Emergency
8 Capítulo 7 - Brigas, Mudança e Descobertas
Notas iniciais
Caroline narrando:
— Ele se chama Niklaus Mikaelson, eu acho. — Comprimi os lábios, jogando alguns cartazes amarelos em cima da mesa de centro de qualquer jeito.
— Você acha? — Matt fez a pergunta de uma forma muito debochada e que me irritou bastante.
— Eu tenho quase certeza ok? — Eu revirei os olhos, me sentando no sofá da casa de Matt de qualquer jeito.
— Tem certeza que esse isqueiro que estava na rua no dia em que a Elena foi sequestrada é dele? Quero dizer, vocês só se viram uma vez. Não é possível que você seja uma boa fisionomista. — Tyler se pronunciou, olhando para mim ou olhando para a mesa, talvez. Ele não tirava aqueles óculos escuros.
Depois do reencontro catastrófico que eu tivera com o Klaus, mandei uma SMS para os meus amigos e pedi para nos encontrarmos na casa de Matt, que era a mais próxima de todas. Nós estavámos colando cartazes nas ruas, separados. John disse que essa era uma ótima idéia, visto que ele estava transtornado e não sabia mais o que fazer. Então, assim que todos nós nos encontramos aqui, comecei a contar o que aconteceu desde o supermercado até hoje.
— Na verdade... ele era bem bonito. Eu me esqueci dele temporariamente e não liguei os pontos quando encontrei o isqueiro mas quando nos encontramos eu o reconheci. — Levantei o olhar por um momento, lembrando-me do esbarrão.
— Não me diga que está apaixonada? — Bonnie deu uma risadinha quando fez a pergunta e os outros a acompanharam.
— Mas é claro que não! Vocês são tão idiotas... — Bufei, impaciente.
— A questão é que você terá que fingir que está apaixonada por ele, Sweet. — Olhei embasbacada para Tyler, principalmente depois de proferir o apelido que o Klaus vivia repetindo para mim.
— O QUE? Ficou louco? — Me levantei num salto, encarando Tyler de boca aberta e olhos arregalados.
— Carol, você tem que fingir que está interessada nele. Talvez ele se abra com você. — Bonnie disse.
— Nem sonhando! Você acha mesmo que ele vai me contar alguma coisa sabendo que eu sou a melhor amiga da Elena? Acha? Ele não seria tão burro! — Levei as mãos aos cabelos, totalmente desesperada e aflita.
— Ele sabe que você é amiga dela né... Até te viu com os panfletos na mão... — Matt ponderou, pensando em alguma saída.
— DROGA! — Tyler socou a mesa de centro, nos dando um susto. — Eu devia tê-la levado em casa, sabia o que eles estavam tramando e falhei.
— O que disse? — Matt perguntou, levando a mão a orelha para se certificar de que tinha mesmo ouvido aquilo.
— Eu? Não disse nada. — Tyler respondeu, visivelmente alterado.
— Disse sim! Você disse que sabia o que eles estavam tramando. — O confrontei. Eu sabia que tinha algo estranho em Tyler.
— Como você explica isso, Tyler? — Bonnie perguntou, se levantando rapidamente.
— Tem uma explicação... é que... — Tyler tentou falar mas parou. O silêncio reinou apenas por alguns segundos antes que eu o quebrasse:
— Que... — O incentivei a continuar.
— Eu sou um agente do FBI disfarçado. — Me certifiquei que o sofá estava atrás de mim, antes de me jogar pra trás, embasbacada com o que eu ouvira.
Elena narrando:
Uma correria sem fim. Era assim que eu definia o lugar onde eu estávamos naquele momento. Pelo que eu pude ouvir atrás da porta do "meu" quarto, parece que teremos que fugir novamente só que agora, ficaremos espalhados e provavelmente teremos que sair da cidade. Me levariam para algum lugar desconhecido e eu estava mais do que apavorada.
E se eles decidissem me matar?
Tentei prender as lágrimas, falando mentalmente que eu era forte e que conseguiria sair dessa viva mas eu já não tinha tanta certeza. Klaus me odiava sem eu ter feito absolutamente nada e minha irmã monstro pensava como ele.
Damon era até legal algumas vezes, mas eu tenho certeza de que ele me mataria sem pestanejar.
Esse pensamento fez as lágrimas que se acumularam em meus olhos jorrarem livremente pelas minhas bochechas.
Quando eu achava que a minha vida não podia piorar, ela acabava piorando mesmo! Era incrível o meu azar.
Eu só não queria morrer... queria que eles tivessem compaixão de mim e me devolvessem a minha família. Eu nunca quis tanto abraçar a minha mãe e perdoá-la por ter escondido tantas coisas de mim. Nunca senti tanta falta do meu pai, que mesmo carrancudo, nunca me deixou faltar nada. No fundo, eu sabia que ele se importava comigo. Se não, ele não estaria por aí me procurando.
— Elena, desculpe o meu sumiço. — Rebekah entrou sorrateiramente no quarto e eu sequei minhas lágrimas rapidamente. — Presumo que já tenha ouvido que vamos fugir de novo... — A loira se sentou na "minha" cama, olhando-me preocupada.
— Eu estou com medo. — Confessei baixinho, escondendo meu rosto com meu cabelo que estava banhado em lágrimas.
— Queria poder lhe confortar de alguma forma, mas sei que tudo o que eu disser não vai adiantar. Se eu não tivesse tanto medo do meu irmão, do Damon e da Katherine, eu tiraria você daqui, te ajudaria a fugir mas... eu não posso! Klaus me mataria se descobrisse. — Assenti, vendo que Rebekah me olhava quase desesperada.
— Eu entendo o seu lado, Rebekah. De verdade, obrigada por se preocupar comigo. — Dei um fraco sorriso que ela retribuiu com um lindo sorrisão.
— É estranho mas eu me sinto bem quando falo com você. Parece que temos alguma ligação, como se você fosse minha irmã, mesmo sabendo que é impossível... é como se fôssemos algum tipo de irmãs adotivas. É idiota, eu sei. — Ela riu envergonhada, abaixando a cabeça e balançando as pernas.
— Não é idiota, eu também sinto isso em você. Sinto que posso confiar em você, como se fosse uma amiga, uma irmã. — Nós duas sorrimos cúmplices.
Desde que vi Rebekah pela primeira vez, eu pude sentir que ela era uma boa pessoa e mais do que isso, agora eu via nela uma irmã que não tive. A bondade que não tinha em Katherine, havia nela e bom, se minha irmã biológica estava mesmo querendo agir como um monstro, eu havia ganhado uma irmã que parecia valer muito mais do que a de sangue.
— Podemos ser irmãs adotivas, o que acha? — Ela sugeriu, com um brilho nos olhos.
— Acho perfeito! — Nós duas sorrimos mais uma vez, antes de nos abraçarmos e ouvimos vozes alteradas no andar de baixo.
— Katherine está discutindo com os meninos. — Rebekah bufou. — Elena, vou lhe contar uma coisa, mas preciso que finja que você não sabe de nada. — Minha nova irmã ficou séria de repente.
— Eu não sei de nada. — Nós rimos com o que eu disse.
— Damon é quem irá levar você pro novo esconderijo. Ele ficará com você por tempo indeterminado até Klaus arranjar um jeito de nos juntar de novo e concretizar seu plano que apenas Damon e Katherine sabem qual é. — Meu coração acelerou mais do que os carros alegóricos que existem no Rio de Janeiro na época de carnaval.
— O que?!? O... Da... Damon? — Não sei se a minha reação assustada foi por medo ou... outra coisa.
Outra coisa desconhecida.
— Isso, mas não se preocupe. Ele não está autorizado a lhe bater sem motivos. Fique tranquila. Sei que é difícil, mas as vezes Damon não é tão mau quanto aparenta ser. Só tome cuidado e não o irrite tudo bem? — Assenti com a cabeça. — E lembre-se, você não sabe de nada. — A loira se levantou e eu me levantei junto com ela quando ouvi as vozes ficando mais alteradas.
— Pode deixar. — Respondi.
— Vou lá pra baixo, a coisa tá feia. A bruxa deve estar com TPM. — Dei outra risada, me sentindo mais leve de repente.
— Vai lá. Obrigada por tudo. — Nos abraçamos apertado.
— Nos veremos em breve. Se houver alguma alteração no plano deles, dou um jeito de vir lhe contar. — Queria muito que Rebekah viesse comigo e Damon. Ela com certeza sabe lidar com ele.
— Ok. — Nos separamos do abraço.
— Tchau! — Ela sorriu.
— Tchau. — Eu sorri de volta, vendo a loira sair do quarto e fechar a porta.
Por mais triste que eu possa estar, não podia deixar de notar o sorriso de canto involuntário que se formava em meu rosto.
Eu tinha uma irmã adotiva e ela não era um monstro!
Rebekah narrando:
Desci as escadas e cheguei na sala com uma vontade tremenda de rir quando vi Katherine empoleirada no pescoço de Damon, tentando enforcá-lo. Ela estava descontrolada.
Cheguei perto de Stefan que olhava a cena inexpressivo e lhe perguntei:
— O que aconteceu?
— Katherine não quer que Damon vá com a Elena sozinho pra outra cidade, mas ele vai de qualquer jeito e ela não entende isso. — Stefan disse, mal-humorado. — Klaus está furioso, olhe só. — Ele apontou com a cabeça na direção dele, que parecia que iria quebrar o pescoço da vadia a qualquer momento.
— Estou vendo a hora que ele vai bater na Katherine. Eu iria adorar presenciar isso. — Dei um sorriso maravilhado.
— Chega, Katherine! Ele vai com a garota e ponto final. EU MANDO AQUI! — Klaus aumentou o tom de voz no fim da frase e Katherine lhe mandou um olhar furioso.
— Eu também faço parte desta droga de quadrilha, Niklaus! — Ela vociferou, largando Damon, que estava se controlando tanto quanto meu irmão para não desferir um golpe na safada.
Não se controlem! Batam na vadia a vontade, eu deixo! Nem me importo de ajudar ao invés de ficar só assistindo.
— Não faça com que eu me arrependa disso e te tire dela! — Irritado, meu irmão se aproximou mais dela.
— AAARGH! — Ela gritou e antes que eu me desse conta, Katherine estava no chão, com o rosto ensanguentado.
Damon tinha assumido a frente e batido na vadia.
— ISSO DAMON! — Gritei empolgada, me sentindo uma cheerleader em um jogo de futebol.
Todos se voltaram para mim, carrancudos. Mas percebi que Damon estava segurando a risada.
O que havia com ele?
— Não se meta nisso, loira burra! — Katherine se levantou e caminhou em minha direção com o rosto sangrando.
— Eu me meto onde eu quiser, sua safada de meia tigela! — Me aproximei dela também, tentando deixá-la intimidada.
— Eu já estou cansada de você, sua inutil! — Fechei minhas mãos em punho. Odiava quando me chamavam assim.
— E eu de você, sua fracassada! Ninguém nunca vai te amar de verdade, porque você é como uma fruta podre. Totalmente estragada. Por dentro e por fora. — A feição de Katherine mudou quando eu disse aquilo. Eu havia despertado a fera.
Antes que eu pudesse assimilar melhor as coisas, senti a mão de Katherine vindo em direção ao meu rosto mas eu a peguei antes que o atingisse. Lhe dei uma joelhada no estômago e ela se curvou, sem ar. Aproveitei que estava indefesa e lhe um soco no rosto e ela urrou de dor, caindo no chão. Me senti a melhor.
— Briga de mulheres, nem queria! — Ouvi a voz de Damon falar e logo após Klaus fez um som de reprovação com a boca.
Katherine me pegou desprevenida e me deu uma rasteira. Caí desajeitadamente no chão.
— Assim você me decepciona, Barbie! Tô torcendo por você. — Tive vontade de rir com o que Damon dissera.
— Quer parar com isso, Damon? — Klaus gritou.
Katherine veio pra cima de mim e deu um tapa no meu rosto que o deixou ardido. Lhe dei uma outra joelhada em sua barriga e ela ficou novamente sem ar. Lhe dei mais dois socos antes de sentir Klaus me tirando de cima dela e Stefan tentando segurar Katherine.
Damon apenas ria.
— A BARBIE VENCEU! Tenho que confessar que a loirinha me surpreendeu. Nem sabia que era boa de briga! — Eu ri com o que Damon dissera.
— Cala a boca, Damon! — Klaus vociferou irritado. — Stefan, cuide de Katherine. Vou manter essas duas longe uma da outra quando partirmos. — O irmão de Damon assentiu, levando uma Katherine irritada e que gritava vários xingamentos a minha pessoa para longe.
Klaus me soltou na mesma hora e esboçou um sorriso satisfeito pela briga. Certamente ele me achava uma inutil, mas consegui provar o contrário.
Sorri, satisfeita, deliciando-me com a vitória.
Finalmente eu tinha conseguido colocar aquela vadia em seu lugar.
Caroline narrando:
— Isso... isso é mesmo sério, Tyler? — Perguntei, atônita. Eu ainda não tinha me recuperado totalmente, estava chocada.
— Não, é a pegadinha do Malandro! Claro que é sério! Eu fui enviado para protegê-la, mas falhei. O FBI em peso contava comigo nessa operação. Na verdade, eles ainda contam comigo mas eu falhei na primeira missão. Se ela morrer, eles nunca mais me deixarão sair em uma nova missão. — Tyler suspirou, frustrado e eu senti medo pela minha amiga.
Ela deve estar sofrendo muito.
— Porque você não contou isso antes? — Bonnie perguntara.
— Porque ele não podia, né anta! — Matt disse de forma idiota.
— O FBI está investigando o caso. Eles sabiam que uma quadrilha estava planejando raptar Elena, só ainda não sabem qual quadrilha é. — O moreno tirou os óculos escuros que usava. Finalmente!
— O caso é bem grave... tadinha da minha amiga... — Eu disse e todos suspiraram em concordância.
— Mas eu não vou desistir e não descansarei enquanto não encontrá-la. — Tyler se levantou, determinado. Eu e meus amigos nos levantamos também. Eu me sentia pronta para enfrentar tudo o que viesse, em defesa da minha melhor amiga.
— Estamos todos com você, Tyler. — Foi Bonnie que respondeu por todos nós, com um olhar determinado.
Elena narrando:
— Loving him is like driving a new Maserati down a dead end street faster than the wind, passionate as sin. Ending so suddenly. Loving him is like trying to change your mind. Once you're already flying through the free fall. Like the colors in autumn, so bright, just before they lose it all.— Estava cantarolando uma música bem baixinho, enquanto ouvia a confusão que tinha se desenrolado se acalmar no andar de baixo.
Katherine estava uma fera.
Levei um susto quando um Damon esbaforido e elegante entrou no quarto e parei com a minha cantoria na hora.
— Cantar dentro de um lugar onde está cheio de sequestradores deve animar você. — Corei absurdamente ao ver que Damon tinha me ouvido cantar.
— Não muito, mas eu estou tentando. — Dei uma risada baixa. Incrível como hoje eu estava rindo à toa e isso era meio esquisito, tendo em vista a minha atual situação.
— Pelo menos você tem a voz bonita. — Eu sorri com o elogio e ele sorriu de volta. — Vem, nós vamos pegar a estrada novamente. — Me levantei da cama.
— Aonde nós vamos? — Ele me mandou um olhar censurado.
— Não faça perguntas idiotas. — Suspirei, lhe seguindo enquanto saíamos da casa.
Olhei ao redor, sem conhecer o lugar. Parecia que estávamos no meio do nada e era tudo muito sombrio. De repente, toda a repentina alegria que eu estava sentindo, evaporou.
Entrei no carro, dessa vez ao lado do motorista. Os vidros do carro eram fumê e as portas estavam devidamente trancadas.
— Não tente nenhuma gracinha. — Damon disse sério e ameaçador quando viu meu olhar que se direcionava para a porta. Eu apenas assenti.
Damon deu a partida no carro e logo, estávamos longe daquele lugar fantasmagórico. Eu só torcia para que o outro lugar que iríamos ficar não fosse tão assustador quanto esse.
Ficar sozinha com Damon era algo que me preocupava. Por mais que eu quisesse ajudá-lo, não sabia lidar com ele. Tinha medo de deixá-lo irritado e por tudo a perder.
Depois de um tempo de viagem, Damon bufou.
— Droga! — Ele parou o carro no acostamento e olhou para mim.
— Não saia daqui, por nada nesse mundo. Ouviu bem? — Damon tinha um olhar incisivo e perfurador. Eu respondi um sim meio estranho e ele saiu do carro.
Pude vê-lo atravessar a rua e ir em direção ao posto de gasolina.
Eu poderia muito bem fugir naquele momento.
Coloquei a mão na maçaneta da porta, receosa. O que eu faria?
Se eu conseguisse fugir com sucesso, não poderia ajudar Damon. Mas se eu ficar, posso morrer também. Fiquei observando a porta por alguns minutos antes de tomar a minha decisão.
Sem pensar mais, abri a porta e a fechei, me agaixando próxima a frente do carro. De onde eu estava, podia ver Damon falando com um funcionário do posto de gasolina.
Uma voz em minha mente apitou:
Corra!
E eu corri, como se a minha vida dependesse de mim e de todo o empenho que eu fazia. Tropecei em algumas pedras, mas continuei correndo. A cidade estava pouco movimentada aquela hora da noite e o único estabelecimento aberto era o posto de gasolina.
Por um momento, me senti dentro de um filme de ação. Só que a minha vida estava longe de ser um filme. Nos filmes nós podemos mudar o final dos personagens e em nossas vidas, não.
Era isso o que mais me frustrava naquele momento. Eu queria poder mudar a minha vida, ou pelo menos uma parte dela pelo menos um pouquinho.
Passei rapidamente pelo posto, que estava do outro lado da rua, torcendo para que Damon não me visse, me enfiando no meio de alguns mendigos, que me olharam curiosos.
Ao ver que eu já estava longe do posto, resolvi atravessar a rua, mas vi a luz de um farol em meu rosto e paralisei ao ver um carro buzinando feito louco em minha direção. Meu coração acelerou e eu esperei que a morte viesse, rápida e cortante. Fechei os olhos, sentindo uma mão em meu braço que fez os pelos de minha nuca se arrepiarem quando me puxou para trás.
Caímos sentados.
Nem deu tempo de me situar e Damon já saiu me puxando pelo braço de volta pro carro sem nenhuma delicadeza.
Me colocou de qualquer jeito dentro do carro e entrou no mesmo rapidamente, arrancando com o veículo logo em seguida.
— VOCÊ FICOU MALUCA? — Ele gritou, apertando o volante com força.
— Eu... me desculpe eu... — Gaguejei, me sentindo uma idiota.
— Você quase morreu, sua estupida! — Ele estava mesmo preocupado com o fato de que eu quase fui atropelada?
— Eu vou morrer de qualquer jeito! Adiantar mais o processo não vai fazer nenhuma diferença. — Bufamos juntos.
— Você é mesmo uma louca... não sabe obedecer! — Ele me lançou um olhar rápido e muito irritado.
— Se estivesse na minha situação você ficaria dentro do carro? — Arqueei uma sombrancelha de forma sarcástica.
— Não, mas eu deveria te dar uma surra! — Estremeci com sua frase.
— Eu não quero mais viver assim... não aguento mais isso! — Comecei a chorar compulsivamente na frente do meu sequestrador.
Eu odiava a minha vida, odiava!
Odiava o Damon por ter salvo a minha vida, odiava estar ali, odiava estar chorando em sua frente!
— Como tem tanta certeza de que vai morrer? — Ele perguntou, depois de ter dado um suspiro.
— Eu sinto isso. É o que vocês devem estar tramando. — Respondi ainda chorosa.
O carro começou a diminuir a velocidade, entrando em uma estrada de terra. Engoli em seco. Depois de mais alguns minutos, ele parou o carro em frente a uma casa muito bonita. Nem se comparava com os dois últimos cativeiros que eu estive, mas mantive essa observação somente para mim.
Descemos do carro ao mesmo tempo.
— Não tente adivinhar o que estamos tramando. — Ele disse, enfiando a chave na fechadura e abrindo a porta da casa.
Era toda verde por fora e por dentro, era linda, aconchegante e agradável. Nem parecia que fora construída no meio do nada.
— Não tente puxar assunto comigo. — Guinchei.
— Não estou puxando assunto nenhum, idiota! — Mesmo sem querer, eu consegui irritá-lo.
— Não me chame de idiota! — Gritei, cansada de tudo aquilo.
Damon veio em minha direção enfurecido e levantou a mão para me bater. Me encolhi e fechei os olhos, exatamente igual quando vi a luz do farol do carro que quase me atropelou. Mas o tapa não veio. Damon abaixou a mão e eu o olhei, meio amedrontada. Quando percebi, tínhamos nos aproximado demais um do outro.
— Então não me deixe irritado. — Ele sussurrou.
Senti seu hálito quente batendo no meu rosto e me senti mole, abobada e trêmula, como nunca tinha me sentindo antes.
O que eu estava sentindo?
Subitamente, Damon pegou em minha mão, me surpreendendo. Ele percebeu que eu tremia. Nossos olhares se encontraram. Ele estava sério e eu, com certeza, ainda tinha lágrimas nos olhos.
Quando visto de perto, seus olhos azuis eram mais encantadores ainda. Parecia um oceano profundo, leve, onde eu tinha vontade de mergulhar.
— Eu... é... — Eu não conseguia dizer uma frase coerente! Que ódio de mim!
— Espero que me obedeça de agora em diante, Gilbert. — Ele se afastou, rindo de um jeito que me deixou extremamente constrangida.
O que foi aquela reação explosiva do Damon em relação ao meu quase atropelamento? Ele realmente estava preocupado comigo?
Droga, odiava me sentir esquisita daquela forma.
Queria poder ouvir os pensamentos das pessoas, mas tinha quase certeza de que mesmo que eu tivesse esse dom, não conseguiria ler os pensamentos de Damon Salvatore. Sua mente deve ser um caos, embaralhada e confusa, como uma guerra interna e insana.
Será que eu estava me apaixonando? Pelo meu sequestrador?
Minha cabeça estava um caos. Meus pensamentos rodopiavam, me deixando tonta.
Sacudi minha cabeça, querendo bloquear todos os pensamentos acusatórios, com medo de que algum deles dissesse o que eu estava com medo de ouvir:
Que eu estava apaixonada por Damon Salvatore.
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