Emergency
19 Capítulo 18 - Chamas
Notas iniciais
O vento raivoso que soprava lá fora não fora o suficiente para impedir a concentração que a mente maquiavélica de Katherine exercia.
O plano que ela bolava era engenhoso e com uma pequena probabilidade de falhar.
Uma probabilidade muito pequena e idiota.
Seu ódio crescia cada vez mais, principalmente depois de ter descoberto que Elena e Damon estavam se envolvendo. Ela até contaria aquilo para o Klaus, mas como sabia que ele também poderia estar se envolvendo com a melhor amiga de sua irmãzinha gêmea, achou melhor deixar para lá.
Afinal, Katherine tinha algo muito melhor em mente. Ela ainda não acreditava que Damon poderia mesmo amar uma garota tão sem graça como a irmã. Katherine tinha esperanças de que ele estivesse apenas usando-a, mas ainda não tinha certeza disso, apesar de querer muito acreditar que era isso o que ele estava fazendo.
Sua primeira vítima não seria a Gilbert. Ainda que quisesse muito acabar com ela, Katherine tinha outros planos para a irmã. Seu plano era letal e Katherine adoraria assistir as chamas queimando o corpo de Elena Gilbert, abraçando-a numa morte lenta e dolorosa.
Ah, sim. Katherine adoraria ver a irmã pegando fogo.
Literalmente.
Raios de sol penetravam a janela do minúsculo cativeiro em que Caroline se encontrava. De uma maneira muito boa, ela sentiu uma fagulha de esperança percorrer o seu corpo quando viu o sol brilhando lindamente no céu azul.
Pena que ela não podia sair para sentir o sol quentinho entrando em contato com a sua pele. Porque estava enclausurada naquela casa horrível.
Caroline se jogou na cama de forma frustrada e enfiou a cabeça debaixo do travesseiro, abafando um grito de raiva e tristeza.
A porta do quarto se abriu e Caroline se levantou rapidamente. Seu coração bateu rápido quando viu Klaus entrando no quarto. Sua respiração falhou e sua boca ficou seca.
Desde aquele beijo que trocaram, Caroline se sentia confusa e estranha quando via Klaus perto de si. Não sabia dizer ao certo o que acontecia, mas era muita idiotice da sua parte se sentir daquele jeito perto de um bandido cruel.
– Bom dia flor do dia. — ele disse, esboçando um sorriso repleto de felicidade.
– O que tem de bom? — perguntou de má vontade.
– Veja o lado positivo das coisas, Sweet. Pelo menos você ainda está viva. — Que adorável... Além de ser um canalha, ele ainda era irônico. E bonito.
– Até quando? — Caroline arqueou uma sobrancelha, sentindo um frio na barriga quando Klaus se aproximou mais de si.
– Até quando eu quiser. — ele sussurrou, saindo do quarto.
Klaus era um monstro. Um monstro que não parecia ter nenhum tipo de salvação. Então porque toda a vez que o via ela sentia alguma coisa diferente? Ele era bonito demais, se achava cega por nunca ter notado aquilo antes. No entanto, ele parecia ter sofrido um bocado.
Dentro de seus olhos, ela conseguia enxergar algo que talvez nem o próprio Klaus sabia que existia. Por trás daquela fachada de crueldade, existia um homem medroso e cheio de ódio.
Era uma pena que um homem como ele havia se tornado um poço de amargura.
Caroline se levantou assim que ouviu um estampido seguidos de alguns gritos e saiu correndo pelo corredor, vendo Rebekah agachada ao lado de Klaus, que estava com com a barriga ensanguentada.
Horror tomou o rosto da loira quando viu todo aquele sangue escorrendo no carpete. O rosto de Klaus estava pálido e ele permanecia acordado, apesar de seu rosto estar suando muito.
Stefan também estava ali por perto, olhando a cena um pouco assustado.
– Nik... por favor, Nik mantenha-se acordado. — pediu Rebekah, tremendo e pressionando um pano branco em cima de sua barriga.
– Ele vai ficar bem? — Caroline perguntou, um pouco nervosa e trêmula.
– Eu não sei, ele está sangrando muito. — Caroline chegou perto de Klaus, agaixando-se do lado de Rebekah.
– O que podemos fazer? — As duas se olharam, temerosas.
– Fique aqui com ele. Eu vou com Stefan até a cidade, temos um amigo de confiança que é médico. Ele pode nos ajudar. — As duas trocaram mais um olhar temeroso.
– E o que eu faço enquanto isso? — perguntou ela, olhando para Klaus que estava cada vez mais pálido. Aquela situação era desesperadora.
– Pressione a ferida desse jeito. — Rebekah pegou a mão de Caroline, fazendo-a apertar o pano branco totalmente tomado pelo sangue em cima da ferida. — Nós não vamos demorar.
Caroline assentiu, vendo os dois partirem. Ela pressionou o pano sobre a ferida com um pouco mais de força e Klaus tossiu.
– Você está sangrando muito, ai meu Deus. — As mãos de Caroline tremiam e as lágrimas tomaram seus olhos. Klaus apenas a olhava, ficando cada vez mais pálido.
– Se eu morrer, você vai ficar livre de mim. — ele disse, falando e respirando com dificuldade.
Aquilo deveria fazê-la feliz. Caroline podia até mesmo fugir e deixar Klaus morrer afinal, Rebekah e Stefan não estavam mais por perto. Ela sentia a liberdade tão perto de si e ainda assim, não conseguia sentir vontade de ter acesso a ela.
Porque eu não conseguia deixá-lo ali? Porquê?
Porque estava sendo tão difícil ir embora dali para nunca mais voltar?
Ela teria tudo o que sempre sonhou de volta: Sua vida, seus amigos... poderia dizer onde Elena estava e tudo poderia voltar ao normal.
– Fuja, Caroline. Seja esperta. — Klaus disse, cada vez mais fraco.
– Não, eu não sou uma idiota insensível como você. Eu vou ficar. — ela disse, confiante. Klaus olhou para ela de modo surpreso, apesar da fraqueza que dominava os seus sentidos.
Em todo o tempo, Caroline tentava se convencer de que estava fazendo aquilo porque não seria capaz de abandonar alguém a beira da morte sem ter um grande remorso. Mesmo se essa pessoa fosse o bandido sádico Klaus Mikaelson.
Mas o seu coração sabia que podia ser algo mais.
Damon estava inquieto e andava de um lado para o outro. Não parava de pensar na ligação anônima que havia recebido e que ameaçava indiretamente Elena Gilbert.
Desconfiava de Katherine, mas naquela altura do campeonato, poderia ser qualquer pessoa.
Ouviu passos na escada e decidiu se recompor antes que Elena desconfiasse de alguma coisa.
– Bom dia. — disse ela, se espreguiçando. — Está tudo bem com você?
– Claro que está. — Damon respondeu rápido demais, deixando Elena levemente desconfiada.
– Então porque você está com essa cara de preocupado? — ela perguntou, terminando de descer as escadas.
– São só algumas lembranças e pensamentos, mais nada. — deu de ombros, mentindo um pouco.
– Sobre a morte dos seus pais? — Damon pensou em dizer a verdade, mas teve medo de deixá-la assustada. Então, a única coisa que ele fez foi dizer:
– É.
– Como foi que eles morreram? — ela perguntou, curiosa.
– Quer mesmo saber?
– Claro!
Damon suspirou, exitando. Elena o puxou pela mão e os dois se sentaram num sofá velho. Logo a cabeça de Elena estava pousada no peito de Damon, sentindo-se pronta para ouvir o que ele tinha a dizer.
– Quando eu tinha 6 anos, Stefan tinha apenas 3. Morávamos com nossos pais num vilarejo muito pobre. Não tínhamos condições financeiras para quase nada então, meus pais passaram a roubar mercadinhos, pessoas e algumas lojas. — ele suspirou, com o olhar vago e cheio de dor. — Um dia, um homem muito bonito e elegante bateu na porta da minha casa. Papai foi atender e eu fiquei olhando tudo escondido. Parecia que meus pais trabalhavam para esse homem e os dois discutiam muito. Mamãe estava assustada e meu irmão ouviu os berros incessantes e começou a chorar. O homem foi embora. Perguntei a mamãe o que havia acontecido mas ela não quis me contar. No dia seguinte, o mesmo homem apareceu lá em casa acompanhado de mais dois caras parrudos. Eles dispararam tiros em meus pais e eu me escondi com Stefan num armário no porão. Eu estava muito assustado, horrorizado, arrasado. Fiquei chorando baixinho e pedi que Stefan ficasse quieto para que não descobrissem onde estávamos. Só saímos de lá quando soubemos que era seguro. Ficamos vagando pelas ruas até pararmos em um orfanato.
– Damon... eu sinto muito. — Elena ofegou, lembrando de que ele sempre acusou seu pai de ter cometido aquela atrocidade. — Você tem certeza de que foi o meu pai que matou os seus?
– Tenho, Elena. Eu lembro claramente do seu rosto frio e maldoso. — Elena se afastou de Damon, lembrando-se de algo que ouviu há muito tempo atrás.
– Espera um pouco... meu pai mencionou uma vez para a minha mãe que tinha um irmão gêmeo que se passava por ele, mas que ele havia sido preso há alguns anos atrás. — Damon deu um riso de escárnio, olhando para Elena de um jeito bem cético.
– E você acreditou nisso? — ele levantou uma das sobrancelhas e Elena bufou.
– Eu estava escutando a conversa dos dois escondida e ele parecia estar falando sério. Damon, eu conheço o meu pai. Ele cometeu inúmeros erros, mas nunca seria capaz de matar a sua família. — Os dois ficaram se olhando por um bom tempo, pensando, avaliando aquela hipótese.
– E se ele estiver mentindo? — Damon lançou um olhar duvidoso para Elena, que arqueou uma das sobrancelhas, sorrindo torto, apesar da seriedade do assunto.
– E se não estiver?
– Se isso for mesmo verdade, eu te sequestrei a toa.
– Acho que de um jeito ou de outro eu seria sequestrada. Klaus também cultiva um ódio imenso pelo meu pai. — ela disse, franzindo os lábios.
– Mas se eu não tivesse te sequestrado, provavelmente nunca teria te conhecido. E nem teria me apaixonado por você. Talvez eu até te visse nas revistas com o seu pai, e até pensasse em como seria se eu te conhecesse, mas logo depois arrancaria aquele pensamento estúpido da cabeça porque você nunca iria se interessar por pé rapado feito eu. — Elena deu uma risada quando Damon dissera aquelas coisas.
– Você é o pé rapado mais pessimista que eu conheço. — ela levantou o braço e bagunçou os cabelos lisos do bandido que amava. Ele riu, tirando as mãos de Elena de sua cabeça. Os risos cessaram e Damon lançou para Elena um olhar penetrante.
– Se essa hipótese for verdadeira, te peço desculpas por todo o mal que eu te fiz.
– Antes que você se desculpasse, eu já tinha desculpado você. O que importa agora é que estamos juntos. — ela deu um sorriso sincero, entrelaçando suas mãos.
– E eu vou te ajudar. — Damon sorriu, ainda de mãos dadas com Elena.
– Como?
– Eu não sei, mas você e a sua amiga vão voltar para as suas famílias.
– Mas... e você?
– Não se preocupe comigo.
Antes que Elena pudesse falar mais alguma coisa, os lábios de Damon tomaram os seus num beijo cheio de significados que ambos já sabiam de cor qual eram. No meio do beijo, Elena deu um sorriso de pura felicidade, o que era engraçado, já que ela estava presa em um cativeiro com um bandido que se mostrou ser cruel e sádico, mas que agora, se mostrava ser um homem totalmente diferente.
Damon era uma pessoa muito melhor agora. E Elena também. O relacionamento que os dois tinham havia evoluído. Damon estava do seu lado e se mostrou disposto a ajudá-la, a enfrentar o perigoso Klaus somente para salvar a sua vida e a vida da sua melhor amiga.
Elena acariciava o rosto de Damon e Damon apertava a cintura de Elena como se a qualquer momento fossem tirá-la dos seus braços. O medo de perdê-la se intensificou quando lembrou-se da ligação anônima que havia recebido. Ele ainda conseguia ouvir a voz abafada do outro lado da linha, sussurrando a seguinte frase:
– Cuidado com o fogo. Suas chamas podem queimá-la e abraçá-la para sempre.
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