Emaranhado

7 Insegurança


Notas iniciais
Tema da rodada 7: Escolher uma das quatro cenas de um compilado do filme "O Artista" e incluí-la no capítulo. Escolhi a cena 2.

Insegurança

Capítulo 7

Ele guardou suas coisas em uma caixa de papelão. Não eram muitas, pois sua mesa sempre se manteve o mais simples possível. Depois de concluir, suspirou e virou-se em direção à mesa de Hyuuga Hinata.

Seus olhares se encontraram sobre as baias.

Akasuna no Gaara fora promovido a subgerente do setor contábil. Sua nova mesa ficava também em uma nova sala privada, longe da única pessoa de quem queria se manter próximo.

Passou-se uma semana desde o jantar.

Sete dias se sentindo cada vez mais consciente dela. Sete dias cheios de perguntas. Por Hinata, mudaria seus planos? Por Hinata, investigaria a Sabaku S.A.? Por Hinata... Não. Não podia pensar assim. Vingança era o que queria contra Sabaku no Rasa por afastá-lo de sua única irmã e fazê-lo conhecer o mais profundo desamparo que uma criança poderia sentir.

Se essa corporação era o que seu inimigo prezava, então era o que roubaria dele.

Por esses conflitos, Gaara percebia a si mesmo dando sinais contraditórios à Hinata. Ora a cumprimentava e lhe trazia uma caneca de café, ora a ignorava e fugia dela.

Reconhecia estar agindo errado. Precisavaesclarecer as coisas. Só não sabia o que dizer ou o que oferecer a ela... Sentia que, se a deixasse entrar, Hinata não sairia tão cedo de sua vida. E, um dia, ela poderia culpá-lo por isso.

Quando descobrisse que a irmã dele era uma das herdeiras da Sabaku S.A., como Hinata reagiria? Ela o acusaria de trair sua confiança? Ou entenderia que Temari não pediu essa posição?

Gaara apertou as mãos ao redor da caixa e prosseguiu até o elevador. Na tarde anterior, quando a promoção foi anunciada, ele recebeu todas as congratulações e despedidas com falsa surpresa. Hoje, no entanto, só conseguia pedir a si mesmo que não olhasse para trás... Que não se permitisse ver outra vez a mulher que o encantara.

Não havia espaço para ela no caminho que trilhava.

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— Odeio ver você assim.

Hinata observou Inuzuka Kiba, seu amigo mais querido, e sorriu melancólica. Ao redor deles, Akamaru, o grande cão branco de Kiba, corria solto.

— Só estou me sentindo magoada – respondeu ela. – Vai passar.

As palavras amenizavam a intensidade das emoções. Hinata não se sentia apenas magoada, mas abandonada por Gaara. Incompreendida. Decepcionada. E, ainda assim, profundamente apaixonada.

Não estava tão certa de que poderia esquecê-lo facilmente.

— Quando me contou sobre o jantar, e sobre cada pequena gentileza desse cara, juro que pensei ser uma questão de tempo até vocês namorarem.

Sentado ao lado da amiga sob uma frondosa cerejeira, Kiba abraçou-a pelos ombros.

— Acho que interpretei mal as entrelinhas – queixou-se Hinata.

Ele nada disse, mas discordava.

Akamaru veio com um graveto na boca. A cauda abanando e os pelos sujos de terra formavam uma imagem que a fez sorrir. Hinata lançou o graveto com força, sabendo que o enorme cão não demoraria a trazê-lo de volta.

— Ele cresceu muito, não? – perguntou.

— Demais! Ensinei alguns truques novos. – Kiba levantou-se. – Quer ver?

Ele assoviou e Akamaru, que já voltava com o graveto, correu mais rápido.

Bastou um gesto de Kiba para o cão largar o graveto e colocar-se de pé sobre as patas traseiras. Akamaru andou alguns passos e se sentou, obediente aos comandos do dono. Kiba, então, fingiu atirar nele com uma arma de fogo imaginária e, dramático, Akamaru caiu deitado no chão fingindo-se de morto.

Hinata aplaudiu, animada pela performance.

— Que inteligente! – elogiou o cão.

— Ele é, não é? – Kiba empolgou-se, acariciando Akamaru.

— Por isso sua clínica é tão requisitada – disse Hinata, referindo-se ao consultório veterinário. – O amor pelos animais está em cada gesto seu.

Kiba a observou. Considerava Hinata uma irmã, por isso odiava que um estranho a ferisse com sua insegurança.

— Esse cara ainda virá até você, Hinata – garantiu. – Ninguém que recebe seu amor consegue ser realmente indiferente.

Ela sorriu ao ouvi-lo.

No fundo, acreditava nas palavras do amigo.

[Continua]

Notas finais
De todas as rodadas, essa foi a que mais me fez chorar as pitangas para o Staff do UFC (rs). Isso porque as quatro cenas incluíam um cachorro e, convenhamos, que aleatoriedade seria simplesmente colocar um na minha história... AAAAAH. Contei com a dica da querida J Pearl-chan que mencionou o Akamaru. Ufa! Muito obrigada por essa luz. Parece óbvia, mas nessa competição até o óbvio precisa ser dito (rs). Enfim, Gaara foi promovido e está um tanto distante da Hinata, mas é um momento necessário. Ambos têm suas convicções muito enraizadas. No próximo capítulo, pretendo dar um passo importante na história – só pretendo, porque nada é certo sem saber qual será o tema da rodada 8 (rs). Obrigada por lerem! Amanhã vou responder aos comentários! Ebaaa! Beijos E BOA SEXTA-FEIRA 13~