Embriagues
16 Uma nova fase
Notas iniciais
Só lendo pra saber! Boa leitura ;]
— Ok, ok. Então, qual o motivo dessa reunião familiar? — Perguntou meu pai com um sorriso bobo na cara e as mãos na cintura.
Fiz um gesto para que ele se sentasse no sofá. Ele assim fez.
— Nossa, preciso até me sentar. Lá vem bomba, ré ré.
— Vou para Nova Iorque. — O sorriso bobo se desfez e uma cara inexpressiva tomou seu lugar. — Para estudar.
—Precisa sair de Atlanta para isso?
— Nesse caso, sim.
— \"Nesse caso\"? Explique-se.
Normalmente meu pai parecia besta, mas em alguns momentos revela-se frio e calculista. Engoli em seco e continuei:
— É um curso de verão importantíssimo. É uma chance única. Não posso jogar fora. Vou fazer o curso e trabalhar em um laboratório. Vou morar com Rachel e Nicole, você lembra da Nick? Isso já ajudará nos custos, dividiremos o aluguel. Nicole já está morando lá e já arranjou um apartamento.
Ele pareceu não entender.
— Pai, uma hora ou outra eu iria sair de casa, oras. Você sabe disso!
— Sei! Mas precisa ser tão longe?
— Ao menos, pense, eu não vou ter que ficar em lugares isolados, no meio do nada, tendo que apalpar fezes.
— Eu me preocupo com você filha. Me entenda.
— Eu entendo pai... Mas calma, eu vou morar em NY, mas isso não quer dizer que eu vá morar lá para o resto da minha vida. — Hm, quem sabe?
*
— E você não disse ao menos que estava namorando com alguém?
— Não.
— Ah, nossa, mas que \"conversa esclarecedora\", hein? — Apresento-lhes agora a Rachel irônica.
— A ironia é amiga íntima da raiva, Rach.
Ela apenas me encarou com cara de peixe morto.
— Olha, — continuei — Você não entende a minha estratégia.
Rachel fingiu cara de espanto.
— Então diga!
— Quando estivermos no meio do curso, eu ligarei de NY dizendo que comecei um namoro com alguém de lá.
— Hm, que genial! Isso realmente vai melhorar a sua situação, não é!?
— É. — Respondi desanimada.
— Ainda mais quando você for apresentar o seu namorado e o seu pai der de cara com o Michael Jackson sentado no sofá dele. No dia seguinte, os jornais dirão que Jackson é biólogo e estudou fungos e bactérias em Nova Iorque.
Suspirei e a encarei com bico.
— Poxa, você é muito complicada Susan, sempre foi! Era só dizer que tava namorando alguém que conheceu na Califórnia, pronto. The-End.
— Enfim, ontem eu falei com ele, e ele falou sobre o dia de ações de graças.
— Hm, vai demorar um pouco...
— Sei, mas ele me disse pra passar a tarde em Encino... — Pausa dramática. — Com a família Jackson.
Rachel me deu um tapa violento no ombro.
— Ai!
— E aí? O que disse? O que acha disso?
— Pra falar a verdade no momento em que ele disse isso eu senti um frio na barriga e um pavor. Mas mantive a calma e disse:
*flashback*
— Acho um ótima ideia. Uma hora eu teria que conhecer dona Katherine, seu Joe... — engoli em seco, porém com um sorriso convincentemente seguro.
— Hmmm... E depois, você sabe, o encontro entre família Mitchell e a família Jackson!
Engasguei.
— Sim, sim. Mas calma lá cutchuco, ré ré, uma coisa de cada vez. — Sorri, nervosa.
Ele concordou comigo dando risada.
— É, depois a gente vê isso melhor.
*fim do flashback*
— HAHAHAHAHA!
— O que diabos é tão engraçado assim?
— Você o chama de CU-TCHU-CO? — Gargalhou mais uma vez e eu continuei com cara de taxo. — Que brega, não esperava isso de você, Susan.
— Ahn...
— Olha o que o amor faz com as pessoas.
— Chega?
— Ok, parei.
— Ótimo.
— Hm, mas você está gostando de tudo isso, você está certa de que é isso mesmo que quer. Estou certa?
— Ah, sim! Sinto necessidade de ficar perto dele o tempo todo. Parece que nos conhecemos há muito mais tempo. Mas quando eu penso em todas essas coisas de conhecer a família, etc etc... Eu fico nervosa.
— Isso é normal, relaxa.
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