Emergency
23 Capíutlo 22 - Captura
Notas iniciais
Elena narrando:
– O que faremos agora? – perguntei no instante em que vi o fogo alastrando-se pela cozinha. Damon praticamente saltou em minha direção, segurando meu pulso com uma força praticamente sobrenatural, tirando-me dali.
– Vamos tentar a porta da frente. – disse ele, tentando abrir a porta da frente. Fiquei olhando para ele em expectativa, enquanto o via mexendo a maçaneta da porta de um lado para o outro e forçando a porta para que abrisse. Lágrimas vieram aos meus olhos quando a fumaça se alastrou por ali também.
Damon continuou esmurrando a porta, largando a minha mão para tentar arrombar a porta e nos tirar dali.
Os outros desceram as escadas tossindo desesperadamente.
– O cativeiro está pegando fogo! – gritou Rebekah, desesperada. Stefan segurava sua mão de forma protetora.
– Disso nós já sabemos. – Klaus disse, furioso. Claro que todos nós sabíamos que aquilo era obra de Katherine.
– Temos que tentar arrombar essa porcaria. – disse Damon, irritado e um pouco desesperado também. O suor já escorria pela sua nuca e eu comecei a tossir quando vi o fogo lamber uma das cortinas velhas do cativeiro.
– Não, temos que tentar apagar esse fogo. – retrucou Klaus, olhando para o fogo que se alastrava rapidamente com um olhar ferino, dirigindo-se a cozinha logo em seguida.
Caroline correu até mim e me abraçou apertado. Suas lágrimas de desespero molharam os meus ombros.
Klaus regressou com um balde de água, tentando apagar o fogo que agora já havia lambido a cortina e se alastrava pela parede porém, todos nós sabíamos que aquilo não seria o bastante. Caroline pôs uma mão em seu ombro e Klaus se virou para ela com a expressão desolada.
Damon parou de esmurrar a porta e se virou para mim, totalmente ofegante. Por um momento, ele me olhou como se fosse a última vez que nos veríamos e meu coração se apertou mais uma vez. Eu podia escutar o barulho do fogo queimando cada parte daquele cativeiro e a fumaça já me fazia tossir, mas por um momento, olhando diretamente para Damon, a única coisa que eu podia ouvir era o silêncio. E a única coisa que eu conseguia prestar atenção era em seus límpidos olhos azuis.
– Elena, vá para o seu quarto e só saia de lá quando eu mandar, entendeu? – As lágrimas escorreram pelos meus olhos, mas não era a ardência que me fazia chorar. Era a tristeza.
– Mas porque? – Questionei, sentindo meu lábio tremer.
– O fogo ainda não se alastrou por lá. – Damon segurou-me pelos ombros, olhando-me com uma seriedade que me surpreendeu. — Confie em mim, eu prometo que vou te salvar. Eu nunca vou te deixar, Elena. Eu prometo.
– O que você vai fazer?
– Bolar um plano com Klaus e Stefan. Aquela vadia não vai se dar bem, eu não vou deixar. – Assenti uma vez, abraçando-o apertado. Damon beijou o topo da minha cabeça e afagou a minha bochecha.
– Tome cuidado, por favor. – eu disse, sentindo a pressão de seus lábios sobre os meus. Segurei sua nuca, sem me importar com Klaus e com o que ele pensaria vendo aquilo. Eu o amava demais e sentir que Damon ainda estava ali, comigo, fazia com que o mau pressentimento que abrigava o meu peito diminuísse um pouco.
Me agarrei a ele, puxando-o pelo colarinho de sua jaqueta com toda a força que eu possuía, movendo meus lábios sobre os dele até que ficassem dormentes. Eu precisava me lembrar disso quando todo esse sofrimento acabasse.
Subi as escadas correndo e percebi que nem Caroline e Rebekah estavam por perto. Entrei em meu quarto no cativeiro e tentei abrir a janela, mas ela estava emperrada. Minhas mãos tremiam e eu me abaixei no chão do quarto, chorando quando vi o fogo queimando o colchão que muitas vezes já dormi.
Abracei meus joelhos, observando o fogo alastrando-se sorrateiramente pelos móveis. Tampei metade do meu rosto com os braços e fechei os olhos para não inalar aquela fumaça e me permiti pensar em todos os momentos que passei com o Damon. Desde a primeira vez que nos vimos naquele bar até alguns minutos atrás, quando nos amávamos na cozinha. Alguma coisa me dizia que eu iria ter que lutar para me lembrar de tudo aquilo de novo.
Caroline narrando:
– Klaus, não adianta, essa porta não vai abrir! – exclamei, descendo as escadas com cuidado e tentando me esquivar do fogo. Coloquei meu casaco na frente do rosto e parei há alguns metros de distância de Klaus.
– Saia daqui, Caroline. – Ele se virou, com o rosto totalmente suado. — Volte para o quarto! – Ordenou, enquanto tentava esmurrar a porta. Damon e Stefan tentavam arrombar a porta dos fundos, mas pelo que eu podia perceber, também era uma luta inútil.
– Não vou voltar. – eu disse, decidida. No entanto, eu mal acabei de falar e ouvi um barulho de algo se desprendendo e o olhar desesperado de Klaus recaiu sobre mim. Em um minuto, eu estava parada em sua frente e no outro, eu era arremessada ao chão pelo próprio Klaus, no exato momento em que um pedaço enorme de madeira repleta de fogo caiu, bem em cima de seu tornozelo, o lugar onde eu estava há apenas alguns segundos atrás.
Ele soltou um urro de dor e jogou a madeira para o lado. Eu corri para acudi-lo, apagando o fogo que tomava conta de sua perna com meu próprio casaco. Nos olhamos por meio segundo quando terminei de apagar o fogo e sem nem pensar direito, eu o beijei mais uma vez.
Klaus segurou minha nuca fortemente, me puxando para mais perto de si. Encostei meu peito em sua camiseta fina e pude sentir o quanto seu coração batia rápido naquele momento. Talvez fosse efeito do susto ou talvez alguma outra coisa, mas eu não quis me importar com aquilo. Não naquele momento.
Nos separamos minimamente, mas seus olhos, bem fixos em mim, demonstravam completa emoção.
Klaus havia acabado de me salvar.
O barulho das sirenes lá fora soou e eu o olhei alarmada. Podia ser os bombeiros e a polícia.
– Klaus, temos que dar um jeito de sair daqui e... – eu comecei a falar, mas Klaus pôs um dedo em meus lábios, calando-me.
– Não, eu sei o que devo fazer. – disse Klaus, quando ouviu a porta da frente batendo. Alguém estava tentando arromba-la. – Os bombeiros vão tirar vocês daqui e você será livre, Caroline. A polícia está com eles e você poderá voltar para a sua vida e para a sua família. – Eu esperei demais por aquele momento. Mas, porque eu não conseguia me sentir feliz e tinha tanta vontade de chorar?
– Eu amo você, Klaus. – Uma lágrima escorreu do meu olho. — Não posso te deixar.
– É o certo a se fazer. – disse ele, convicto. — Eu vou me entregar.
– O... o que?
– Está na hora de começar a pagar pelos crimes que cometi. Você me fez ser uma pessoa melhor e eu sou totalmente grato por isso. Eu amo você, Caroline. Mas se algum dia quiser ficar com você do jeito que eu sonho, terei que pagar a consequência dos meus atos primeiro. – E então, ele me puxou para outro beijo, um mais urgente, intenso e mais quente do que todo aquele fogo que se espalhava em volta de nós.
Klaus se levantou cambaleando um pouco, ouvindo o barulho que a multidão que provavelmente se concentrava lá fora emitia e sorriu. Eu sorri também, mesmo sentindo uma dor estranha dentro do meu peito.
Ele estava fazendo a coisa certa. Estava fazendo a coisa certa por mim.
Elena narrando:
A fumaça preenchia o cativeiro como uma massa nebulosa diante dos meus olhos. Eu não sabia o que fazer, eu estava desesperada. A única coisa que eu pensava, era em sair daqui mas considerando as circunstâncias em que eu me encontrava, eu sabia que não podia me salvar sozinha.
Damon havia me prometido que me tiraria dali mas eu já estava perdendo as esperanças. E se ele tivesse desistido de mim? O meu maior erro foi ter me apaixonado pelo meu sequestrador e imagino que a mesma coisa deve estar se passando pela cabeça dele neste exato momento. Ele não queria ter se envolvido comigo. Antes de me conhecer, ele era mau, sádico e cruel. Acredito que ele gostaria de continuar como estava antes de me conhecer, mas não foi bem isso que aconteceu.
Eu me encontrava em um canto do pequeno quarto mofado, apenas observando o fogo alastrando-se pelo local e destruindo tudo. Eu tentava não inalar muita fumaça, mas confesso que já estava começando a ficar entorpecida. Tirei o casaco que eu vestia do corpo e o coloquei em meu rosto. Preparava-me para me levantar quando vi a porta se abrir, e Damon Salvatore entrar por ela no mesmo instante.
Tinha um pedaço de madeira no meio do quarto repleta de fogo, atrapalhando o caminho e vi um filete de desespero passar pelos olhos azuis de Damon. Levantei-me no mesmo instante, sabendo que meu fim estava próximo.
– Salve-se enquanto pode Damon. Me deixe aqui. Fuja! — Gritei enquanto sentia as lágrimas molharem minhas bochechas.
– Nunca! Eu prometi a você que não deixaria mais que nenhum mal te acontecesse. Eu vou te tirar daí. — Ao longe eu podia ouvir o barulho das sirenes. Era os bombeiros e também a polícia, tinha certeza disso. — Não vou sair daqui. Não sem você. — Meu coração bateu mais forte com a afirmação dele.
– Eu amo você. — Murmurei, sabendo que ele havia entendido.
Eu acabei ficando tonta. No meio de todo aquele fogo e fumaça, eu já estava sentindo as vertigens me atingirem e uma leve sensação de sufocamento. Damon notou a mudança do meu estado e ficou procurando um lugar que não estivesse pegando tanto fogo para passar e me tirar dali.
Minhas pernas ficaram bambas e meu corpo, mole.
– Elena, aguente firme eu vou te tirar daí ok? Lembre-se da minha promessa. Eu sempre vou estar com você, mesmo que você não me veja ou mesmo que você não me sinta. Não se esqueça disso. — Pude ouvir Damon falar ao fundo, mas quanto mais eu tentava me concentrar, mais o meu corpo ficava mole.
Soltei o casaco que eu segurava contra o meu rosto e senti meu corpo desfalecer, caindo no chão segundos depois. Uma forte dor na cabeça me atingiu e minhas pálpebras pesaram. As últimas palavras de Damon ainda ecoavam em minha cabeça antes que eu me entregasse a inconsciência.
De uma coisa eu tinha certeza: Se eu acordasse, minha vida nunca mais seria a mesma.
Stefan narrando:
A porta da frente finalmente foi aberta e eu vi Klaus passar por ela, tossindo, com as mãos para cima. Eu e Rebekah saímos também, ambos de mãos dadas e os policiais logo interceptaram a nossa saída, nos revistando e nos segurando para que não fugíssemos. Rebekah chorava baixinho, também tossindo horrores.
– Deixem-nos, eles são inocentes. – disse Klaus, quando um dos policiais o jogou com força em cima do capô da viatura. Eu e Rebekah nos entreolhamos, surpresos. – Eles eram meus reféns, eu os obriguei a entrar para a quadrilha. Por favor, soltem eles. São inocentes. – Os policiais que nos seguravam nos soltaram e um dos bombeiros que não tentava apagar o fogo veio em nossa direção, nos levando para uma ambulância.
Rebekah segurava minha mão com força e chorava baixinho a medida que via como Klaus era maltratado pelos policiais.
Os bombeiros colocaram as mãos em nossas costas para nos amparar e nos colocaram sentados na ambulância.
Klaus realmente havia mudado.
No meio da multidão de bombeiros e policiais, pude ver uma grande corda de isolamento ser colocada quando um bando de curiosos se aproximou junto com a imprensa e a mãe de Caroline e os pais de Elena.
Caroline foi a próxima a sair do cativeiro e foi correndo ao encontro da mãe. As duas se abraçaram e choraram. Eu mesmo senti vontade de chorar quando vi aquela cena. Afinal, eu era um orfão.
– Será que meu irmão ficará bem? – perguntou Rebekah, vendo que os policiais o algemavam. Em nenhum momento seu olhar se desviou do de Caroline.
– Tenho certeza de que sim, meu amor. – eu disse, beijando sua testa.
Damon narrando:
Desci as escadas correndo com Elena em meu colo. Eu sabia que tinha que me entregar, que devia entregá-la também. Aos seus pais, a seus amigos e à sua vida que em nenhum momento eu tive o direito de arrancá-la.
O fogo ainda se espalhava, mas nada seria capaz de aplacar a vontade que eu sentia de salvá-la. Um dos bombeiros entrou na casa e gritou assim que me viu, tirando Elena do meu colo a força. Um policial entrou na casa e me golpeou fortemente na cabeça, me fazendo cair no chão.
Ver Elena sendo levada pelo bombeiro fez com que uma sensação horrível se apossasse do meu ser.
Eu nunca mais a veria.
Deixei que o policial me algemasse e me levasse para fora. Vi os rostos aflitos dos seus pais e de uma de suas amigas quando Elena apareceu desacordada no colo do bombeiro. Os jornalistas presentes relatavam o ocorrido, alternando as câmeras do meu rosto, para Elena, Klaus, Caroline e todos os que estavam dentro do cativeiro.
Em nenhum momento eu abaixei a cabeça, entrando na viatura junto com Klaus de cabeça erguida, mas com o coração doendo dentro do peito.
Elena narrando:
Minha cabeça doía e meu peito ardia tanto que eu pensei que tivesse ido para a balada junto com Caroline e Bonnie na noite passada e bebido aquela vodka barata que compramos uma vez para Tyler. Mas assim que abri os olhos, me deparei com um quarto que não era o meu e com uma camisola que realmente não era a minha.
Meus pais vieram ao meu encontro e me abraçaram assim que me viram e eu não entendi porque eles pareciam tão desesperados.
– O que aconteceu? Porque eu estou usando essa camisola esquisita? – perguntei, me sentindo estranha ao ver que papai estava tão receptivo.
– Querida... Você não se lembra? – Mamãe me olhou preocupada e pela primeira vez eu olhei ao meu redor. Eu estava num hospital.
Franzi o cenho. Será que as minhas peripécias na balada com as meninas havia feito com que eu parasse no hospital? Mas se era mesmo isso, porque meus pais estavam com os olhos cheios d’água e não soltando fogo pelas ventas?
Por um momento, um par de olhos azuis junto com uma quantidade enorme de fogo preencheu a minha cabeça, mas a lembrança doía tanto que eu tive que fechar os olhos para ver se aquela sensação estranha — e ao mesmo tempo adorável — passava. O que eu não entendi foi o porquê do meu coração estar batendo descontroladamente no meu peito quando aqueles olhos me vieram à mente.
– O que aconteceu comigo? – perguntei, me sentindo agoniada de repente. Os olhos azuis já não me incomodavam mais, mas a sensação de que eu devia encontrar o dono daqueles olhos fez com que meu coração doesse.
– Você foi sequestrada, Elena.
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