Embaraçados Feito Nós
3 Capítulo 2
Ele havia achado uma passagem.
Se fosse rápido o bastante elas não o veriam. Claro, SE existisse a hipótese de elas o pararem já que hoje o foco era dos seus amigos, o show era deles não de Tomas. Resolveu se arriscar.
Passou atrás de um grupo, tentando inutilmente se esconder.
– TOMAS!
“Droga de reflexo!”. Ela o vira. “Seu idiota. Por que você se virou tão rápido?”. Uma das meninas (olhos verdes e trança) se dirigiu a ele:
– Olá Tomas. Podemos tirar uma foto com você?
– Sim – respondeu-lhe – Claro!
Foi cumprimentar as garotas, como de praxe e como esperado aquela voz amada apareceu na sua cabeça dizendo: “Seja ao mínimo educado, querido, sorria!”
Olhando todos aqueles rostos felizes ele desejou ser mais desinibido ... Queria parecer mais com os seus amigos, ter ao menos um pouco do carisma que eles tinham. Mas não, ele tinha que ser o estranho da turma. As meninas se agruparam ao seu lado e a garota que chamara sua atenção ficou o mais longe o possível, uma das outras (a de preto) tentou trocar de lugar para permitir que ela ficasse ao lado dele mas ela não aceitou.
Enquanto a foto era tirada, e a famosa foto “de garantia” também, ele ficava se perguntando o que tinha feito de errado para irritar tanto aquela garota. Estava muito, muito incomodado com as atitudes dela.
As fotos foram tiradas. Ele tentou fazer uma gracinha. Elas riram. Mas não foi o suficiente, nada que era pra ele era o suficiente. Nunca seria nenhum dos seus amigos.
Eles se despediram e elas foram embora. Tomas respirou fundo, acalmou-se, calou aquela maldita insegurança, colocou seu melhor sorriso e foi curtir o resto da noite.
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“Ele estava fugindo? Sério mesmo? E que raios deu na sua cabeça de chama-lo? Lara qual é o seu problema?”
– ... e eu? Só vou acreditar amanhã revendo essas fotos. Gente como eles são ... – Sophia
– Foi incrível mesmo, quero repetir – disse Anne – Quero mais noites como essa!
“Lara sua anta, por que você não foi pro lado dele? Vergonha. Até quando essa vergonha vai te dominar menina? Cresce!”
– ... será que vai dar tempo de chegarmos? – Miriam – Onde será que tem um táxi? Alguém pode me informar as horas?
– Só um segundo, deixa eu achar meu celular – respondeu Lara – Espera! Cadê meu celular?
– Você estava com ele na mão, colocou ele em cima daquela mureta quando fomos tirar a foto com o Tomas – afirmou Anne.
– Ah que divertido, e esqueci de pegá-lo. Vou buscar.
– Corre mulher – disse Miriam – Eles já estavam quase fechando.
– Eu vou com você! – respondeu Sophia.
– Obrigada. VAMOS!
Elas saíram correndo em direção a portaria. “Não acredito que você ficou tão boba com o “sorrisinho” torto dele. Lara cresce, por favor. VAI PERDER SEU CELULAR DE BOBEIRA.”
– Corre Lara, estamos quase chegando.
“Será que ele ainda está lá?”
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Ela até poderia ter uma forma meio arrogante que o irritava, mas ele não podia negar que ela tinha um belo sorriso. Porém o que incomodava-o era aquela frase que acompanhava a foto: “É só sorriso mais não consegue chorar”. Ele conhecia aquela frase e conhecia muito bem a música de onde ela fora tirada, não conseguia ligar a música à menina. As duas não combinavam. Resolveu guardar o celular no bolso.
– Tomas – chamou-lhe João – você vai ou não vai com a gente?
– Já estou saindo, estou esperando a Bê. Ela me apressou tanto pra descer que acabei deixando minha jaqueta na sala de recepção. Ela já foi pegar.
– Brother a Bê subiu TODA AQUELA ESCADA pra pegar a SUA BLUSA?
– É.
– Então, como eu tenho amor a minha vida e não quero ser testemunha de um assassinato eu vou indo pro carro, ok?
Tomas sorriu. A escada não era tão grande, nem ao menos cansava, João tinha a mania de ser exagerado, principalmente quando se tratava das atitudes de Bê. Parecia se divertir ao irritá-la.
– Ok, pode ir. Mais saiba que te amei. E amei muito, sua coisinha fofa.
– Cara, você realmente está precisando de uma namorada. Eu conhe...
– JOÃO! – Tomas o interrompeu – Chega de me arranjar encontros com aquelas suas amigas maluquinhas.
João começou a rir e por um segundo Tomas achou que ele passaria mal.
– Tomas, meu querido. Só por que uma delas tentou te agarrar, não quer dizer que TODAS são assim.
– AGARRAR? ELA QUASE RASGOU MINHA CAMISETA!
– E daí?
– Sério que não tinha problema? Eu achei que você pegaria mal, já que ela paga de sua namorada nas redes sociais. – disse Tomas ironicamente
– Seria uma honra ser chifrado por sua causa. Está mais necessitado que eu!
Tomas resolveu não discutir. Afinal, João era assim, uma mistura de adulto com criança. Tinha os olhos castanhos e as expressões completamente infantis (o que combinava muito bem com seus cabelos negros que estavam sempre desarrumados), mas carregava uma barba que dava a impressão de ser mais velho do que realmente era. Sendo o arteiro da turma, sempre tinha uma pegadinha ou piadinha guardada para momentos inusitados. Porém tinha um talento inigualável.
– Agora vamos fingir ser pessoas respeitáveis e responsáveis...
– Ei, eu sou responsável
– Não, você é chato com assuntos sérios, é diferente – respondeu João – Está tudo certo pra amanhã?
– Viu! Se eu não fosse responsável você não estaria perguntando isso pra mim.
– Eu ia perguntar pra Bê, mas ela está acompanhada e eu não quero passar a aparência de desleixado para as amigas dela.
– João você nem penteia o cabelo. E a Bê não está acompanhada de nenhuma amiga, ela até veio comigo hoje.
– Então se considere um homem de sorte. Porque Bê está trazendo duas meninas com ela. E caso você não seja egoísta, levando em conta o tamanho da sua carência acho difícil, eu gostei da que tem carinha de tímida.
Tomas se vira para o lado que João está apontando.
– Não acredito! – Exclama Tomas
– NEM EU! – responde João – E eu achando que ela iria te matar.
Bê se aproxima com as garotas, já conhecidas por Tomas, a “de longos cabelos negros e ondulados” (ou a preferida de João) e ela, “a irritante”. O que será que elas estavam fazendo ali?
– Meninos – Bê os chama – Essas são Lara e Sophia. Meninas, acho que vocês já os conhecem mas como manda a boa educação, esses são João e Tomas.
“Por que ela mantinha aquele olhar tão fixo? Por que ela era assim?” Tomas não conseguia parar de encarar Lara, algo em seu rosto o prendia.
– Hey meninas – disse João – Tudo bem com vocês?
João se dirige às meninas e deixa um pequeno beijo no rosto de cada uma
“Seja simpático querido, se não for assim você nunca alcançará o topo. E é lá que eu quero que você chegue”. Aquela voz. Aquela voz sempre aparecia em momentos assim, corrigindo-o, manipulando-o. Era horrível se lembrar daquela voz ao mesmo tempo que era reconfortante.
– Então garotas, que agradável surpresa as trouxe aqui? – Pergunta-lhes João
– Não tão agradável assim – responde Lara – Perdi meu celular.
– Está comigo – Interrompe Tomas. Sua voz assusta os presentes – Eu o achei jogado no chão.
Ele estava tão calado. Ele pronunciou aquelas palavras tão severamente que mesmo depois de terminar o que tinha para dizer o silêncio ainda reinou no grupo.
– Brother – disse João, tentando melhorar o clima – Devolve logo para a menina, não vê que ela está aflita?
– Não. Não vejo.
– Pois estou – responde Lara – E além de aflita estou atrasada. Agradeço de coração por você ter pego meu celular, mas pode devolvê-lo, por favor? Eu preciso ir embora!
Tomas tira o celular do bolso e entrega-o a sua dona. Quando está perto o suficiente para somente ela o ouvir dizer:
– Quando eu olho pra você, eu não vejo lágrimas. Continue assim, seu sorriso é muito bonito!
Lara pega o celular, prolongando um pouco mais o toque de suas peles. Tomas não entendeu aquela atitude. Só havia tentado ser simpático como “a voz” lhe disse e tentou desfazer aquela má impressão que causara com sua rispidez. Ela não precisava ter feito aquilo. Ele não gostara nem um pouco.
– Obrigada – ela respondeu – Obrigada por tudo. E pelo celular também
João, Bê e Sophia ficaram espantados com a resposta de Lara. Tomas simplesmente deu as costas para a garota e disse:
– Bê, se você não tem nada de melhor para fazer eu gostaria de ir embora.
– Já estou indo – respondeu-lhe – Bom meninas, fico feliz que tudo acabou bem. Até mais.
– E mais uma vez obrigada pela paciência.
Lara e Sophia se dirigiram para a saída. Quando elas sumiram de vista João virou para Tomas e perguntou:
– Precisava mesmo dessa dose de má educação? E o que ela quis dizer com “E pelo celular também”? O que você disse pra ela?
– O que eu disse não é importante. Agora se vocês não se importarem eu realmente gostaria de ir pro carro e sair desse frio.
– Ir para o carro não ia adiantar – disse João – Quem sabe uma cirurgia cardíaca?
– Aha engraçadinho!
Cada um entrou em seus respectivos carros e saíram. Afinal a noite é uma criança e Tomas sentia que precisava muito de alguma distração.
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