Tinha acabado de acordar de um sono chato e retardado. Eu não conseguia dormir com essa idéia de ter a coisa morando aqui com agente... Ainda mais a idéia de ter meu amado irmão dando em cima dela!

Isso sim era o cúmulo! Como podia ele se interessar por um verme? Por uma centopéia ridícula e mentirosa! Mas que diabos! Por que ele não se apaixonava por garotas normais como Carol, Ruth Ann...

Não, ele tinha que ser diferente e gostar da coisa!

Mas isso não era nada, eu nem me importava muito para ele! O que me deixava furioso era ela estar viva e saltitante pela caverna, enquanto eu estava aqui, isolado e triste...

Precisava matá-la! Já matei antes, agora seria até mais fácil acabar com a vida dela. Está certo que os outros parasitas matei em defesa, mas essa aqui, eu mataria por que entrou no meu caminho! Ela traria esses Buscadores fedidos para cá!

Sai do meu quarto socando a porta, mas logo me arrependi do que fiz. Bem um pouco a frente de mim, vi a parasita caminhando... caminhando sozinha! Sem nenhum idiota com o mesmo gene que eu de guarda costas.

Foi um impulso, meu coração acelerou e eu sabia que teria que acabar com a miserável vida dela. A adrenalina percorreu meu corpo, essa era a melhor chance! Não poderia ser aqui, é claro, resolvi segui-la.

Caminhei pela escuridão tentando ao máximo não ser notado. Quando me dei conta que seu caminho era para a sala de banho, fiquei ainda mais grato. Poderia matá-la e jamais qualquer idiota iria desconfiar.

Todos iam pensar que ela tinha fugido, Ian iria chorar, mas ele merecia pela burrada. Tropecei em meus próprios pés, e causou um barulho um pouco demasiado. Torci para que a lacraia não me visse e pudesse gritar.

Ela então entra como uma ingênua pela sala de banho. Um sorriso abre em meu rosto, essa é a oportunidade certa para matá-la. Tomara que ninguém escute seus gritos inúteis ali dentro.

Fui bem bonzinho com ela, antes de matá-la dei a chance dela se lavar. Isso foi meio que um desejo final não feito. Depois de alguns minutos meu cérebro mandou que eu entrasse e fizesse o serviço.

- Alô! – Murmurei para deixá-la aflita.

- Bom dia Ian. – Que boba ao me confundir com Ian, pobre coitada, não vou beijá-la, vou matá-la. — Eu já terminei. Você dormiu bem?

Minha vontade era de responder: Como posso dormir com uma coisa morando comigo? Mas não, resolvi botar mais medo!

- Ian ainda está dormindo. – Murmurei sorrindo. — Mas eu tenho certeza que não por mais muito tempo, então é melhor ser rápido.

Ela não me respondeu, queria ter a chance de ver a sua face de medo. Seria bem melhor olhar para ela com essa expressão. Pobre alma, vai morrer nas mãos de um humano!

Não ia esperar mais, eu precisava agir o mais rápido possível. Entrei no rio e fiquei bravo quando notei que meu peso fez muito barulho. Ela deveria ter notado minha presença, mesmo assim dava para eu pegá-la.

Escuto uma respiração acelerada perto de mim. Ótimo, ela está mais perto que imaginei. Entro mais profundo na água provocando mais barulhos, isso não é certo, tenho que acabar com ela logo!

Dessa vez escutei um barulho de pedras batendo. Essa coisa estava tentando me afetar com pedrinhas? Pobre coitada, pedrinhas não fariam nada de mal para mim...

Ela não ia escapar, deixei meus ouvidos atentos para qualquer movimento dela que a denunciasse. Escutei um leve raspar perto de mim, ela estava próxima, era a hora de agir!

Pulei com tudo dentro da água para que pudesse pegá-la. Muito barulho se formou de mim, mas não me importei, eu precisava agarrá-la agora!

Ela suspirou e consegui perceber exatamente onde ela estava. Minhas mãos procuraram seu corpo, e achei seu tornozelo. Rapidamente os agarrei com força para que ela não pudesse escapar de meus braços.

Puxei seu corpo, mas algo fez com que eu soltasse seu nojento pé. Rapidamente agarrei de novo, só que dessa vez eu estava com a mão em seu tênis.

Não sei como, mas logo notei que o tênis estava em minha mão. Ela tinha se livrado dele, estava apenas o calçado ali. Tentei novamente alcançar seu pé, e fiquei feliz quando achei novamente.

Mais uma vez deixei escapá-lo. Grunhi de nervoso e notei que ela estava saindo e escapando.

Isso não podia acontecer, se não eu seria castigado por fazer mal a ela. Claro que o motivo maior de deixar ela escapar, era que sua vida miserável continuaria.

Peguei uma pedra que estava solta, pelo tamanho dela, sabia que faria um verdadeiro estranho em contado com um corpo feminino.

Sai da sala escura, logo a vi correndo como uma boba. Ela era rápida, seria bem difícil conseguir pegá-la, só me restava a pedra.

Impulsionei com toda a força para que a pedra atingisse seu tornozelo ao ponto que a machucasse. Foi um tiro certeiro, ela estava contundida, agora sim eu tinha vantagem.

Ela caiu no chão machucada. Pulei em cima dela para que não houvesse mais meios dela escapar de mim. Meu peso era suficiente para isso, ela não teria chance. Lancei meu corpo para que fizesse sua cabeça bater no chão.

Essa coisinha era mais esperta do que pensei. Ela soltou um grito medonho que me surpreendeu. Não podia ter feito isso, com certeza isso alertou algum babaca protetor do lado de fora. Se for Jeb...

Ela tinha que ficar calada para que eu pudesse matá-la da melhor forma possível.

- Urgh! – Protestei, colocando minhas mãos no seu rosto, não deixando escapar mais gritos.

Precisava e logo, acabar com a vida dessa desgraçada. Junto com seu corpo, comecei a rolar pelo chão para que a machucasse ainda mais e levasse ela para a fonte de água.

Coloquei a sua cabeça imunda dentro da água, segurava a sua nuca, com a cicatriz desgraçada. Forcei várias vezes seu crânio para baixo, no momento que ela sentiu que a água estava invadindo seus pulmões, ela começou a se contorcer muito, não agüentei a força que ela fazia em mim.

Ela se debateu ainda mais, eu não consegui segurá-la de novo. Parecia que seu corpo estava possuído, bem, estava, mas parecia que ela tinha uma força bem maior do que a dela. Ela tossia e cuspia a água que acabara de entrar em seus pulmões.

- Chega! – Gritei.

Levantei-me, eu precisava dar um fim nesse verme agora! Precisava matá-la e sumir com o corpo. A primeira coisa que me veio a mente foi jogá-la na fonte de água fervente, deixá-la se afogar enquanto queimava e desaparecia de minha vida.

Quando ela percebeu que eu estava em pé, novamente tentou se afastar de mim.

- Ah, não, não vai fugir! – Rangi os dentes.

Ela se arrastava pelo chão, isso era bom, eu já estava alcançando. Logo cheguei onde ela estava e agarrei seu pulso com força e violência. Ela bateu contra mim tentando escapar, quando a levantei, isso me motivou ainda mais.

Peguei seu outro pulso e com a outra mão segurei ela pela cintura para levantá-la. Ela ainda se contorcia, mas era infeliz com os movimentos que só atingiam o ar.

- Vamos acabar com isso. – Murmurei meu ultimato.

Pulei o riacho de água boa e a carreguei até a fonte de água fervente.

- Não, Não! – Ela gritou quando percebeu minha idéia.

Ela continuou se debatendo no meu colo. Fez algo com seu pé que o prendeu em algum lugar. Isso forçou seu corpo para trás e eu quase soltei ela.

Ela repetiu a dose, e não sei como nem por que ela passou suas pernas em torno de minha cintura. Ao invés de se libertar, ela se prendeu ainda mais a mim.

- Solta, sua... – Tentei me soltar do agarro, mas isso só fez com que ela segurasse ainda mais.

Tentava tirar suas pernas em volta de mim, nisso ela soltou uma de suas mãos e colocou-a no meu cabelo, puxando e me causando dor. A dor foi intensa, ainda mais porque naquele lugar era um ponto sensível de meu crânio.

Para me soltar eu dei um soco em suas costelas, ela revidou colocando a outra mão no meu cabelo. Resolvi copiar a mesma estratégia dela e coloquei meus braços em torno de sua cintura.

Se alguém nos visse assim e não nos conhecesse, poderiam jurar que nós dois estávamos nos agarrando como namorados. Gemi com a idéia nojenta, isso aqui era uma luta mortal, nunca que eu iria me apaixonar por um parasita como meu irmão fez.

Agarrei sua cintura e puxei com toda a força. Senti que os fios de meus cabelos estavam se soltando e ficando em sua mão, mesmo assim não a largava e tentava machucá-la.

O rio estava perto, logo eu poderia matá-la. Mas esse rio estava perto demais, eu teria que tomar cuidado para que não caísse acidentalmente.

Senti que uma de suas pernas estava afrouxando, essa era a minha chance. Ela continuou tentando ficar o mais próximo de mim, mas dessa vez a minha força estava sendo maior que sua fraqueza.

Eu pulei para que seus músculos se afrouxassem e eu finalmente levá-la ao rio. Mas não foi bem isso que aconteceu, suas pernas se soltaram, mas ela continuou com as mãos agarradas ao meu cabelo.

Só que o meu pulo não foi nada inteligente. O chão começou a tremer em baixo de meus pés, um som alto de coisa sendo rachada começou a surgir e possuir tudo.

Eu me assustei com a movimentação repentina no chão, e acabei pulando para trás para fugir. Só que isso acabou destruindo ainda mais o chão, meu peso com o dela eram muito grande.

Esse era o momento de fugir, eu tentava correr, mas as rachaduras vinham junto comigo. Quanto mais eu corria, mais rápido elas vinham perto de mim.

Senti o chão sumir debaixo de meus pés, nesse exato momento meu corpo todo desequilibrou.

Só sei que cai no chão e não vi mais nada.

Notas finais
Quer saber o Ponto de vista do Ian O'Shea? Leia O Humano!
Kissus e obrigada por ler!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!