Emergency
3 Capítulo 2 - Amanhã
Notas iniciais
Esse capítulo ainda é paradinho, mas eu gostei de escrevê-lo.
Boa leitura
A cama estava levemente desarrumada enquanto meu corpo pequeno e frágil, estava encolhido. Meu rosto, estava escondido debaixo dos lençóis de seda caríssimos que meu pai me dera de natal. Eu chorava copiosamente desde ontem a noite e não tinha coragem de colocar minha cabeça para fora dos lençóis para ver se já havia clareado.
Lembrava-me perfeitamente do que acontecera ontem a noite, assim que cheguei em casa. Sim, eu fiquei o dia inteiro vagando pelas ruas movimentadas de Nova York, tentando fugir de todos os segredos que rodeavam a mim e a minha família.
Lembro-me também de como meu pai me recebeu, com uma fúria inigualável naqueles olhos frios e indiferentes.
- Onde você estava, Elena? — Meu pai estava na sala com o celular pregado na orelha e minha mãe permanecia ao seu lado, tentando acalmá-lo. Assim que me viu, desligou o celular e veio em minha direção a passos firmes, parecidos com os de um soldado.
- Fui... andar por aí. — Falei, demonstrando indiferença.
- E porque não ligou avisando? Esta cidade é perigosa e você sabe muito bem disso! — Esbravejou.
- Até parece que você se preocupa comigo, John! — Disse aquilo com toda a ousadia que me permiti.
- O que está dizendo? — Ele e minha mãe olhavam-me espantados.
- Isso mesmo que você ouviu! Você não está nem aí para mim, só se importa com sua empresa e o dinheiro que lucra com ela. — John me lançou um olhar cheio de fúria.
- Mais respeito comigo, eu sou seu pai! — Ele levantou um dedo, como se com esse gesto, eu fosse respeitá-lo.
- Você deixou de ser meu pai no dia em que me proibiu de chamá-lo assim. — Eu queria gritar para eles que tinha descoberto seu segredinho sujo, mas achei melhor fingir não saber de nada.
- VÁ PARA O SEU QUARTO AGORA! — Gritou.
- Eu vou mesmo! Cansei de olhar pro rosto de vocês e enxergar tanta mentira. — Minha mãe me olhou com tristeza e passei por eles correndo, indo para o meu quarto.
- Elena, espere, Elena! — Chamou minha mãe.
- Deixe-a ir, Isobel. Ela está muito malcriada ultimamente.
- Pude ouvir meu pai dizer isso antes de me trancar no quarto e começar a chorar.
Eu me sentia fraca e indefesa. Minha maior vontade era ligar para Caroline ou para Bonnie, mas eu não queria incomodá-las. Até porque, sempre demonstrei ser feliz por mais que estivesse morrendo por dentro. Elas falariam que eu sou a maior mentirosa que já conheceram e nunca mais iriam querer falar comigo. De bandeja, Matt e Tyler também ficariam decepcionados comigo, por eu ter mentido o tempo todo para eles e eu me sentiria pior do que já estava, levando em conta de que nada no mundo poderia me dilacerar mais do que o Matt parar de falar comigo, porque eu estava apaixonada por ele.
I think we have an emergency...
O despertador começou a tocar uma das minhas músicas preferidas e percebi com muito desgosto que eu não tinha dormido nada. Levantei relutante da cama, olhando meu reflexo no espelho. Meu rosto estava inchado e meus olhos, vermelhos de tanto chorar. Suspirei cansada e fui para o banheiro parecendo uma morta-viva.
Tomei um banho relaxante e vi que meu rosto tinha melhorado mas as olheiras continuavam ali. Coloquei uma roupa confortável, peguei minha mochila e desci as escadas sem falar com ninguém.
(...)
Cheguei na escola com a sensação de que eu estava sendo seguida, mas meu estado emocional não era dos melhores então, resolvi ignorar aquela sensação, por mais inquietante que fosse.
Avistei meus amigos conversando no pátio do colégio. Eles riam animados de algo que o Matt dizia enquanto Tyler permanecia quieto. Ele era o mais calado de todos. No começo, eu pensava que ele era tímido mas com o tempo eu percebi, que ele é mais fechado e misterioso do que meu próprio pai. Estava sempre usando preto e óculos escuros e quase nunca falava sobre sua família e coisas do tipo. Nós respeitávamos isso, mas particularmente eu achava exagero tanto sigilo, para não dizer suspeito demais. Apesar de tudo, ele era um cara legal, estava sempre disposto a me ajudar e era por isso que eu o considerava o meu melhor amigo.
Me aproximei deles vagarosamente, tentando fazer minhas expressões faciais falsas de felicidade mas vi que fracassei quando eles olharam em minha direção, preocupados.
- Hey... o que houve? — Perguntou Bonnie quando me aproximei.
- Nada... não houve nada. — Se a minha voz não tivesse ficado embargada, eu teria mentido melhor.
- Tem certeza? — Perguntaram Matt e Caroline ao mesmo tempo e eu apenas consegui assentir com a cabeça.
- Não precisa ser forte o tempo todo. — Tyler se pronunciou pela primeira vez.
- Muito menos perfeita. — Acrescentou Caroline.
Olhei para todos eles, refletindo por alguns minutos em suas palavras mas a verdade é que eu era uma covarde e por ser uma covarde, eu saí correndo aos prantos, tentando me distanciar de tudo, principalmente da dor e dos olhares de pena que provavelmente meus amigos direcionavam a mim.
Senti uma mão em meu ombro e me virei, encontrando Bonnie e Caroline.
- Nós somos suas amigas, Elena. Não vamos te deixar. — Bonnie sorrira e eu acabei sorrindo junto.
- Obrigada meninas. — Elas me puxaram pela mão, me levando a um canto afastado da escola.
Acabamos matando as duas primeiras aulas. Mas tinha sido por uma boa causa.
Contei para Caroline e Bonnie todos os problemas familiares que eu estava tendo. As duas me ouviram com atenção e paciência. Resolvi pedir desculpas as duas por todas as mentiras que eu disse e a todos os sorrisos falsos que foram dados e elas me desculparam, disseram que não tinham ficado irritadas e que já vinham percebendo que tenho problemas. Só estavam esperando a hora certa de me abordarem sobre o assunto.
- Então eu fingia mal assim? — Fiz a pergunta tentando reprimir a risada.
- Você pode enganar a si mesma mas a nós não. Só os amigos de verdade percebem quando um amigo está na pior. — Respondeu Caroline.
- Obrigada por tudo meninas. — Dei um sorriso sincero.
- Não precisa nos agradecer. — As duas sorriram de volta e se inclinaram em minha direção para me abraçar.
- E aí Elena, está melhor? — Ouvir o som da voz de Matt me fez me sentir melhor do que já estava.
- Sim, estou bem melhor. — Tyler, que estava ao seu lado, sorrira.
Eu, por outro lado, não parava de sorrir por um minuto. Parecia até que eu tinha acabado de descobrir como sorrir e por isso, não conseguia mais parar. Mas eu sabia que o verdadeiro motivo de tantos sorrisos, era a felicidade que emanava do meu coração, por ter amigos tão verdadeiros ao meu lado, que estão dispostos a me ajudar e que me amam, por mais que eu tenha fingido emoções que eu não sentia dentro de mim.
Por mais que o mundo estivesse desabando acima da minha cabeça, eu sabia que se meus amigos estivessem comigo, nada poderia me abalar. Eu poderia enfrentar tudo, se eles lutassem junto comigo e eu tinha certeza de que eles lutariam por mim, de que enfrentariam monstros para me salvar se fosse preciso. Isso acabou me fortalecendo e me dando forças para enfrentar qualquer coisa.
Damon narrando:
- Stefan, traga-me a lata daquela porcaria de cerveja ruim que você foi comprar! — Chiei, vendo meu irmão lerdo e pateta ir em direção a cozinha de nosso cativeiro.
Meu humor estava uma droga, meu dia estava uma droga e meu irmão estava enchendo a porcaria do meu saco. Mandei ele ir comprar alguma bebida forte o suficiente para me deixar totalmente caído e ele me trás uma cerveja ruim e barata! Sinceramente, hoje não estava sendo o meu dia.
Niklaus estava me pressionando com o plano do maldito sequestro e Rebekah estava me tirando do sério com seus surtos idiotas de patricinha. Sinceramente eu ainda não descobri o que ela estava fazendo conosco se não levava jeito algum para o crime. Não ajudava em nada nos planos e na maioria das vezes nos atrapalhava quando íamos roubar algum lugar. Aquela loira me dava nos nervos.
Como se não bastasse, ainda tinha a Katherine que brincava comigo e com meu irmão como se fôssemos nada para ela. Por mais que eu lutasse contra todos os meus sentimentos, mais eu a desejava. Chegava a ser doentio.
O maior motivo do meu mau humor era Katherine. Além de ter a mim e a meu irmão na palma da sua mão, ela ainda se diverte com Niklaus. Os dois saíram desde ontem a noite e não voltaram até agora, o que me deixava fulo a vida.
Me lembrar de Katherine, consequentemente, me fez lembrar Elena Gilbert. As duas se pareciam muito fisicamente, com exceção do cabelo. Na personalidade, eu duvidava que Elena fosse como Katherine. Elena era ingênua, boba e aparentava ser apenas uma menina medrosa.
Katherine não. Ela era decidida, sensual e muito bonita. Uma bela mulher.Como Katherine e Elena se parecem muito, Katherine teve que estudar em um colégio que fica do outro lado da cidade, onde as chances de que ela se encontre com John ou até mesmo com Elena, são pequenas.
Mas Katherine não liga muito para a escola. Diferentemente de Elena, a quem eu tenho seguido seus passos com afinco.
- Toma, a sua cerveja. — Sobressaltei com a voz de meu irmão mais novo que me estendia a lata de cerveja.
- Obrigado. — Respondi.
- Não tem de que. — Stefan sorriu, indo ver TV.
Assim como Elena e Katherine, eu e meu irmão éramos totalmente diferentes. Stefan tinha muita bondade em si e isso me enchia o saco. Em compensação, ele não atrapalhava os assaltos que fazíamos como Rebekah Mikaelson.
- O que estão fazendo? — E por falar no capeta...
- Nada que seja da sua conta. — Rebekah colocou as várias sacolas que trazia no chão e colocou as mãos na cintura.
- Ugh Damon! Você deveria ser menos revoltado com as pessoas sabia? Não tenho culpa que a Katherine prefere a companhia de Niklaus do que a sua! — Olhei para ela transtornado com sua ousadia.
- Dá pra calar a boca? — Se ela não fosse irmã do Klaus, eu mesmo teria a matado.
- Todos nós sabemos que é verdade! Até meu próprio irmão se sente atraído por aquela vadia! — Chiou. Ela e Katherine não se davam muito bem por Rebekah ser afim do meu irmão.
- Dá pra ficar quieta por pelo menos um instante? — Pedi, querendo assistir o que Stefan estava vendo na televisão.
- Não! — Disse, fingindo uma doçura que eu sabia que não existia.
- Cansou de fazer suas comprinhas idiotas? — Perguntei.
- Não são comprinhas idiotas! Ao contrário de vocês, eu tenho estilo.
- Só se for estilo de brechó né minha querida? — Katherine surgiu na sala acompanhada de Klaus. Os dois não pareciam nenhum pouco cansados.
- Brechó é essas suas roupas horríveis de vaca! — Rebekah mandou um olhar nada sutil para Katherine e eu sabia que as duas se engalfinhariam ali mesmo daqui a pouco.
- Vaca é você! — Retrucou a morena.
- Ei, ei, ei, parem por favor! — Stefan interveio.
- Damon, tenho um comunicado a fazer. — Klaus me mandou um olhar sério.
- Que comunicado seria esse? — Me levantei, tamanha curiosidade.
- Mudei de idéia e acho melhor sequestrarmos Elena o quanto antes. — Arregalei os olhos.
- Mas porque?
- Porque quanto antes executarmos o plano, mais rápido nossa vingança será feita. — Percebi que Katherine o apoiava na decisão principalmente quando a vi colocar a mão em seu ombro.
- Quando pretende sequestrá-la? — Perguntou Rebekah, se metendo na conversa.
- Amanhã. — Klaus respondeu olhando para mim.
- Amanhã? — Stefan perguntou, espantado.
- Sim, quanto antes melhor.
- Tudo bem então. Amanhã, Elena Gilbert será sequestrada. — Falei, decidido.
Notas finais
Tyler é misterioso demais não é? Algum palpite do que ele seja?
E eu particularmente amei essa Rebekah não pretendo fazê-la uma vilã como também não pretendo fazer Stefan um vilão. Ela será muito estabanada e patricinha, ela não leva jeito pra essa vida do crime coitada só tá nessa por causa do irmão KKKK Em breve vocês saberão como ela se meteu nisso e tudo mais.
Já perceberam que o próximo capítulo será cheio de ação não é? Elena vai ser sequestrada Ç_Ç
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Tenham uma boa noite s2
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