Embrace The Insanity.
1 Are you belongs to me, Will?
Notas iniciais
Sem mais delongas, boa leitura.
“Veja… É isso que eu sempre quis para você, Will. Para nós dois.
O olhar admirado de Will cruzou o olhar enigmático de Hannibal com um sorriso. Ela sabia. Ele sempre soube que Hannibal queria isso. Para ambos. E ele finalmente podia admitir para si mesmo que também queria, que ansiava por isso. Porque Hannibal causava isso nele. Essa adrenalina, essa deliciosa insanidade, esse prazer ao ver alguém sangrar, o fascino em ver alguém agonizar a própria vida. Ah… o poder. Era isso, tudo isso de uma só vez, com algumas sensações ainda desconhecidas que Hannibal causa em Will.
“É lindo!''
Hannibal analisou cada detalhe do rosto delicado de Will. Deixou-se perder nos bonitos olhos do mais novo, porque nada mais importava. Will tinha sucumbido. Will tinha se entregado. Will agora pertencia de corpo e alma à Hannibal Lecter. Nada mais precisava ser dito. O ato ocorrido o momento antes havia dito por si mesmo. E as palavras que eles haviam dito um para o outro havia sido apenas uma confirmação.
Will se viu necessitado de contato, então segurou-se mais em Hannibal, que o segurava pela camisa manchada de sangue, o puxando para mais perto. Will se aproximou mais, deitou sua cabeça no peito do mais velho e ali ficou por alguns instantes. Hannibal apenas apreciou o momento sem sequer se mexer. O mais novo então passou seu braço direito envolta do pescoço de Hannibal, abraçando-o ainda mais. E então os dois caíram do penhasco.
….
Assim que sentiu a gélida água atingir seu corpo, Hannibal perdeu um pouco dos seus sentidos, mas logo recuperou-se e nadou de volta a superfície. Seus pulmões clamavam por ar. Olhou em volta e desesperou-se quando não viu nenhum sinal de Will. Mergulhou novamente e viu o mais novo a alguns metros afundando lentamente. Nadou em direção a Will, passou um de seus braços em volta de seu corpo desacordado e voltou a superfície. Então começou a nadar em frente. Com um de seus braços ocupados sustentando o corpo de Will, ficou um pouco mais difícil de nadar, mas ele seguiu em frente mesmo assim, porque ele não poderia deixar Will ali. Não mesmo.
Não soube dizer quanto tempo passou nadando, mas sabia que foi grande seu alívio quando avistou terra firme. Colocou o corpo de Will suavemente no chão e tomou um pouco de ar. Sentia todo seu corpo dormente devido a gélida água, mas isso era mero detalhe. Se aproximou de Will, na intenção de checar os sinais vitais do mais novo. A intensidade dos ferimentos e da perda de sangue devem ter causado um desmaio com a pressão da queda, pensou Hannibal.
Sabendo que não podia se demorar muito, Hannibal pegou o corpo desacordado de Will em seu colo e colocou-se a caminhar. Andou por um determinado tempo em meio a uma mata até chegar em uma rodovia não muito movimentada. Ali conseguiu roubar um carro e seguiu viagem com Will. Algum tempo depois, Will acordou assustado e um pouco desnorteado. Hannibal notando o estado do mais novo, colocou a mão em seu ombro querendo acalmá-lo.
“Will! Calma, vai ficar tudo bem. Nós estamos bem. Mantenha a calma.”
Assim que Will ouviu a voz firme e tranquila do mais velho, foi mais fácil se acalmar. Olhou envolta, notou que estava em um carro desconhecido. Presumiu que Hannibal provavelmente tinha roubado o carro, mas não fez nenhum comentário sobre. Um silêncio inquietante se instalou dentro do carro. Will ficou um tempo observando Hannibal concentrado na pista. Tentava imaginar para onde os dois iriam, mas sabia que não chegaria a resposta alguma por imaginação. Hannibal não era do tipo previsível. Decidiu então que era melhor perguntar.
“Hannibal, para onde estamos indo?”
“Um lugar onde poderemos passar a noite.”
Sabia que essa era a resposta final do mais velho. Mas também não importava tanto para onde estavam indo, contanto que ele estivesse junto à Hannibal. O percurso até o destino final demorou por volta de uma hora. Nesse meio tempo Will caiu no sono, se sentindo consideravelmente fraco.
Hannibal observava Will de soslaio. Não era a primeira vez que observava o mais novo dormir, mas dessa vez tinha algo diferente. Ele não parecia está tendo um sono conturbado, ele parecia estar em paz. Pela primeira vez em tempos Will parecia estar em paz.
Assim que finalmente chegaram ao seu destino, Hannibal tocou delicadamente o braço de Will até que ele despertasse. Will não acordou assustado dessa vez, apenas um pouco desnorteado, mas isso não durou muito. Hannibal fez sinal para que o mais novo o acompanhasse para fora do carro, e ele o fez. Tinham parado em frente uma casa desconhecida, pelo menos para Will. Hannibal parecia que já conhecia aquele local, como se já estivesse estado ali inúmeras vezes. Esse pensamento incomodou um pouco Will, que ficou meio receoso de saber de quem era aquela enorme casa. Percorreram o caminho do carro até a casa em passos lentos e em silêncio.
Ao chegarem na grande entrada da casa, trocaram um breve olhar e Hannibal apertou a campainha. Eles não foram recebidos de imediato. A porta demorou um pouco para revelar quem habitava aquela luxuosa casa. Mas quando enfim alguém apareceu, foi para total surpresa de Will. Era Bedelia. E ela não parecia estar nenhum pouco surpresa de vê-los ali.
“Por favor, entrem!”
Bedelia abriu passagem para os dois entrarem. A casa por dentro fazia jus a bela entrada. Tudo muito luxuoso e requintado, o que não era de se esperar menos da casa da psiquiatra. Hannibal andou até a sala e se sentou em um dos sofás e esperou que Will fizesse o mesmo. Will olhou em volta, admirado com o bom gosto e sofisticação de tudo que tinha naquela casa. Mesmo tendo convivido tempo o suficiente com Hannibal, que compartilhava do mesmo nível de sofisticação, talvez até mais, ainda não havia se acostumado estar em um ambiente como aquele.
O mais novo se acomodou ao lado de Hannibal e viu Bedelia voltar com uma garrafa de vinho e três taças. Ficou meio receoso de aceitar quando a mulher lhe ofereceu umas das taças, mas não querendo fazer desfeita, pegou a taça em mãos e deu um pequeno gole. Estava curioso. Esperava surpresa por parte da mulher, mas o que ela menos parecia estar era surpresa.
“Imagino que você está se perguntando o porque de eu não estar nem um pouco surpresa, Will.”
“Sem dúvidas, me encontro muito curioso.”
“É simples, Will. Eu sabia o que vocês iam fazer. Vocês não são tão imprevisíveis quanto pensam. Logo depois que você me contou qual seria o plano envolvendo Hannibal, foi fácil deduzir alguns de seus passos. Confesso que fiquei surpresa quando soube que o Red Dragon havia interceptado a fuga. Mas sabia que Hannibal o levaria até lá. Poucos tem a honra de ser levados por ele até lá. Sabia que vocês imaginariam que o FBI estariam atrás de vocês, assim como o Red Dragon. E no fim, sabia que aquele penhasco seria de alguma serventia afinal.”
Will revesou seu olhar um pouco incrédulo entre Bedelia e Hannibal. A mulher parecia divertida com a expressão de Will e o mais velho mantinha a expressão impassível. Uns segundos de silêncio, Hannibal então resolveu falar.
“Realmente me aborrece saber que afinal não sou tão imprevisível assim.”
Will não evitou uma breve risada assim como Bedelia.
Bedelia contou aos dois que o FBI estava atrás deles como esperado, e que já haviam chegado na casa onde eles haviam matado o Red Dragon. Contou também que há algumas horas Freddie Lounds havia atacado novamente, como mais uma matéria sobre os dois, intitulada “Murder Husbands and Love Crime”. Will riu quando ouviu o nome da matéria, se lembrando quando Freddie os haviam chamado assim pela primeira vez. Hannibal não entendeu muito o porque de Will rir.
“Ela já havia nos chamado assim antes, Hannibal. Antes de tudo acontecer. Talvez ela tenha visto algo que tenha mostrado a ela que nosso destino era junto.”
“Como eu disse antes, vocês não são tão imprevisíveis assim.”
Mais alguns detalhes envolvendo a investigação sobre os dois contados por Bedelia, o assunto se deu por encerrado. A mulher acompanhou os dois para o quarto onde eles passariam a noite. Como já conhecendo a casa, Hannibal indicou onde Will poderia tomar um banho e se livrar de suas roupas já bem arruinadas. O mais velho saiu do quarto, dizendo que buscaria algo para cuidar dos ferimentos de ambos. Will então entrou no banheiro, se desfez das roupas e caminhou até o box. Sentiu uma pequena ardência em seus ferimentos logo que a água entrou em contato com os mesmos. A água embaixo de seus pés logo aderiu uma coloração vermelha devido ao sangue que manchava seu corpo. Passou a mão levemente pelos ferimentos contidos em seu rosto e ombro, imaginando que logo eles dariam lugar a cicatrizes. Cicatrizes que fariam ele lembrar sempre do ocorrido. Do crime de amor que havia cometido ao lado de Hannibal. Cicatrizes que seriam a prova de sua entrega a Hannibal. E nunca cicatrizes seriam tão bem-vistas como aquelas.
Saiu do banho se sentindo revigorado. Vestiu a calça posta em cima da cama e esperou Hannibal voltar. Quando viu o mais velho atravessar a porta do quarto, viu que ele também estava de banho tomado e que já tinha cuidado do ferimento em sua barriga. Com uma caixa branca em mão, sentou-se na beira da cama, ao lado de Will e começou a tirar o que seria necessário para cuidar de Will. Primeiro desinfetou ambos os ferimentos. Mesmo sabendo que Will havia acabado de sair do banho, achou aquele procedimento necessário. Analisou primeiro o ferimento do rosto e viu que era necessário alguns pontos. Dando os pontos, fez um pequeno curativo. Depois foi a vez do ferimento no ombro, que precisou dos mesmos cuidados.
Assim que terminou, Hannibal guardou tudo, e colocou a caixa encima do criado-mudo ao lado da cama. Passou então a observar Will. Apesar do aspecto cansado, ele parecia tão belo aquela noite. Não importava a situação em que se encontravam, Will sempre seria bonito aos olhos de Hannibal. Toda instabilidade, empatia. Toda ingenuidade que seu rosto transpassava, ironicamente. Até porque Hannibal conhecia Will, de forma íntima e profunda. Tinha ligado sua alma a de Will, sabia o que se passava na mente do mais novo, conhecia suas motivações, seus medos. Hannibal conhecia o que existia de bom e ruim em Will. Conhecia seu verdadeiro eu. Aquele Will que não sentia medo em puxa o gatilho ou acabar com a vida de alguém usando as próprias mão. Aquele Will capaz de manipular alguém, que poderia agir de forma totalmente calculada, que era capaz de ser o verdadeiro vilão da história. Isso tudo fazia Will ser alguém tão interessante, tão encantador, tão fascinante. Tudo isso fazia Will belo, como um quadro em que você é capaz de passar horas o admirando. Will era como um quadro para Hannibal, um belo quadro que depois de horas o admirando, ele tem vontade de refazê-lo a sua maneira, com seus próprios toques, com suas próprias marcas.
Will pegou uma das mãos de Hannibal entre as suas e passou a acariciá-la. Queria dizer tudo o que sentia, como se sentia realizado, mas não sabia como colocar em palavras. Nunca foi um homem muito inclinado a palavras de afeto e sabia que o outro também não era. Mas parecia que naquele momento isso havia se tornado mais que necessário. Queria dizer palavras românticas e bobas, queria fazer juras de amor desnecessárias, queria ouvir Hannibal dizer o que sentia por ele. Ele queria essa confirmação em palavras, mesmo que não houvesse necessidade real nisso, porque eles já haviam dado uma prova suficiente, horas atrás e eles levavam marcas físicas como lembranças.
“Hannibal...”
“Will!”
“Eu realmente preciso saber. Como vai ser daqui para frente?” O que vai ser de nos dois?”
“Veja, Will, mesmo sendo um homem de grande inteligência, é difícil saber o que nos espera no futuro. Posso dizer que não vou deixar nada nos incomodar, eu prometo. Digo também que nossa única certeza é que de agora em diante, estaremos juntos.”
“Esse sempre foi nosso destino. Juntos. Muitas coisas aconteceram e no final sempre estávamos os dois, juntos. Eu devia ter desconfiado. Devia ter levado a sério quando você disse que eu o acharia interessante.”
“Devia mesmo. Não que eu tenha vontade de ser interessante para todo mundo, mas me tornar interessante para você se tornou uma obrigação. Eu queria que você me visse, Will. Sem máscaras, sem fingimento, sem mentiras. Eu queria que você me visse. Eu queria que você me entendesse do mesmo jeito que eu te entendia. Queria que você pertencesse a mim do mesmo jeito que eu pertencia a você. Ah Will, eu sempre fui seu. Sempre pertenci a você, Will. E você?”
“Eu sempre fui seu, Hannibal. Sempre estive a sua merce, sempre estive em suas mãos. Eu pertencia a você antes mesmo de querer.”
Hannibal sorriu genuíno diante de tais palavras. Pousou uma de suas mãos no rosto corado do mais novo e fez um breve carinho ali. Deslizou a sua a mão até a nuca de Will e foi aproximando ambos os rosto, até que então deixou de existe espaço entre eles. As bocas se juntaram de forma perfeita. O beijo foi dado de forma perfeita. Um beijo sem pressa, carregado de sentimento. Eles exploraram o máximo as bocas, sentiram o gosto, deixaram se inebriar pelo gosto, pelo cheiro, pelas sensações. Por causa do beijo, não sentiram mais necessidade de palavras por aquele momento, porque estava tudo sendo dito através daquele beijo. Através do modo em que se abraçavam. Através do modo em que se olharam logo que o beijo de quebrou. Não eram necessário palavras, nunca foi. Entre eles as atitudes sempre foram mais explícitas que palavras. Tudo sempre foi melhor entendido por atitudes do que por palavras. E continuaria sendo assim. Não seria necessário juras, frases seguidas de “eu te amo”. O sentimento era explícito. O amor era explícito. Mesmo sendo demostrado de forma incomum, talvez doentia. Nunca deixaria de ser amor.
Hannibal estava apaixonado por Will.
E Will sofria por Hannibal. Porque Will também amava Hannibal.
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