisando aquele rosto, sabe que já o viu em algum lugar e não foi da foto antiga, já viu este rosto recentemente, mas onde ele pensa, Fontes pega outra foto do mesmo moço e olha antes de passar para Bernardo, do nada eles ouvem:

— Foi ele, foi esse homem... – é Emília que entra no escritório.

—Que homem Emília?– Bernardo pergunta, levanta e pensa em ir até ela, que é mais rápida avança sobre a mesa e pega a foto que ele estava olhando.

— O homem que eu vi de relance, na festa antes de eu apagar por completo. – ele diz segurando a foto.

— Você tem certeza?– ele olha para ela que continua a olhar a foto, com uma ruguinha se formando na testa, ele sabe que ela se concentra. – Emília?

— Eu...Eu não sei– ela parece desanimada em falar isso, ele faz um afago no ombro dela.

— Tudo bem, mas deixa eu te apresentar– delicadamente ele a vira para o lado– Este é senhor Fontes, o detetive que lhe falei, Fontes essa é...

— Sra. Emília– Fontes completa sorrindo, claro que ele conhece a sua esposa Bernardo pensa.

— Claro que ele me conhece Bernardo. – ela estende a mão para o senhor. – Prazer em conhecer.

—Bom eu não sei em que situação a sua esposa lembra-se desse homem, mas eu me refiro a isso. – ele pega na pasta um papel, e alcança para Bernardo, que logo reconheceu o logo no topo da folha, Emília aponta.

— Ele trabalha para você, olha isso – ela mostra a ele a data de contratação, e mais abaixo quem o contratou.

—Malu o contratou, é claro. –Bernardo senta com as coisas que vem a cabeça, com todas as possibilidades que começam a surgir, ele olha novamente para foto que Emília ainda segura. – Mas é claro, ele era o segurança de Malu, agora me lembro dele junto a ela, nunca entendi de o porquê ela querer um segurança pessoal.

— Tudo fazia parte de um plano. –Emília diz.

—Emília não podemos nos precipitar e tirar conclusões. –Bernardo não quer admitir que ele mesmo pensou na mesma coisa, não quer der falsas esperanças para ela.– Pode ser só uma coincidência, eles podem nem se conhecer...

— Coincidência demais– ela pega a foto antiga, a foto nova, e o papel da contratação, aponta– Isso não é coincidência, Lia e Malu já aprontaram antes, está comprovado, um plano a mais das duas não me surpreende.

— Se for assim como diz, como Malu acaba morta nesta história?

— Talvez tenha sido uma falha, talvez ele– Emília aponta para o comparsa de Lia.

— Desculpe, mas acho que não– Bernardo e Emília olham para Fontes, por um momento enquanto faziam seus questionamentos eles se esqueceram do senhor ali parado– O nosso amigo aqui, mantinha um caso com a patroa– Ele pega outra folha na pasta alcança para Bernardo, que vê ali algumas trocas de mensagens, são poucas, mas é nítido um envolvimento entre as pessoas, ele reconhece o número de Malu, Fontes como quem lê a mente ele responde antes de ele perguntar– Esse número foi o que ele deu ao ser contratado, pode ver. – e de fato os números eram os mesmo.

— E o endereço?– Perguntou Emília.

—Bom o do contrato é falso, mas o da foto pertence à família dele.

— Vamos para lá– falou Emília.

— E vamos fazer o quê Emília? Ainda não há ligação entre eles e o seu caso.

— Sim eu sei, mas ainda sim Lia tem muito pelo o que pagar o sequestro de Miguel, o meu aborto, e tudo mais que esta descrito nos diários.